Notas iniciais
Sim, eu sei. Eu sou impossível.. rs

Estava quase na hora de ir pra casa, eu estava ansiosa e não sabia exatamente o que esperar da conversa. Eu só queria resolver isso logo pra ter outra coisa pra pensar, minha mente precisava de uma folga do assunto: Jessica x Julie.
Me despedi de Chris e Chloe e comecei a caminhar em direção a saída. Estava tão distraída que só percebi que alguém me chamava quando a pessoa estava na minha frente, no caso Josh.
— Oi, Jessie.
— E aí, Josh?
— Você está linda.
— Obrigada, mesmo.
— Está indo pra casa?
— Estou sim.
— Quer uma carona?
— Claro, obrigada.
Caminhamos até o carro em silêncio, mesmo que a conversa parecesse leve tinha um clima um tanto tenso no ar. Embora eu não tenha tido nada sobre a minha conversa com a Allison na cozinha, eu tinha certeza que ele suspeitava.
— Nós vamos para sua casa mesmo? — eu sorri.
— Sim, a minha casa mesmo.
— Então isso quer dizer que você e o Will se acertaram?
— Ainda não, estou indo pra casa exatamente pra isso. Temos que conversar.
— Jessica eu quero que você saiba que o Will gosta muito de você. Mais do que vai admitir. — me mexi desconfortável no banco.
— Ele que tinha que me dizer isso.
— Nós sabemos que não é assim que funciona. Ele só vai demonstrar e falar aquilo que você retribuir. — fiquei um tempo pensando a respeito.
— Provavelmente ele tenha razão.
— Claro que ele tem razão, ninguém quer amar mais do que ser amado.
— Pois é.
— Eu te dei o que pensar, né?
— Infelizmente sim, isso é muito irritante.
— Desculpa, mas achei que deveria saber.
— Espero que depois dessa noite eu e Will possamos confessar essas coisas um para o outro.
— Eu também, Jessica.
Liguei o rádio e me deixei perder na música por alguns minutos, eu precisava relaxar um pouco antes da bomba e música é sempre a melhor maneira.
— Chegamos. — anunciou Josh.
— Obrigada mesmo pela carona.
— Por nada.
— E por tudo o que você fez pra mim ultimamente, todas as conversas e abraços. — ele (infelizmente) deu o seu sorriso à la Josh.
— É sempre um prazer. — respirei fundo.
— Me deseje sorte.
— Boa sorte. Vocês vão se entender.
— Eu espero que sim.
Antes de abrir a porta de casa eu olhei pra trás, Josh sorria pra mim me encorajando. Respirei fundo e abri a porta. A casa estava toda escura, mas eu podia ver pequenas luzes na cozinha. Por favor que não sejam velas. Eram.
Will estava na cozinha de smoking segurando uma rosa, a mesa estava pronta pra dois e velas iluminavam o ambiente. Ele parecia nervoso e sem jeito. Eu devia brigar com ele mais vezes.
— Olá. — falei.
— Oi, você está linda. Mesmo. — ele veio na minha direção e me deu a rosa. — Eu sinto muito, Jessie.
— Eu sei. — seu sorriso amoleceu meu coração, ele me deu um beijo (um pouco desesperado) na bochecha.
— Vamos jantar?
— Você sabe que a gente tem que conversar, não sabe?
— Sim eu sei, mas acredito que tudo funciona melhor de barriga cheia.
— Tudo bem. Mas eu posso tomar um banho primeiro?
— Claro, o que quiser.
— Eu prometo que não vou demorar.
Subi as escadas correndo e me tranquei no quarto, eu precisava pensar e a água ia ajudar. Separei a roupa que eu ia usar combinando com o smoking dele e entrei no banho.
Deixei a água cair no meu corpo enquanto eu tentava esvaziar a minha mente. Will estava se esforçando e eu tinha que levar isso em consideração.
