O Fim de Hazel Grace
1 Capítulo 1
Haviam se passado exatos 15 anos depois da morte de Augustus Waters. Senti a mão enrugada de minha mãe na minha pele, e meu corpo estremeceu. Meus pulmões tentavam sugar o ar com uma grande dificuldade.
Me esforcei para abrir os olhos, e finalmente eles cederam e lentamente as pálpebras foram se descolando. A princípio, achei que estivesse no meu quarto, mas o cheiro de álcool e desinfetante denunciou que eu estava no Hospital. Ao contrário, isso não me assustou. Era normal uma pessoa com câncer visitar várias vezes o Hospital.
Uma luz forte erguia-se sobre mim, e meus olhos demoraram alguns segundos para se focarem, logo em seguida forcei minhas costelas a se inclinarem.
Estava em um quarto comum de hospital, com minha cama no canto, e alguns armários recheados de remédios com uma televisão de 12 polegadas bem ao meu lado no canal do noticiário.
- Filha, não se esforce. – as calmas palavras de minha mãe saíram como um vento quente soprando minha orelha.
- O que houve dessa vez? – disse com a voz meio rouca. Meus pulmões queimaram de protesto e soltei um leve gemido.
- Não se esforce querida. Seus pulmões eles.. – ela deu uma parada súbita, e fitou o quarto em volta. – Eles estão muito fracos.
Aquilo também não me assustou. Não seria nenhum susto se eles parassem de respirar naquele exato momento e eu fosse engolido pela escuridão.
Então, um barulho na porta e meu pai entrou ás pressas com uma enfermeira loira ao lado trazendo uma grande agulha cheia de um líquido transparente.
- Ela acordou! – meu pai se maravilhou chegando perto de mim e me encarando fundo nos olhos. Ele tentou me abraçar, mas a enfermeira o reprimiu com um olhar severo.
- Ela está fraca, não pode ter nenhum esforço. – disse a enfermeira enquanto preparava a agulha para colocar no meu braço.
Mordi o lábio inferior e senti uma agonizante picada de dor no meu braço direito. Na mesma hora, meus pulmões ficaram duas vezes piores do que antes. Podia sentir algo dolorido e queimação neles, e o esforço para respirar estava me deixando cansada.
Olhei com os olhos fracos em volta, e minhas pálpebras pareciam dois sacos de areia.
- O que é essa seringa? – disse para minha mãe.
- É uma seringa que irá acabar com seu sofrimento, filha.
Um clarão súbito de entendimento passou pelo meu rosto, e minha mãe deixou escapar uma pequena e brilhante lágrima do rosto.
Aquilo era um veneno. Isso me deixou feliz, finalmente iria ver Augustus Waters. Lembrei de todo os nossos momentos ainda em vida, e em momentos, meu corpo ficou todo mole e sem sensibilidade.
Minhas pálpebras já fechavam na metade, e mais uma vez lembrei do rosto de Augustus Waters. Aqueles seus olhos lindos, e seu jeito de andar meio manco. Olhei uma última vez para essa minha cruel vida na Terra, e com um último esforço, falei para minha mãe que se derramava em lágrimas:
- Estarei mais feliz lá. Obrigado, mãe. Estou indo te ver Augustus Waters, me espere. – então a escuridão me engoliu de vez e todo o meu corpo parou de funcionar.
Eu estou chegando, Gus.
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