Notas iniciais
Só uma coisa: Allison Lacradora! Beijos...

Lílian me deixou tanta coisa pra pensar que eu estava até um tanto perdida. Eu queria ter certeza de que eu tinha insistido no meu relacionamento com Will, mas não tinha.
Josh me deixou em casa ás 19 horas e eu fui direto para o meu quarto, eu estava começando a odiar esses conselhos. Eu só queria que as pessoas me dissessem: "Jessie, fica com o Will" ou "Jessie, fica com o Josh". Mas não, todas deixam pistas para que eu escolha. Peguei meu celular pra fazer uma ligação mais que essencial.
— Alô?
— Allison? É a Jessica.
— Oi, Jessie. Tudo bem?
— Tudo sim. Está fazendo o que agora?
— Nada.
— Ótimo, quer dormir aqui em casa?
— Dormir em um loft de costas para East River? Que pergunta idiota, chego aí em 30 minutos.
— Estou te esperando.
— Até daqui a pouco.
— Até.
Comecei a arrumar meu quarto para receber uma visita, eu não queria deixá-la dormir no quarto de hóspedes, afinal eu precisava dela para reclamar e falar da vida. Liguei pra minha mãe avisando que íamos ter visita para dormir e ela já estava fazendo planos pra comprar coisas pra comer.
Eu estava terminando de arrumar meu quarto quando ouvi barulhos na escada, o que significava que Will tinha chegado. Mas antes mesmo que eu pudesse falar com ele ouvi o barulho da porta do seu quarto batendo, resolvi então deixar pra lá.
Pontualmente, Allison tocou a campainha. Corri para atender e sorri com a cara dela olhando tudo com a boca aberta. Realmente era um loft muito bonito, mas a gente não pensava muito nisso quando se mora lá.
— Lindo. — falou ela.
— Obrigada. Eu também fiquei assim na primeira vez.
— Fala sério, essa escada no meio da sala é mega chique.
— Eu sei, eu também adoro essa escada. — estávamos rindo como duas idiotas.
— Antes de você me mostrar a casa pode me levar ao seu quarto? Quero largar minha bolsa.
— Claro, vamos lá.
Assim que pisamos no corredor, Will saiu do quarto e se surpreendeu quando nos viu. Allison também parou, mas era porque Will estava apenas de calça.
— Ah, desculpa. Eu não sabia que tínhamos visita. Espera aí que eu vou colocar uma camisa.
— Não, não precisa. Está simplesmente perfeito assim. — revirei os olhos e Will abriu um sorriso sem jeito.
— Essa é a Allison e esse é o Will.
— Você é a namorada daquele amigo do Josh?
— Exatamente. Obrigada por me lembrar. — dessa vez tive que rir.
— Tudo bem, agora já chega. Estamos no meu quarto, se precisar.
— Eu ia pegar sorvete, vocês querem?
— Claro. — falou Alli.
— Tudo bem, eu já volto.
Allison seguiu o Will com o olhar até entrarmos no meu quarto, assim que fechei a porta ela soltou um suspiro.
— Meu Deus, por isso que você está enlouquecendo.
— Agora você entende.
— Claro que entendo, se eu fizesse sexo sempre com um cara desses e de repente não pudesse mais, eu com certeza ficaria mal. — soltei uma gargalhada.
— Esse com certeza é meu dilema.
— Josh ou Will? Sinceramente, Jessie, eu também não saberia escolher no seu lugar.
— Agora já chega de falar do Will.
— Está com ciúmes?
— Só um pouquinho.
— Não precisa, eu falo essas coisas mas amo o Phelipe. Lembrando que isso não significa que de repente fiquei cega.
— Com certeza.
— Jessie? — Will estava na porta.
— Pode entrar.
— Trouxe o sorvete. — falou ele com potes e colheres na mão.
— Obrigada.
— Para aí. — falou Allison e Will parou confuso.
— O que foi? — Alli ficou analisando ele por alguns minutos.
— Já tive um sonho assim, sabia? Misturava um cara gato sem camisa e sorvete. — Will soltou uma gargalhada e eu acompanhei.
— Ah meu Deus, Allison, você tem que se controlar.
— Com certeza não tenho. Você sabe quão difícil é achar caras bonitos como ele que não são arrogantes?
