O Fim de Uma Era
3 Uma nova vida
Notas iniciais
O FIM DE UMA ERA
UMA NOVA VIDA
MAKA POV
Comecei a abrir os olhos lentamente, piscando algumas vezes para me acostumar a luz forte que tinha no lugar, mas ao invés de ser como a luz do sol que ardia meus olhos era uma luz tranqüila e aconchegante.
Quando abri totalmente os olhos e me acostumei àquela luz branca acolhedora vi que eu estava em no que parecia mais um castelo inglês do século XVIII. Ele era todo branco que parecia produzir luz própria. Seus detalhes eram antigos e pareciam contar uma historia em cada parede. Eu estava no que parecia ser o salão de festas onde faziam as festas e bailes.
O salão era enorme com enormes quadros de pessoas dançando e se divertindo.As janelas que havia ao redor de todo o salão tinham vidros de cor roxos e um formato de mosaico, que fazia com que o roxo tivesse vários tons que pareciam reluzir com a luz do local.
Em um canto do salão havia uma escada que levava ate uma parte mais elevada que tinha o que parecia um trono feito de prata e com estofamento vermelho sangue.Atrás do trono havia um quadro que tinha a imagem de uma mulher com o corpo de matar de inveja, a pele pálida e brilhante, os olhos verdes jade como os meus e os cabelos loiros acinzentados. Ela usava um vestido branco sem alças que ajustava bem em seu belo corpo e seu cabelo estava solto e caia ate um pouco abaixo da cintura. Suas mãos estavam estendidas para o céu parecendo tentar alcançar a lua prateada que havia no alto da pintura.
Fiquei impressionada com a magnitude daquela mulher que havia na pintura e como ela transmitia segurança. Estava tão absorta em meus pensamentos que quando uma mão fria tocou meu obro dei um pequeno salto com um grito abafado. Virei-me rapidamente e vi o que parecia ser um garoto da minha idade sorrindo para mim.
Ele tinha a pele de um bronzeado perfeito, seus olhos, pelo o que pude ver por trás da mascara que usa, eram de um belo vermelho sangue, seu cabelo pelo que parecia era branco como a neve, mas não podia confirmar se era todo branco já que apenas algumas mechas saiam do chapéu preto que usava e seu corpo era perfeito, nem tão exagerado em músculos nem tão miúdo e tinha um sorriso inacreditavelmente encantador, mas que chegava a dar um pouco de medo por seus dentes serem iguais a o de um tubarão. Usava um terno preto com a blusa de dentro vermelha, sua mascara apenas lhe tampava a parte dos olhos e era preta com detalhes em vermelho púrpuro e pra finalizar uns sapatos sociais também pretos.
Mas o que mais me chamou atenção nele foi o que estava em suas costas. Se mexendo de um jeito elegante e majestoso suas azas de plumas negras se destacavam no lugar onde estávamos. Elas pareciam soltar pequenos brilhos negros que pareciam flutuar a sua volta. Era simplesmente perfeito. Tanto que me senti pequena perto dele.
Ele levou a mão ate mim e fez uma pequena reverencia como se me pedisse para dançar como os cavalheiros que mostravam em esses filmes de romances antigos. Neguei com a cabeça, mas ele continuou insistindo.
Quando ia falar que nem vestida pra isso tava olhei para baixo e vi que não estava mais usando minha calça jeans rasgada com minha blusa de mangas curtas azul com meus tênis que sempre usava e deviam estar ate mesmo desgastados. Estava usando um vestido branco sem alças que se ajustava em meu corpo como um anel, uma luva branca que chegava ate acima dos cotovelos, sapatos de salto brancos e uma mascara também branca com detalhes em prata.
O garoto a minha frente sorriu ainda mais e segurou minha mão com tanta delicadeza que parecia que ia romper ao toque e a beijou com doçura. Senti meu rosto arder e o sangue fluir com velocidade se acumulando em minhas bochechas. E não acabou por ai, ele me puxou para si em um agiu movimento fazendo com que nossos corpos se tocassem e que o frio que ele emanava me atingisse em cheio, me fazendo estremecer, tanto de prazer quanto de surpresa.Segurou minha cintura também com cuidado e entrelaçou nossos dedos pela mão que ele já estava segurando, enquanto eu colocava minha mão livre em seu largo ombro.
