O Fruto Proibido
20 In The End – parte 01
Notas iniciais
Regina Pov’s
Uma semana havia se passado, meu corpo ainda sofria os danos dos dois primeiros dias, os quais passei acorrentada a parede de uma cela em condições sub-humanas, Snow veio me ver todos os dias e tentava me acalentar, o conselho havia me deixado em isolamento, alegando que eu era um perigo a família real, Snow e Emma moveram céus e terras e conseguiram me transferir para uma cela com pelo menos o mínimo de conforto e começaram a providenciar a minha a minha defesa.
– Tem visita regicida.O guarda falou com raiva, notei um grande hematoma que cobria seu olho e parte da bochecha, sem duvida aquele era o guarda que tinha me agredido e foi impossível segurar um leve sorriso ao pensar que aquilo devia ser obra da minha doce princesa, defendendo minha honra.
– Que bom ver seu sorriso novamente minha rainha, confesso que é espantoso que consiga sorrir nessa situação.– Afonso disse ao se aproximar.
– Sou inocente Lord Afonso e logo eu sairei daqui. – Falei tentando passar uma confiança que eu não tinha, sabia que logo sairia daquela cela direto para a minha execução.
–Regina meu doce anjo, nem tu mesma acredita em tais palavras, mas não tem que ser assim, hoje a noite eu venho te tirar daqui e podemos fugir juntos, eu cuidarei de você minha rainha, diga que sim.
–Nunca vou fugir, sou inocente. –Falei bem irritada.–Saia daqui agora antes que eu entregue seu plano ridiculo para os guardas.
–Sua tola, vai morrer por ser tão virtuosa, fique certa de que sua morte sera dolorosa e lenta, o povo não perdoa regicidas.
Afonso saiu do calabouso fervendo de ódio, minha rejeição o enfureceu de tal forma que achei ter visto um brilho maligno em seus olhos, mas aquele lord cretino era a ultima coisas com que eu ocupava meus pensamentos, em meio a enjoos fortes e uma tontura que não queria me deixar, meus pensamentos eram somente para Emma e Snow, deixar meu doce floco de neve e o amor da minha vida sozinhas me atormentava mais do que a proximidade da minha morte.
Horas mais tarde recebi a visita de Graham, conversamos bastante sobre o rumo que nossa vida levou, ele se sentia muito culpado por ter me ferido, mas não por tentar me afastar de Emma, segundo ele, seu amor por mim era tão grande que faria qualquer coisa para unir nossa família e sermos felizes com nosso filho. Eu lhe disse mais uma vez que tudo que ele tentasse seria em vão, pedi-lhe perdão por ter feito dele meu brinquedo, minha forma de alivio em meio a dor do meu casamento, lágrimas agora banhavam nossos rostos, aquele momento era uma despedida e um acerto de contas.
Graham errou em tentar me separar de Emma, mas eu errei também em usa-lo, aquele momento foi interrompido por mais uma tontura muito forte e eu pedi ao caçador que me deixasse só, pois precisava descansar.
Emma Pov’s
Cheguei à cela de Regina, acompanhada da minha mãe, que apesar de tudo e de todos os preconceitos aceitou a minha relação com a morena, e que parece finalmente ter-me aceitado na totalidade. A verdadeira Emma, sem farsas, sem mentiras ou vidas secretas.
–Meu amor, como estás? – Corri para os braços dela, encostei o meu corpo ao dela o mais que a física me permitia e apertei-a com toda a minha força. Tudo o que eu mais queria era nunca perder a minha rainha e mostrar aquele povo ignorante que a minha deusa nunca seria capaz de cometer tamanha atrocidade.
Fui retirada do meu mundo quando a minha mãe se juntou ao abraço, conseguindo apertar com muito mais força do que eu.
–Mãe!!! – a minha voz saiu apenas um sussurro, devido à escassez de ar nos meus pulmões…
–Eu estou bem, não te preocupes – Regina respondeu à minha pergunta ao mesmo tempo em que se encaixava ainda mais no nosso abraço.
