Notas iniciais
Hello, my people... Aviso: só tombamento..

>>o Ponto de vista: Josh
— Josh, eu posso te perguntar uma coisa? — perguntou Chelsea.
— Eu tenho certeza que você vai perguntar assim mesmo.
— Você trouxe alguém aqui pra casa ontem? — levantei uma sobrancelha.
Chelsea era minha irmã gêmea, mas nunca se importou muito com o que eu fazia dentro do meu quarto desde que não a afetasse. Eu sempre fui muito protetor com ela nesse sentido, mas a recíproca não era verdadeira.
— Por que a pergunta?
— Ontem você saiu de manhã e eu descobri pela Allison que você foi pra casa deles. Depois saiu pra beber com o Phelipe e me apareceu aqui com uma garota e eu sei que ela dormiu com você.
— Aonde você quer chegar, Chelsea?
— O que aconteceu com você? — perguntou me deixando surpreso.
— Como assim?
— Você sempre foi assim, meio irresponsável, mas está diferente. Seus olhos estão... tristes. — fiquei um tempo sem responder, apenas peguei mais uma panqueca.
— Estou exatamente a mesma pessoa.
— Josh, eu te conheço. Você deveria saber que não pode mentir pra mim.
Era engraçado como éramos parecidos fisicamente e com personalidades praticamente opostas. Chelsea estava muito mais sensível depois que tinha começado a namorar o Derek, mas eu ainda estava decidindo se isso era bom ou ruim.
— Eu não quero mentir pra você. É só que... é complicado. — ela suspirou.
— Tem a ver com a Jessica não tem? — eu estava muito, muito surpreso.
— O que você quer dizer com isso? — ela sorriu.
— Eu já disse que te conheço. Vocês se aproximaram muito e eu comecei a estranhar. Percebi que você olhava pra ela diferente, de um jeito que eu nunca tinha visto antes, talvez somente com a Lilly. — fechei os olhos.
— Sério?
— Nunca entendi por que você e a Lilly terminaram. Você parecia realmente gostar dela. — Só porque eu ia ser pai e não estava pronto pra isso.
— As coisas mudam, Chelsea.
— Mas é por causa da Jessica, não é? — dei de ombros. — Ah, Josh...
— Não, não fala nada.
— Você não pode gostar dela. — suspirei.
— E você acha que eu não sei disso?
— Se gosta dela por que dormiu com alguém ontem? — eu estava tão chateado que nem impliquei com ela por ter usado a palavra "dormir".
— Porque eu não posso ficar com a Jessie. Nem que ela termine com o Will, eu posso fazer isso. Eu só... eu estou perdido, Chelsea.
— Eu sinto tanto, irmão. — ela deveria estar mesmo com pena de mim, porque fazia anos que ela não me chamava de irmão.
— Eu também sinto muito. — ela suspirou.
— Olha, eu até posso não entender muito da sua vida, mas acho que dormir com várias garotas não resolve nada. — tentei dar um sorriso.
— Não resolve mesmo. Eu faço isso só pra manter o hábito. — ela revirou os olhos.
— Sabe o que eu acho? — dei de ombros. — Eu acho que a Jessica também gosta de você.
— Ela tem um jeito engraçado de mostrar isso.
— Não estou dizendo que ela é apaixonada por você. Eu quis dizer que ela gosta de você pelo jeito que ela fala de você, ou como age quando está com você.
— Isso não faz o menor sentido.
— Talvez não pra você, mas faz pra ela. — cocei a cabeça por impulso.
— Você não devia falar isso, dar esperança para mim é um pouco de maldade.
— Não é esperança, Josh. Eu só acho que você merece saber que seu sentimento é retribuído só que não da forma como gostaria.
— O que não resolve nada, só me deixa mais irritado. Porque mesmo que ela goste de mim, ela gosta mais do Will. Ah, claro, sem esquecer que o Will é meu melhor amigo.
— Eu não esqueci, só que se a Jessica escolhesse ficar com você, eu acho que o Will entenderia.
— Você tem achado coisas de mais ultimamente.
— Você não é o único que fez algo que seu amigo não gostaria. — eu estava levando a panqueca até boca e parei. Fiquei um tempo tentando entender o que ela disse, não consegui.