— Arrogantes como o Phelipe? — ela sorriu.
— Exatamente como o Phelipe e o Josh. A diferença é que o Lipe tem a mim e isso faz dele uma pessoa melhor.
— Com certeza.
— Eu tenho que terminar um projeto, então vou voltar pro meu quarto, mas desço pra comer alguma coisa quando nossos pais chegarem. — falou Will.
— Okay, e obrigada pelo sorvete.
— Sem problemas. — ele deixou os potes e a colher em cima da mesinha de cabeceira.
— Ah e mais uma coisa. Será que depois teria como eu mostrar a vista do seu quarto para a Alli? — ele sorriu.
— Claro. Só bater lá.
— Valeu, você é incrível.
— É, sei...
Will mal fechou a porta e Allison atacou o pote de sorvete. Peguei sua bolsa e coloquei no closet. Sorri quando vi o sabor do meu sorvete: Chocolate com nozes.
— Por que você está sorrindo? — perguntou Alli.
— Porque é o meu preferido.
— E daí?
— Daí que o Will lembrou. Deve ter uns quatro sabores diferentes de sorvete na geladeira e ele pegou o meu preferido.
— Claro que pegou.
— O que quer dizer com isso?
— Ele te ama, lembra?
— Como eu poderia esquecer?
— Sinceramente, Jessie, eu sei que você está em cima do muro e não sabe o que fazer da vida, mas o Will é bom demais pra ser de verdade.
— Eu sei disso, e é exatamente isso que me mata.
— Por que você não fica com ele logo?
— Por causa do Josh.
— Tá, mas parece que você sofre toda vez que ele deixa o recinto.
— É só que eu tenho medo de ficar com o Will e me sentir arrependida de não ter ficado com o Josh, sabe? Quem quer alguém que fica pensando em outra pessoa?
— Então está fazendo isso pelo Will?
— Basicamente sim.
— E você? Quando vai pensar em você?
— Em mim?
— É, em você. Quando vai começar a pensar em você, em vez de pensar nos outros?
— Achei que isso fosse altruísmo... — ela revirou os olhos.
— Altruísmo é uma coisa, auto-preservação e amor-próprio é outra. Pensar só nos outros faz tão mal quanto só pensar em si mesma.
— Equilíbrio?
— Sempre.
— Vou colocar isso na lista de coisas que eu tenho que pensar.
— Esse é seu outro problema.
— Meu outro problema?
— Exatamente, está pensando demais.
— E o que mais eu posso fazer?
— Agir por impulso.
— Isso nunca dá certo, em todas as vezes que isso aconteceu a coisa ficou muito pior.
— Só ficou pior porque você demora demais pra agir e quando age faz besteira.
— E o que você me sugere exatamente?
— Que você pense sobre algo apenas uma vez, espere seu cérebro processar a informação apenas uma única vez depois faça. Porque toda vez que você pensa uma, duas, três vezes escolhe errado. — respirei fundo.
— Isso é um saco.
— É sim, querida. Isso se chama vida.
Ficamos um tempinho em silêncio, apenas comendo sorvete e encarando o nada. Eu queria tanto aprender a manter a minha mente limpa igual aqueles monges, só para relaxar por alguns minutos.
— Jessie. — Will estava batendo na minha porta mais uma vez.
— Pode entrar.
— Meu pai e Ellie chegaram. Estão te chamando.
— Ah, valeu. Estamos descendo.
— Eles querem pedir pizza, o que eu apoio totalmente, então por favor, apoiem também. — sorri.
— Com prazer.
— Ótimo.
Ele fechou a porta e eu fechei o pote de sorvete com muita tristeza, torcendo para pegá-lo de novo mais tarde. Allison fez o mesmo e me seguiu até a cozinha.
— Olá. — falou minha mãe.
— Alli, essa é minha mãe Ellie e o noivo dela Richard. — minha mãe abriu um sorriso.
— Você deve ser a Allison.
— Isso mesmo. Obrigada por me deixar ficar.
— Sem problemas. Venha sempre que quiser. — falou Richard.
— Obrigada.
— Queremos pedir pizza, o que sugerem? — perguntou minha mãe.
— Calabresa, por favor. — falei.
— E você, Allison? — perguntou Rich.
