O Garoto Que Casou Com a Noite
1 Capítulo 1 - O Começo
Notas iniciais
Engraçado é quando uma história começa no meio de acontecimentos e de sonhos... poderia eu dizer... sonhos?
Eu nunca fui do tipo de garoto que sonha muito, ou sonha alto, pois sabe que em algum momento eu irei cair e quebrar minha cara. Minha realidade nunca foi tão boa assim, sempre indo pra escola e voltando, falando com meus amigos virtuais que cá entre nós, são duas vezes melhores que os da vida real, com exceção de um ou dois, que sempre estão comigo.
A parte mais engraçada disso tudo é que o destino gosta de brincar bastante comigo, então estou eu aqui, na cama de um hotel qualquer em São Paulo, com um amigo virtual que conheci meses atrás.
Eu estava com a cabeça deitada sobre seu peito, pensando por quais motivos ele estaria tão quente, não sei se é por que eu sou meio frígido pra esse tipo de coisa mas... ele realmente estava mais quente que eu. Era uma sensação boa, primeiro, que foi uma coisa que planejei que deu certo e depois foi a noite mais incrível da minha vida.
Até então eu era um virgem qualquer que sonhava com o grande dia, e endeusava essa situação mesmo sendo estranho, quem diabos vê o dia da perda de sua virgindade como um milagre? Eu vejo.
Eu levantei sorrateiramente pra não acordar ele, mesmo notando que ele se mecheu um pouco eu fingi não notar e fui para o banheiro, naquele dia eu me sentia bonito, exuberante e extremamente sexy, quase um prostituto (ou não).
Ele chegou me agraçando por trás e beijando minha nuca, e é bom lembrar, sem roupa alguma.
- Bom dia jovem! — Eu realmente não sabia como iniciar um diálogo pós-sexo.
- Oi, dormiu bem? — Ele perguntou como se já estivesse acostumado com isso.
- Sim, muito bem, você... gostou de ontem? — Eu não sabia realmente o limite que existe nos diálogos durante a manhã.
- Ah, sim, você é incrível! — Ele falou sorrindo sem graça.
- Hm... você também, eu nunca tinha sentido aquilo... — Quando falei isso lembrei da noite anterior, quando suas mãos corriam por dentro da minha camisa, o quão quente eu estava, quão feliz eu estava de ter minha primeira vez com alguém que almejei por e o quão envergonhado eu estava por não saber explicar o que eu fiz. — foi realmente muito bom, eu te.. — E parei subitamente.
- Você disse algo? — Ele estava beijando minha nuca, e eu pensei quantas regras eu quebraria fazendo sexo antes do café-da-manhã... Que se dane as regras.
Virei de frente e começamos a nos beijar, ele começou a correr a mão por dentro da minha camisa, quero dizer, a camisa dele que eu estava usando, ele me sentou na pia e eu já estava completamente tomado pelo prazer. Ele me carregou de volta pra cama completamente excitado, e foi ai que percebi que ele também não estava se importando se haviam ou não regras de sexo durante a manhã.
''Fizemos denovo'' eu pensei, e cada vez mais eu estava me apaixonando por ele, o que deveria ser errado, eu sou só um garoto que mora no outro estado, viajou pra um evento de Animê em São Paulo vai voltar pra casa dentro de uma semana, é inviável eu gostar dele, logo ele, que é tão parecido comigo, que enjoa das pessoas rápido, que é tão frígido quanto eu, e que é gentil com todos que não o incomodam, eu tinha certeza de que namoro à distância não era uma opção, depois de passar meus melhores momentos com ele eu só tinha certeza de uma coisa: Eu amo ele.
- Vamos comer algo agora? — Falei ainda admirando seu corpo nu.
- Não podemos ficar aqui mais um pouco? Você leva toda minha energia garoto! Deixe-me descançar por um minuto. — Falou rindo sem fôlego, e consequentemente eu ri junto.
- Se quiser, podemos passar o dia inteiro aqui, eu não me importo. — Falei na esperança de manter sua presença.
- Bem que gostaria... — Ele falou sério.
Foi quando eu lembrei que em uma das nossas conversas online ele me disse que não era carinhoso e não curtia muito esse tipo de coisa, e que era raro abraçar alguém com quem ele se envolvia. Passei alguns minutos revendo o que eu havia dito, ou o que eu não disse.
Eu realmente queria expor tudo e falar o que eu sentia, mas a única forma que me parecia certa era ficar calado, mantendo assim as chances dele se afastar de mim longe.
- Bem, preciso ir agora, já são 08:00, senão eu me atraso pro trabalho. — Falou apressado, e eu havia esquecido do infortúnio de ser uma segunda-feira, eu ainda tinha mais uma semana em São Paulo, então não vi motivos pra ficar triste, ainda.
- Ah, claro, melhor se apressar... — Falei demostrando insatisfação.
- Se quiser... você pode... vir passar o dia comigo... — Ele falou passando a mão na parte de trás dos seus cabelos loiros.
- Eu quero! Eu.. quero. — Falei tentando me controlar de alegria. Cada momento em sua presença era incrivel.
- Ok, só vou tomar um banho e a gente vai tá? — Falou pegando suas roupas e indo em direção ao banheiro.
- Ok, espero você aqui... — Falei sem pensar, ONDE MAIS EU ESTARIA ESPERANDO?!
Ele entrou no banheiro rindo, e eu deitei na cama, e tentei lembrar do que havia acontecido antes, de qualquer momento ruim que eu tive, mas eles se foram junto com minha inocência, eu agora era uma pessoa diferente, confiante, tinha auto-estima, sabia que eu era sexy, e mais, era devasso, isso quando eu quisesse ser.
Ele é o dobro do meu corpo, então sua camisa não cabe em mim, eu amava usar roupas que não eram minhas, e que eram maiores que eu, ainda mais a roupa de alguém que fez aquilo comigo. E não vou mentir, vesti sua camisa também pra sentir seu cheiro, que não conseguiria com apenas um abraço.
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