O Garoto De Olhos Cor Chocolate.
4 Capítulo quatro
Notas iniciais
Olhei para Anúbis, que olhava para mim ainda preocupadamente.
– Vou chamar seu irmão. — ele disse, se postando para ir atrás de Carter. — Vou falar para ele o que aconteceu, e para ele te levar para casa.
– Não! — falei um pouco exasperada. Não preciso de mais gente se preocupando comigo. — Foi só uma dor de cabeça, eu te prometo.
– Mas Sadie... — ele olhou para minha expressão e bufou. — Você é muito teimosa. Nem sei como ele te aguenta.
"Ele não fica em casa, por isso ele não fala nada" Pensei com raiva e olhei para os lados, disfarçando. Anúbis estava se preocupando á toa, porque o tempo de passar tão mal e de ser o centro das atenções por causa disso já passou.
– Olha, não preciso de você se preocupando á toa comigo, eu já disse que sei me cuidar. — falei, com raiva e bati o pé. — Não fale nada para o meu irmão, certo?
– Não. — Anúbis sibilou, com o rosto se contorcendo. — Você quase desmaiou aqui, e seu irmão precisa de te levar ao médico.
– Por favor. — falei, juntando as mãos e rezando para ele não falar nada. — Não preciso ir para o médico. Você está cuidando da minha vida, eu já disse que não quero ninguém fazendo isso.
– Você é muito teimosa. — ele falou, cruzando os braços e fazendo uma expressão muito estranha.
– Por favor. — eu disse, colocando minhas mãos nos ombros dele. — Ninguém precisa ficar sabendo disso.
– Ninguém precisa ficar sabendo disso o quê? — Carter apareceu, segurando três doces. — Ah, já sei! Vocês dois estão namorando, certo?
– Não. — tirei minhas mãos do ombro dele. — É que... Bem...
Olhei para Anúbis que olhava para mim e para Carter. Ele suspirou e falou:
– É que ela queria ir para o carrossel. — ele apontou para o carrossel lindo e brilhante que se destacava naquela tarde.
– Ah! — Carter olhou para mim. — Vamos!
Carter segurou minha mão e me arrastou até o carrossel, mesmo eu falando que era mentira o que Anúbis falou. Fiz uma nota mentalmente de agradecer ele depois.
Ele me salvou de ter que voltar para o hospital. Eu vou contar o que houve para você:
Eu tinha cinco, ou era seis anos na época. Me lembro que minha mãe estava brigando muito com o meu pai, mas só lembro de poucas coisas. Meu irmão me disse que eu sempre passei muito mal quando criança. Ele explicou que eu tive leucemia linfocítica aguda, seguida de vários tumores cerebrais. E o risco de voltar tudo aquilo não era muito pequeno, espero que ele esteja certo.
Andei no carrossel uma vez, e revirei os olhos. Senti alguém atrás de mim, me virei rapidamente esperando ver Anúbis, mas lá estava Zia e Jaz, me olhando como se eu fosse um pedaço de carne.
– Esqueceu que a gente vinha com você? — Zia perguntou rude cruzando os braços. — Ficamos lá esperando feito bobas!
– Desculpa Zia, eu... — eu olhei para uma pessoa atrás dela, Walt estava andando com Beatrice, os dois sorrindo e conversando.
Respirei fundo e olhei para Jasmine.
– Jasmine, me desculpa, é sério, meu irmão apareceu e eu me esqueci de vocês! — pedi desculpas, esperando que ela aceitasse.
– HÁ. — ela falou bem alto e logo se corrigiu. — Não precisa de desculpar, acho que já entendi o que está acontecendo...
– O quê? — perguntou Zia, e imaginei o que tinha naquela cabecinha maluca da Jaz. Ela cochichou algo no ouvido de Zia e a mesma arregalou os olhos.
– Certo... — Zia ficou sem graça. E eu desconfiei, o que as duas estavam aprontando? — Vamos naquele local ali, por favor, Jaz?
As duas me deixaram ali sem entender nada. O que essas malucas estão pensando? Balancei a cabeça e me virei. Vi uma coisa que não esperava ver. (não, não é o Anúbis de novo.) (e nem o Walt).
Beatrice estava chorando. Chorando, e, julgando ela pela cara, não eram lágrimas de crocodilo. Cheguei perto dela, mas foi por impulso, odeio ver alguém chorando. Ela estava sentada na grama.
– Você está bem, Beatrice? — perguntei, me sentando ao lado dela.
– Sai daqui. — ela disse. — Não é da sua conta.
Respirei fundo. Era assim que eu parecia quando eu falava a mesma coisa?
– Pode me contar. — eu falei, segurando um ombro dela. — Eu não sou uma fofoqueira.
E desça vez, ela explodiu em lágrimas. Ela me abraçou e começou a chorar desesperadamente no meu ombro.
– O que houve? — perguntei, afastando ela.
– Minha mãe... — ela falou, fungando e limpando as lágrimas. — Ela disse que ia vir hoje...
– Só por isso? — sibilei. — Ela deve vir mais tarde, não?
– Você não entendeu! — ela falou fracamente. — Minha mãe... Ela nunca vem me ver. Desde criança é assim. *snif* Ela não presta atenção em mim, e não se importa comigo.
