Notas iniciais
Ah gente, essa vida... haha

Allison me arrastou para a cozinha, ignorando o fato de que isso não era nada discreto. Mesmo assim, eu já sabia sobre o que era e sinceramente, não queria ouvir.
— Allison, olha eu sei que...
— O Josh gosta de você.
Primeira reação: arregalar os olhos. Segunda reação: Rir. Terceira reação: Perceber que talvez ela tenha razão.
— Você está falando sério?
— Sim, eu estou.
— Ele falou isso pra você?
— Não, ele falou isso para o Phelipe.
— E por que você está me contando isso?
— Porque não é justo com ele que você corra atrás dele toda vez que tem um problema com o namorado.
— Mas, Allison...
— Eu sei, Jessica. Eu sei. Só que também sei que você gosta dele e se você não quer que aconteça um desastre, para com isso.
— Você quer que eu me afaste dele?
— Não, eu não quero nada. Só acho que você deveria pensar se vale a pena trazer o lobo pra tão perto do cordeiro. — fiquei em silêncio sem saber exatamente como revidar essa frase.
— Eu não quero perder a amizade dele.
— E não precisa. Só evita ficar sozinhos, muitos abraços e momentos de carinho excessivo. Eu quero o seu bem, Jessica.
— Você está certa!
— Bom... então, vamos comer.
Fiquei um tempinho olhando pro nada e assimilando o que Allison tinha me dito. Realmente não era justo com o Josh. Não era justo comigo, nem com o Will. Respirei fundo e voltei pra sala.
— Está tudo bem? — perguntou Phelipe.
— Claro, está tudo ótimo. — uma baita mentira.
— Vamos comer?
— Com certeza
>>o
Assim que o Josh foi embora eu me tranquei no quarto, eu precisava pensar e muito. Resolvi seguir a dica da Allison e colocar no papel as coisas legais e não tão legais que o Will, além do que eu gostava e não gostava nele.

Coisas legais que o Will fez
1. Ficou comigo quando eu precisei dele ano passado.
2. Esperou por mim mesmo sabendo que eu gostava do Nathan.
3. Me mostrou Nova York.
4. Me ensinou a ter uma vida social.
5. Me levou para lugares incríveis.
6. Mesmo que invadir a escola seja ilegal, o abraço no final fez tudo valer a pena. (Se é que isso vale)
7. Me ajudou com o Nathan.
8. Esperou o meu tempo sem reclamar (sim, eu estou falando de sexo).
9. Me defendeu pra Megan.
10. Ah, quem eu quero enganar? Ele foi simplesmente incrível comigo até o momento.

Coisas não legais que o Will fez
1. Não me dá atenção por causa da faculdade.
2. Passa a maior parte do tempo com a Julie.
3. Não consegue perceber que a Julie é perfeita.
4. Me trocou por ela ontem à noite.

A minha lista tinha terminado ali porque o Will não tinha mais nada que não tenha sido legal. Eu estava exagerando e eu sabia disso, mas uma parte de mim ainda não conseguia aceitar a ideia dele ter ficado com a Julie. Continuei com a lista.

Coisas que eu gosto no Will
1. Seu corpo.
2. Seu beijo.
3. Seu sorriso.
4. Seus olhos de cor indefinida.
5. Seu abraço.
6. Sua sensibilidade.
7. Sua paciência.
8. Seu modo de ver o mundo.
9. Seu carinho.
10. Sua habilidade para ouvir.
11. Sua determinação.
12. Sua lealdade.
13. Sua fidelidade.
14. Tudo.

