O Fim de Um Império
1 Parte 1
Notas iniciais
Na imensidão daquele galpão abandonado, José Alfredo apontava a arma na direção do filho primogênito, estava prestes á cometer uma tragedia que abalaria todas as estruturas da família imperial.
JOSÉ ALFREDO: – Eu não queria ter que fazer isso.
JOSÉ PEDRO: – Pois então não faça, eu te imploro.
JOSÉ ALFREDO: – Você não me deu opções, Pedro.
O comendador tinha o dedo no gatilho, quando foi impedido por um grito.
JOSÉ PEDRO: — Paaaaaaaai.
José Pedro se agarrou em seus pés, como uma criança desprotegida e ali, o homem de preto pôde constatar que seu filho não passava de uma marionete na mão de Silviano.
JOSÉ ALFREDO: — Filho.
Emocionados, pai e filho se entregam a um forte abraço demorado, logo após essa troca de afeto, José Alfredo solta Cristina que se mantinha amarrada, apenas observando toda aquela situação de longe, e a ex-camelô se aproxima do meio-irmão.
JOSÉ PEDRO: – Eu sei que você nunca vai aceitar as minhas desculpas, mas mesmo assim eu tô te pedindo perdão, me arrependo amargamente de tudo o que eu fiz.
CRISTINA: – Aí que você se engana Zé Pedro, apesar de tudo, ainda resta compaixão em mim em relação a você, eu te perdoo sim, meu irmão.
Eles também se abraçam e José Alfredo se comove com o que vê.
JOSÉ PEDRO: – Eu estava fora de mim, preciso achar uma forma de reparar os danos que eu causei...
CRISTINA: – Esquece isso, vamos embora daqui.
JOSÉ ALFREDO: – Acho melhor seguimos o conselho da Cristina.
Desse modo, os três deixam aquele local onde apenas os cadáveres de Silviano e Maurílio, caídos ao relento, retratavam a guerra que havia se passado, escoltados por Josué, seguem para a residência da família.
Maria Marta, Clara, Amanda, Du e João Lucas estavam apreensivos na sala do belo apartamento, enquanto as mulheres rezavam, Lucas fazia esforço para não imaginar o pior que poderia acontecer ou ter acontecido.
A campainha toca e Claraíde, rapidamente, atende.
CLARAÍDE: – Graças a Deus são vocês!
José Alfredo, Cristina, Pedro e Josué adentraram a enorme sala e surgiu em todos, repentinamente, uma expressão de alívio, enquanto a imperatriz se manteve firme para não sair correndo e abraçar o filho preferido, ela não queria mais fechar os olhos para as coisas erradas que ele praticava.
MARIA MARTA: — Deus ouviu as minhas preces, eu não perdoaria se acontecesse uma desgraça, eu sei que culpa é toda minha, deixei a ambição falar mais alto e acabei fazendo com que o meu próprio filho se desviasse de uma boa conduta, nunca deveria ter feito diferença entre e um e outro, ambos são frutos do que eu sinto pelo homem da minha vida.
JOSÉ ALFREDO: – Agora não é hora de se culpar, mas que eu tenho uma parcela nisso, eu tenho, eu também errei ao trocar tantos momentos inesquecíveis e de extrema importância por afazeres da empresa, a minha ambição também falou mais alto.
Todos assistiam a aquele dialogo do casal imperial.
MARIA MARTA: – Se fossem afazeres só da empresa né, Zé?
JOSÉ ALFREDO: – Agora não, Marta.
MARIA CLARA: – Ei, vocês, acabamos de sair de um sufoco, precisamos estar unidos.
Ao ouvirem o apelo da designer de joias, todos se juntaram ao meio do ambiente, concluindo um grande abraço coletivo, a emoção por poderem estar, novamente num momento de afeto toma conta da família.
JOSÉ PEDRO: – Eu só quero deixar bem claro que eu serei um novo homem, ainda mais agora que terei de dar exemplo para um serzinho que vem aí.
DU: – Como assim, cara?
AMANDA: – Eu estou grávida. — comemorou a loira.
JOÃO LUCAS: — Ih, essa eu já tô sabendo desde o casamento da Cris, parabéns, mano.
MARIA MARTA: – Essa notícia não poderia vim em outro momento, parabéns meu filho e minha sobrinha que vai me dar um neto, eita, que confusão — riu.
JOSÉ ALFREDO: – Será que o mundo está preparado para mais um Medeiros? — perguntou o comendador.
O clima de descontração se seguiu naquele lar, que finalmente voltaria ter harmonia na medida do possível, já que todos ali, tinham sangue quente.
Enquanto isso, Isis, em seu apartamento, resolve abrir o envelope que José Alfredo havia lhe entregado momentos antes de enfrentar todo o antagonismo que queria destruir o homem de preto.
"Talvez eu não volte vivo, mas se eu voltar, quero que saiba que o que a gente viveu foi intenso, mas não terá mais espaço na minha vida."
Os olhos da ruiva saltaram ao ler esse trecho da carta.
ISIS: – O que ele quis dizer com isso?
Prosseguiu, e constatou que o comendador havia rompido de vez com ela através daquele pedaço de papel, após alguns momentos de angustia, ela compreendeu os motivos dele.
ISIS: — Foi melhor assim, chorar agora para rir depois, não é o fim do mundo, é só o começo de uma nova fase na minha vida.
Voltando ao apartamento dos Medeiros, a campainha toca e Claraíde a atende de novo.
