"Pés, não me falhem agora

Me levem até a linha de chegada

Oh, meu coração, ele se parte a cada passo que dou

Mas estou esperando nos portões

Eles me dirão que você é meu..."

ANTERIORMENTE...
É claro que penso em suicídio, pois o amor tem dessas coisa, e eu estou em um ponto perfeito para isso, e só me vem na cabeça a morte, talvez tudo acabe aqui, agora, e lamento dizer que se eu pular desse ponte, você virá junto comigo querido diário, eu não vou deixar que te leiam e saibam tudo que já pensei...
Kim parou de escrever e subiu na maior extremidade da ponte, e olhou toda aquela água que parecia o chamar, o garoto sempre ouviu isso, que quando você pensa em suicídio, algo começa a tentar te convencer a ir em frente, muitos falam que se trata do Demônio, mas no caso de Kim ele sabia que não era isso, pois ele sabia o que dava vontade de pular, e era simplesmente o medo de ver Kathryn partir. Assim após alguns segundos, Kim caminhou para o nada e começou a sua longa queda livre...
...
— Calma cara...- falou Kim se aproximando do amigo
— Não encosta em mim... – disse Alex ainda contendo o choro, e dando início a um silêncio, para depois continuar a falar. – Você ia me deixar pra trás...Sim você ia desistir da vida, você ia desistir de aproveitar as poucas horas que ainda tem com a Kath...Mas o que mais me dói é que você ia desistir de mim, como se eu não significasse nada pra você, como se a Kathryn fosse a única pessoa que importa na vida pra você – fala Alex desabando em lágrimas. – Você ia me abandonar como se tudo que a gente viveu não tivesse valor, como se o que a gente ainda tem pra viver não fosse fazer falta alguma...Isso pode ser chamado de qualquer nome, mas não chame de amizade.
...
E aí meu amor como esta a Kathryn? – pergunta Anthony a Mari.
Mari se prepara para responder, mas é interrompida por Alex, que além de surpreso, esta bravo e com um visível rubor em seu rosto.
— Como assim amor? Desde quando amor? Mari? – indagou nervoso.
— Algum problema, com o meu namoro com a Mari, Alex? – perguntou Anthony em um tom sério.
— Fica quieto irmão, que meu papo é com a Mari, não contigo. – afirmou Alex com raiva explícita em sua voz. – Vem Mari, vamos lá fora você tem que me explicar isso.
— Ela não precisa ir. Até onde sei o namoro de vocês acabou. – afirma Anthony.
— Deixa Anthony, eu preciso mesmo de um ponto final com ele, parece que ainda não entendeu. Eu vou lá fora e já volto. – diz Mari para logo depois beijando seu “namorado” e saindo dali com Alex.
...
Anthony não faz isso com a gente, não faz isso com você...Admite que você tá louco pra me beijar de novo, pra ser meu namorado...Admite! – fala Liam tocando o ombro do rapaz a sua frente.
— Eu não sou gay! – grita Anthony assustando Liam. – Eu não quero te beijar, nem ser teu namorado...Eu gosto de mulheres, gosto da Mari não de você! -diz Liam saindo daquele ambiente.
...
— Infelizmente o quadro da senhorita Lockwood muito se agravou e ela não irá mais acordar.

CAPÍTULO 14
UM BEIJO, UMA DANÇA...UM ADEUS.

LANA DEL REY — BORN TO DIE

"Andando pelas ruas da cidade

É por engano ou planejado?

Me sinto tão sozinha em uma sexta à noite

Você pode fazer eu me sentir em casa

Se eu disser que você é meu?