— Italiana?
— Ótima escolha. Calabresa e italiana, então. Quando chegar, chamamos vocês.
— Tudo bem.
Guardei os sorvetes na geladeira e arrastei Allison direto para o quarto do Will, eu queria muito mostrar a vista da parede de vidro pra ela. Bati apenas uma vez antes dele abrir.
— Viemos em uma má hora? — perguntei e ele sorriu.
— Claro que não. Entrem aí.
Assim que Alli entrou ficou chocada e eu entendia a sensação. O East River brilhava lindamente iluminado com as luzes de Nova York, era uma sensação incrível, como um refúgio do caos.
— Uau. — falou ela.
— Eu sei. — falei sorrindo.
— É lindo.
— É mesmo.
— E você dorme olhando pra tudo isso? — perguntou Alli e Will sorriu.
— Todas as noites.
— Deve ser fantástico. — falou ela e eu meio sem pensar muito acabei soltando.
— É incrível. — Will olhou pra mim e eu prendi a respiração. Seus olhos começaram a escurecer e eu sabia exatamente no que ele estava pensando.
— Eu... é... eu vou tomar banho antes da pizza. Allison, fica a vontade.
Eu não podia ficar mais nem um minuto ali. Cada lembrança que eu tinha com o Will naquele lugar veio com força e eu não sabia como lidar com aquilo naquele momento sem uma banheira de água quente.

>>o Ponto de vista: Will
Como sempre a Jessica fugiu, eu vi nos olhos dela que ela lembrou das mesmas coisas que eu, então ela resolveu que tomar um banho de banheira era a melhor solução no momento. Óbvio!
— O que foi isso? — perguntou Allison e eu sorri.
— Essa é a Jessica fugindo para uma banheira de água quente.
— Ela faz muito isso?
— Sempre. — sentei na cama com a mão na cabeça.
Allison sentou ao meu lado e ficou olhando para a parede de vidro. Ela era uma garota muito bonita e se portava com uma confiança diferente. A Julie, por exemplo, sabia que era bonita e usava isso como uma arma. Já a Allison tinha a plena certeza de que era bonita, mas não tava nem aí.
— Como você está? — perguntou ela.
— Como eu estou?
— É, como você está?
— Estou... bem. — ela levantou uma sobrancelha e eu suspirei. — Eu estou um caco.
— Claro que está.
— Eu converso com a Jessie todo dia fingindo que está tudo bem, mas quando eu entro no meu quarto eu quero gritar, quebrar as coisas e desabar tudo ao mesmo tempo.
— Claro que quer, seu coração está partido.
— Eu queria tanto que ela me amasse, Allison. — ela sorriu e colocou a mão no meu ombro.
— Ela tem que descobrir isso por si mesma, William. — eu me assustei ao ouvir meu nome.
— Eu sei, é só que...
— É doloroso.
— Exatamente.
— Olha, eu não conheço a Jessica há muito tempo, mas estou vendo essa situação toda de perto. Sei como ela pensa e entendo um pouco de como ela está se sentindo.
— E como ela está se sentindo?
— Perdida.
— Perdida? — Allison deu de ombros.
— Dividida e perdida. Ela não sabe como ficar com você e se afastar do Josh, ao mesmo tempo que não sabe ficar com o Josh e se afastar de você.
— Por quê?
— Porque ela te ama, mas depende do Josh para se manter com os pés no chão. — fiquei um tanto confuso.
— Como assim?
— Bom, você representa tudo pra ela. Ela me contou como vocês se conheceram, pelo que passaram. Você fez ela viver, William, fez com que ela visse o mundo com outros olhos. E aos poucos ela foi aprendendo a te amar. Só que de repente, você começou a se afastar...
— Espera, está dizendo que a culpa é minha?
— Não. Você pode me deixar terminar?
— Desculpe...
— Eu quis dizer, que de repente você tinha milhões de coisas pra fazer e ela se sentiu abandonada. E agora peço licença para usar metáforas. A culpa não foi sua, o problema é que a âncora dela era você. Quando na verdade, a âncora dela deveria ser ela mesma.
— E aí ela se sentiu perdida e abandonada por mim... — tudo começava a fazer sentido na minha mente.