Sentia-me um pouco nervosa. Nunca havia dançado antes e não sabia como fazer para não acabar fazendo algo errado e passar a maior vergonha. Ele pareceu notar meu nervosismo já que se aproximou de meu ouvido e sussurrou:
- Relaxe minha pequena luz. – sua voz era roca e sedutora me fazendo suspirar – Só se deixa levar.
De repente uma musica lenta e suave começou a tocar de não sei onde e ele começou a se mexer no compasso da melodia, me levando junto. No começo me desesperei, mas logo respirei fundo e me deixei levar pela doce canção que ecoava em todo o salão.
Não conseguia desviar o olhar daqueles lindos olhos vermelhos que brilhavam tanto de ternura como de alegria. Eles pareciam imãs que atraiam os meus olhos com tanta intensidade que não podia deixar de estremecer só de pensar. Nossos rostos estavam muito pertos, tanto que dava para sentir a respiração dele em minha cara, enquanto nossos corpos pareciam querer entrar dentro um do outro de tão perto que estavam. Podia ate sentir os batimentos de seu coração que estava quase tão acelerado quanto o meu.
Depois de alguns minutos dançando paramos no meio do salão. Não desviamos o olhar muito menos nos separamos. Ele começou a aproximar seu rosto do meu lentamente ate o ponto de nossos narizes se encostarem. Fechei os olhos para poder sentir apenas o doce roce de seu hálito em meu rosto.
- Que bom que voltou. – murmurou o garoto com um deixe suplicante na voz que fez meu coração doer.
Senti como se aproximava mais de mim, diminuindo cada vez mais o espaço entre nós. Esperei ansiosa pelo contato com seus lábios que, infelizmente, nunca chego. Abri os olhos e tomei um susto ao não ver ninguém. Comecei a olhar para todos os lados quase com desesperação procurando aquele garoto misterioso. Mas não o encontrei em nenhum lugar.
Levei a mão ate a região do coração e a apertei com força contra o peito. Sentia um vazio, uma dor forte naquela área que parecia que iria morrer. Era uma dor que nunca havia sentido, mas que era tão familiar e arrasadora que minhas pernas fraquejaram por um breve momento.
- Não se preocupe filha – disse uma voz doce e melodiosa atrás de mim. Virei-me e vi, sentada no trono, a mulher que estava pintada no quadro atrás dela. – Você vai vê-lo de novo.
- Q-quem é v-você? – perguntei nervosa e com um pouco de medo, mas por alguma razão me sentia bem só de ouvi-la falar.
- Não tenha medo minha filha. – ela se levantou e em um piscar de olhos já estava na minha frente levando uma mão ate meu rosto e o acariciando com cuidado, como se fosse de fato minha mãe. – Não vou te fazer mal.
- O que esta acontecendo? Onde estou?- perguntei já mais confiante e decidida.
- Você esta em meu castelo. Eu te trouxe aqui. – ela me mirava com um olhar carinhoso e sua voz era tão tranqüila que me deu mais aconchego.
- Mas por quê? – não estava entendendo nada.
- Porque preciso de sua ajudada. – seu olhar ficou mais serio e triste e seu sorriso desapareceu de seu rosto logo após dizer aquilo. – Tem algo de errado acontecendo e preciso de alguém em quem possa confiar para que seja meus olhos e ouvidos. E esse alguém, Maka, é você.
- Não. Você deve ter me confundido com outra pessoa. Eu não posso fazer isso. – disse me afastando. – Não sou quem você precisa com certeza.
- E por que não? – sua voz voltou a ser gentil e carinhosa e seus olhos tomaram um tom maternal.
- Não sou nada especial. Sou normal, sou fraca e desajeitada. Não consigo nem fazer com que minha família me ame. – justifiquei.
