O Garoto Da Casa A Esquerda
4 O Garoto Da Casa A Esquerda
Notas iniciais
Achei que nenhum pertencem do Sr.Carter, até que lembrei que havia deixado um baú pequeno, dentro do meu baú de fotografias, o baú pequeno ainda estava ali, mas nem eu sabia onde estava sua chave e acho que quem entrou em casa também não. Pensando nisso, de repente ouvi gritos aflitos me chamando:
– Lorena, Lorena!
Não reconheci a voz, era velha e rouca, fui ver quem era, corri até a entrada de casa, porém não visualizei nada nem ninguém.
Assustada, voltei pra dentro da casa e a tranquei novamente. Me lembrei do garoto, Precisava falar com ele, então, respirei fundo e lá fui eu, firme e apertei a campainha. Devia estar estragada, ninguém atendia; bati na porta:
– Toc, toc.
E ninguém me atendia. Eu sabia que ele estava lá e insisti que me atendesse, bati cada vez mais forte:
– Tum, tum.
Já estava socando e chutando a porta e ele não me atendia, então comecei a gritar:
– Não vai me atender, desgraçado ? O que é que você quer em ? Seu pálido que nem fantasma!!
Quis retirar o "pálido como fantasma", mas já era tarde.
Rapidamente a porta se abriu e o garoto me puxou pelo braço para dentro de sua casa,n não deu tempo de eu me defender, foi em um piscar de olhos.
– O que é que você quer ? — Disse ele com timbre baixo e um pouco rouco e eu respondi com timbre bem forte:
– O que é que eu quero ? Eu que te pergunto, o que fez em minha casa ?
Não deixando-me terminar ele disse:
– Não fui eu que entrei em sua casa.
Ele disse de um modo honesto, olhando-me com aquele olhar escuro, por dentro, acreditei, mas por fora neguei sua fala:
– Não, foi você sim, quando vi a casa e sai correndo você estava me olhan ...
– Olha, já entendi, mas não é bem isso.
Ele se calou, abaixando minha cabeça e eu disse com braveza:
– Fale logo ! Não tenho muito tempo, meus pais já vão chegar !
– Tudo bem. é que ... bom ... eu tenho um telescópio e fico vendo ... é ... as paisagens e ... um dia vi você ... quando seu mudou para cá... e te achei ... bom ...
– Tá, tá já entendi, continua.
– E então fico te vendo desde então, e, às vezes, te vejo pela janela do meu quarto que dá na sua sala. Vejo você, não sua casa.
– Hum ... isso é estranho. Não fique me olhando por aí ta ?
E ao terminar de dizer isto vi uma chave em sua estante e lembrei do pequeno baú, havia um mesmo símbolo em ambos.
– Está tudo bem. — Disse ele e eu disse que tinha de ir e ele me mostrou o caminho.Não sabia como pegar aquela chave e então fui do modo clássico, sem shows. Fiquei de costa para a estante e gritei apontando ao outro lado:
– Ah ! O que é aquilo ?
E quando ele olhou, peguei!
– Ah, não foi nada não, que susto.
E ele riu olhando para baixo.
Em casa peguei o baú e fui abri-lo. Em, dois, três; até que destrancou e eu abri ...
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