O Garoto De Reparos Da Rainha.
14 E agora ?
Notas iniciais
Desculpem a demora, para variar ): Sempre quero postar antes, mas xamas acho tempo t.t
Desculpem pelo capítulo ser curtinho e meio sem graça, mas espero MESMO que gostem !
Obrigado aos leitores novos pelo reviews lindos !
POV Reyna.
A pretora foi guiada até o quarto por campistas romanos. Eles pareciam constrangidos e mantinham a cabeça baixa em sinal de respeito. Reyna não pode evitar sentir certo orgulho por isso, afinal, sua autoridade ainda exercia efeito nas pessoas.
Ao entrar em seu quarto, sentiu uma onda de saudade invadir-lhe. Era tudo como a dez dias atrás. Sua cama simples e bem arrumada, sua prateleira impecável repleta dos mais diferentes livros, sua penteadeira meticulosamente organizada. O quarto da pretora era um tanto impessoal, não dizia muito a respeito de si mesma, e ela sabia disso.
Andou calmamente até a janela que dava vista para a principia e fitou o acampamento, estudando cada canto banhado pela luz dos postes e da lua. Era tudo tão familiar e ao mesmo tempo tão estranho. Era como um homem que volta para casa e percebe que todos os móveis foram mudados de lugar. Ainda é a mesma casa mas não parece a mesma. Pela primeira vez, Reyna começou a se perguntar se realmente pertencia aquele lugar. Pensou que como seu pai, talvez não tivesse um lugar para chamar de lar. Talvez seu lar fosse uma sensação, como para seu pai para quem navegar era estar em casa. Mas de qualquer modo, ela continuaria ali. Era responsável por todos aqueles romanos, mesmo que só em seu intimo. Nova Roma e o Acampamento Júpiter eram como filhos que, mesmo com condições de se virarem muito bem, Reyna insistia em orientar e proteger, como uma mãe coruja.
Continuou pensando em tudo isso enquanto se despia e tomava banho. Sentia-se exausta e aqueles pensamento a deixavam mais esgotada ainda. Apenas quando se deitou, o rumo de seus pensamentos mudou. Foram para em Leo. Queria que o grego estivesse ali para aninhar-se em seus braços quentes e sentir os dedos ágeis do garoto emaranhando seus cabelos até ela pegar no sono.
Mas ele não estava ali.
Ele provavelmente estava em uma cela desconfortável junto com seus amigos que deveriam estar desesperançados depois de mais de uma semana de espera por algum milagre. Reyna imaginou Leo tentando conversar com os amigos, tentando lhes passar um pouco da fé ingênua que tinha e tentando os fazer rir. Não pode evitar de sentir um pouco de ciúmes. Leo era grego e agora estava entre os seus, será que ele não passaria a ter raiva da romana pelo que sua legião fizera ¿ Será que estava pensando em como ela estava ¿ Será que contara aos amigos as partes, digamos, interessantes do que aconteceu com os dois naqueles últimos dias ¿
De repente, Reyna sentiu-se terrivelmente sozinha e desejou mais do que nunca ter o filho de Hefesto a seu lado. Então, abraçou o travesseiro e fez tudo o que pode para fingir que era Leo.
As lágrimas vieram fáceis, mas o sono não.
POV Leo.
- Pega leve, ô do saiote ! – Resmungou Leo para o romano de armadura que o empurrou sem a menor delicadeza na cela com seus amigos.
A cela parecia ter milhares de anos e cheirava como algo que tinha milhares de anos. Mas pelo menos era grande, então ele e seus amigos se arrumaram o melhor que podiam. Eles queriam ouvir a história contada por Leo. Dessa vez, ele contou até os detalhes que só diziam respeitos a ele e Reyna. Podia ser só sua imaginação, mas achou que Jason murchava a cada palavra dita sobre os dois. Sentiu-se péssimo pelo amigo novamente.
- Nós acreditamos em você, Leo – Começou a dizer Piper quando o garoto terminou a história. – E pelo jeito, a maioria dos romanos também acreditou, mas temos Octavian e ele pode ser um problema.
- Ele tratou vocês muito mal ¿ — Perguntou, tendo medo da resposta. Não suportava a idéia de seus amigos sofrendo algum tipo de abuso por parte de augure.