- Maka, ser quem você é e não deixar-se mudar pelos outros mesmo que isso signifique que eles se afastem não tem nada de errado. Pelo contrario! É a coisa mais certa de se fazer. – ela colocou a mão em minha cabeça e a acariciou com ternura. – Você é capaz de coisas que nem imagina que seja possível.
- Mas... mas eu não... não entendo. – confessei – Por que eu? Por que justo eu?
- Logo você ira descobrir minha filha. Agora você tem que ir. – ela encostou emmeu pescoço e senti um ligeiro formigamento.Ela logo se virou e começou a andar na direção do trono.
- Espera! – gritei. Ela parou e se virou para mim. – E aquele garoto? O que ele tem haver com tudo isso e... – duvidei – Vou vê-lo de novo?
Ela sorriu para mim e disse com compreensão: — Sim minha filha, você vai vê-lo de novo e para sua outra pergunta apenas espere e as respostas virão.
Tudo começou a borrar e a desaparece.O salão e o castelo pareciam estar se distanciando cada vez mais de mim.
- Há! E mais uma coisa. Lembre-se: nem toda luz traz o bem e nem toda a escuridão traz o mal. – sua voz também se distanciava, mas deu para ouvir com clareza.
De repente tudo ficou preto novamente. Tudo havia desaparecido deixando apenas o vazio em seu lugar.
Pouco a pouco voltei a despertar. Dessa vez, ao invés de ser uma luz branca e confortável a que me rodeava, era uma luz um pouco amarelada. Mas não era incomoda, pelo contrario, era bem cômoda, não igual a do castelo, mas boa.
Olhei em volta e vi que estava em uma espécie de enfermaria, com as janelas tampadas com grossas cortinas brancas que não deixavam passar a luz do sol, lençóis também brancos e finos iguais as paredes que haviam no lugar. Tudo era iluminado por lampiões a gás que tinham uma luz fraca, mas o suficientemente brilhante para iluminar tudo.
Tentei me levantar e acabei ouvindo uma voz familiar do meu lado que me fez virar a cabeça com suma alegria.
- Já acordou meu bem? – perguntou Blair que estava sentada na cadeira que estava posicionada a meu lado.
Não consegui conter a felicidade e pulei em seus braços dando um gritinho de emoção. Ela retribuiu meu abraço com a mesma intensidade e dando gritinhos iguais aos meus. Blair era quase como uma adolescente apesar de ter seus vinte e cinco anos, sem falar que era jovem como um e agio como um.
- É tão bom te ver! – disse empolgada enquanto me separava dela um pouco. Dei mais uma olhada em volta e depois perguntei – Onde estamos?
- Estamos no Shibusen! – Blair me respondeu empolgada e com um grande sorriso no rosto que transparecia uma enorme malicia. – Você nem imagina quantos garotos bonitos tem aqui. – me sussurrou.
- Blair! – gritei repreendendo-a, mas logo depois nos duas caímos na risada.
Ficamos rindo e conversando por um tempo ate que uma mulher de longos cabelos loiros, olhos cor mel, uma pele pálida como a neve e um corpo de dar inveja e que se ressaltava bem no justo vestido roxo que usava. No lado direito de seu rosto tinha tatuagens espalhadas por toda essa área em formatos de cobras e se estendia ate mais abaixo do pescoço.
A mirei assombrada por alguns instantes por causa de sua beleza única e incomparável. Ela parecia reluzir apenas com aquela pouca luz que tinha no local, fazendo com que o lugar se iluminasse mais.
- Vejo que nossa nova aluna já esta desperta. – disse. Sua voz era suave e doce como a de uma mãe.
- Quem é você? – perguntei um pouco desconfiada.
- Ela é a Técnica Suprema. Ela é, de certo modo, a diretora da escola. Medusa. – respondeu Blair com um sorriso.
- Técnica Suprema? – perguntei sem entender.
- É assim que chamam as portadoras das palavras de Kami. – respondeu Medusa me sorrindo.
- Kami?