— Exatamente. E aí o Josh chegou e aos pouquinhos a âncora dela que estava a deriva, virou ele. O Josh começou a ser a âncora dela, era para onde ela fugia quando estava pirando, era pra ele que ela corria sempre.
— Isso quer dizer...
— Quer dizer que a Jessica te ama, mas a âncora dela ainda é o Josh.
Demorei alguns minutos para que isso fizesse sentido na minha mente. E aos poucos essa ideia foi tomando forma, a Jessica era assim. Tudo o que aconteceu na vida dela, fez ela se perder um pouco.
— E o que eu faço? — perguntei e Allison sorriu.
— Ajuda ela a ser a sua própria âncora.
— E como eu faço isso?
— Dando um tempo. Ela te ama e sabe disso, só que ela não consegue largar o Josh sem ficar sem rumo.
— E quanto tempo isso vai levar? — Allison deu de ombros.
— Quem sabe? Mas quer um conselho?
— Claro.
— Eu acho que ela está começando a tomar a rédea da situação. Quando a gente conversa eu percebo que ela está ficando mais confiante e percebendo que é você quem ela ama.
— Tempo...
— Isso, tempo.
— Eu posso fazer isso.
— Claro que pode.
— Eu queria poder ajudá-la mais.
— Sinto muito, Will. Mas isso é por conta dela.
— Obrigado, Allison, de verdade.
— Ah, que isso. Eu gosto muito da Jessica e acho que você é o melhor pra ela.
— Como pode saber? Nem me conhece. — ela sorriu.
— O sorvete que você pegou hoje pra Jessie era o preferido dela.
— O que é que tem?
— Está vendo? O fato de você achar isso irrelevante prova pra mim que isso flui naturalmente de você.
— O que isso quer dizer?
— Você se importa, Will. Muito mesmo. Esse tipo de coisa é pequena, mas prova que você quer agradar sem precisar. Esse é você.
— Isso não quer dizer nada.
— Talvez não pra você, mas significa pra ela. Fala sério, Will, você ficou com ela durante todo o momento em que ela estava enlouquecendo com aquele vizinho.
— O Nathan...
— Exato. Você se importa.
— Alguns podem dizer que eu sou apenas idiota.
— Talvez, mas pra mim isso prova muitas coisas.
— E o Josh, Allison? Ele é meu melhor amigo e eu quero vê-lo feliz. Mas me diz como isso seria possível, se a felicidade dele é ficar com a garota que eu amo?
— O Josh já é grandinho, Will. Ele não precisa que você cuide dele.
— Ainda sim...
— Olha, o Josh se apaixonou pela Jessica porque ela foi a garota que queria ficar com ele não porque ele é gato, mas porque é uma pessoa incrível.
— Sério?
— Claro. Ele vai superar aos poucos.
— Como você pode ter certeza?
— Porque é só isso que lhe resta. — Allison levantou e beijou o topo da minha cabeça.

>>o Ponto de vista: Jessica
— Jessie. Sai logo daí. — Allison estava batendo insistentemente na porta.
— Estou saindo. Calma.
— Assim espero.
Enfiei a cabeça debaixo d'água uma última vez e saí da banheira. Eu queria parar de pensar no Will, parar de pensar no que eu poderia estar fazendo com ele nesse momento se não fosse tão idiota.
— Finalmente. — falou ela levantando da cama.
— Que estresse.
— Eu também quero tomar banho, sabia?
— Desculpa, nem demorei tanto assim.
— Isso é o que você diz...
— O que você ficou fazendo?
— Conversando com o Will. — a naturalidade me pegou de surpresa.
— Como assim?
— Como assim, o quê? Acho que nessa altura da vida você já saiba o que é conversar.
— Eu sei o que é conversar. Eu quis dizer, sobre o que vocês falaram?
— Não foi isso que você perguntou.
— Allison, para de enrolar.
— Conversamos sobre você. — quase deixei a toalha cair.
— O que você falou?
— Nada de mais, agora você pode me emprestar uma toalha?
— Posso, mas ainda temos que conversar sobre isso.
— Ah, agora você sabe o que é conversar.
— Allison!
— Não temos que conversar nada.
— Por quê?
— Porque eu não sou obrigada a falar, muito menos o Will. Então, a toalha, por favor.
