O Futuro Está Aqui
16 Billy ou Tommy?
Notas iniciais
A noite chegou um tempo depois, sendo que Wanda permaneceu adormecida no colo de Visão enquanto este entrou em modo de repouso para se mexer o mínimo possível e não atrapalhar o descanso da moça. Despertando devagar, notou, no colchão ao seu lado, a sacola plástica com as éclairs que trouxera da cidade junto do pequeno urso entalhado em madeira.
Pouco a pouco, Wanda abriu os olhos e se espreguiçou no colo dele, recebendo afagos e beijos do sintozóide enquanto sorria, sonolenta.
— Que horas têm agora? – Wanda questionou entre um bocejo e outro ao esticar os braços ao redor do pescoço de Visão.
— Aparentemente são seis horas da tarde. – Ele ajeitou Wanda em seu colo. – Mas estava em modo de repouso, e me desconectei da rede interna, então pode demorar alguns minutos para retornar e ter uma resposta mais concreta...
Wanda riu.
— Tudo bem, eu aguardo. – Com os olhos meio fechados, ela se esgueirou até encostar o rosto na dobra entre o pescoço e o rosto de Visão. Ele usava um sobretudo confortável, já que não costumava sentir calor, tendo a capacidade de alterar a temperatura corporal a qualquer momento. – O que eu estou espiando ali?
A sacola com os doces estava na altura da vista de Wanda, que tinha os olhos brilhando e salivava com a expectativa de comer algo diferente. Visão riu enquanto esticava o braço para alcançar as alças do plástico e entregá-lo para uma animada Wanda.
— Éclairs de chocolate para a minha garota mais especial. – Visão beijou sua testa ao que ela abriu o pacote e comeu parte da massa com creme e cobertura. – Você almoçou?
— Euf ef af Natf cofmemofs umf brunchf.
Visão inclinou a cabeça para o lado, confuso.
— Posso compreender cerca de setecentos idiomas e seus dialetos, mas não consigo entender o que você acabou de falar. Poderia repetir, por gentileza?
Antes de responder, Wanda engoliu o pedaço de doce que comia e deixou escapar uma gargalhada sonora, tanto que os cantos de seus olhos ficaram molhados por pequenas lágrimas as quais ela secou logo após.
— Desculpe, Vizh, eu não deveria falar de boca cheia. Disse que eu e a Nat comemos um brunch, sabe, como a gente fazia na base? Café da manhã e almoço juntos?
Visão afirmou com a cabeça.
— Estava começando a ficar com fome, mesmo. Obrigada.
— Pense nisso como um pedido de desculpas por tê-la deixado na floresta. — Ele pigarreou, como se para chamar a atenção do que diria a seguir: — Desculpe mais uma vez, Wanda.
— Com isso aqui? – Ela apontou para a comida. – Você está perdoado por um ano.
Ambos sorriram e se abraçaram até ouvirem passos na escada.
— Não é todo dia que se vê um aliado entrar pelo sótão.
Natasha subiu o lance de escadas, e apoiou o corpo sobre os braços no vão entre o final da escada e a entrada do cômodo, sorrindo. Não aparentava estar com raiva de Visão, o que, de certa forma, era um grande alívio para ele.
— Cheguei no início da tarde e acabei ficando por aqui com a Wanda.
— Eu vim aqui checar em vocês durante a tarde. Estavam tão fofos dormindo que não quis atrapalhar. — Natasha sorriu e franziu o nariz. — Vim avisar que fiz sopa... E me deixa sair daqui antes que o Visão venha explicar sobre ele não dormir, e sim entrar em modo de repouso, blá blá blá.
O sintozóide de vibranium se levantou primeiro, estendendo a mão para Wanda buscar apoio e se levantar. Após firmar os pés no chão, ela segurou a mão de Visão e ambos desceram devagar ao andar de baixo, com ele escaneando o chão ocasionalmente para impedir que ela se machucasse.
— Esqueci de perguntar. – Começou Wanda. – O que era o pingente de madeira em cima do colchão?
— Aquilo... – Respondeu Visão, com um sorriso enquanto eles entravam na cozinha e ele apontava para Natasha. – ... Foi um presente da Nat em um desses dias que eu não conseguia dormir.
— O urso? – Ambos confirmaram o questionamento de Natasha com um aceno de cabeça, e ela tornou a esquentar a sopa com uma colher de pau. – É um sinônimo de renovação... Além de o urso sempre proteger a família. Achei super de acordo para o pai do grupo.
Visão serviu uma concha de sopa em um prato fundo para Wanda, entregando a ela junto de uma colher e um guardanapo.
— Coma devagar, Wanda. – Repreendeu Visão quando ela levou o líquido muito rapidamente à boca. – Você pode se queimar.