- Ela é a nossa deusa. – um sorriso de admiração apareceu em seu rosto no momento em que falou de sua deusa. – Diferente dos humanos nossa sociedade é matriarcal. As mulheres são aquelas que comandam, mas não significa que os homens não tenham importância. Eles são guerreiros que nos protegerão.– ela fez uma pequena pausa e olhou para mim. Vi como seu rosto se iluminava mais e ela se empolgava – E parece que você é especial para nossa deusa!
A mirei estranhada para logo depois mirar Blair tentando achar o significado do que Medusa havia dito. Mas apenas vi as duas sorrindo para mim.
Blair me entregou um espelho e pediu que visse a marca em meu pescoço. Não sabia o porque daquilo tudo, mas fiz do mesmo jeito.
Refletido no espelho estava o desenho de uma alma. Mas, diferente de antes, ela não estava azul safira e sim de um branco brilhante. E, ao invés de ter apenas o contorno da alma, ela estava preenchida, parecendo reluzir com a pouca luz do local onde estava.
Levei minha mão ate meu pescoço e toquei com cuidado a marca. Era realmente bela e intrigante.
- Não é todo dia que chega uma novata com a marca cheia. – comentou Medusa sorrindo enquanto eu ainda estava hipnotizada pala alma desenhada em meu pescoço. – Na verdade, é a primeira vez que isso acontece.
Tirei meus olhos do espelho e os coloquei na Técnica Suprema que continuava sorrindo. (será que não se cansava de sorrir?) Varias perguntas golpearam minha mente enquanto tentava assimilar tudo o que ela havia dito.
Eu era a primeira novata a ter a marca completa? Não sou uma novata normal? Por que isso aconteceu? Por que comigo? Já era sozinha na outra escola, agora que posso ter uma vida nova falam que sou uma aberração? Isso só podia estar acontecendo comigo mesmo!
- Agora preciso ir querida. – disse Blair me dando um abraço de despedida – Vou sentir sua falta, e boa sorte com sua vida nova.
- Mas por que você já vai embora? – perguntei triste.
- Não se preocupe querida, nós nos veremos de novo. Agora seja uma boa menina e deixe que a senhora Medusa a leve para seu quarto para que se acomode.
- E minha moto?! – perguntei quase no desespero. Minha moto era quase como meu bebê. Cuidava dela como se fosse um e se algo acontecer com ela, um arranhãozinho se quer, juro que mato quem fez isso.
- Já a trouxeram para cá. – respondeu Medusa – Esta no estacionamento da escola, não se preocupe.
- E minhas coisas? – perguntei novamente – Roupas, sapatos, livros...
- Já esta tudo em seu quarto, preparados para sua chegada.
Levantei da cama e dei um abraço de despedida em Blair para logo seguir a Medusa para fora do quarto. Enquanto andava olhei para mim para ver se ainda usava a roupa que estava de manhã e não aquelas que usava no castelo. Por sorte estava com as de hoje de manhã.
Caminhamos por corredores estreitos iluminados apenas por lampiões a gás. As paredes dos corredores eram de pedra como a de calabouços de castelos deixando-o assustador.
Tudo estava calmo e silencioso ate que um vulto passou entre minhas pernas quase me fazendo cair e soltar um grito. Ele foi ate Medusa e pulou em seus braços fazendo-a rir. Aproximei-me para ver o que era e, bem nos braços de Medusa, estava um gato com a pelagem tão negra quanto a mais escura noite, mas com a barriga branca. Ele ronronava enquanto ela acariciava suas costas.
- Esse é Mosquito, meu gato – falou Medusa ao ver minha cara de duvida. – Mas acho que deveria dizer que eu sou a sua vampira.
- Como assim? – perguntei curiosa, dirigindo minha atenção a ela.
- Os gatos são muito apegados aos vampiros, mas eles são de espíritos livres e indomáveis. Por isso ao invés de um vampiro ou novato escolher um gato ele é que o escolhe. – me explicou.
