Sua cabeça apontou na porta e apenas assenti. Ele entrou e se sentou na cadeira ao lado da cama.

Ficamos em silêncio por um minuto que pareceu uma eternidade. Finalmente resolvi dizer alguma coisa para quebrar o gelo.

— Que falta de sorte, né? – Apontei para minha cabeça forçando um sorriso.

— Falta de sorte? – Ele me olhou incrédulo – EU causei isso Rosie! Se não tivesse tido aquela ideia idiota de ficar gritando em cima do assento não teria distraído você e nada disso teria acontecido!

— Edward, não foi culpa sua. – Tentei mantê-lo calmo, pois havia se alterado – Eu me distraí, você só estava querendo me ajudar, fique calmo.

— Olhe para você, está toda machucada! E ainda por cima não vai poder participar dos próximos jogos!

— Calma aí – Interrompi sua fala para assimilar o que ele acabara de me dizer- Próximos jogos? As garotas ganharam?

— Sim, depois que você veio para o hospital elas decidiram que retomariam o jogo para te “vingar” ou algo parecido – respondeu pensativo.

— Quem assumiu a minha posição?

— Foi a Laura, ela mesma se ofereceu para ir no seu lugar.

— Laura? Aquela sua amiga? – Perguntei tentando me lembrar dela

— Essa mesma.

— Precisamos bolar o nosso plano para juntar o Gustavo com ela. Nós tínhamos combinado de nos encontrarmos na livraria hoje e acabamos nos encontrando mesmo – Tentei fazer graça da situação para ver se desfazia a tensão do lugar, e deu certo, pois Edward deu um sorrisinho de lado.

— Eu senti tanto medo – Ele recomeçou a falar, mas agora estava mais perto de mim e fazendo carinho na minha cabeça do lado que não estava machucado – Eu vi você sangrando no chão e fiquei apavorado – Começou a olhar para a parede meio que lembrando do acontecido de mais cedo – Pensei muitas coisas ruins – Sorriu sem olhar pra mim, mas seu sorriso me deixava presa em seu rosto.

— Quando estava entrando no vestuário ouvi uma conversa das meninas.

— O que elas estavam dizendo? – Perguntou agora olhando para mim. Seu carinho tinha passado para minha bochecha.

— Disseram que você é um gato e que eu não sei disfarçar que gosto de você – Dei de ombros como se não me importasse com o que elas diziam.

Edward manteve a mesma expressão olhando para mim intensamente. De repente, um sorriso surgiu em seu rosto e ele tirou a mão da minha bochecha e passou os dedos delicadamente em baixo da minha nuca e começou a se aproximar mais do meu rosto. Desejei do fundo do meu coração que o monitor cardíaco não tenha demonstrado a agitação do meu coração nesse momento.

— E se você não precisar disfarçar? – Chegava cada vez mais perto e quando eu ia fechar meus olhos e deixar rolar a porta do quarto se abriu e lá estavam Samantha e Chico.

— Ai!! – A Sam deu uma cotovelada em Chico – Desculpa amiga! Daqui a pouco a gente volta!

Só escutei Chico reclamar da cotovelada atrás da porta.

— De onde paramos? – Edward perguntou se voltando para mim novamente.

— Eu acho que você estava beeem perto de mim – Disse erguendo uma sobrancelha.

— Ah, disso eu me lembro – Então eu senti novamente seu perfume, mas agora, bem mais intensamente do que das outras vezes.