O Garoto De Olhos Cor Chocolate.
2 Capítulo dois
Notas iniciais
Fui para a biblioteca em passos rápidos. Por eu ser um pouco mais baixinha do que a maioria das pessoas, eu dou passos bem rápidos e não me canso.
Cheguei lá e respirei fundo. Estava fazendo muito calor. Que droga, deveria ter votado em colocarem um ar condicionado na biblioteca invés do que na cantina!
- Bom dia Sadie — disse a bibliotecária. É, quando a gente vem muito á biblioteca, nós fazemos amizades com ela.
Hiroshi é uma mulher de idade. Seus cabelos prateados estavam presos em um coque apertado, e ela estava com seu rotineiro vestido de seda azul.
Uma mulher muito leal aos livros, eu posso dizer.
- Bom dia. — falei preguiçosa. — Algum livro novo? — falei, me debruçando sobre uma mesa.
- Não. — ela falou triste. — A escola não está dando muita atenção á biblioteca. Fico muito triste quando todos deixam de ver as maravilhas que existe na escrita.
- É... — falei, olhando para ela. — Mas eu nunca vou abandonar os livros, isso você pode ter certeza!
Ela olhou para mim com um sorriso sagaz.
- Que bom que posso contar com você, Sadie. — ela disse, com um brilho diferente nos olhos.
O sinal tocou.
- Acho que eu devo ir agora... — falei triste. Mas o que eu queria mesmo é receber a permissão dela para poder ficar na biblioteca.
Na nossa escola é assim. Você pode receber a permissão de um professor ou da bibliotecária, mas praticamente ninguém sabe disso. Fui andando tão lentamente, que Hiroshi riu.
- Se você quer ficar aqui, pode ficar. — ela disse, se ajeitando na cadeira. — É sempre bom o papo com você. Os outros alunos sempre vem aqui resmungando sobre um trabalho.
- Imagino isso. — falei, colocando a mão na bancada. — Quero que essas pessoas vão se ferrar.
Ela olhou para mim com um semblante severo, mas logo riu.
- Não tem outra pessoa como você, Sadie. – Hiroshi se levantou e pegou um livro.
- É, eu sei que sou demais. – falei, fazendo uma pose de super heroína.
- Esse livro. – ela apontou um com a capa um pouco desgastada. -, fala sobre uma garota igual á você.
- Depois eu o leio. – disse, pegando o livro. – Terminei de ler um ontem, acho que vou esperar um pouco para ler o próximo.
- Mudando de assunto... – ela disse, soltando os cabelos do coque. – Como vai sua relação? Com aquele garoto gatinho, como é o nome dele? Walt?
- É, Walt. – sibilei, triste. – Eu não falo com ele faz um tempo.
- Ai, vocês adolescentes. – ela disse fingindo drama. – Sempre fazendo drama.
Ri.
- Mas acho que você deveria esquecer esse daí. – ela falou, olhando para mim segurando o rosto com o queixo. – Tem tantos garotos bonitinhos por aí...
- Isso eu concordo. – falei alto demais. – Quero dizer...
Ela gargalhou. A porta foi escancarada de repente e eu pulei. Fingi abrir o livro e olhei para quem tinha feito aquilo.
Anúbis entrou na biblioteca despreocupado. Os cabelos bagunçados estavam mais do que antes, e ele parecia emburrado. Quando me viu, hesitou por poucos segundos e se voltou para Hiroshi.
- Com licença. – a voz rouca estava muito sexy nele. – Você têm algum livro sobre história francesa?
- Sim, eu tenho querido. – fiz um esforço para não rir da cara dele quando ela falou querido. – Está naquela estante.
Ela apontou para uma perto de mim. Fuzilei Hiroshi com o olhar e ela riu. Anúbis andou forçadamente até lá e quando ele passou por mim, me forcei para não olhar.
- E então, Sadie – disse Hiroshi. – Sobre o que estávamos falando? Algo sobre garotos?
Fuzilei ela com o olhar novamente.
- Não, acho que nós estávamos dizendo que tem umas pessoas que não sabem a hora de calar a boca. – eu falei rude, e o sorriso dela se fechou.
Anúbis pegou o livro que queria e foi embora. Quando ele saiu, respirei fundo, porque de repente, eu tinha ficado sem ar.
- Ele era um gatinho não é? – disse Hiroshi descaradamente. – E você ficou na vontade de ficar olhando.
- Ele é estranho. – falei, olhando para o teto desgastado. – Muito, muito estranho. Mas é muito, muito bonito.
- Será que ele é emo? – ela disse, prendendo os cabelos.
- Não, ele não é emo não. – eu falei. – Ele deve ser só roqueiro.
- Roqueiro? – ela perguntou com uma expressão dúbia. – Você viu aquele olhar? Parecia que ele estava olhando minha alma.
- Não, o olhar dele parece... – fiquei sem fala por um minuto. – Um banho de chocolate.
Hiroshi balançou a cabeça cética.
- Só se for para você. – ela avisou. – Para mim ele olhou tão friamente.
- Então eu sou uma exceção.
Meu celular tocou e eu o peguei no bolso. Era uma ligação da Zia.
- Alô?
- Alô sua besta? — não pude deixar de abrir um sorriso.
- É assim que você atende sua melhor e única amiga? — eu perguntei.
- Aonde você está?
- Estou na biblioteca, você deveria vir aqui mais vezes, para ver se sua doença de não conseguir estudar acaba. — falei, revirando os olhos.
- Há-Há. Hoje você está muito engraçadinha, sabia Kane?