É como te disse, querido"

...
Era uma rua escura, tão escura quanto o pavimento da pista em que Kathryn estava deitada, a moça usava um longo vestido de um tom meio indefinido, mais parecia um tom pastel, ou talvez lilás. Tudo era confuso e parecia mudar a todo instante, como se o que estivesse acontecendo fosse consequência de uma junção de pensamentos imaginativos... a palavra certa seria: “irreal” .
Ao seu lado encontrava-se Kim Salvatore, ele também estava bem vestido, usava uma camisa branca e um terno preto, assim como a sua calça, porém havia algo que ganhava um destaque em seu figurino, era sua gravata, que era de cor azul, um azul tão forte, que chegava a incomodar a quem olhasse. Sim era Kim Salvatore, não poderia ser outra pessoa, não caberia ninguém naquele lugar além dos dois. Eles se olhavam em total silêncio, como se nada precisasse ser dito, mas a garota não segurou as palavras que saltavam de sua boca.
— Kim, você acredita no paraíso?
O garoto a olhou com um sorriso meio triste e cheirou de leve o rosto da garota, como se quisesse guardar consigo aquela essência, e então respondeu em voz baixa vagarosamente.
— Por você eu preciso acreditar...Esse não é o fim, não será, não agora.

...

Mari havia dormido no hospital, pois sabia que não conseguiria dormir em casa sabendo que a sua melhor amiga estaria viva apenas por poucas horas, justo agora que ela estava tanto a precisar da amiga, pois não havia mais ninguém com quem pudesse desabafar, falar sobre sua relação com Alex ou apenas para falar de livros ou do baile do fim de ano. Ao pensar em tudo que não iria viver com sua melhor amiga, Mari desaba em choro, ela aperta a mão de Kathryn, mas não obtém reação nenhuma, ao seu lado Anthony tenta consola-la. De repente Liam entra na sala e sente-se triste ao ver o desespero da garota.
— Mari, eu sei de uma forma de você se despedir da sua amiga, bem vamos ver se eu consigo explicar...Nós vampiros conseguimos uma conexão com o sub consciente de qualquer pessoa, eu e o Anthony, podemos tentar ligar você a Kathryn.
— Mas eu vou poder ver a minha amiga? – indaga Mari.
— Não somente ver, você também vai poder sentir, tocar, abraçar, e tudo vai ser real, basta que você entre na mente dela, então você e ela vão poder sentir a tudo que quiserem...uma última vez. – explicou Liam.
— Não sei se consigo fazer isso, nem sabia que eu era capaz. – afirmou Anthony
— É fácil segura na minha mão e confia – ordenou Liam com um meio sorriso, para o garoto que amava. – E você segura na minha mão e na da Kathryn, Mari.
...

Mari abriu seus olhos e percebeu que estava no quarto de sua melhor amiga, talvez o lugar para aquele último encontro, o lugar onde a amizade das duas podia ser visto em todos os cantos, ela olhou para Kathryn que estava a usar um pequeno vestidinho branco de tecido, assim como ela, as duas estavam prontas para dormir, como fizeram inúmeras vezes, quando uma das duas precisava apenas da companhia uma da outra. Foi assim quando Kathryn havia descoberto a traição de Martin, ou quando sentiu-se confusa em relação aos seus sentimentos por Kim. Foi assim também quando Mari foi rejeitada pela mãe de Alex, ou quando descobriu a traição do mesmo. Havia um forte laço que agora fazia as duas se abraçarem, derramavam de seus olhos lágrimas de tristeza e dor...lágrimas de saudade.
— Oh minha amiga o que eu vou ser sem você? Pra quem eu vou contar quando eu for machucada? Quem vai me fazer companhia durante os intervalos. – falou Mari sem conseguir controlar o choro.
— Mari...- o choro interrompia as palavras de Kathryn. – Eu vou estar com você sempre, na sua memória, em todos os momentos que já vivemos, em cada sorriso em cada lágrima.
— Eu queria apenas que a nossa amizade fosse eterna...
— Mas ela é! Não tenha dúvidas, sempre seremos melhores amigas, agora vem aqui deita comigo, não é você que diz que um abraço de amiga cura tudo.
As duas deitaram-se na cama de Kathryn, que abraçou amiga, as duas ficaram em silêncio apenas sentindo a presença uma da outra.
— Kathryn? – falou Mari chorando compulsivamente.
— Oi amiga.
— Não está passando, a dor não esta passando.
— Eu sei...A minha também não. – disse Kathryn derramando lágrimas.
As duas continuaram daquela forma por um tempo indeterminado, irreal.

