O Garoto De Reparos Da Rainha.

6 Pensamentos estranhos (ou nem tanto)


Notas iniciais
Olá queridos ! Espero que esteja tudo bem com vocês !
Tentei ser mais, digamos, direta, nesse capítulo, espero que gostem !
Muito obrigado pelo reviews e pelos ''favoritamentos'' ♥
Boa leitura !

POV Leo.

Se houvesse um prêmio de semideus mais idiota do ano, Leo acharia que o merecia. Afinal, que tipo de semideus exita em usar seus poderes, por mais esquisitos que sejam, para salvar alguém ? ‘’Só eu, o estúpido e medroso Valdez !’’

A sua volta, tudo era um caos de vegetação arruinada e meleca ácida. E no meio do caos, a pretora Reyna estava desacordada. Leo foi até ela. Sua roupas estavam chamuscadas, assim como um pouco de seu cabelo trançado e suas bochechas estavam demasiadamente rosadas mas o que preocupava o filho de Hefesto era a queimadura exposta no ombro direito da garota. Ele tinha de levá-la para dentro do barco, mas não tinha forças para carregá-la depois de provocar uma explosão daquelas. Além disso, temia ainda estar quente demais para tocá-la. Só o que podia fazer era sentar-se ao lado dela e esperar que acordasse logo.

Por sorte, Reyna acordou em poucos minutos. Havia sido apenas o choque térmico, talvez aliado um pouco com a surpresa.

– Leo ? — Ao seu lado, o garoto parecia péssimo. Não havia uma única marca chamuscada em seu corpo, mas seus cachos, antes bem arrumados, agora estavam parecendo o típico ninho de ratos de sempre e seus suspensórios tinham voltado a cair. Mas não era fisicamente que ele não parecia bem.

– Reyna... – Murmurou ele – Que bom que acordou ! Desculpe não ter te carregado para dentro, mas estou me sentido um pouco fraco ainda.

– Então é verdade ! Eu realmente vi aquelas chamas saírem de você e explodirem a Hidra !

– Não quero falar sobre isso agora, tudo bem ¿ Mais tarde eu prometo explicar tudo, mas não agora. Agora temos coisas mais sérias para tratar. – Disse ele olhando para o ombro da pretora. Ela pareceu se tocar, porque olhou para o próprio ombro e estremeceu.

– Tem razão. – E estendeu o braço bom para Leo ajudá-la a levantar.

Leo e Reyna entraram no Argo, felizes por estarem seguros novamente. Leo pediu um segundo para a romana para colocar o barco no ar. Assim que o fez, desceram juntos até o refeitório, onde o filho de Hefesto pegou um pano e molhou-o com néctar.

– Sente aqui, pretora. – Disse o garoto apontando para a mesa grande – Isso pode arder um pouco. – E pressionou levemente o pano com néctar no ombro de Reyna, que estremeceu novamente.

A queimadura fora grande, fazendo toda a manga curta da camisa desaparecer, o que deixava o ombro e uma parte mínima do busto da menina a mostra (N/A: lembrando que busto não é peito, não pensem coisa errada antes da hora haha). Tirando o grande hematoma avermelhado, o resto da pele da pretora ainda estava suave e macia. Leo limpava devagar a queimadura com uma das mãos e a outra ele colocou sobre braço da garota, acariciando-o tão sutilmente que ele próprio não havia notado o que fazia. Reyna parecia ter notado, pois seus ombros relaxaram um pouco. Pensamentos estranhos tomavam conta da cabeça do grego. Ele observava a respiração da garota, a curva de sua clavícula, a pele que se arrepiara levemente, o contraste de sua mão morena sobre a brancura saudável da romana. Por algum motivo, ele não queria parar de tocá-la. Aliás, queria tocá-la ainda mais, se é que isso era possível. Queria tocar as mãos dela, sua cintura, suas costas, seu cabelo. Queria sentir o cheiro da pele dela. Deuses, o que era aquilo ?

Finalmente a queimadura desapareceu, deixando apenas uma leve cicatriz no ombro da pretora, como uma raladura no Joelho que já está sarando. Leo a olhou bem nos olhos por alguns segundos e sentiu um arrepio na base da coluna. Podia jurar que ele sentira o mesmo, pois respirou fundo e pigarreou.

– Ãh, bem, obrigada.

– Dr. Valdez a sua disposição ! – Disse o grego fazendo uma reverência exagerada e tentando deixar o clima leve.

– Está mais para Mr. Hyde. – Riu discretamente a romana. Leo fez que não havia entendido. – Mr. Hyde, sabe ? De O Médico e o Monstro. Mr.Hyde era a forma monstruosa do Dr. Jekyll. (N/A: Desculpe a referência para quem não conhece, mas absolutamente amo esse livro e achei que combinava.)

–Forma monstruosa ? Vou considerar isso como um elogio, señorita. – Riu aliviado por Reyna também ter entrado facilmente no clima leve.