- Bem, não foi fácil. – Respondeu Annabeth. – Quando o Argo desapareceu de vista, os romanos nos cercaram no Senado. Estavam enfurecidos e diziam que havíamos seqüestrado sua pretora. Percy, Jason e Piper tentaram acalmá-los mas Octavian não contribuiu. Ficava berrando que Reyna estava mancomunada com os graecus inimigos e que nós iríamos destruir todo o acampamento se não nos detessem. Não havia como lutar, além do que, lutar só pioraria as coisas. Então continuamos tentando argumentar. Hazel e Frank tentaram ajudar mas Octavian disse que eles também estava aliados a nós e eram traidores. – Ela fez uma pausa. Agora de perto, Leo via como estava abatida. Tinha olheiras escuras embaixo dos olhos. Então Percy pôs a mão sobre a dela, encorajando-a a falar. Leo sentiu falta de Reyna – Octavian sabe ser persuasivo. Ele sabe dizer aos romanos exatamente o que eles querem ouvir. Por isso, paramos aqui. O augure dizia que vocês voltariam para nos buscar, que isso fazia tudo parte do plano. Então, ficamos aqui, pensando o que teria acontecido. Chegamos a achar que...bom...
- Que eu tinha feito de propósito ¿ — Sugeriu Leo
- Sim – Respondeu a filha de Atena com vergonha. – Me desculpe, Leo.
- Não tem importância agora, sabidinha – Sorriu o filho de Hefesto, tentando animá-la. – O importante agora é que estamos todos juntos e que vamos partir em nossa missão suicida em breve !
- Como pode ter tanta certeza ¿ Os romanos podem julgá-lo culpado ! – Disse Piper.
- Não vão, rainha da beleza. Acha que é só você que tem charme ¿ O Valdez aqui também tem !
- Estou falando sério, Leo !
- Eu também ! Não percebeu que os romanos, ou pelo menos a maioria, acreditaram na gente ¿ O cara de fuinha não fará diferença, ele é só um. Ou pelo menos, os deuses queiram que seja !
- Acredita mesmo que vamos sair daqui vivos ¿ — Perguntou Percy, olhando Leo com aqueles penetrantes olhos verdes. O cara era bonitão, Leo teve de admitir.
- Tenho certeza ! – E sorriu seu típico sorriso louco.
POV Reyna.
Na manhã seguinte, a filha de Belona acordou péssima.
Não havia quase dormido e um clima delicadamente tenso estava no ar, andando de corda bamba, e a qualquer momento podia cair. Reyna não gostava disso.
Levantou-se, vestiu-se e tentou parecer confiante e corajosa ao sair do quarto. Não foi ao refeitório, ainda estava com o estomago embrulhado. Por isso, foi andando por toda área da pretoria, observando os imponentes e altos corredores romanos. Sentiu-se levemente intimida adiantes da grandeza daquela arquitetura. Não se lembrava de ter sentido isso alguma vez antes de tudo acontecer. Talvez antes ela não tivesse tempo de pensar sobre isso. Agora, parando para pensar, a pretora percebia como tudo em Nova Roma era grande e nobre. Era algo até irreal. Como se aquela fosse a Roma original. Por um momento, Reyna sentiu como se tivesse centenas de anos. Como se fosse imortal.
- Dormiu bem, querida pretora ¿ — Uma voz fanha interrompeu seus pensamentos. Era Octavian.
- Maravilhosamente. – Mentiu a garota.
- Como consegue dormir sabendo que é a maior traidora de Roma ¿
- Como consegue dormir sabendo que é o maior mentiroso de Roma, Octavian ¿ Sabe tão bem quanto qualquer um que o que aconteceu foi um acidente.
- Um acidente muito conveniente para você, não é mesmo, señorita ¿ Pensa que não sei o que aconteceu entre você e o grego ¿ — Pela primeira vez na vida, o olhar do augure a assustou. Havia um desejo desdenhoso tão intenso em sua voz que Reyna recuou um passo. – Acha mesmo que não sei que se entregou ao estúpido Valdez ¿
- Não acredito que isso seja da sua conta, Octavian. – Agora, o legado de Apolo mordia os lábios com uma expressão faminta. A pretora recuou outro passo quando o garoto tentou tocá-la. Já havia desembainhado a espada quando uma voz no fundo do corredor a salvou.
- Se afaste dela, cara de fuinha, ou serei obrigado a incendiar este lugar de propósito ! — A voz de Leo era música aos ouvidos de Reyna.
- Mais respeito pelo pretor, graecus, ou serei obrigado a trancá-lo nas celas pelo resto de seus dias ! – Leo apenas estendeu o braço e fingiu que tremia descontroladamente.