OoO...

Kim estava em total desespero, o seu coração acelerava, mas ele tinha que fazer algo, ele tinha que tentar que o impossível acontecesse. Ele saiu do hospital, mesmo temendo estar a perder os últimos segundos ao lado de sua namorada, ele precisava ir ver alguém e quase que inconscientemente ele havia parado na porta da casa de Jason e agora estava a bater várias vezes na porta. Após um pouco de insistência, Jason abriu a porta. Com o olhar sexy e seu jeito de cão raivoso como sempre, porém algo em seu rosto havia mudado, é como se aquele brilho da escuridão tivesse sido apagado, não existisse mais, é como se agora ele realmente estivesse morto internamente.
— Entra. – falou o vampiro sem ânimo algum.
Os dois sentaram em um sofá, havia uma rajada de vento que invadia o ambiente através da janela, o mais novo encarava a Jason, que apenas olhava fixamente par a o chão parecendo esta bastante concentrado.
— Você me deixou inconsciente, me sequestrou e me falou de vampiros e bruxas, o que chega a ser ridículo, você me prometeu a salvação, você disse que juntos...juntos nós conseguiríamos. Você prometeu isso a mim, e eu vim cobrar as suas promessas! – disse Kim falando em um tom alto, quase que em gritos.
— Vai embora daqui! Nós perdemos, é isso...Agora vai embora que não estou disposto a aturar choro de adolescente. – gritou Jason segurando e erguendo Kim pelo braço.
Kim começa a chorar e a se debater enquanto Jason tenta leva-lo até a porta, porém ao ver o choro de Kim, Jason se comove e acaba abraçando o garoto, os dois então choram juntos.
— Você me fez te abraçar, e eu não abraço pessoas...Agora vai embora.
— Você não vem pro hospital?
— Não, eu não vou. Não me despeço. Eu estou partindo de Flowers hoje mesmo.
Kim virou-se de costas e saiu dali limpando suas lágrimas.

OoO...

JASON MRAZ — YOU CAN REALLY ON ME

Alex estava de costas a um grande prédio, que parecia ser a escola em que estudava. Suavemente sentiu um toque delicado em seu ombro, ao virar-se encarou os olhos azuis de Kathryn, a garota tinha um brilho triste em sua face, porém ela não deixava de ser bela, era como se fosse algo frio, mas belo. Alex sorriu para a garota e tocou em seus cabelos.
— Nem vem, eu vim aqui apenas pra contar alguma piada sem graça, você sabe que não choro. – disse o garoto mantendo o sorriso.
— Ah eu sei sim, ou você acha que todas as vezes que você lia pra mim eu dormia de verdade? – disse Kathryn sorrindo.
— O quê? Você fingia dormir enquanto eu lia? – disse Alex de forma surpresa, mas ainda sem perder o sorriso.
— Na maioria das vezes sim, e fazia isso só pra ver o verdadeiro Alex, aquele Alex que surge quando ninguém tá vendo...É eu via você chorar sim.
Alex continuou a sorrir, porém agora era um riso acompanhado de lágrimas, que eram escondidas pela mão do garoto, numa forma de esconder suas emoções. Vendo isso Kathryn tomou o amigo em um forte abraço, limpando suas lágrimas e ainda abraçada ele, disse:
— Você é um cara incrível! E tem de uma só vez duas pessoas que amo imensamente. Depois que eu me for...
— Não Kath...
— Escuta, cuida do Kim, fica com ele, ele simplesmente ama você, se existe uma pessoa que tem a capacidade de ajuda-lo agora, esse alguém é você.
Alex apenas consentiu com a cabeça.
— Quanto a Mari, você sabe o que fazer, vocês se amam. Apenas seja esse Alex.
Os dois continuaram abraçados em silêncio.

OoO...