CLARAÍDE: – Dona Danielle? O que você veio fazer aqui?
Parada na grande porta, Danielle estava dada ás mãos com a pequena heroína Bruna, e juntas, adentraram ao apartamento.
DANIELLE: – O José Alfredo por acaso tá aí?
Antes mesmo de Claraíde responder, o homem de preto abordou a ex-nora.
JOSÉ ALFREDO: – Estou sim, mas por que você veio atrás de minha pessoa?
DANIELLE: – Eu tomei uma decisão na minha vida e... eu vou embora dessa cidade.
JOSÉ ALFREDO: – E o que eu tenho haver com isso?
DANIELLE: – É, que... eu quero você, a Marta... vocês, adotem a Bruna.
JOSÉ ALFREDO: — Shit, mas isso é muito sério, por que você tomou essa decisão?
DANIELLE: – Eu sou uma péssima influência, sou um fracasso como mãe, me envolvi com coisas erradas, sei que ela ficará bem e se tornará uma boa pessoa se for criada com uma família de verdade, assim, como vocês são.
Nesse momento, Danielle não conteve as lágrimas e Bruna a abraçou, enquanto Maria Marta se aproximou daquela situação.
MARIA MARTA: – Se é isso que você deseja, Danielle, eu ficaria muito feliz em ter mais uma criança nessa casa, ainda mais se for a Bruna, essa menina maravilhosa que nos ajudou tanto.
JOSÉ ALFREDO: – Criança? Mas veja só, já é uma mocinha. — o comendador arrancou um sorriso da menina ao puxar suas bochechas — Todas já deram os seus palpites, mas eu quero saber o que Bruna acha disso.
BRUNA: – Eu ficaria muito feliz em ter um lar de verdade, ainda mais sendo criada por você e pela dona Marta.
O casal imperial se comoveu com as palavras da pequena e se olharam rapidamente.
JOSÉ ALFREDO: – Estou de acordo, Bruna será... não, já é uma Medeiros, você mostrou quando desmascarou aquele canalha do Maurílio.
MARIA MARTA: – Melhor nem lembrar né, Zé?
DANIELLE:– Você tem razão, Marta, o que eu mais quero é esquecer tudo aquilo, agora é seguir em frente, mas saiba que nunca vou me esquecer de você filha, a gente ainda vai se encontrar muito, tá meu amor? — ela passou a mão no rosto da garota.
Danielle entregou um envelope com a guarda de Bruna para José Alfredo, e uma mala com os pertences da mesma para Claraíde, mãe e filha se abraçaram e ela saiu dali desolada, mas sabia o que estava fazendo era o certo.
Ficaram apenas os quatro na sala: Marta, Bruna, Zé Alfredo e um mero silêncio, até ser quebrado pela imperatriz.
MARIA MARTA: – E aí? Tá com fome? Que tal irmos lá na cozinha fazer um lanche? — ela tentava animar a menina.
BRUNA: – Tudo bem...
JOSÉ ALFREDO: – Ótima ideia, mas vai indo na frente que eu tenho que conversar com a Marta. — ele fez com que Bruna fosse sozinha em direção á cozinha.
O homem de preto fez sinal para que a imperatriz subisse as escadas, ele a seguiu até chegarem ao seu quarto, ela parou na porta e Zé Alfredo entrou primeiro no local.
JOSÉ ALFREDO: – Marta, eu vou ser direto... tudo o que aconteceu nesses últimos momentos nas nossas vidas, só fez com que eu percebesse a falta que eu fiz pra nossa família, nunca deveria ter trocado vocês pelo mundo, como eu disse logo cedo, eu tive uma parcela de culpa sim pelo Zé Pedro ter se tornado um monstro por aquele instante, e sei que, só vou reparar isso se eu voltar pra você, a mulher que esteve sempre ao meu lado. — havia sinceridade em seu olhar.
A mulher dos olhos claros se abalou com as palavras do marido, mas manteve a postura, estava tão acostumada com as humilhações vindas daquele homem que mal sabia se portar diante daquela declaração.
MARIA MARTA:– Ah, Zé, cê tem certeza? O que será que a sua "sweet chid" vai achar disso, hein?
JOSÉ ALFREDO: – Não me importa o que ela vai achar ou deixar de achar, nós terminamos de vez. — o comendador abaixou a cabeça.
MARIA MARTA: – Uééé... e o "amor puro e verdadeiro" de vocês? Evaporou? — ironizou.
JOSÉ ALFREDO: – Ela foi apenas uma aventura, como você mesma já falou, eu me sentia jovem ao lado dela, mas o que eu quero mesmo é envelhecer ao seu lado, Marta, o único "amor puro e verdadeiro" que eu sinto é por você.
MARIA MARTA: – Envelhecer? Mas você já é um bode velho que... — ela se aproximou do comendador, podia sentir a respiração descompassada do marido — Que me deixa louca. — concluiu.
Sem delongas, o homem de preto puxou a mulher pela cintura, e seus lábios se tocaram, não demorou muito para que o beijo tomasse intensidade, um explorava a boca do outro com urgência, enquanto as mãos faziam carinhos que há tanto tempo não trocavam. Até que Zé Alfredo, atrevidamente, puxou pra baixo o zíper do vestido de Marta, que ficava nas costas, o fazendo abrir, e irritando a imperatriz.
MARIA MARTA: – SEU FILHO DA MÃE!
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