Saí rapidamente do banheiro e me arrumei o mais rápido possível colocando (esperançosa) a lingerie que eu tinha comprado na Victoria Secret's. Não queria deixar o Will esperando muito tempo até porque eu não faço o estilo vingativa.
— Você está linda. — falou ele.
— Obrigada, achei que deveria me vestir de acordo.
— Não precisava, fica linda de qualquer jeito.
— Elogios não vão me fazer desistir da conversa.
— Eu sei disso, mas você merece elogios. — fiquei um pouco sem jeito.
— Então, o que temos aqui? — perguntei apontando pra mesa.
— Ah, eu não sabia fazer muita coisa então eu espero que você goste de macarrão.
— Eu adoro.
— Ótimo.
Will arrastou a cadeira para que eu sentasse o que deixou tudo mais fofo. Se eu tivesse esquecido porque eu deveria ficar com esse garoto, ele tinha acabado de me lembrar.
— Posso colocar pra você? — perguntou.
— Claro. Está com uma cara maravilhosa.
— Espero que o sabor também.
Enquanto ele colocava no seu prato, provei rapidamente o macarrão que levava um molho que eu não conhecia. Estava simplesmente delicioso, o que deixava as coisas mais fáceis pra ele.
— O que achou? — perguntou Will um pouco receoso.
— Maravilhoso, eu não sabia que você cozinhava tão bem.
— Obrigado, nem eu.
Comemos em silêncio, eu não queria começar essa conversa durante o jantar e Will parecia não saber o que dizer, então ficamos apenas assim olhando um para o outro sem dizer nada. Quando, finalmente, nossos pratos ficaram vazios achei que estava na hora de começar.
— Então, Will, acho que está na hora de deixar algumas coisas bem claras.
— Eu acho que sim.
— Creio que o Josh tenha conversado com você, certo?
— Nós conversamos sim e eu sinto muito.
— Sente muito pelo quê? — a pergunta pegou ele de surpresa.
— Por tudo.
— Tudo o quê, Will?
— Não estou entendendo. — respirei fundo.
— Eu quero que você entenda o que aconteceu, entenda os meus motivos, então se você sente muito eu preciso saber pelo o quê. — ele parou um tempo pra pensar.
— Eu sinto muito por ter te deixado na mão, sinto por ter esquecido de avisar o meu atraso, sinto por deixar a faculdade me consumir, sinto por passar tempo demais com a Julie. Eu sinto muito.
— Olha, você realmente vacilou comigo, mas eu tenho a minha parcela de culpa. Eu sei que o tempo é uma coisa difícil de administrar agora, e eu fico muito feliz que você esteja crescendo na área que escolheu, mas por favor, tente me entender também, tá?
— Eu entendo você, entendo mesmo. Mas você precisa conversar comigo, Jessie. Eu tive que descobrir pelo Josh que você não fica a vontade com a Julie, eu perguntei pra você e você me disse que não se importava. Imagina a minha decepção quando eu descobri que você conversa sobre os seus problemas com o Josh e não comigo, que sou seu namorado.
— Eu sei que deveria ter contado, mas eu não queria te atrapalhar com isso. Você parecia tão feliz e animado que as coisas estivessem dando certo.
— Você é importante pra mim, mais do que imagina. Não tem nada sobre você que eu não queira saber.
— Eu sinto muito por isso.
— Então você pode, por favor, me contar agora o que te incomoda?
— A Julie me incomoda. — ele me encarou surpreso.
— Por quê?
— Por quê? Bom, porque ela é linda, mesmo. Entende seus projetos mais do que eu jamais entenderei, enfim ela é perfeita.
— Provavelmente ela seja perfeita mesmo, mas não pra mim. Você é perfeita pra mim. Eu não quero que você se sinta mal por ela, eu só consigo pensar em você. Nossa, Jessie, você não imagina como eu fiquei quando eu descobri que você estava na casa do Phelipe. Por que você foi pra lá?