— Eu te odeio.
— Não, não odeia. E você não tem 4 anos para me odiar e me amar em cinco minutos, então supere.
Meio a contragosto peguei uma toalha e joguei pra ela. Com um último sorrisinho irônico, Allison entrou no banheiro. Pronto, era oficial, eu só pensava no que eles poderiam ter conversado ou pior, o que a Alli poderia ter dito pra ele. Não que eu achasse que ela contaria todos os meus segredos, mas ainda sim...
— Jessie ou Allison? — Foi assim que o Will bateu na porta e isso me irritou um pouco, o quarto era meu, droga, ele tinha que me chamar.
— O que foi? — abri a porta na maior grosseria, mas meu rosto se suavizou na hora que eu olhei pra ele. Seus olhos estavam começando a escurecer e eu percebi que ainda estava de toalha.
— Eu disse que toalha era melhor que roupão. — sua voz estava meio rouca, o que não ajudou em nada.
— Hum... é... você queria...
— Ah, hum... desculpa. A pizza chegou.
— Estamos descendo. A Allison está no banho, mas assim que ela sair, a gente desce.
— Pode esperar ela colocar uma roupa também. — revirei os olhos.
— Obviamente. — Will sorriu.
— Estamos esperando vocês.
Fechei a porta e a imagem do Will olhando pra mim daquele jeito veio de novo na minha mente. Sentei na cama e fiquei um tempinho olhando pro nada.
— O que foi? — perguntou Allison.
— Will.
— Claro que foi. O que ele fez? Te beijou, te agarrou e te jogou na parede?
— Não, apenas me olhou daquele jeito. — ela sorriu.
— Típico.
— Vamos colocar uma roupa e descer, a pizza chegou.
— Tudo bem. Eu adoro pizza em família.
— Eu também. — e minha voz estava carregada de ironia.

>>o
— Então, Allison, você estuda na New York University também? — perguntou minha mãe.
— Sim, eu faço Psicologia.
— Como a Charlie. — falei.
— E como vocês se conheceram?
— O namorado da Allison, o Phelipe, estuda com o Josh.
— Você e o Josh tem se falado muito? — eu fiquei encarando minha mãe diante dessa pergunta sem o menor sentido.
— Mais ou menos. — falei.
— Ah, sim...
— Vocês vão no casamento? Você e o seu namorado? — perguntou Richard sempre com um timing excelente.
— Vamos, com certeza.
— Ah que ótimo.
— E a roupa de vocês do casamento? Eu não vi ainda. — perguntou minha mãe.
— Nem vai ver. Surpresa! — falei e ela fez uma careta.
— Deixa de ser sem graça.
— Aprendi com a melhor.
— Vocês vão fazer alguma coisa amanhã? — perguntou Rich.
— Não sei, vamos? — perguntou Alli pra mim.
— Vamos sim. Eu, Allison e Chloe vamos atrás dos acessórios para minha roupa e os vestidos das meninas.
— E você, Will? Vai sair amanhã? — se ele pudesse se enfiar dentro de um buraco, ele faria.
— Vou. — ficamos todos esperando ele continuar, mas ele não deu detalhes.
— Então, tá...
— E como estão os preparativos pro casamento, Mrs... — Allison parou sem saber o que dizer e minha mãe sorriu.
— Futura Mrs. Corrigan. E o preparativos estão caminhando. Eu tenho tanta coisa pra resolver.
— Você sabe que podia ter falado comigo pra te ajudar. — falei e ela deu de ombros.
— Você estava presa nos seus próprios problemas, eu não quis te atrapalhar. — o que ela queria ter dito era: "Você estava ocupada demais reclamando da sua vida amorosa pra me dá atenção!"
— Ah... desculpa!
— Sem problemas, filha. Já está tudo caminhado agora...
— Que ótimo. — falou Allison. — E vocês já...
Minha mãe, Richard, Allison entraram em uma conversa animada que eu parei de prestar atenção. Voltei o meu lugar para o Will que comia a pizza sem muita animação.
— Está tudo bem? — perguntei e ele se assustou com a minha voz. — Meu Deus, estava pensando em quê?
— Nada... — revirei os olhos.
— Fala Will, aconteceu alguma coisa?
— Não, é só que... — foi então que eu suspeitei.