O tempo que o abraço durou não é possível contar, aquele abraço representava todo o amor e laços que nos unia às três. Eu e Regina sentamos na cama, de frente uma para a outra e de mãos dadas, enquanto Snow se sentou numa cadeira próxima da cama.
–Ainda bem que vieram as duas, eu queria muito falar com vocês. – Regina começou , mas logo foi interrompida por Snow.
–Regina… eu não sei como dizer isto, mas…– Snow soluçava e tentava arranjar a melhor forma de contar a má noticia à Rainha – olha eu queria que houvesse uma forma mais fácil de dizer isto… Regina surgiram novas provas contra você, uma testemunha disse que te viu saindo do quarto do rei na noite do crime.
– Regina eu vou fazer de tudo para te proteger, nós vamos arranjar uma maneira de te tirar daqui, eu prometo – Tentei consolar a minha mulher.
–Emma não vale a pena… Eu… eu já estou mentalizada. Esse é o meu destino. – Regina desabafou, aquele tempo ali fechada e sozinha a fez pensar na sua vida. Ela não podia estar mais feliz o amor da sua vida e a sua menina querida estavam bem e se a morte fosse o preço a pagar para as duas ficassem bem e felizes, então ela estava disposta a pagar.
– Ah Regina, não fales assim! – Tu não vais morrer! Para de dizer besteiras! – Reclamei, estava em pânico e no fundo sabia que a morena tinha razão, era quase impossível salvar a Rainha da condenação, não depois dos últimos desenvolvimentos.
–Snow – Regina levantou-se da cama e caminhou até à outra morena – Olha tu sabes que eu te amo e que tudo o que fiz foi por ti e pela tua felicidade. Eu só quero que depois de eu partir tu fiques bem, que sejas feliz e que protejas sempre essa loirinha rabugenta que eu amo. – pediu quase numa suplica.
– Eu odeio ver-te a sofrer desta forma e saber que pagarás por um acto que não cometeste, se alguém te queria tramar foi muito bem conseguido e acabou por não só destruir a tua vida, como a minha também. Eu perdi o meu pai, que agora sei que não era o melhor dos homens, mas mesmo assim continua a ser o meu pai e agora vou perder-te a ti…- Snow chorava agarrada à madrasta – Eu sei que fizeste tudo por mim, não tenho como te agradecer por isso e eu só queria poder tirar-te desta tormenta…mas eu não consigo.
–Tudo bem Snow, por vocês as duas eu faria tudo de novo. E apesar de toda a maldade que havia no coração de Leopold eu perdoei os seus erros, seus actos cruéis e todas as violências.
–Eu vou indo agora, vocês precisam de um tempo só vosso! – Snow falou terminando o abraço e virando costas, saindo pela porta da cela enquanto se desfazia em lágrimas.
Regina voltou a sentar-se ao meu lado e me abraçou de novo. Durante um tempo ficamos em silêncio, disfrutando apenas daquele momento.
–Emma eu quero que me prometas que vais voltar a encontrar a felicidade. – Ela sussurrou ao meu ouvido.
Pra você guardei o amor
Que nunca soube dar
O amor que tive e vi sem me deixar
Sentir sem conseguir provar
Sem entregar
E repartir
Pra você guardei o amor
Que sempre quis mostrar
O amor que vive em mim vem visitar
Sorrir, vem colorir solar
Vem esquentar
E permitir
Quem acolher o que ele tem e traz
Quem entender o que ele diz
No giz do gesto o jeito pronto
Do piscar dos cílios
Que o convite do silêncio
Exibe em cada olhar
Guardei
Sem ter porquê
Nem por razão
Ou coisa outra qualquer
Além de não saber como fazer
Pra ter um jeito meu de me mostrar
Achei
Vendo em você
E explicação
Nenhuma isso requer
Se o coração bater forte e arder
No fogo o gelo vai queimar
– Isso vai ser impossível, eu não consigo viver sem ti, sem o teu amor, o teu abraço, o teu toque o teu cheiro …– as lágrimas começaram a escorrer pela minha face, naquele momento eu não queria ser forte, eu não queria esconder nada do que estava a sentir. Eu queria que ela se sentisse amada. Eu queria eternizar aquele momento e para sempre protege-la nos meus braços.