— Porque eu não queria ir para casa do Josh e eu não conseguia ficar aqui, então eu pensei na Allison.
— Quem é Allison?
— A namorada do Phelipe. Ela me ajudou muito ontem. Nós conversamos bastante e ela me fez perceber algumas coisas.
— O que, por exemplo?
— Confiança.
— Em mim? — sorri.
— Não, em mim.
— Você me perdoa?
— Mas é claro que sim. Acha que consegue um tempinho a mais pra ficar comigo?
— Eu prometo que vou realmente tentar.
— Isso já é o suficiente.
— Então, será que eu poderia ver aquela lingerie agora? — sorri.
— Com certeza.
Levantei da mesa, peguei os pratos e os coloquei na pia. Will apenas me olhava, peguei sua mão e fomos andando sem pressa para o quarto dele.
— Você cortou o cabelo? — perguntou ele.
— Sim, você gostou.
— Gostei bastante.
— Tem algo que também é novo e acho que você vai gostar.
— Provavelmente.
Eu estava com tanta saudade do olhar do Will escurecendo e eu percebi pela primeira vez (embora pareça besteira) que isso era desejo, o que deixou meu corpo aceso.
Ele arrancou a gravata borboleta e o terno, desabotoei devagar sua camisa branca enquanto sentia seu olhar atento a tudo o que eu fazia. Passei a mão devagar pelo seu abdômen percebendo a saudade que eu estava dele.
— Minha vez. — falou com a voz um pouco rouca.
Will abriu o meu vestido devagar, passando a mão pela pele nua com delicadeza. Quando terminou se afastou para me admirar, seu sorriso era lindo e seus olhos estavam iluminados pela luz da parede de vidro.
— Linda.
Sem querer esperar nem mais um minuto, eu o beijei e tudo explodiu. Ele apertava minha cintura com firmeza e eu acariciava seu cabelo com um pouco de ferocidade. Definitivamente, estávamos bem.
>>o
Acordei com um sorriso no rosto, Will estava virado pra mim e ainda dormia. Seu rosto estava sereno e calmo, eu estava mais do que feliz por ter feito as pazes com ele.
— Por que você está me encarando? — perguntou Will com os olhos fechados.
— Porque você é lindo. — ele sorriu.
— Nós sabemos que nesse quesito você ganha de mim disparado. — eu ri.
— Nem de longe, mas agradeço o elogio.
— Já que hoje é sábado, o que você quer fazer? — perguntou.
— Eu tenho algumas ideias. — falei.
— Antes de seguir seus planos, eu tenho uma sugestão. — antes que eu sequer perguntasse o que era, ele me beijou.
Tudo que estava na minha mente foi apagado no momento em que ele me puxou sem parar de me beijar. Então aceitei sua sugestão sem nem pestanejar.
>>o
— O que vamos comer? — perguntei olhando pra geladeira.
— Não faço ideia.
— Eu não sei cozinhar, então...
— Quer sair pra comer?
— Ótima ideia. Aonde vamos?
— O que quer comer?
— Hum... não sei, pode ser hambúrguer? — ele riu.
— Claro. Vamos lá.
— Só vou trocar de roupa e a gente pode ir.
— Não precisa, você está linda assim. — dei um beijo singelo nos seus lábios.
— Obrigada, mas mesmo assim eu vou trocar de roupa.
— Estou te esperando aqui embaixo.

>>o Ponto de vista: Josh
— Você está com uma cara péssima. — falou Phelipe assim que abriu a porta pra mim.
— Você acha? — eu entrei sem esperar permissão. A Allison estava no sofá e fez uma careta quando me viu.
— Josh, todos nós sabíamos que isso ia acontecer. — falou ela.
— Eu sei, eu só... bom, eu não sei. — sentei no sofá completamente perdido.
— Escuta aqui, o Will e a Jessica gostam muito um do outro. E tem outra coisa, não tem a possibilidade de você ficar com a Jessica sem perder o amigo.