— Com quem você vai sair amanhã, Will? — ele olhou dentro dos meus olhos e eu entendi.
— Jessie...
— Não tem problema, Will. Não somos mais um casal, eu sei disso.
— Eu sei que você não gosta da Julie, mas...
— Você está seguindo com a sua vida. Eu entendo.
— Eu não quero que as coisas fiquem estranhas entre nós, principalmente agora que estamos nos entendendo.
— Eu não gosto dela, mas por motivos bem idiotas. O que significa que eu vou aceitar você sair com ela, afinal que escolha eu tenho?
— Eu sei, Jessica, mas poxa eu não queria que você ficasse com essa cara...
— Mais uma vez, que escolha eu tenho?
— Jessie...
— Will, o que você quer que eu diga? — e foi nessa hora que eu perdi a paciência. Todos ficaram em silêncio esperando.
— Eu só queria que você mostrasse que se importa. — agora estavam os dois gritando.
— Eu me importo, okay? Eu não gosto dela e odeio o fato de você sair com ela. Era isso que você queria.
— Era.
— Por quê? Que diferença isso vai fazer?
— Porque assim eu posso ter esperança, Jessica. — fiquei encarando Will por um tempo e suspirei.
— Não precisa sair com a Julie para ter esperança, eu só... Eu preciso de um pouco mais de tempo e paciência, okay?
— Okay. — a mesa estava um silêncio, só se ouvia o barulho da respiração.
— Você ainda vai sair com ela amanhã? — minha voz era um sussurro.
— Vou, Jessie, vou sim.
— Tudo bem.
— Jessica, eu só...
— Eu disse tudo bem, William. — voltei simplesmente a comer e depois de um tempo todos fizeram o mesmo, mas obviamente que o clima na mesa caiu uns 50° graus.
Depois desse pequeno show terminamos de comer em um completo silêncio. Eu odiava quando isso acontecia, e odiava mais ainda brigar com o Will. Eu queria tanto que isso acabasse e o que mais me irritava que eu sempre dizia isso e nada mudava.
— Eu vou subir. — falei assim que terminei de comer.
— Eu vou com você. Obrigada pela pizza, Mr. Corrigan e futura Mrs. Corrigan. — minha mãe sorriu.
— De nada, querida.
Subi as escadas seguida por Allison que estava com uma cara enorme de acusação, e sinceramente eu realmente me sentia mega culpada por estragar o nosso "jantar".
— Eu sei, eu vacilei.
— Ah que bom que você sabe, poupa muito meu trabalho.
— Allison...
— Não, escuta. Sua mãe e o Richard não merecem isso. Ou você e o Will se resolvem de vez ou saiam de casa porque assim não dá. — eu fiquei tão chocada com as palavras que não sabia o que responder.
— Eu só não sei como resolver... — ela revirou os olhos.
— Não sabe? Por favor, Jessica, larga o Josh de vez. Pelo amor de Deus, você ama o Will. Eu sei disso, você sabe, até o Josh sabe, mas você não consegue largar o osso. Esquece ele. — a agressividade nas palavras da Allison me pegaram muito de surpresa. Sinceramente, eu não sabia como refutar, talvez porque parte de mim acreditava nela.
— Allison, eu... eu não... eu não consigo.
— Claro que consegue. Só para um instante de pensar no que você pode perder se ficar com o Will e pense no que vai acontecer se você não ficar.
— Você fala como se fosse simples.
— E você fala como se fosse complicado. Jessica, é uma questão de escolha.
— Escolha?
— Exatamente. A partir do momento que você escolher o Will tudo vai se resolver aos poucos, converse com o Josh e fala que ele vai arranjar quem o ame como ele merece. E pronto, sua vida vai voltar a ficar simples.
— Eu não sei...
— Pois bem, então fica remoendo esse sentimento. Passa o resto da vida arrependida. Não estou nem aí. — Allison pegou sua bolsa e entrou no banheiro.
Entrei no closet e troquei de roupa pra dormir. Eu sabia que a Allison estava certa, eu só não sabia como mudar aquele sentimento dentro de mim. Eu estava tão perdida. Eu ia precisar de tempo, o máximo que desse.

Notas finais
Gente, eu amo vocês, viu? Mesmo!