— O que você quer dizer com isso? — ela deu de ombros.
— Eu só estou falando que talvez você...
— Chelsea, você quer me contar alguma coisa? — ela respirou fundo.
— Eu vou contar, mas você tem que saber que isso foi há muito tempo e tem que me prometer que não vai dar um chilique. — revirei os olhos.
— Você sabe que eu não dou chilique. Conta logo.
— Eu e o Will, bem... nós já... hum... — olhei dentro dos seus olhos verdes e eu já estava sentindo meu rosto esquentar.
— Vocês o quê, Chelsea? — ela desviou o olhar.
— Ah... bem... você sabe. — tentei não gritar, mas gritei.
— POR QUE VOCÊ NÃO ME CONTOU QUE VOCÊS TRANSARAM?
— Pra você não ficar assim todo irritadinho. Foi apenas uma vez, assim que ele terminou com a Megan, como eu disse foi a bastante tempo. — tentei respirar.
— Foi só uma vez?
— Sim. Ele estava mal, eu chamei ele pra vir aqui e ninguém estava... Enfim, aconteceu. Mas a gente decidiu que não ia contar pra você porque você ia enlouquecer.
— Eu, com certeza, estou enlouquecendo agora.
— Só que agora não faz tanta diferença porque eu tenho o Derek que já sabe e o Will tem a Jessica que também sabe, então só resta a você superar. — agora eu estava realmente irritado.
— Quer dizer que todo mundo sabia menos eu?
— Acho que a Trina não sabe, mas suspeita.
— Ele devia ter me contado.
— Olha, sinceramente, você não tem muita credibilidade pra falar não, já que está apaixonado pela namorada dele. — obviamente minha irritação foi passando diante dessa verdade.
— Odeio quando você está certa.
— Você deveria estar acostumado.
— Cadê nossos pais? — perguntei mais pra não tem que responder isso.
— Saíram cedo.
— Em um domingo? — ela levantou uma sobrancelha.
— Também deveria estar acostumado com isso. — eu deveria mesmo. — Planos pra hoje?
— Não.
— Pois eu devo almoçar com o Derek e os pais, mas ainda não sei se vou vestir vestido ou saia? Ou talvez algo mais sério? Eu talvez devesse mandar mensagem pra ele e verificar. Ou eu simplesmente possa ir com aquele vestido que...
— Como? — perguntei. — Desculpe eu caí no sono por um instante. Por favor, continue com qualquer que seja a coisa memorável que estava falando. — ela revirou os olhos.
— Um dia essa ironia vai te matar.
— E eu morrerei com um sorriso nos lábios. — ela levantou irritada, mas veio ao meu lado e beijou minha cabeça.
— Vai dar tudo certo, Josh. Você vai ver. — não respondi, mas deu um sorriso em troca. Eu esperava muito que a Chelsea estivesse certa.

>>o Ponto de vista: Jessica
— Bom, hoje é domingo. O que você quer fazer? — perguntou Will com um sorriso.
Estávamos tomando café da manhã, mas estava quase na hora do almoço. Parte de mim queria só ficar na cama só que eu sabia o que isso ia significar e tinha a suspeita de que estava fazendo sexo demais para o meu próprio bem.
— Podemos ir ao cinema.
— Por mim tudo bem. Quer fazer coisas de namorado e namorada? — dei uma gargalhada.
— Achei que já fazíamos isso.
— Eu quis dizer coisas que podemos fazer em público. — revirei os olhos.
— Respondendo a sua pergunta: Sim, vamos fazer coisas de namorado e namorada.
— Combinado.
— Vou tomar um banho. Sozinha. — acrescentei quando vi seu olhar.
— Por quê?
— Porque eu preciso de um momento sozinha. Passei esses dois dias grudada em você. — ele deu um suspiro teatral.
— Tudo bem. Eu guardo as coisas por aqui.
— Você é um namorado incrível.
— Eu sei, mas é sempre bom ouvir. — beijei seus lábios suavemente antes de subir as escadas em direção ao meu quarto.

>>o Ponto de vista: Josh
— Phelipe?
— Fala, Sr. Eu-Amo-A-Jessica-Mas-Nosso-Amor-É-Proibido.