LONG, LONG WAY

Agora Anthony e Liam estavam na casa dos Parkers, Anthony não entendia como foi parar ali, só lembra de estar segurando a mão de Liam e de Kathryn e quando abriu seus olhos era a mesma visão que tinha, porém não estavam no hospital e sim na casa de Liam. Kathryn soltou a mão dos dois rapazes, para depois fazer com que eles segurassem a mão um do outro. Ela sorriu ao ver aquela união, enquanto os dois se olhavam estranhando aquela situação.
— Não tem nada de errado nisso, Liam... O amor não é um erro Anthony. – falou Kathryn sorrindo, para depois continuar – O tempo. Esses últimos meses, dias, horas, minutos, segundos, estão sendo tão preciosos pra mim e tudo que eu queria eram alguns poucos dias ao lado das pessoas que eu amo.
A garota se emocionava ao dizer tais palavras, e lembrava que o seu tempo estava a se esgotar.
— Ao lado do Kim. Você sabe Anthony, o quanto eu queria ter mais 24 horas com seu irmão, você sabe o quanto lamento não ter amado ele a mais tempo...Por favor não desperdicem o tempo que vocês tem em mãos. Aproveitem o amor, não deixem que o tempo de um de vocês se esgote, para perceber o quanto um ama o outro...Amor eu falo de amor.
Os dois se olharam e Anthony deixou que escapasse uma lágrima única, enquanto Kathryn foi até eles e abraçou os dois, um abraço com tom de despedida.

OoO...

EYES ON FIRE
A noite estava fria, o rosto de Megan estava gelado, apesar de muito bem agasalhada a moça sentia muito frio e apressava o passo para chegar em casa, ao longe ela ouvia um barulho, mas não deu atenção apenas seguiu caminhando, porém o barulho aumentava e o que parecia apenas um ruído agora mais parecia um respiração rápida e acelerada que a cada passo se aproximava da loira, que decidiu correr, mas após alguns poucos passos, Jason surgiu bem a sua frente, ele estava como de costume com um sorriso no rosto.
— Não acha perigoso uma moça solitária a essa hora na rua? — indagou ele ainda sorrindo.
— Perigoso é ter um psicopata seguindo essa moça.
— Ah que é isso? Os psicopatas tem lá seu charme. Não acha? — falou Jason tocando uma mecha do cabelo de Megan.
— Vem cá você não cansa de querer acabar comigo? Já não basta ter acabado com meu namoro?- falou Megan se afastando de Jason.
No mesmo instante Jason retornou para perto dela em uma questão de segundos, ficando em frente a ela novamente.
— Você pensa que por que é um vampiro, sabe correr rapidinho, convence as pessoas a fazer o que não querem, você se torna irresistível? — falou Megan sorrindo.
— Quer saber? Acho sim...Não eu não acho, tenho certeza. — falou o vampiro ficando bem próximo ao rosto de Megan.
— Vai procurar o que fazer. — respondeu a garota andando de forma rápida.
— Espera que eu não terminei de falar. — disse Jason estando novamente a frente da garota.
— Eu terminei. — respondeu ela de forma irritada.
— Megan eu sou um cara imune a sentimentos, eu nunca amei alguém além de Kathryn, minha filha, mas com você eu sou diferente, é como se...você conseguisse alcançar o coração que eu nem sei se tenho.
A garota ouvia tudo aquilo em silêncio e por mais que quisesse duvidar de tudo que estava ouvindo, ela não podia, pois via nos olhos de Jason que o que ele dizia era sincero e de repente foi crescendo dentro dela a vontade que ele a puxasse e beija-se ali naquele momento, a garota ainda tentou se convencer de que aquilo deveria ser mas um truque do vampiro, porém ela sabia que não era pois ela usava verbena, o que assegura que ela não estava sendo hipnotizada e sim ela queria ser beijada, e foi exatamente isso que Jason fez a beijou...
Não demorou muito e os dois já estavam na casa de Jason, e tomados pelo desejo que sentiam acabaram transando, para depois apenas dormirem em silêncio, pelo menos Megan dormiu, Jason não, ele parecia pensativo, olhava para o teto e parecia estar perdido em seus pensamentos, parecia preocupado, apreensivo. De repente Megan despertou e sem dizer uma palavra levantou e começou a se preparar para ir embora.
— Passa no hospital! A Kathryn está precisando de todos. – disse Jason.
Megan olhou para o vampiro, mas não disse nada, apenas saiu batendo a porta.