- Guardas ! – Berrou o augure – Não disse que tinham que conduzir os prisioneiro direto para o Senado ¿
- É isso o que estamos fazendo, Octavian. Temos de passar por aqui para chegar até lá. – Respondeu um romano de saiote. Ele parecia desprezar Octavian tanto quanto qualquer um.
O augure mandou que todos seguissem para o Senado. Ao chegarem lá, os bancos já estavam lotados. Um nervosismo crescente tomava conta do lugar.
- Romanos, ontem nos reunimos para ouvir aos réus. Estes nos contaram uma história fantasiosa sobre espíritos incendiário ! Como pretor de deste acampamento, não posso acreditar nessa historinha e estou certo de que vocês também não. Agora, o veredicto dos centuriões. – Ao proferir estas palavras, Octavian acenou para os cinco jovens sentados na mesa junto com ele. Um a um, eles foram dando suas sentenças.
Todos se decidiram a favor de Reyna e Leo.
Quando terminaram, o rosto do augure estava lívido de raiva e incredulidade.
- O que ¿ Acham mesmo que eles são inocentes ¿ Eles...
- Ora, cale a boca, Octavian ! – Gritou um garoto nos bancos.
- Está tentando no colocar contra Reyna ! – Disse outro.
- Os gregos não são inimigos, Octavian. Você é ! – Criticou uma menina.
Então, um caos de vozes se ergueu. Todas criticavam Octavian e apoiavam Reyna e Leo.
- Silêncio ! – Bradou Reyna, por fim. – Então, o veredicto desta sessão é que somos inocentes. Sendo assim, ainda sou a pretora de direito.
Outro mar de vozes estourou, mas gritavam e comemoravam em nome de Reyna.
-Agora – fez-se ouvir a pretora novamente. – temos muito o que fazer. Os sete meios sangues da profecia deveram partir o quanto antes ! Percy, Jason, Annabeth, Piper, Hazel, Frank e Leo... está claro que vocês são os escolhidos dos deuses.
- Reyna está certa – Concordou Annabeth. – Devemos partir amanhã mesmo ! Estamos ficando sem tempo. – A pretora rezou para não parecer tão chateada quanto estava, mas ao olhar para Leo, viu que ele não tentou esconder.
- Amanhã ¿ Acabamos de chegar !
-Eu sei, Leo, mas você sabe tão bem quanto eu que precisamos ir. – Reyna viu Leo suspirar, vencido. Sim, ele sabia.
- Romanos ! – Começou a pretora novamente. – Temos de nos desculpar, agradecer e despedir dos nossos heróis ! Legiões, comecem os preparativos para uma grande festa esta noite !
Os romanos comemoraram de novo. Saíram em uma enxurrada do Senado, deixando os Sete, Reyna e Octavian a sós.
- Ei Reyna, o que vamos fazer com o cara de fuinha ¿ — Perguntou Percy com um sorriso que lembrava o de Leo.
- Não sei. Será que ele é digno de qualquer misericórdia da minha parte ¿ — Lançou um olhar gélido ao augure, que se encolheu levemente.
- Reyna... – Começou Octavian.
- Não sou como você. – Declarou a pretora – Mas suma da minha frente antes que mude de idéia. – O legado de Apolo não se fez rogado. Desapareceu rapidamente.
- Ele não merecia isso, Reyna. – Disse Percy.
- Talvez não, mas no momento temos outras coisas com que nos preocupar.
- Tipo em como vamos passar nossas últimas horas juntos, Reynita ! – Disse Leo, abraçando a pretora por trás. Reyna queria ficar ali, daquele jeito, mas se empertigou e tentou assumir um tom indiferente.
- Agora acho melhor vocês arrumarem suas coisas. Descansem, organizem-se, conversem. Vejo vocês a noite. – Com essas palavras, a pretora se afastou. Queria loucamente ficar com Leo, mas sabia que precisava dar tempo para ele e os outros gregos se organizarem.
E ela precisava de tempo para aceitar o fato de que Leo iria embora.
Notas finais
Desculpem também não ter arrumado os pontos de interrogação. Meu Word deixa eles assim e sempre arrumo aqui, mas hoje estou meio com pressa KKK
Comecei a reler A Marca de Atena e Meus Deuses, Tio Rick é o maior herói de todos os tempos ! O que iremos fazer da vida depois de A Casa de Hades ? t.t
Muitos beijos de bronze celestial, queridos ♥
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