Na semana de Carnaval eu fui em uma festa organizada pela minha tia, mãe da Raquel. A família inteira estava lá e a minha prima estava super curiosa para saber o desfecho do plano dela.

—E aí Rosie, o que aconteceu?

—Deu certo! Ele se chama Edward...- Respondi dando um suspiro.

Ela fez cara de satisfeita e continuou o interrogatório.

—Você conseguiu ver o rosto dele?

—Sim...- Respondi, me sentindo hipnotizada com a lembrança de seu rosto.

—Pela sua expressão, o "Garoto Misterioso”, quer dizer, o Edward é bonito, né? — E não é que a Raquel acertou?

—Vai, me conta como ele é! — Comecei a descrevê-lo para minha prima, mas algo desagradável, ou melhor, alguém desagradável apareceu.

Minha tia havia dito que poderíamos levar algum amigo nosso, se quiséssemos, mas resolvi não levar ninguém, pois a Samantha e o Chico viajaram. Ao contrário de mim, o Ulisses (irmão da Raquel) resolveu levar uma pessoa, e não era ninguém mais ninguém menos do que o Gustavo! Ótimo! E lá se foi o meu sossego e a minha paz!

A Raquel fez cara feia e eu fiquei séria.

— E aí meninas? Vamos conversar!

Então aquele garoto irritante se sentou no meio de nós duas, já que estávamos no sofá da sala, e pude sentir um cheiro de cerveja. Muito obrigada Ulisses!

—Meninos, o almoço está pronto! Podem vir!

Ouvir a voz da tia Glória foi música para os meus ouvidos, porque agora não teríamos mais que ficar escutando as asneiras que o Gustavo fala.

—Oba! Rango! — Ele falou se levantando e indo em direção à cozinha, mas antes de entrar por completo no cômodo, virou-se para trás e completou:

—Depois continuamos a nossa conversa, princesas.

Ele só podia estar bêbado mesmo! Olhei para pra Raquel e pela expressão dela, pude ver que estava pensando a mesma coisa que eu.

—Acho melhor irmos almoçar, Rosie, e depois vamos para o meu quarto, porque lá o Gustavo não pode nos incomodar.

No caminho para a cozinha, encontramos o Ulisses.

—Ulisses, onde você estava com a cabeça para trazer o Gustavo aqui para casa?!- Raquel puxou-o para o canto.

— Me solta Raquel! A mamãe disse que eu poderia trazer algum amigo! — Ele defendeu-se conseguindo desvencilhar-se das mãos da irmã.

—Você tem tantos amigos! Precisava escolher justo o Gustavo? — Rebateu ela.

—Só ele estava disponível, e quer saber? Não lhe devo satisfações!

Nunca havia o visto tão nervoso daquele jeito.

—Depois eu converso com ele — Raquel me tranquilizou- Não se preocupe.

E fomos para a cozinha.