OoO...

Annie era quem repetia todo o processo agora, mas para ela parecia ser mais doloroso, pois ela havia tocado a mão de Kathryn e agora encontrava-se no local do feitiço, no céu estava a acontecer um eclipse, tudo remetia aquela noite, quando de certa forma Annie falhou. Logo Kathryn surgiu e tocou o rosto da bruxa.
— Me perdoa, eu juro que tentei. – fala Annie chorando inconformada.
— Hey, não fale assim! Você não teve culpa. Você tentou, nem sempre se pode conseguir tudo.
As duas se abraçaram e Kathryn sussurrou no ouvido de Annie.
— Cuida do Martin tá, ele é muito importante pra mim.

OoO...

NINA KINERT-COMBAT LOVE

Annie soltou a mão de Kathryn e agora já estava no hospital novamente, ainda chorava, quando Megan entrou na sala e se aproximou da cama da ex rival, logo Liam explicou a loira o que estavam fazendo e ela segurou de imediato a mão de Kathryn e logo se encontrava em seu universo paralelo com Kathryn...
As duas estavam no palco em que foi apresentada a homenagem ao dia dos fundadores, onde ocorreu o último embate entre as duas. Como no garota flowers, as duas estavam lindas e elegantes e agora estavam se olhando, Kathryn se aproximou e tocou a mão de Megan.
— Me perdoa por tudo que eu fiz a você, ao Martin, ao Kim, ao Anthony...Em fim, a lista é grande, mas todos itens se ligam a uma única pessoa...Você! Kathryn Lockwood, a garota mais bonita da cidade, a que sempre foi o centro das atenções. Eu sempre tive inveja disso Kath, e por causa disso acabei estragando a nossa amizade. Me perdoa.
— Olha minha amiga eu vou confessar que tive muita raiva de você, cheguei a desistir de você, mas aí eu percebi que no fundo você só não tinha crescido o suficiente e que não tinha culpa por isso. Você é linda, sempre foi, pode ter a atenção de todos que ama, sabe que pode.
— Então tudo bem?
— Sim, vem cá me da um abraço – falou Kathryn abraçando a amiga.

OoO...

Maria, a mãe de Kathryn, que havia observado todas as despedidas em silêncio, tomava consciência de que tinha de ser agora, o seu corpo todo estava tomado por uma dor terrível, sim era uma dor física, era cada pedaço seu que ardia de dor, mas era necessário ir até sua filha, era necessário uma despedida...
Maria estava no quarto de sua filha, as duas estavam na cama, e a cabeça de Kathryn estava no colo de sua mãe que acariciava os cabelos da filha enquanto chorava.
— Vai ficar tudo bem mãe!
— Vai sim minha filha vai ficar tudo bem.
— Nada vai ser igual, mas no fim tudo vai ficar bem, você vai apenas descansar meu bebê. – disse Maria beijando a testa de Kathryn.
As duas decidiram permanecer em silêncio apenas aproveitando aqueles últimos minutos de companhia. De certa forma Maria tinha um certo ar de conformidade, além da profunda tristeza em seus olhos.

OoO...