- Tá, o que você quer?
- Sabe aquela novata? Jasmine? Então, eu conversei com ela, e ela é super legal! Estamos esperando você no final da aula do lado de fora da escola!
E ela desligou. Bufei com raiva e me joguei na mesa, batendo minha cabeça e mãos repetidamente na mesa. Aquela menina ruiva parecia mesmo muito legal e animada.
Mas eu queria ir diretamente para casa, sem distrações. Sem nada.
- Seus planos mudaram? — Hiroshi me perguntou, lendo meu pensamento.
- Sim — falei bufando. — Queria ir para casa diretamente hoje.
- Seu pai voltou da viagem? — ela perguntou, voltando a atenção para mim.
- Não. — falei desanimada. — Ele tinha voltado faz quatro dias, mas foi viajar novamente... E meu irmão também está viajando.
- Ah... — ela falou. Provavelmente arrependida de ter perguntado. — Suas amigas já devem estar te esperando. Vai logo!
- Sei, você está é querendo se livrar de mim, sua velha! — falei, rindo.
- Acertou! Agora vai logo.
Saí de lá rindo. Parei, pensando onde eu tinha deixado minha mochila. Eu lembro que tinha deixado ela na sala, então fui pega-la.
Entrei na sala, e a mesma estava deserta. Comecei á ficar desesperada. Corri por todos os cantos, e quando já estava desistindo vejo alguém levando ela.
Corro até lá e seguro o ombro da pessoa.
- Minha mochila — falei, com os olhos brilhantes e eu estava ofegante.
- Ah, é sua? — perguntou uma voz rouca, que me fez olhar para a pessoa que a possuía.
- O que você estava fazendo com ela? — perguntei para Anúbis, que ficou confuso com a minha mudança de humor.
- Eu ia levar para os achados e perdidos. — ele respondeu, coçando a cabeça e olhando para os lados.
- Ah... — falei, sem graça.
- Ei, por acaso você quer... — ele começou, mas eu o interrompi, lembrando de Zia, que deveria estar espumando de raiva naquele exato momento.
- Muito obrigada! — falei, e comecei á correr para a saída. — Te vejo depois!
E eu saí da escola. Respirei fundo e fui para perto de duas meninas que estavam me esperando. Zia parecia com raiva, e Jasmine olhava para o relógio despreocupadamente.
- Gente, mil desculpas! — falei, já me desculpando. — Minha mochila sumiu...
- Sem desculpas! — falou Zia, me batendo. — Você demorou muito! Não me surpreenderia se você estivesse com um garoto e...
- Na verdade eu estava, mas... — fui interrompida.
Zia arregalou os olhos e Jasmine abriu um sorriso.
- Você estava com um garoto? — perguntou Zia. — Tá bom, depois a gente fala sobre isso. Sadie, essa é a Jasmine, Jasmine, essa é a Sadie. Ela vai te ajudar em física.
- Sério? — perguntei, não acreditando. — Virei a nerd de vocês agora?
- Tudo bem — falou Jasmine com uma voz doce. — Não precisa me ajudar não. Eu vou bem nessa matéria.
- Certo. — disse Zia. — Vamos para casa? A casa da Jaz fica perto da minha.
- Mas a minha não fica perto da sua. — falei, cruzando os braços.
- Eu sei, mas não tem ninguém na sua casa, então, você não precisa se preocupar. — falou Zia.
- Não, eu vou para casa, muito obrigada pelo convite, mas eu prefiro ir agora, se não fica muito tarde. — falei, acenando com a mão e sorrindo um pouco forçadamente.
- Tchau Sadie, até amanhã — disse Jasmine, sorrindo o mais docemente possível.
- Tchau sua retardada! — falou Zia, e se virou para conversar com Jasmine.
Fiquei observando as duas indo embora. Suspirei sorrindo, elas duas eram doidas. Pelo menos por parte da Zia. Observei por canto de olho as folhas descendo das árvores rodopiando.
Fui atravessar e escutei alguém me chamar.
- Vamos para casa juntos. — falou Anúbis, correndo para me alcançar.
Escondi meu rosto envergonhado na mochila, mas na verdade eu estava muito feliz. Fomos andando em silêncio, eu queria quebrar esse silêncio, mas não tinha coragem.
Eu fiquei olhando ás vezes para ele, e Anúbis olhava para frente, sem nenhuma expressão no rosto.
- Me desculpa... — comecei, chamando a atenção dele. — Por ter corrido daquele jeito, minhas amigas estavam esperando.
- Tudo bem — sua voz me causou um arrepio.
De repente fiquei com raiva. Ele não estava falando muito, e eu estou acostumada á escutar, do que falar.
- Você não fala muito, não é? — perguntei, colocando a mão no meu queixo. — Você fica melhor falando. Parece mais sociável.
- An... Eu não gosto muito de falar.
- Percebe-se. — falei, concluindo o que tinha pensado.
- E você. — ele disse, parando de andar e olhando para mim. — Parece que você só gosta de escutar. E eu escutei sua conversa com a bibliotecária.
Corei.
- É feio escutar as conversas dos outros, tá? — falei, indo embora mais rápido que ele.
- É, mas vale a pena saber o que você pensa sobre mim! — el gritou.
Eu corei e fiquei com raiva, voltei á andar e fui batendo o pé até em casa, não me importando se ele estava atrás ou não. Quando olhei de novo, ele já tinha ido embora.
Aquele garoto é mesmo estranho... Só tenho certeza de uma coisa. Não quero ter nada com ele, nunca. Ele é muito irritante..
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