– Vou começar os reparos com as peças que compramos. Se estiver se sentindo bem, tenho uma tarefa para você. – Os olhos escuros da garota brilharam ao ouvir que ele tinha uma tarefa para ela. – Temos um arsenal mais lá para baixo. Pensei que você poderia ir lá dar uma olhada, separar algumas armas para caso de mais ataques.

Depois de a pretora concordar, ele a mostrou o arsenal e disse que ficasse a vontade para escolher. Na verdade, ele não achava que sofreriam outro ataque, mas queria um tempo sozinho. Precisava por a cabeça no lugar e trabalhar longe da romana o ajudaria a fazer isso. Não que ele não gostasse da companhia dela, ele adorava, mas ela o distraía se é que dá para entender.

Leo subiu e se pôs a trabalhar ferozmente com as novas peças. Enquanto suas mãos se moviam rapidamente entre as engrenagens, ele pensava sobre o que dizer a ela a respeito de seus poderes especiais. Quer dizer, semideuses têm toda a sorte de poderes estranhos, mas Leo não se sentia confortável tendo o fogo dentro de si. Durante anos acreditou ter causado a morte da mãe por conta daquela habilidade indesejável. Mesmo depois de descobrir que tudo era parte do plano de Gaia, ele não se sentira muito melhor. Fora rejeitado por toda sua família por isso e tivera que fugir de todos os lugares onde o aceitaram por causa da tristeza que esse poder o causava. Ele salvara a vida de seus amigos algumas vezes graças ao seu domínio e resistência ao fogo, porém isso não o tornava menos esquisito. Não era um poder de verdade, como Jason ou Piper tinham. Leo não o achava muito útil. Ele consertava coisas, era o garoto de reparos, não um guerreiro, e soltar fogo pelas ventas não o fazia mais herói.

Fora por isso que não dissera a Reyna desde o início que poderia arrumar fogo com um estalar de dedos. Ele tinha vergonha de seus poderes. Ou seria medo ? Leo não sabia, mas não gostava de sair ostentando aquilo para todo mundo. Aquilo até podia ser uma benção de Hefesto, mas Leo não se sentia, bem, muito abençoado.

A noite chegou e o ritmo de trabalho do Valdez fora diminuindo. Ele pensava no maravilhoso purê de batata com carne que ele comeria depois de terminar aquela peça, quando uma Reyna radiante segurando uma espada de bronze celestial entrou pela porta.

– Deuses, o fio dessas espadas de bronze são tão cortantes que é capaz de decapitar alguém só apontado a arma para ele ! – Exclamou a guerreira entusiasmada. – É você que as afia ?

– Na maior parte das vezes, sim. Annabeth também as afia para mim de vez em quando. – A pretora girava pela cabine, acertando inimigos imaginários mas sorrindo de forma bem real.

– Se quiser, é sua. – Disse Leo, que estava louco para continuar vendo Reyna sorrir daquela maneira.

– Minha ? Ora, Leo, não posso aceitar. Os outros romanos jamais aceitariam que sua pretora usasse uma arma grega.

– Bem, você é a filha da deusa da guerra, não ? Acho que tem o direito te ter a arma que quiser. Afinal, espada grega, romana, russa, o que quer que seja, o resultado sempre vai uma cabeça a menos ! – A romana sorriu para ele e o agradeceu.

– Ela vai se chamar viatori*, a espada para te acompanhar em suas jornadas. – Anunciou a garota. O filho de Hefesto não sabia o que significava viatori, mas teria de perguntar depois. Agora, ele reunia sua coragem para conversar com ela sobre o incidente da hidra.

– Reyna, preciso te dizer uma coisa. Sobre a explosão, a hidra e tudo o mais. Sinto muito não ter te contado antes mas é que esse meu poder, o fogo, ele me incomoda. Eu... – O garoto coçou os cachos escuros, sem jeito. Ele realmente não era bom com aquele negócio de conversa séria. Mas os olhos de Reyna pousaram serenos sobre os dele e o filho de Hefesto continuou. Se saindo um pouco melhor agora, Leo explicou seus motivos para a romana, que pareceu compreensiva, mas confusa. ‘’Afinal, o que eu esperava ? Ela é filha da deusa da guerra. Não é como se ela achasse aceitável temer poderes divinos concedidos pelos pais. ’’

POV Reyna.

A romana sentia que algo estava errado, mas não conseguia dizer muito bem o que era. Primeiro, ela sentira algo se agitando em seu estomago enquanto Leo limpava sua queimadura e acariciava levemente seu braço. Talvez fossem borboletas, ela preferia pensar que não. Depois, passara a tarde toda no arsenal perdida em pensamentos confusos sobre o grego lá em cima. Como seria tocá-lo ? Será que a pele dele sempre era tão quente quanto naquela tarde ou era apenas o efeito da explosão ? Se ela enterrasse a mão nos cachos dele, será que seus dedos ficariam presos ou será que os cabelos do garoto escorreriam entre seus dedos ? E agora, depois de contar a ela sobre seus poderes com o fogo, ele tinha uma expressão um tanto desconcertada. Reyna, por algum motivo que desconhecia, sentia vontade de pedir que ele fizesse fogo naquele exato momento. Talvez ela achasse aquilo sexy, de uma maneira completamente estranha, assim como a mancha de graxa que atravessa o rosto do garoto e a camisa suada.