— Nossa, como você é esperto. Pensou nisso sozinho?
— Estou melhorando. O que você quer?
— Você vai sair hoje?
— Foi mal cara, mas eu combinei com a Allison que a gente ia sair para fazer algo em casal.
— Sério isso?
— Sim. Jack e Abigail estão aqui.
— Mas eles não moram aí?
— Na teoria sim, mas nunca se sabe quando eles vão aparecer. Enfim, eu tento não me meter muito.
— E vocês vão sair em casal? Os quatro?
— Pois é. Coisas que fazemos por amor.
— E o que eu vou fazer?
— Tenho certeza de que você tem outros amigos.
— Vocês estão todos namorando. Só tenho a Trina agora.
— Olha, que maravilha. Liga pra ela.— e desligou. Simples assim.
Eu estava em casa em pleno domingo, meu tédio estava começando a me incomodar e nem a Chelsea estava em casa para ficar falando no meu ouvido. Com um suspiro tentei ligar para a Trina.
— Alô?
— Trina, sou eu.
— Fala, Josh.
— Quer fazer alguma coisa agora?
— Poxa, nem dá. Eu já marquei de sair com outra pessoa.
— Outra pessoa? — eu podia imaginá-la revirando os olhos.
— É, Josh, outra pessoa.
— E eu?
— Você faz o que quiser.
— Mas Trina...
— Tchau, Josh.— e desligou.
Eu tinha aprendido uma lição muito importante com essas duas ligações: precisava arranjar amigos mais gentis. Com um último golpe de puro desespero, liguei para o Will. Eu precisava mesmo pegar a minha mochila na casa dele.
— Alô?— a voz dele estava ridiculamente baixa.
— Will?
— Fala, Josh.
— Por que você está sussurrando?
— Porque eu e a Jessie viemos no cinema.
— Ah, sim...
— Você queria alguma coisa?
— Eu precisava pegar minha mochila na sua casa.
— Pode pegar se quiser, sabe onde a gente esconde a chave reserva.
— Eu me lembro.
— Beleza, a gente se vê.— e desligou. Respirei fundo e levantei para ir até a casa dele.

>>o
A casa do Will já estava estranhamente silenciosa. Obviamente era porque não tinha ninguém em casa, mas mesmo assim eu estranhei a falta de barulho.
O quarto do Will estava uma bagunça, e para meu completo enjoo as roupas da Jessica estavam jogadas no chão junto com a lingerie. Obriguei meus pés a irem até o closet e pegar minha mochila, eu não podia deixar isso me incomodar. Mas mesmo assim, saí dali com uma sensação esquisita no estômago.
Mal terminei de descer as escadas, a campainha tocou. Eu me perguntei se deveria abrir a porta já que a casa não era minha, mas eu tinha que sair de qualquer jeito, então resolvi abri-la.
Na porta estava ela, linda com seu cabelo totalmente preto que descia até aquela cintura pequena, seus olhos verdes bem escuros me encaravam com curiosidade e seu corpo estava marcado por um vestido bege que contrastava com sua pele. Eu quase tinha esquecido o quanto ela era bonita, porque pelo jeito que a Jessica falava dela, eu comecei a imaginá-la bem diferente.
— Olá. — falou ela.
— Oi. — falei meio sem jeito.
— O William está?
— Não, ele e a namorada foram ao cinema.
— Ah, por isso que eu não estava conseguindo falar com ele.
— Pois é.
— Você mora aqui? — sorri.
— Não, eu só vim aqui pegar minha mochila. Ele é meu melhor amigo.
— Claro... — ela ficou me avaliando por um tempo. — A gente já se conhece?
— Acho que só de vista.
— Você também estuda na New York University?
— Sim, Ciências Políticas. — ela abriu um sorriso realmente bonito.
— Ah, maneiro. Eu faço Economia.
— Junto com o Will, certo?
— Sim. Exatamente. — eu levei um curto espaço de tempo para decidir se eu deveria fazer isso ou...
— Quer ir comer alguma coisa? — ela sorriu.
— Aceito um cappuccino.
— Ótimo, então. Ah, e meu nome é Josh Lodge.
— Julie Sloane.