— Sim senhor. – Choramingou Wanda. – Você pode pegar a minha outra éclair lá em cima? Por favor? Estou querendo muito comer um doce hoje.
Visão confirmou com a cabeça e se afastou, dando espaço para Natasha chegar mais próximo e dizer, baixinho:
— Ainda bem que seu namorado faz todas as suas vontades. – Ela riu. – E essa sua súbita vontade de doces? O que acha que significa?
— Não sei... – Respondeu Wanda, entre uma colherada e outra da sopa. – Só sei que estou cravando doces recentemente. – Wanda esticou o prato para Natasha. – Pode me servir com mais sopa? O Vizh colocou pouco...
Subitamente, Visão atravessou o teto e colocou o pacote com o doce sobre a bancada. As duas mulheres estavam tão acostumadas que nem se assustaram.
— Eu não coloquei pouca sopa, Wanda, e sim uma quantidade calórica adequada para você. A questão é que você está comendo por dois.
— Acho que até por três, com esse apetite todo! – Complementou Natasha, pondo mais um prato cheio na frente dela. – E eu acho que o desejo de comidas açucaradas só confirma que você está grávida de uma menina.
O casal se entreolhou, curioso, e Natasha deu de ombros.
— Ué, antes das mulheres terem ultrassons, elas adivinhavam o sexo com base nos desejos. – Justificou ela, dando a volta na bancada para acariciar a barriga da amiga. – Querer salgados é sinônimo de esperar um menino, e doces significam que você está esperando uma pequena Natasha.
Visão balançou a cabeça algumas vezes.
— Isso é mera especulação, Natasha. Não há qualquer estudo científico que possa comprovar a eficácia desse método. – Ele apoiou as costas na mesa, cobrindo parcialmente a boca com a mão. – Ela pode muito bem estar grávida do pequeno Billy.
— Billy? – As duas questionaram em uníssono.
— É... Pensei que poderia ser o nome do nosso filho. William. De William Shakespeare. – As sobrancelhas de Wanda ficaram arqueadas enquanto ela limpava a boca com um guardanapo. – O que acha?
— Por que não me falou antes?
— Eu estava esperando a hora certa! – O sintozóide sentiu a voz ficar em falsete. Mais um hábito humano aprendido. – Não imaginei que falaríamos disso agora.
Wanda finalizou sua sopa e pegou a éclair.
— Bom... Eu pensei em Tommy. Como Thomas Edison. Que tal?
Um silêncio constrangedor permaneceu entre os três.
— Tommy é bom. Muito bom. Mas Billy é um ótimo nome também, não acha?
— Sim, Billy têm as suas vantagens, como ele ser o último da chamada na escola e ter um apelido fofo. Mas Tommy realmente se aconchegou no meu coração, sabe?
— Mas e a pequena Natasha...
— Agora não, Nat. – Disse Wanda.
— Bom... – Natasha bateu as palmas da mão uma na outra. – Só resta a gente fazer um ultrassom e comprovar que é uma menina para vocês pararem de discutir.
— Não irão precisar esperar muito.
Steve Rogers adentrou o cômodo, tradicionalmente chique e bem trajado em uma blusa polo azul e calças pretas, seguido de Sam Wilson, que vestia uma roupa mais esportiva após correr algumas voltas ao redor do grande terreno reservado para a casa.
— Conseguimos contato com Wakanda, onde a Wanda terá um pré-natal. Iremos partir em alguns dias.
Um pouco nervosa, Wanda coçou os pontos do machucado daquela noite, com cuidado para não os arrancar.
— Vocês sabem que vão precisar parar a Quinjet de vez em quando para que eu possa vomitar, não é mesmo?
— Não se preocupe, Wanda. – O lindo sorriso do Capitão América a tranquilizou imediatamente. – Vamos tomar todo o cuidado com você.
Em seguida, ela procurou apoio em Visão, observando diretamente os seus olhos azuis, e recebendo em resposta sua mão metálica ao redor de uma das suas bochechas. Ele parecia sereno, e transmitia uma carga de confiança extra. Apesar da ansiedade para finalmente fazer um pré-natal, o medo tomava conta da futura mamãe, que ainda temia os pesadelos com as crianças. Seria um sinal de que algo ruim estava por vir? Contudo, ela chacoalhou a cabeça e disse, baixinho:
— Finalmente vamos ter como saber como anda a saúde do nosso Tommy.
Visão franziu o cenho.
— Quer dizer o Billy?
Os dois encostaram as testas e sorriram, sendo que Natasha se intrometeu para dizer, provocando risadas de todos os presentes:
— Vocês dois querem dizer a Natasha?
Eram, certamente, os dias mais felizes da gestação.
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