Eu desisti de fazer a lista das coisas que eu não gostava dele, porque eu simplesmente queria que desse certo. Eu o admirava por vários motivos, ele errou, mas e daí? Quem nunca errou? Ele merecia meu voto de confiança e eu ia dar a ele, mas antes de tudo nós precisavamos conversar. Não queria deixar nada mal resolvido.
>>o
Acordei cedo e fiquei na cama pensando no que falar para o Will e como falar. Eu queria fazer isso funcionar, mas queria acima de tudo que ele me entendesse e eu a ele.
— Jessica, está acordada? — perguntou Allison na porta.
— Sim, eu estou. Pode entrar.
— Bom dia. Tudo bem?
— Tudo ótimo.
— Alguém está de bom humor? — sorri.
— Eu resolvi seguir seu conselho e fiz a lista de prós e contras.
— E aí?
— Eu quero que dê certo, Allison. Eu tenho que conversar com o Will. — ela abriu um sorriso enorme.
— Estou muito feliz por você, mesmo.
— Obrigada por tudo o que fez por mim.
— Que isso, foi nada. Agora, você vai pra faculdade?
— Claro, eu não posso perder mais dia nenhuma. — ela revirou os olhos.
— Você só perdeu um dia, não se desespere. Estou esperando você na cozinha.
— Tudo bem. E obrigada de novo.
— Sem problemas. Se você precisar de alguma coisa, ou quiser pegar alguma roupa emprestada pode abrir o closet.
— Okay.
Tomei um banho demorado, o dia ia ser longo e eu precisava estar disposta para enfrentá-lo. Além de tudo o que me preocupava, eu queria estar deslumbrante, então peguei uma blusa emprestada com a Allison e coloquei a minha saia nova. Eu me sentia linda e era isso que importava.
— Uau. — falou Allison com um sorriso.
— Obrigada, obrigada. Peguei sua blusa emprestada, se você não se importar.
— Que isso, sem problemas. Agora coma que o dia vai ser interessante.
— Cadê o Phelipe? — perguntei.
— Foi na frente. Ele tinha que fazer alguma coisa com o Josh cedo e pegou a moto.
— Ele dirige moto, é? — Allison deu um sorrisinho.
— Ele fica muito sexy naquela moto.
— Imagino que sim. — depois que falei me permiti ficar sem graça, mas Alli apenas riu.
— Pode acreditar.
— Allison, eu acho qeu também tenho que conversar com o Josh. — ela simplesmente levantou a cabeça pra me olhar.
— E falar o quê?
— Não quero deixar as coisas estranhas entre nós, quero que sejamos amigos. Por isso acho que tenho que deixar as coisas bem claras.
— Na minha opinião você só vai deixar as coisas mais constrangedoras, para os dois. — respirei fundo.
— Eu só quero fazer alguma coisa, eu me sinto um pouca culpada.
— Culpada pelo quê? Por ele gostar de você? Você não tem culpa nisso, querida.
— Ainda sim, eu...
— Jessica, presta atenção em uma coisa. O Josh gosta de você e você não pode fazer nada a respeito. Mas eu sei o que você não pode fazer: Conversar com ele sobre isso e falar que serão bons amigos.
— Só que eu me sinto mal por ele não... bem, por ele não... ah, ele merece tanto ser feliz. — Allison revirou os olhos.
— Jessie, eu sei que ele merece, mas você tem que conversar com o Will primeiro. Se acertar com ele tem que ser sua prioridade no momento. O Josh vai perceber que você não pode e não vai ficar com ele e vai acabar superando, é isso que as pessoas fazem.
— Tudo bem, eu vou tentar.
— Ótimo. Termina de comer e vamos pra faculdade.
>>o
— O que aconteceu com você? — perguntou Chloe.
— Como assim? — perguntei.
— Você está... — tentou ela.
— Gata. — falou Chris.
— Obrigada, mesmo. Eu estou me sentindo bem. — falei.
— Parece bem. — comentou Chloe.
— Essa era a intenção.
— E por que você não veio ontem? — perguntou ela.
— Bom, eu precisava resolver algumas coisas. O que eu perdi?
— Nada de muito importante. Eu tenho algumas anotações, depois eu passo pra você.
— Obrigada.
