O Garoto De Olhos Cor Chocolate.
8 Capítulo oito
Notas iniciais
Aproveitem!
P.O.V Anúbis (Há aproximadamente um dia antes da Sadie sumir)
- Tem certeza, senhor? — perguntou a mulher da loja, como se eu não tivesse certeza.
- Sim. — falei curto. — Quero esse, pode colocar em uma caixinha?
- Claro. — ela sorriu. — Sua namorada vai adorar o anel.
Ela não é minha namorada, ainda. Hoje é domingo, e invés de estar em outro lugar, fazendo outras coisas, resolvi comprar algo para Sadie. E antes que comecem á me bater, sim, eu gosto dela.
Paguei no caixa e levei o anel dentro da caixinha na mão. Guardei-a no bolso. Ela vai ser minha namorada. Aí eu vou poder fazer tudo o que eu quero... E nem pensem besteira. Quando eu vejo aquele rosto lindo, e frágil, eu tenho a sensação de que quero ver ele todo dia, toda hora.
Sempre quando estou perto dela, sinto borboletas no estômago, e quando andamos juntos, sempre nos param para perguntar se somos namorado. Só tenho certeza que, se nós estivéssemos namorando agora, eu seria a mulher da relação.
E isso não ajuda nem um pouco minha auto-estima. Cheguei em casa e vi meu pai com o celular na mão, conversando ao telefone com alguém. Passei por ele, que estava de costas.
- Poderia descrever o que está sentindo? — deveria ser mais um paciente. — Claro que poderíamos marcar uma! Poderia vir aqui amanhã de manhã?
Subi para o meu quarto e me tranquei. Meu pai é sempre tão... Irritante. Mas não me incomodo. Peguei a caixa que estava no meu bolso e abri de novo.
A aliança de ouro branco, com alguns rubis brilhava. Ela iria gostar, certo? Planejo pedi-la em namoro amanhã, porque eu já não aguento mais! Me dá uma raiva estar perto dela, e não poder abraçar aquele corpo pequeno, sentir o seu perfume e não poder beijá-la. Cansei.
Sadie é especial. O seu sorriso ilumina meu dia. E não... Isso não é gay, como parece. Só sinto coisas que não devo sentir por uma garota que conheço á quase dois meses.
Gosto de como ela sorri, de como ela fica linda quando tenta esconder o sorriso. Queria poder vê-la hoje, mas tenho umas coisas para fazer.
Mas... E se ela não aceitar? E se... Ela não gosta de mim do mesmo jeito, e eu levar um... Outro fora?
Porque foi ela mesma que disse á um mês atrás, que o meu gostar é diferente do dela. Peguei o meu celular e disquei alguns números, e foi mais rápido do que eu esperava.
- Alô? — perguntei, com a mão tremendo um pouco.
- Alô? — a voz doce dela, que me enjoa, sibilou. — Anúbis? O que você quer? Estou ocupada! Não me ligue assim!
- Posso te fazer uma pergunta? Estou em dúvida com algo...
- Anúbis..? Com dúvida? São sobre garotas, né? — sua voz era maliciosa.
- É, pode-se dizer que sim... Olha, eu gosto de uma garota... Mas... Ela... Ah, eu não sei ela gosta de mim, o que eu faço?
- Acho que você deveria se confessar. — e isso me surpreendeu, do jeito que ela é conservadora. — Não é bom guardar esse tipo de sentimento só para você... E além disso, se for a garota que eu estou pensando... VAI FUNDO!
E desligou, me deixando sem entender nada. Eu deveria falar o que sentia? Tomei banho, e não consegui deixar de pensar nisso. Já sei! Amanhã, vou pegar ela na casa dela, e no caminho irei falar o que eu penso para Sadie. Mesmo se o que eu comprei for uma perda de dinheiro, eu finalmente vou saber.
Mas ela vai entender, se eu falar o que sinto. Dormi, e naquela noite, sonhei com a Sadie. Ela corria, e eu ia atrás, tentando alcançá-la. Quando tentei segurar o braço dela, para fazê-la parar de correr, nós dois caímos.