Por Júpiter, porque aqueles pensamentos não paravam de lhe ocorrer ?

A pretora respirou fundo e se abaixou ao lado de Leo.

– Está tudo bem, Leo. Ter medo não é vergonha. Vergonha é não fazer nada para enfrentá-lo. Além do que, você não deveria temer seus poderes, afinal, eles vêm de você, o que significa que só você pode controlá-los, e ter o controle é o que importa.- O filho de Hefesto a olhou com um misto de gratidão e auto piedade.- Porque não vamos comer ? Aposto que está morrendo de fome.

– Pretora, quando casar, o marido é seu – Riu Leo – Sempre sabe o que dizer ! Vamos lá !

Eles foram ao refeitório pegar os pratos e canecas, mas decidiram se sentar no convés. Fazia uma noite agradável, as estrelas estavam tão visíveis quanto canhões de luz. Eles se sentaram em cadeiras dobráveis e comeram vorazmente. Quando acabaram, ficaram um tempo sentados em silêncio, até que Leo deitar-se no chão de madeira e Reyna o imitar. Daquele jeito, eles podiam ver as estrelas.

– Qual é sua constelação preferida ? — Perguntou Leo

– Gosto daquela ali, que parece uma menina correndo com um arco e flecha. Posso jurar que ela não estava lá quando eu era criança, mas desde que cheguei no acampamento Júpiter, ela está ali. Faz-me lembrar minha irmã, por isso gosto dela. – Reyna podia sentir o garoto sorrindo a seu lado.

– Também acho que ela estava lá quando era criança. Mas você conhece essas estrelas, vivem nascendo e morrendo quando querem. Mas se quer saber, gosto de Órion.

– Porque ?

– Porque ela está lá desde o início dos tempos ! Os caras de quem eu gosto, os matemáticos, engenheiros e inventores do passado, quase todos eles fizeram alguma teoria de cálculos impossíveis baseada em órion, mesmo que indiretamente. Como as pirâmides, que foram construídas seguindo o cinturão de órion, elas influenciaram o cálculo de sombras e triângulos e disso saiu um milhão de outras coisas ! É incrível como aqueles cara pensavam ! – A pretora tinha de admitir que estava impressionada com Leo.

–Me deixe adivinhar. Está impressionada com a Inteligência do filósofo Valdez aqui ? — Disse o garoto com seu sorriso louco. – Esse é o problema de ser o mecânico. Todo mundo vê como um trabalho braçal, só isso, mas é difícil perceberem que se tem que ser muito inteligente para poder fazer essas coisas.

– Deve ser por isso que Vulcano é sempre deixado de lado. Os outros deuses não se interessam pelo o que ele tem a dizer, só pelo que ele tem a fazer. – Pode ver o grego sorrindo novamente e deduziu que seu raciocínio devia tê-lo deixado satisfeito.

Ficaram mais um tempo olhando para o céu e trocando umas poucas palavras. Até que Leo começou a dar sinais de cansaço. Reyna detestava sobrecarregar o semideus, afinal, ele fazia tudo praticamente sozinho, mas não havia muito que ela pudesse fazer a esse respeito.

– Porque não vai deitar ? Eu monto guarda aqui em cima hoje. – A verdade era que ela pretendia montar a guarda todos os dias.

– Montar guarda ? Mas porque ? Acha mesmo que vão nos atacar ?

– Você não acha ? Fomos descuidados de deixar o barco sem guarda nas noites anteriores. Vá dormir e deixe que eu cuido daqui.

– Tem certeza ? — Reyna mostrou viatori e sorriu.

– Absoluta. Vou estar em boa companhia. – o garoto deu de ombros e lhe entregou um apito de bronze.

– Caso precise de ajuda, é só soprar. Mas só se precisar de ajuda. Não queremos acordar todo o sul do país, não é mesmo ? — Reyna duvidava que um apito pudesse fazer isso, mas assentiu. O garoto lhe desejou boa noite e desapareceu na coberta.

Sentada ali sozinha, a filha da guerra percebeu que começava a admirar de verdade aquele grego.

Notas finais
* Viatori quer dizer viajante em latim.
Tomara que tenham gostado ! O próximo sai amanhã !
Se tiverem alguma sugestão para me dar, fiquem a vontade !
Desculpe o excesso de pontos de exclamação, mas adoro eles uhsuas Xoxo da tia Pamonha ♥