O Garoto²

25 Capítulo 25


Eu estava no chuveiro, a água quente caía sobre mim, o choque térmico incomodava um pouco. Eu ficava me lembrando de várias coisas da minha história, dos meus 17, quase 18, anos de vida. Eu rolava os olhos quando lembrava de coisas clichês e fúteis. E coisas que realmente não precisava ser lembrada. Me lembrei de Hope, após ouvir um barulho no quarto.

— Tá mexendo no que ai ?- perguntei rindo-

— NAS FOTOS- ela gritou e eu arregalei os olhos-

— TIRA AS MÃOS DAS MINHA FOTOS DE QUANDO ERA BEBÊ-

Eu comecei a rir no banheiro. Enrolei a toalha na cintura, sequei a minha parte mais preciosa, coloquei a cueca e enrolei a toalha na cintura novamente, abri a porta com cuidado e ela me esperava com um sorriso convincente de que não estava mexendo em nada. Dei uma gargalhada ao ver a carinha dela.

— Segura essa toalha pra ela não cair- ela disse apontando para mim com uma cara de " estou avisando "-

— Cair ? Tipo.. assim ?- derrubei a toalha e ela colocou as mãos no rosto- Relaxa coração, eu to de cueca. — falei rindo e ela tirou a mão dos olhos aliviada-

—Que bom — ela tirou a mão dos olhos e pegou o álbum que escondia atrás de si-

— Pode me jogar essa calça ai ?- perguntei apontando para a que estava dobrada na cama- Obrigado- disse assim que ela jogou-

Coloquei uma calça jeans azul marinho, um tênis e resolvi descer sem camisa e pedir para a minha tia ajudar no curativo.

— Vamos descer ?- perguntei e ela afirmou, colocando o álbum no lugar-

Desci de mãos dadas com a Hope, coloquei a camisa no ombro e com o pequeno quite de primeiros socorros que tínhamos em casa. Assim que desci as escadas todos olharam pra mim.

— Não reparem, até porque é nojento olhar isso- falei apontando para o peito- Tia, pode me ajudar ?- falei balançado o quite e sorrindo-

— Claro querido, pode sentar ai- ela disse e assim eu fiz, minha mãe tinha colocado mais sofás na casa, e eu sentei em um de dois lugares e Hope sentou ao meu lado, minha tia começou a colocar o remédio, o qual não doía nada-

—AIAI- gritei fazendo cara de dor e ela se assustou — é brincadeira tia, relaxa- todo mundo começou a rir da cara de braba dela-

— Se você, fizer isso, de novo.. esqueço que está machucado e bato em você-

Ela continuou a fazer o curativo, quando terminou eu coloquei a camisa e deitei no colo de Hope

— Obrigado por colocar uma camisa, agradeço de verdade- disse Luke-

— Calado- falei apontando para o mesmo com uma cara de brabo e ele deu gargalhada- Tenho que falar sério com você amanhã- disse encarando os olhos azuis de Hope-

— Tudo bem- ela murmurou e continuou a mexer no meu cabelo-

— Falando em amanhã, que horas são ?- perguntei e ela encarou a tela do celular-

Ela fez uma cara de preocupada, e mordeu o lábio inferior.. algo tinha acontecido.

— O que foi ?-

— Uma hora da manhã- ela disse guardando o celular-

— Quer ir pra casa ?- perguntei me ajeitando no sofá, após me sentar.-

Ela ficou me olhando e do nada ouvimos um enorme estouro. Era um trovão, um clarão foi dado segundos depois. O enorme barulho de chuva e pedras caindo no telhado ecoava na sala. E ela continuava me encarando e eu não entendia. Encarei meus pais e mexi os ombros em forma de " o que aconteceu ?", franzi o cenho.. E encarei Hope de novo, ela tinha congelado. Segurei a mão ela, guiei ela para o escritório, onde ninguém ouviria a nossa conversa e nós não ouviríamos nada do lado de fora.

— O que aconteceu ?- perguntei e ela começou a caminhar de um lado para o outro, com as mãos na cabeça-

— Isso — ela disse mostrando o celular, eu peguei da mão dela e comecei a ler-

Não esquece que você ainda é minha, e eu vou te pegar até no inferno- JM

— É aquele cara ?- perguntei e ela afirmou começando a chorar- Eiei, calma- falei abraçando ela-

— ELE VAI DISTRUIR O RESTO DE VIDA QUE EU TENHO, ele vai me matar se enxergar algum garoto comigo- ela falou me abraçando depois de gritar-

— Shii, vai ficar tudo bem. Ele não vai fazer nada. Eu to aqui e eu protejo você de qualquer coisa-

— Ele mexe com coisa que não deve Alec, ele é mafioso- ela disse me encarando e eu dei um sorrio perverso-

— Brant- murmurei -

— A Máfia ? Ele não é dessa máfia, é de uma menor- ela disse se sentando no sofá que tinha ali-

— Eu sou um Brant- ela arregalou os olhos-

— Brant, antigamente.. antes de eu nascer, era Cannari, mas como nem todos são italianos e com o mesmo sobrenome, mudamos para esse nome-

Ela me encara estática, não mexia um músculo sequer.
Certo, me desesperei agora !