Ela desabafou comigo. Quando eu vi ela pela primeira vez, eu achei que ela era uma vadia, sinceramente. Mas eu deveria ter pensado melhor. Ela explicou que já tentou de tudo para chamar a atenção dela. E que, a mãe dela nunca faz nada para ela, só o pai dela. E de como ela desejaria poder ver o pai, mas o mesmo estava em outro país.
– Olha, se eu fosse você, eu pararia com isso. — a expressão dela mudou para de dúvida. — Para de tentar chamar a atenção dela. Faça com que ela sinta saudades de você.
Ela sorriu. E eu posso dizer, ela estava parecendo uma palhaça, com a maquiagem toda borrada.
– Obrigada.. Por me aguentar. — ela falou, ainda fungando. — Ninguém. Nunca quis saber da minha vida. Você é muito gentil.
– Tudo bem. — falei sorrindo. — Eu tenho que ser gentil com você, oras.
– Ei, acho que vou trocar minha maquiagem. — ela disse intuitiva. — Estou parecendo um palhaço, certo? Quero impressionar o Walt.
Meu sorriso sumiu. Não senti ódio dela, somente uma dor.
Abalo. Suspiro. Sorriso.
– É isso. Vai lá. — falei e ela foi.
Passei o braços envolta do corpo, me abraçando. Ué, já que eu não posso ter o Walt, por que não deixar ele ficar com alguém melhor que eu.
Vi Anúbis ao longe, fugindo de alguma garotas. Esqueci de mencionar que ele é perseguido agora. Desde que chegou na escola, teve bastante atenção feminina. Não que eu me importe, mas me dá um nojo isso.
Ele estava falando algo para uma menina, quando outra pulou no pescoço dele. Ri da cara feia que ele fez, antes de conseguir se livrar da menina. É... Todos estão felizes hoje. Pelo menos todos. Carter estava com Zia, Jaz estava paquerando um menino, Beatrice conversando com Walt, com a maquiagem já retocada.
Todos felizes. Você não. Eu estou feliz, deveria mandar lírios-do-vale todos os dias para mim só para lembrar que eu deveria agradecer todos os dias por estar viva. Respirei fundo e resolvi reparar um pouco nas pessoas que por ali passavam.
Uma garotinha tinha parado na minha frente e ficava me observando. Ela era um anjo. Pelo menos parecia um anjo. Ela sorriu e eu repeti o resto.
– O que foi? — perguntei, com um humor elevado. — Está perdida, anjinha?
– Você que palece estar perdida. — levantei um sobrancelha. — Meu nome é Mor.
– Oi Mor! — falei, pegando a mão dela e balançando alegremente. Mor deve ser algum tipo de apelido. — Meu nome é Sadie.
– Eu sei. — ela disse, e se explicou. — Ouvi aquelas pessoas. — apontou para Anúbis e meu irmão. — Elas estavam falando de você.
– Sério? — perguntei, fingindo uma curiosidade muito maior. — O que ela falavam?
– É feio fofocar. — ela disse séria. — Eles falavam coisas interessantes.
– Ah.. — falei sem graça. — Está se divertindo no circo?
– Sim. — ela falou. Ela olhou para todos os lados. — É bom ver tanta gente se divertindo, certo?
– É, eu amo esse tipo de coisa. — disse, olhando para as estrelas. — É como se... É como se eu fosse criança de novo.
Olhei para o céu, e esperei a hora de ir embora. O que eu não queria falar, é que, na verdade, o circo não está tão legal como antes. Falta alguma coisa. Falta... Falta...
– Falando sozinha Sadie? — perguntou uma voz logo á frente.
Olhei para ela e vi Anúbis, e meu sorriso se iluminou.
– Não.. Eu.. — olhei para os lados e não a Mor. — Ela sumiu.
– Quem? — ele perguntou, se sentando á meu lado e deitando na grama.
– Ninguém. — e fiquei olhando para ele, que fechou os olhos e colocou a mão no rosto. — Não adianta tentar pegar sol, você vai ser sempre pálido assim, sabe...
– Posso falar uma coisa com você? — ele perguntou, como num salto. Ele ficou em pé, e me ajudou á levantar. — Eu... Eu..
– Ei, Sadie, você acha que eu devo... — falou Zia, chegando perto de mim. Quando percebeu a situação, tentou sair, mas eu a segurei.
– Fala Anúbis. — eu disse sem demoras.
– Eu acho que eu... — ele ficou sem fala.
– Posso te fazer uma pergunta? — já perguntando. Ele acenou positivamente. — O meu gostar... É diferente do seu, né?
O rosto dele se contorceu quando percebeu o que significava aquilo.
– Sim. Acho que sim — ele abaixou a cabeça, derrotado.
Ótimo, era só isso que eu precisava fazer para afastá-lo de mim. Saí de perto de Zia e de Anúbis, e fui barrada por Carter.
– O que houve? — ele perguntou preocupado. — Está sentindo alguma coisa? Quer que eu...
– Não, não precisa. — já falei logo. — Estou bem, só cansada. Vou para casa.
– Sadie, eu só pude pegar uma folga hoje da escola. Vou voltar ainda hoje para lá. — ele gritou, mas eu já estava meio que longe.
Fui para casa e me joguei no sofá. É, eu fiz certo. Mesmo que eu me interessasse por Anúbis, ele nunca iria querer alguém que tem uma expectativa de vida questionável.
Notas finais
bjoss, comentem por favor.
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