–Promete-me que vais voltar a amar, que vais ter a família que sempre quiseste e que vais ser feliz, que vais fazer de tudo para ser feliz. Tudo o que eu quero é saber que ficas bem…
–Regina como posso voltar a amar? Tu roubaste o meu coração. E nada do que aconteça o poderá devolver a mim. Ele é teu, sempre foi. Nunca vou amar ninguém como te amo a ti e nem quero amar outra pessoa. Eu só te quero a ti, só tu me completas, só tu me fazes feliz e é só a ti que eu amo. Nenhuma outra pessoa pode substituir-te, nenhuma outra pessoa me pode fazer feliz como tu me fazes ou amar-me da maneira que tu me amas, porque tu és o meu amor verdadeiro e esse tipo de amor só se encontra uma vez na vida.
–Emma…
Pra você guardei o amor
Que aprendi vendo os meus pais
O amor que tive e recebi
E hoje posso dar livre e feliz
Céu cheiro e ar na cor que arco-íris
Risca ao levitar
Vou nascer de novo
Lápis, edifício, tevere, ponte
Desenhar no seu quadril
Meus lábios beijam signos feito sinos
Trilho a infância, terço o berço
Do seu lar
Guardei
Sem ter porque
Nem por razão
Ou coisa outra qualquer
Além de não saber como fazer
Pra ter um jeito meu de me mostrar
Achei
Vendo em você
E explicação
Nenhuma isso requer
Se o coração bater forte e arder
No fogo o gelo vai queimar
Pra você guardei o amor
Que nunca soube dar
O amor que tive e vi sem me deixar
Sentir sem conseguir provar
Sem entrega
e repartir
Naquele momento eu não conseguia pensar mais, eu queria tanto conseguir resgatar a minha rainha daquele tormento, daquela sentença. Mas na minha cabeça não haviam ideias, estava completamente oca, alucinada com tudo o que estava a acontecer à minha volta. Eu demorei uma eternidade para a encontrar, uns dias para me apaixonar, umas horas para me declarar e uns minutos para a perder. A Vida corre depressa, neste momento eu via o tempo a correr e a minha felicidade a escapar-me por entre os dedos.
Quem acolher o que ele tem e traz
Quem entender o que ele diz
No giz do gesto o jeito pronto
Do piscar dos cílios
Que o convite do silêncio
Exibe em cada olhar
Guardei
Sem ter porque
Nem por razão
Ou coisa outra qualquer
Além de não saber como fazer
Pra ter um jeito meu de me mostrar
Achei
Vendo em você
E explicação
Nenhuma isso requer
Se o coração bater forte e arder
No fogo o gelo vai queimar.
De repente Regina começou a ficar palida, seu rosto já alvo, perdeu toda cor e seu corpo veio de encontro ao chão, evitei a queda e aos gritos pedi ajuda, um medico veio examir a rainha e o que ele disse a respeito da saúde da minha amada me tirou o chão, a rainha estava grávida. Ela percebeu a dor, raiva e ciumes que me dominavam naquele momento, tentou se sentar na cama e quase caiu novamente, eu a tomei em meus braços e com os olhos embaçados de lágrimas perguntei em um sussurro:
–Graham?
–Não meu amor, desde que ficamos juntas ele jamais me tocou novamente. – Ela tocou seu ventre com misto de tristesa e amor, me beijou docemente e em seguida falou:
–Seu avô, ele foi o único que tomou meu corpo depois que ficamos juntas.
Regina Pov’s
Notas finais
Espero que tenham gostado, Evil Kisses e até a próxima ♥
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