Comecei a aproximar minha mão do gato lentamente, com a intenção de acariciá-lo: — Cuidado. Ele não gosta que ninguém o toque ou se aproxime a não ser se for eu. – advertiu. Mas mesmo assim continuei aproximando minha mão. Tinha o pressentimento de que ele não iria me fazer mal.
Ao invés de estar grunhindo ou em uma posição defensiva ou ofensiva, mostrando dentes e garras, Mosquito apenas me mirava com seus olhos negros e profundos com curiosidade e interesse. Ele não parecia nada alterado ou incomodo com a situação. Ele só me mirava nos olhos e ficava lá parado esperando que minha mão o tocasse.
Quando finalmente toquei sua cabeça, ele a pressionou contra minha mão, escondendo seu rostinho nela. Comecei a fazer pequenos movimentos enquanto ele ronronava sem parar. De repente ele pulou do colo de Medusa e se entrelaçou em minhas pernas, esfregando sua cabecinha nelas.
Medusa me mirava estranhada, mas eu não ligava. Já estava acostumada a ser mirada assim e, alem do mais, aquele gato me fazia sentir relaxada e calma.
- Bom... parece que ele também gosta de você – murmurou com um tom que reconhece como irritado, o que me estranhou muito. – Mas agora temos que ir.
Abaixei-me e sussurrei um adeus a Mosquito que me mirou triste, mas logo me lambeu o rosto me fazendo ri e foi para Medusa e miou algumas vezes para logo ir embora pela mesma direção que veio.
Medusa me mirou triste e disse: — Desculpe Maka, mas tenho algo importante para fazer e tenho que ir. Mas não se preocupe, tudo que você tem a fazer é seguir reto nesse corredor, ele vai te levar ate uma escada. No topo da escada tem uma porta de madeira que leva ao corredor que leva ate os dormitórios.
Não tive tempo de falar mais nada, ela já havia desaparecido logo que acabou de falar. Já que não tinha outra escolha comecei a andar na direção que ela havia me dito, olhando para todos os lados como se algo fosse sair e me atacar.
Depois de algum tempo cheguei a uma encruzilhada. Um corredor iluminado e outro totalmente escuro. Pela lógica escolhi o iluminado. Mas ao passar pela entrada do corredor escuro pude ouvir um riso melodioso e malicioso.
Alguma coisa me dizia para sair dali o mais rápido possível e outra dizia para ficar e ver o que estava acontecendo. Como a curiosidade é muita, escolhi seguir a segunda voz, me aproximando da entrada do corredor e me esforçando para ficar oculta entre as sombras.
Tive que me esforçar para ver alguma coisa, e quando consegui a primeira coisa que vi foi um garoto de um moreno perfeito, cabelos brancos que se destacavam na escuridão e um corpo bem formado. Por causa da escuridão não pude ver seu rosto.
Logo depois vi uma garota de cabelos longos, brancos e lisos, uma pele pálida e o corpo bem formado. Mas também não pude ver seu rosto. Ela riu de novo, lançando ao vento aquele sonido melodioso e sedutor.
A garota parecia estar querendo prender o garoto contra a parede e ficar bem perto dele, mas ele era mais rápido e saia de perto deixando uma distancia segura da garota.
- Já disse para ficar longe de mim! – disse o garoto. Sua vos era rouca e um pouco grossa. Tão profunda e tão perfeita que me fez arrepiar.
- Vamos! Você sabe que quer tanto quanto eu. – a garota falou com uma voz fina e sedutora.
- Já disse varias vezes e vou dizer de novo: não quero mais saber de você. – ele parecia irritado.
- Não seja tão chato! Por que negar algo que os dois querem? – ela ficou tão perto dele que achei que seus corpos se tocavam. Ela começou a mexer suas mãos em seu peito com o objetivo de persuadir o garoto, mas ele parecia só ficar mais irritado. – Por que não aqui? Por que não agora? Por que não eu?
Ele se afastou dela, fazendo com que ela ficasse de costas para mim. E, de repente, ele fez uma coisa que eu nunca esperasse que fizesse. Ele abriu a boca mostrando seus dentes brancos e pontiagudos e começou a sibilar como se fosse um animal selvagem prestes a atacar.