— Nós temos um tempinho livre antes da próxima aula. Quer fazer alguma coisa? — perguntou Chris.
— Na verdade, eu já tinha algo planejado. Posso encontrar com vocês depois? — perguntei.
— Não lembro de ter escolha. — comentou ele.
— Obrigada, vejo vocês depois. — dei um beijo rápido na bochecha de Chris e fui em busca de um lugar sossegado.
Eu queria pensar no que dizer para o Will e em como as coisas iam mudar. Achei um lugar quieto, algumas pessoas estudavam sobre a grama e parecia perfeito pra mim. Antes que eu sequer sentasse meu celular tocou, era a Charlotte.
— Alô?
— O que está acontecendo?— arregalei os olhos surpresa, mesmo que ela não pudesse me ver.
— Por acaso você é alguma vidente?
— Sim, eu sou. Minha bola de cristal tem nome e se chama William Corrigan.— suspirei.
— Ele te ligou?
— Sim, ele ligou. Na verdade, ficamos boa parte da noite conversando.
— Sobre o quê?
— Acho que você sabe o motivo. Eu queria ouvir de você o que está acontecendo. Fiquei realmente revoltada que uma bomba tenha estourado e que você não tenha ido correndo me ligar.
— Eu sinto muito. Fiquei tão ocupada pensando, me lamentando e comprando.
— Ou você me conta essa história direito ou eu vou ter um ataque aqui.
— Está com tempo?
— Sempre.
Eu contei cada detalhe, cada sentimento, cada decisão. Contei da Allison e Phelipe, falei o quão legais eles foram pra mim (embora eu ache que ela não tenha ficado muito animada com essa parte). Depois de muito escutar, ela suspirou.
— Uau!
— Exatamente!
— Por que você não me ligou?
— Me perdoe mais uma vez, eu simplesmente não lembrei.
— Não lembrou?
— Charlie, não pire! Eu tenho certeza que você não lembra de mim 24 horas por dia.
— Graças a Deus, não. Mas mesmo assim se tivesse acontecido algo de tão importante ou dramática, eu te ligaria.
— Mais uma vez, me perdoe.
— Oh, tudo bem. Como você está no momento?
— Sinceramente? Um pouco nervosa. Eu não sei o que falar para o Will.
— Eu odeio dizer isso, mas vou ter que concordar com sua amiga loira.
— Eu reconheci o desprezo na sua voz, Charlie.
— Ele estava ali para ser reconhecido. A questão é que, infelizmente, ela tem razão. Você tem que falar tudo o que te preocupa.
— Eu não quero impedi-lo de conviver com a Julie-eu-sou-perfeita-Sloane.
— E você nem pode. Eu só estou dizendo que ele tem que saber como você se sente. Você o culpa por algumas atitudes, mas ele não sabe o que te incomoda, então não o culpe.
— Tem razão. Eu vou dar um jeito nisso.
— Ótimo e da próxima vez que você estiver presa numa novela mexicana e não me contar vou pessoalmente arrancar seu cabelo com a pinça.
— Ai, isso ia doer muito.
— Então não me teste, Lowe.
— Anotado, Scarrow.
— Sinto sua falta.
— Eu também, mesmo.
— Bom, beijos. Eu tenho que estudar.
— Vai lá. Beijos.
Depois da conversa amigável com a Charlie eu me sentia melhor. Ela tinha esse dom de acalmar minha mente, talvez seja por isso que somos amigas até hoje.
Já estava na hora de encarar o Will e falar a verdade pra ele, tudo o que eu estava sentindo e o quão magoada eu ainda estava. Ele merecia saber de tudo.
— Jessica?— seu tom de voz desesperado cortou o meu coração.
— Sou eu.
— Graças a Deus, Jessica. Eu sinto muito, eu sinto muito mesmo. Eu sei que... — tudo isso ele falou muito rápido.
— Will, por favor.
— O que?
— Que horas você vai sair hoje?
— A hora que você quiser.— eu quase ri.
— Eu saio daqui às 18 horas, você consegue me encontrar em casa essa hora?
— Claro, com certeza.
— Então, até lá.
— Jessica, eu realmente...
— Depois, Will.
— Tudo bem.
Só pela voz eu estava tentada a desistir da conversa, puxá-lo pro meu colo e falar que tudo ia ficar bem, mas eu não podia. Íamos ter essa conversa por nós dois.