No outro dia, acordei com o livro encima da minha barriga, e um bilhete da Samantha no criado-mudo: “ Você leu só cinco capítulos e já capotou! Aquela pancada na sua cabeça foi forte, hein? Agora são 18h e preciso ir embora, porque não são todos nós que estamos de atestado da escola, né? Depois amanhã (que para você já dever ser hoje) passo na sua casa para continuarmos a maratona de leitura, e vou levar o Chico também para passarmos o fim de semana na sua casa! Beijos, amiga. ”

Olhei no relógio e já era 8h30. Resolvi levantar da cama e tomar um banho. Coloquei um short jeans, chinelo de dedo mesmo porque estou na minha casa e não sou obrigada, uma camiseta preta com estampa de borboletas brancas e amarrei meu cabelo em um coque.

Fui para a cozinha e a minha mãe estava lavando umas xícaras na pia. Ela se virou quando me viu e esboçou um sorriso.

— Que bom que você acordou. Já estava quase indo lá no seu quarto te ver, porque a Samantha me disse que você tinha dormido nem eram 18h ainda.

— É, eu acho que dormi bastante – respondi indo até ela e lhe dando um beijo na bochecha- Agora eu preciso comer, e MUITO.

— Ai ai , essa é a minha Rosie – Ela pegou os pães e o café enquanto me sentava na mesa e devorava três pães de queijo ,mais dois pedaços de bolo de chocolate com cobertura de brigadeiro e uma xícara de café.

— Para uma garota de 15 anos, você come até bem – Minha mãe disse por cima do ombro, meio rindo.

— Vou passar fome para quê? Se eu estou com fome, eu vou comer ué- Terminei de dizer a ela comendo o último pedaço de bolo indo em direção as louças para ajudar a guardar.

—Tem certeza que você pode fazer isso, filha? – Perguntou a dona Isabelle soando preocupada quando peguei duas canecas, uma em cada mão para guardar.

— Mãe – Tentei soar tranquilizadora – São só umas canequinhas, e eu estou bem. Pode confiar em mim. O meu “acidente” não foi como se tivesse arrancado um pedaço da minha cabeça ou algo do tipo. Eu estou bem, é sério.

— Se você está dizendo...- Ela passou por mim e me entregou um pano de prato – Tem que secar antes de guardar, esqueceu? – Perguntou arqueando uma das sobrancelhas.

— Aaah, tá bom- Peguei o pano e comecei a secar as canecas, e quando terminei de guarda-las, o meu celular, que eu havia deixado em cima da mesa da cozinha, apitou indicando que tinha chegado uma mensagem do nosso grupo do WhatsApp. Fui ver o que era e eles estavam planejando uma “ Festa do Pijama” esse final de semana aqui em casa.

Chico: Rosiiiiiee, tá acordada, minha filha? Ou vai ficar aí na cama dormindo até o seu príncipe encantado chegar para te “ressuscitar”?

Sam: Para, Chico! Deixa a menina em paz!

Chico: Samantha, nós estamos aqui na escola na hora do intervalo, e você está devorando um cachorro quente aqui do meu lado; então porque está me respondendo no grupo, se pode dizer pessoalmente?

Chico: Rosie, ela me bateu! E ainda sujou a manga da minha camiseta de katchup!

Sam: Como um “dogão” mesmo e quem reclamar leva.

Comecei a rir, imaginando a cena dos dois “brigando” no meio de todo mundo no refeitório.

Chico: Então, Rosie, vai rolar aquela festinha do pijama na sua casa nesse final de semana? É claro, se você estiver bem o suficiente para aguentar ser destruída do vídeo-game e se seus pais deixarem.

Dessa vez resolvi responder.

Rosie: Oi, gente! Claro que vocês podem vir aqui pra casa! E Chico, dessa vez, EU vou te derrotar em qualquer jogo, pode ser até no Minecraft!