- Você não é a garota que procuro! Não é aquela que eu quero e anseio! – sua voz era tão ameaçadora quanto sua posição e podia ver desde a escuridão o brilho assassino em seus olhos. – Agora me deixa em paz!
- Não é justo! – gritou a garota com um toque de medo na voz. – Desde que teve aquele sonho não para de pensar nele e se afastar de mim. Vê se acorda! Ela não é real, é só um fruto da sua imaginação! Ela não existe!
- Existe! – ele gritou de volta com raiva e desespero. – Ela é real! Tem que ser real!
Sua voz soava com tanto desespero e suplica que, por alguma razão, me fez sentir mal e com vontade de dizer que ele estava certo, que ela realmente existia.
Balancei a cabeça ligeiramente tentando afastar os pensamentos e comecei a dar pequenos passos para traz, com a esperança de ir embora. Mas quando estava prestes a dar a volta e sair correndo de lá, vi como a expressão do garoto mudava de raiva e desespero para surpresa e esperança. Ele virou o rosto na minha direção e, no meio da escuridão, nossas miradas se cruzaram.
Por um instante pude ver a cor de seus olhos. Eram de um vermelho sangue, que brilhavam tanto que não pude evitar me perder naquela imensidão.Era uma sensação tão familiar, tão acolhedora e deliciosa que tudo a minha volta sumiu e só ficou eu e ele.
Mas tudo foi interrompido quando a garota começou a virar o rosto na minha direção. Nesse momento me desesperei e sai correndo de lá. Antes de ir pude ver o impulso do garoto em ir atrás de mim, mas não fiquei para ver se ele foi ou não.
Corri tanto que ate minhas pernas começaram a doer e minha respiração começou a falhar. Mas não parei nem um instante. Não tive coragem de olhar para trás e ver se estavam me seguindo. Cheguei a uma escada e comecei a subi-la com desespero, tomando cuidado para não tropeçar.
Acabei parando em uma porta de madeira que ficava no topo da escada. Escorei minhas costas nela e escorreguei ate o chão. Minha respiração estava agitada, meu coração batia tão forte que parecia que iria ter um ataque cardíaco e meu corpo estava mole como uma gelatina.
Levei a mão ate o peito e a pressionei contra o mesmo, com intento de me acalmar. Aquela sensação que tive quando meus olhos se encontraram com os daquele garoto foi única. Nunca havia sentido nada igual.
Depois que me acalmei me levantei do chão e abri a porta me encontrando com Medusa, que parecia estar me esperando já há algum tempo.
- Ah! Ola de novo Maka! – disse entusiasmada, mas alguma coisa me dizia que isso não era verdade. – Vamos?
Apenas assenti e comecei a segui-la pelos corredores adentro. Todas as pessoas que passavam perto de nós faziam uma reverencia para Medusa e me miravam surpresos e encantados para logo depois murmurarem com algum companheiro algumas coisas que não pude entender.
Quando chegamos a uma porta preta paramos e Medusa voltou a ver-me: — Aqui esta o seu horário de aulas – disse em um tom serio, me entregando um papel dobrado – Esse é o dormitório das meninas seu quarto é o 328.
Ela não me deixou dizer nada e abriu a porta. Consegui ver uma sala toda arrumada, com poofs e almofadas espalhados por todo lados, uma TV de tela plana pregada na parede e sofás também espalhados.
As poucas garotas que estavam lá dirigiram sua atenção para nós duas e, ao me verem, começaram a cochichar coisas como: “São muito semelhantes” ou “será que é ela?”. Não entendia por que aquilo, mas mesmo assim sorri olhando para todas.
- Meninas! – começou Medusa fazendo todas calarem. – Essa é Maka, nossa aluna nova. Quero que sejam legais com ela. Agora quem pode mostrar o quarto para Maka?
Todas se entreolharam murmurando coisas que não pude entender, mas logo uma garota de cabelos brancos acinzentados lisos e logos, de um corpo bem formado, pele pálida e feições angelicais levantou a mão. Era a garota do corredor!!!!