E não.. Eu não caí em cima dela. Na verdade, nós dois rolamos na grama, até que eu olho para seu rosto, que havia lágrimas. Toquei o seu braço e ela se levantou. E com esse sono, acordei, pensando se iria desistir de falar com ela. Talvez fosse algum presságio.
Tomei outro banho e me vesti com uma calça jeans qualquer, uma blusa qualquer, e uma jaqueta qualquer. Estava muito nervoso para poder assimilar qualquer coisa.
Desci as escadas correndo, dando um susto no meu pai, que estava sentado em uma cadeira da cozinha, tomando café.
- Filho. — ele começou. — Quando você cair e quebrar as costelas, eu vou é rir.
- Pai. — falei. — E se eu não me importar?
- Tenho que sair daqui á pouco. — ele me observava, roubando uma das torradas que estava em seu monte.
- Alguém novo para cuidar? — disse calmamente.
- Na verdade, é alguém que desistiu do tratamento, mas está voltando agora. — ele sorriu, o que me fez arquear uma sobrancelha.
- Sério? — perguntei.
- Sim, a garota mais petulante que eu conheço. — ele falou, rindo feito um garoto. — Aposto que se você a conhecesse, iria se apaixonar.
- Apaixonar? — perguntei, olhando para os lados. — Eu não estou apaixonado por ninguém.
- Sei... — ele bebericou seu café. — Sua boca fala uma coisa, mas seus olhos mostram outra. Qual o nome da infeliz?
- Sadie... — ele pareceu em choque, mas ficou calado.
- *Mas o que? Como assim, Sadie? A minha paciente? Certo... Estou indo.
Paolo se levantou, e foi embora. Fiquei meia hora pensando nela. Droga! Ela não sai do meu pensamento. Peguei minha mochila e saí pela porta, trancando-a.
Fiz o caminho para casa da Sadie, que estava estranhamente silenciosa e calma hoje. Toquei a campainha e nada. De novo. Nada. De novo. Nada. Bati na porta com um pouco mais de força e nada.
Andei para a escola. Meus planos saíram um pouco dos trilhos, mas eu posso falar com ela na hora da saída. Mas pensando bem... Está muito cedo para ela ir para á escola, então porque ela não está em casa?
Cheguei na escola, que já estava mais cheia. Achei minha sala, e sentei na carteira costumeira, do fundo. Olhei todas as pessoas que entravam. Zia, Jasmine, algumas meninas que eu não sei o nome, Walt... Mas a Sadie não...
A primeira aula ocorreu normalmente, mas eu estava com uma aura depressiva, e á cada minuto que passava, afundava mais na depressão.
Nem percebi e já era hora do intervalo. Escutei um "PÁH" e era a mão de alguém na minha carteira.
- Onde está a Sadie? — perguntou Zia.
- Eu pensei que você soubesse. — respondi, me levantando.
- Não se faça de bobo. — ela falou, segurando a gola da minha camisa e levantando, com uma expressão assustadora. — O.Que.Você.Fez.Com.Ela?
- Nada! — tentei me soltar. — Eu passei na casa dela e ela não estava lá. E eu já ia te perguntar aonde ela está!
Ela me soltou de supetão.
- Que droga! — sua voz fininha foi barulho para os meus ouvidos. — Nem sei quantas vezes liguei para ela!
- Deve ser algo grave, então. — Jasmine apareceu. — Ela não é de faltar, e nem de sumir da casa, sem celular...
- Então... Ou ela está me ignorando, ou... — sua expressão passou de raiva para medo. — Ah não, não seja o que estou pensando, por favor.
O barulho mais irritante do mundo se fez presente, e Zia pegou o celular e atendeu na mesma hora.
- Alô? — e se afastou, não me deixando ouvir a conversa.
Jasmine tentou ir atrás, mas parou no meio do caminho. Se virou para mim, com um rosto malicioso.
- Que preocupação toda é essa, Anúbis?
Preocupação? Se ela soubesse o quanto meu coração está apertado, ela com certeza calaria a boca.
Senti meu rosto esquentar, e bufei.
- Do que você está falando? — me fiz de burro.
- Sei... — e colocou o dedo indicador na bochecha. — Dava para sentir do outro lado da escola sua preocupação por ela. Mesmo não falando nada, você estava afundando na sua depressão. — e terminou a última parte com uma risada.