— Eu sei, Phelipe, você acha que não é exatamente nisso que eu penso 24 horas por dia.
— Isso é doença. — falou o meu "amigo".
— Não, Lipe, isso é paixão do tipo mais pesado. — falou Allison.
— O que eu faço? — perguntei em completo desespero.
— Acho que você está se saindo muito bem nesse negócio de lamentar e reclamar.
— Você não está ajudando, idiota. — ele apenas riu.
— Eu sinto muito, cara, de verdade. Esquece isso, segue em frente. Existem milhões de garotas no mundo, eu tenho certeza que você não é o primeiro cara no mundo que tem que esquecer alguém.
— Eu sei, Phelipe, mas tem uma parte doentia dentro de mim que diz que tenho chance.
— Chance de quê? De pegar a ex-namorada do seu melhor amigo? Isso partindo do princípio que a Jessica não estaria mais namorando o Will. — Phelipe era horrível com verdades.
— Lipe, já chega, você não está ajudando.
— Obrigado, Allison.
— Mas ele tem razão, Josh. — a olhei irritado.
— Eu achei que estivesse do meu lado.
— Eu estou do seu lado, mas você precisa se lembrar da verdade. — respirei fundo.
— Vou ligar para o Will. — assim que eu falei Phelipe socou meu braço.
— A depressão veio acompanhada da tortura?
— Eu preciso saber se eles estão mesmo bem. — falei.
— Por quê?
— Porque ele ainda é o meu melhor amigo. — ele revirou os olhos.
— Vai em frente. Mas só digo uma coisa: quando você estiver choramingando pelos cantos não apareça na minha casa. — com essa frase de efeito ele saiu.
— Desculpe. — falei e Allison sorriu.
— Deixa pra lá. Phelipe é muito temperamental e adora saídas dramáticas. Eu vou falar com ele e você faz a sua ligação. — assim que ela saiu, eu liguei para o Will.
— Alô?— sua voz estava bem felizinha.
— Acho que alguém está de bom humor.
— Cara, as coisas estão as mil maravilhas.
— Fico feliz, por vocês. Conversaram, pelo menos? — ele riu.
— Claro que conversamos. Eu fiz um jantar todo romântico, depois conversamos, colocamos as cartas na mesa e a noite terminou na minha cama como deveria ser.— meu estômago embrulhou e eu tive que fingir um riso.
— Isso aí, cara. Então vocês estão felizes?
— Mais que isso impossível.
— Ótimo. Eu vou desligar, só queria saber se vocês tinham se acertado.
— Pode ficar tranquilo que a gente não se separa mais. — o enjôo ficou três vezes mais forte.
— Nada me deixa mais feliz do que ouvir isso.
— A Jessica está vindo, nós vamos sair pra comer. A gente se vê mais tarde?
— Claro. Manda um beijo pra ela.
— Pode deixar. Fui.
Phelipe tinha razão (que ele não me ouça dizer isso), mas ligar para o Will só fez com que eu me sentisse pior. Agora eu não conseguia tirar a imagem deles indo pro quarto da minha mente, mais uma vez fiquei com vontade de vomitar.
— Você está meio verde, sabia? — falou Allison.
— Eu falei com o Will. — falei.
— E o que ele disse?
— Ele e Jessie fizeram as pazes no... na... no quarto. — Allison veio ao meu encontro com os braços estendidos.
— Acho que você precisa de um abraço.
— Acho que sim.
— Eu sinto muito, viu? — eu fechei os olhos e tentei concentrar a minha mente em outra coisa.
— Eu sei, eu também.
— Eu disse pra você não ligar. — o maravilhoso Phelipe apareceu só para jogar na minha cara.
— Eu sei que você disse e eu deveria ter escutado.
— Vem, vamos à algum lugar. — falou ele.
— Vai me levar pra comer? — perguntei e ele sorriu.
— Claro que não, vou te levar pra beber.