Minha vida sempre foi tecnicamente boa, era casada com Arthur. Nós brigávamos ás vezes, ta bom a gente brigava muito. Arthur nunca se importou muito com o futuro, pensava apenas no agora, isso me irritava profundamente, Ele simplesmente deixava que as coisas acontecessem, não fazia nada. Brigávamos quase todas as noites depois que eu chegava do meu serviço medíocre. Mas no final de cada briga sempre acabávamos ‘rolando na cama’. Eu era feliz, éramos felizes.

Era apenas mais um dia normal em nossas vidas, aquela mesma rotina chata. Eu cheguei em casa exausta e encontrei Arthur cantando com seu violão. Entrei e me sentei ao seu lado, ele parou de tocar e virou-se para mim sorrindo.

- Sabe amor, eu estive pensando, o que você acha de nós termos um bebê??

A voz dele estava meiga e calma, suave. Eu não sabia o que dizer, nunca havíamos falado sobre filhos antes.

— Sabe, só somos nós dois e aqui é bem grande e mesmo com a gente aqui sempre fica tão vazio.

Isso era verdade, a casa era grande havia um quarto sobrando e nós sempre nos sentíamos sozinhos demais ali. Por que não? Até que era uma boa Idea ter um filho agora,isso nós uniria ainda mais e evitaria nossas brigas por causa do bebê.

— Por que não?!

Eu disse sorrindo ao meu marido enquanto ele me abraçava em seguida encostando seus lábios nos meu, me envolvendo em um apaixonado beijo. Em questão de segundos já estávamos na cama...

Depois disso tentávamos sempre, mais nenhum resultado. Mas não desistíamos, tentávamos e tentávamos e nada, não ligávamos muito para isso, quando a hora chegasse iria acontecer e pronto. nós não brigávamos mais, Arthur estava totalmente atencioso comigo, não que ele não fosse antes, mas agora estava diferente estava mais apaixonado, mais carinhoso.Já fazia alguns meses desde que tínhamos decido que queríamos ter um filho, e eu percebia que Arthur estava começando a ficar desanimado com isso tudo, sua aparência estava cansada quase sempre e ele não tinha mais animo para fazer quase nada, mas nem por isso nós deixávamos de tentar afinal de contas queria ter um filho.

- Jenny para de imaginar coisas, eu estou absolutamente normal, estou bem amor.

- Mas você não parece estar bem...

- Eu já disse que estou bem, agora pare de imaginar coisas e agora vem cá que isso é pra você.

Ele nem mesmo deixou que eu terminasse de falar,Arthur foi até o quarto e quando voltou trazia um lindo buquê de rosas brancas que eram as minhas preferidas. Eu logo lhe agradeci com um longo e terno beijo em seguida colocando-as em um vaso sobre a mesa da cozinha. Depois desse dia Arthur me trazia flores todos os dias e eu adorava, nossa casa estava parecendo uma floricultora não tinha mais onde colocar tantas flores.

Faltava exatamente uma semana para meu aniversario, Arthur continuava insistindo que estava bem, mas ele parecia cada vez pior. Eu tentava fazer com que ele fosse a algum medico, mas ele dizia que não era para tanto.

- Ah amor, que isso. Isso é apenas cansaço você sabe como eu tenho trabalhado lá no escritório.

Eu tentava o convencer mesmo assim, mas Arthur era inflexível, não adiantava e eu acabei cedendo para não acabarmos brigando, afinal estamos bem sem as brigas. Já era manhã e estava na hora de Arthur ir trabalhar, eu não trabalharia hoje então preferi ficar na cama vendo meu marido ir trabalhar e acabei adormecendo novamente. Já era quase três da tarde quando o maldito telefone me acordou, a principio tentei o ignorar e voltar a dormir, mas o ele continuava a tocar seguidamente.

- Alô?

- Jenny???

- Sim, quem é?

- Eu sou um colega do Arthur, trabalho com ele...

O homem fez uma breve pausa, a voz dele estava estranha e preocupadaentão ele continuou falando

- Eu estou ligando pra te avisar de uma coisa, o Arthur...

Ele parou novamente e eu comecei a ficar preocupada quando ele tocou no nome do meu marido.

- O que Arthur fez?

- Ele teve uma parada cardíaca, levaram ele pro hospital, eu acho melhor você ir pra lá.

Ao ouvir ele dizer isso entrei em pânico total, nem sequer troquei de roupa e fui para o hospital, não sei como conseguir chegar lá tão rápido mas sei que em 15 minutos estava lá. Algumas pessoas que trabalhavam com meu marido também estavam lá e quando vi o rosto de cada um deles percebi que a coisa era seria mesmo. Me disseram que os médicos haviam levado ele para uma sala e que estavam tentando fazer o coração dele bater novamente, era tudo que eles sabiam. O tempo continuava passando e nada, todos os amigos de Arthur que estavam ali tiverem que ir embora para continuar a trabalhas, uma de minhas amigas tinha ido para ficar ali junto comigo. Já estávamos lá á algumas horas

Quando um medico finalmente veio falar cumigo me disse que eles tinham conseguido fazer o coração dele bater novamente mas queele poderia ter outra a qualquer momento e que se isso acontecesse, Arthur não resistiria novamente.

Me acalmei um pouco ao ouvir que seu coração tinha voltado a bater, mas mesmo assim não pude me acalmar, o medico recomendou que eu fosse para a casa mas eu não conseguia deixar Arthur ali e simplesmente ir para a casa como se nada tivesse acontecido, eu fiquei ali sentada e esperaria.Alguns minutos tinham se passado depois que o medico tinha voltado á sala onde Arthur estava quando vi vários médicos correndo para ele estava novamente, meu coração estava totalmente descompassado e parecia que ia sair de meu peito, foi quando o mesmo médico apareceu novamente mas dessa vez sua aparência não era nada boa.

- Senhora Jenny, seu marido teve outra parada cardíaca nós tentamos fazer o que fizemos da outra vez... Mas ele não reagiu..

Aquelas palavras ficaram ecoando em minha cabeça por alguns minutos. Aquilo não podia estar acontecendo... Arthur não podia ter me deixado, eu não conseguia e não queria acreditar naquilo. Minhas pernas falharam o que me fez sentar no chão da sala de espera enquanto o médio continuava a falar Patrícia tentava me acalmar.

- Eu sinto muito senhora Jenny...

Essas foram as ultimas palavras que o medico disse antes de se retirar da sala nos deixando ali. Eu estava totalmente fora de mim, chorava compulsivamente, não conseguia dizer absolutamente nada. Patrícia sentou-se ao meu lado e me abraçou me acalmando, o que levou alguns minutos. Nesse meio tempo os amigos de Arthur já tinham sido avisados de sua morte e que eu estava totalmente sem condições de organizar tudo para o velório, e eles se disponibilizaram para fazer isso.

Quando finalmente voltei a mim, Patrícia me levou para casa onde minha mãe já estava me esperando, e quando a vi comecei a chorar novamente. Demorei mais alguns minutos para me acalmar novamente. Já era noite e eu resolvi dormir um pouco. Sonhei com Arthur e quando acordei não como minha mãe conseguiu me convencer de comer alguma coisa antes de irmos para o velório de Arthur.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.