- Há-Há. Só estou preocupado com a minha na.. Amiga.
- Sei... Sua amiga. — ela balançou a cabeça. — Só me faça o favor de me contar quando falar o que sente para ela!
E ela saiu. Essa menina é muito atirada. Quero saber quem será o idiota que vai conseguir domar essa menina fofoqueira, chata, e sem graça.
Ela não chegou. Eu olhava para porta á cada cinco segundos, esperando a menina cheia de energia, linda, sorridente entrar trazendo alguma desculpa e ir se sentar. Mas nada.
Nada. Na hora da saída, fui parado por uma garota loira, baixinha. Me lembro dela vagamente... Ela me disse que era a dona do meu fã-clube.
- Olá Anúbis! — sua voz de criancinha não era nada atraente. — Está me procurando?
- Não estou. — falei curto e grosso. Queria conversar com A Sadie, não com essa... Essa... Maluca.
- Ah... — ela se agarrou ao meu ombro. — Vamos lá. Eu vou te levar para casa.
- Não. — e empurrei ela bruscamente, fazendo ela se soltar, e olhar para mim com um olhar dúbio e assustado. — Estou cansado das suas brincadeiras! Não quero nada com alguém que finge ser várias coisas! Não acha que eu vejo como você é de verdade? Irritante, mesquinha e mimada. Só finge ser alguém que não é, para mostrar para as outras que acha que me conhece. Me deixa em paz, garota!
E tentei sair andando. Mas ela segurou meu braço. Achei que ela estava chorando, mas não iria consolar alguém que não merece tal gesto.
Mas, para minha surpresa, ela estava rindo. Rindo maleficamente.
- Hahahahahaha. — sua voz era completamente diferente da anterior. — Você acha que eu me importo? Vamos lá, seu filhote de verme. Nós somos perfeitos. Eu sou loira, líder de torcida, a típica garota simpática. Você é o garoto mal-humorado. Eu vou te mandar calar a boca, e você vai me beijar.
- Do que você está falando, garota? — perguntei, mas não estava assustado. Eu já tive experiencias piores. Imagina entrar no quarto e ver uma garota que você brigou, nua na cama? Sim, eu a expulsei, e mandei ela ir embora nua mesmo, chamando á atenção de todos os garotos do internato, mas isso não vem ao caso agora.
- Não se finja de bobo. — ela se jogou contra o meu peito. — Eu sei que você gosta de mim.
- Eu não gosto de você. — falei, segurando com força os braços dela.
- Se você não gosta de mim... — ela fez uma careta, com a dor. — Você gosta de alguém?
- Sim! — e logo me arrependi. — Eu gosto da menina mais legal da sala, que não finge nada, que adora coisas de crianças!
E saí andando. Dessa vez ela não me parou. Fui direto para a casa da Sadie. Estava trancada. E foi aí que eu vi a janela do segundo andar aberta e pensei.
Estava tão desesperado em encontrá-la... Escalei a parede com pouca dificuldade, porque havia saliências na parede e não era tão alto assim. Entrei no quarto da Sadie pela primeira vez.
Ele era amarelo e verde, com um grande relógio. Uma cama bem grande, maior do que ela precisaria. Eu sei que naquela hora eu parecia um louco, mas não me importei.
Avistei uma escrivaninha com algumas gavetas e as abri. Uma estava trancada, e outra aberta. Lá dentro se encontrava um papel amassado. Tentei desamassar.
Era um desenho meu. Meu coração palpitou de imediato. O desenho mostrava a mesma roupa que eu usei na primeira vez que vi ela. Tinha a data do mesmo dia que nos encontramos. Sorri, sorri. Sorri. Ela me desenhou.
Sentei na cama dela, ainda observando o desenho, e comecei a me balançar, sorrindo feito um bobo. Ela me desenhou... Ela me desenhou...
Mas parei, ela logo voltaria para casa, certo? Foi isso que eu pensei, enquanto ouvia a fechadura lá embaixo se abrindo, e saí correndo, desci as escadas, e o que vi foi quase o contrário do que eu queria ver.
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