- Ah!Eruka, que bom que se ofereceu! – exclamou Medusa.
- Não tem problema Medusa- sensei! – a garota deu um sorriso que de longe dava para perceber que era falso. Mas pelo visto Medusa não notou.
Eruka estava usando uma mini saia (e quando digo mini é mini mesmo)jeans clara justa, uma blusa também justa e curta rosa e botas brancas que iam ate o final da canela de salto alto.
Eu e ela andamos pelos corredores, nos afastando do cochicho que estava tendo entre as garotas que estavam na sala. Não dizíamos nada e o silencio que nos envolvia se tornava incomodo e desagradável.
Sentia-me um pouco nervosa sabendo que ela era a garota que estava naquele corredor escuro. Mas o que me preocupava mesmo era se ela me viu. O garoto eu tenho certeza, mas ela... Tinha medo de que ela soubesse e armasse uma confusão por causa disso. E isso era a ultima coisa que queria no momento.
Quando chegamos ao quarto 328, agradece mentalmente varias vezes por meu sofrimento ter acabado. Mas isso era só ilusão minha. Eruka parou na frente da porta, mas ao invés de abrir a porta ela se virou para mim com um olhar penetrante que me deu calafrios na espinha.
- Sei qual é a sua! – foi direta. Acho que ate de mais, já que não entendi nada.
- Do que esta falando? – perguntei piscando algumas vezes por causa da confusão e da surpresa.
- Sei que esta querendo toda atenção pra você só por que tem a aparência de nossa deusa e tem a marca completa. – disse com ódio empregado na voz.
- N-não sei do que esta falando. – recuei alguns passos, intimidada. – Tá! Admito que tenho a marca completa, mas como assim pareço com sua deusa?
- Não se faça de boba! – quase gritou – Sei que esta dando uma de novata inocente, mas eu conheço esse jogo e não vou deixar que fique com toda a popularidade.
Uma raiva incomparável tomou conta do meu corpo, como se um vulcão fosse entra em erupção.
- Olha aqui sua patricinha desmiolada! – falei com a voz mais raivosa que pude, mas que nem parecia que era eu. Eruka me olhou surpreendida. – Não quero popularidade nenhuma. Por mim ela é toda sua. Eu só quero recomeçar as coisas e ser alguém. Então, por que não sai logo daqui e me deixa em paz?
- Ora sua... – ela começou a falar, mas a porta do quarto em que ficaria ate me tornar vampira se abriu, a interrompendo.
De dentro do quarto saiu uma garota de cabelos rosados curtos e com algumas pontas sobressaltando das outras, olhos azuis claros e uma pele alva que parecia muito delicada e bem cuidada. Ela usava um vestido negro de mangas longas com botas também negras sem salto que iam ate um pouco acima do tornozelo.
Ela me mirou surpreendida e logo depois voltou sua atenção para Eruka que estava do meu lado. Sua expressão logo mudou para uma de medo ao ver a garota e se escondeu atrás da porta deixando apenas um pouco da cabeça.
- Chrona – disse Eruka com um sorriso malévolo no rosto. Vi como a garota tremia de medo e se escondia mais atrás da porta. – Essa é Maka. Maka essa é a Chrona, sua parceira de quarto.
Olhei para Chrona e lhe sorri com gentileza e ela se escondeu mais atrás da porta. Ouvi Eruka dar um risinho para logo depois se virar e parar a meu lado.
- Se eu fosse você tomava cuidado. – disse em um sussurro que só eu pude ouvir. – As coisas aqui são muito mais complicadas do que você pode crer.
Logo depois ela foi embora sem dizer mais nada. Fiquei olhando para ela ate que desapareceu corredor adentro.
- Q-quer e-entrar? – perguntou uma voz tímida atrás de mim.
Virei-me e pude ver como Chrona perdia um pouco da timidez e saia do quarto.
- Claro! – responde sorrindo e indo na direção do quarto.
Aqui começo minha nova vida e, pelo visto, já tenho uma inimiga.
Notas finais
Bjss
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