Sam: Eu vou ser a juíza então para o Chico não começar a roubar quando a Rosie começar a dar uma surra nele

Rosie: Então está combinado, gente. 18:30 eu quero todo mundo aqui em casa, entenderam?

Chico: Pode ir se preparando, cara amiga, porque hoje eu vou levar o meu console da sorte junto comigo.

Sam: Então está certo, Rosie! O sinal bateu e temos que voltar para a sala.

Rosie: Sam! Não esquece de trazer seus cadernos para eu copiar as matérias, porque senão depois vai ficar tudo acumulado.

Sam: Pode deixar amiga! Beijosssss.

Chico: Eca, meninas. Tchau Rosie, pode ir se aquecendo para o jogo aí, porque hoje eu não estou para brincadeiras.

Rosie: Tchau, Sam e vai pra sala Chico, senão vai chegar atrasado.

Chico: Tchauuuuuu.

Ah, meus amigos. A minha vida não seria completamente feliz sem eles.

—Rosie! Tem encomenda aqui para você! – Era a minha mãe, gritando lá da porta da frente.

— Já estou indo! – Gritei da cozinha, guardando meu celular e indo até a sala onde ela se encontrava segurando uma rosa com um cartãozinho. Era uma rosa vermelha, que por sinal é a minha preferida.

— Meu Deus, menina! Quem te mandou isso? Lê aí que eu estou curiosa! – Peguei a flor, o papelzinho e comecei a ler em voz alta.

“Para Rosie. Espero que você tenha melhorado, fiquei muito preocupado. Me mande uma mensagem quando puder. Estou com saudade Ass. Edward.”

— Edward é aquele garoto que te deu aquele desenho, não foi? — Ela me perguntou.

— Foi sim, mãe... – Respondi, e me joguei no sofá, apertando o bilhete contra meu peito.

— Ai, ai, ai Rosie.- Ela se sentou ao meu lado e pegou a flor da minha mão, a qual eu a segurava com maior cuidado, pois era muito delicada.- Você já falou sobre ele com seu pai?

Eu congelei no mesmo minuto. Conversar com meu pai. Sobre Edward.

— Eu acho que por enquanto, não precisamos ter essa conversa. – Comecei a falar, meio hesitante – Porque, afinal, não estamos namorando de fato.

— Sei. – Ela respondeu desafiadoramente já se levantando – Bom, preciso ir me preparar para ir trabalhar. O Paulo só fica lá meio período, e daqui a pouco vai dar a hora.

Paulo era o funcionário da minha mãe, que ficava tomando conta da floricultura no período da manhã todos os dias. Antes de arrumar esse emprego com a minha mãe, ele tinha trabalhado em um salão de beleza e aprendido a fazer alguns penteados, então sempre que eu pedia ajuda para dar um jeito na minha juba, ele estava lá para ajudar. Ás vezes, ele me convidava para ser a “cobaia” dele, quando queria testar algum penteado novo, pois o sonho dele era abrir um salão, só que no momento estava juntando dinheiro para realiza-lo, porque o salário que a minha mãe paga para ele é melhor do que o do emprego anterior.

— Espera, mãe – Pedi à ela segurando seu braço- O Chico e a Sam vão vir passar o final de semana aqui, tá bom?

— Tudo bem, desde que a bagunça de vocês fique só no seu quarto – E foi para o quarto se arrumar.

Resolvi ir até a cozinha para ver se eu achava algum copo ou vaso de vidro para colocar a rosa que eu havia ganhado. Por fim, encontrei um vaso fino e comprido de vidro, com o tamanho certo para uma única rosa. Coloquei água e introduzi a flor dentro para colocar de enfeite na penteadeira do meu quarto. O desenho ainda estava pregado no espelho. E quando coloquei o meu mais recente presente na mesa, colei o bilhete junto ao desenho, fiquei os observando, e senti alguma coisa diferente no fundo do meu peito. Seria isso o amor?

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.