SARAH BAREILLES-GRAVITY

Daquele quarto inteiro lotado de pessoas que Kathryn amava restava apenas um, talvez um dos que ela mais amava, era Martin Bennet, seu inesquecível primeiro amor, que aproximou-se da moça e com lágrimas nos olhos beijou o seu pescoço e tocou sua mão, iniciando o que todos ali já haviam feito.
O cenário era o parque da cidade, o local em que mais havia o amor entre Martin e Kathryn, ali o amor entre eles teve seu início e sua despedida não poderia ser em outro local, a garota surgiu vestida como nos velhos tempos e Matin sorriu para ela, os dois deram a mão e juntos aproveitaram boa parte daqueles brinquedos, até que decidiram parar e sentar em um banquinho.
— Muito obrigado...Muito obrigado mesmo por todos os momentos que você esteve comigo, eu fui feliz demais do seu lado, eu realmente te amei....Eu...Te amo, nunca vou deixar de te amar nem que eu vivesse mais mil anos. – disse Kathryn tocando o rosto do ex-namorado.
— Eu que vou sempre te amar...Kath me perdoa por tudo que aconte...
— Ei para, esquece! Você me fez muito mais feliz que triste, agora vai e cuida da Annie ela merece ser feliz.
Os dois se abraçaram carinhosamente, em meio a palavras de Adeus.
OoO...
Martin soltou a mão de Kathryn no instante em que a porta se abriu repentinamente e por ela entrou um Kim Salvatore completamente apagado, seus olhos demonstravam cansaço, sua boca estava seca, seus cabelos estavam totalmente desarrumados e sua barba esta por fazer a dias. Todos ali naquele ambiente naquele momento pareciam notar o quanto o rapaz havia mudado, sua aparência entregava as noites não dormidas, o rapaz apenas entrou e desabou no chão segurando a mão de sua amada, enquanto seu irmão o contava do que podia ser feito. Logo Kim beijou a boca de sua amada e a abraçou desejando vê-la...

Não me deixe triste, não me faça chorar

Às vezes o amor não é o bastante

E a estrada fica difícil, não sei o porquê

Continue me fazendo rir

Vamos ficar chapados

A estrada é longa, nós seguimos adiante

Tente se divertir nesse meio tempo

...

IMAGINE DRAGONS — DREAM
Era uma rua escura, tão escura quanto o pavimento da pista em que Kathryn estava deitada, a moça usava um longo vestido de um tom meio indefinido, mais parecia um tom pastel, ou talvez lilás. Tudo era confuso e parecia mudar a todo instante, como se o que estivesse acontecendo fosse consequência de uma junção de pensamentos imaginativos... a palavra certa seria: “irreal” .
Ao seu lado encontrava-se Kim Salvatore, ele também estava bem vestido, usava uma camisa branca e um terno preto, assim como a sua calça, porém havia algo que ganhava um destaque em seu figurino, era sua gravata, que era de cor azul, um azul tão forte, que chegava a incomodar a quem olhasse. Sim era Kim Salvatore, não poderia ser outra pessoa, não caberia ninguém naquele lugar além dos dois. Eles se olhavam em total silêncio, como se nada precisasse ser dito, mas a garota não segurou as palavras que saltavam de sua boca.
— Kim, você acredita no paraíso?
O garoto a olhou com um sorriso meio triste e cheirou de leve o rosto da garota, como se quisesse guardar consigo aquela essência, e então respondeu em voz baixa vagarosamente.
— Por você eu preciso acreditar...Esse não é o fim, não será, não agora.
Kim levantou-se do chão e estendeu sua mão para a garota que amava, ela apenas sorriu forçadamente e segurou na mão estendida e os dois seguiram caminhando por uma espécie de caminho imaginário, longo em que não se enxergava o fim, Kim seguia o caminho com o braço em volta da cintura de Kathryn, e a moça esta com uma de suas mãos no ombro do rapaz.
— Dança comigo? – indagou Kim estendendo suas mãos trêmulas.
Kathryn apenas respondeu com um sorriso e então se aproximou de Kim, enrolou seus braços no pescoço do garoto enquanto ele descansou suas mão na cintura da garota. Era mais que uma dança, era um abraço, um adeus tão doloroso, que tornava aquele momento incrível, fantástico. Os dois sentiam o cheiro de que tanto gostavam, e jamais queriam deixar aquele abraço aquela dança aquele adeus.

"Não me deixe triste, não me faça chorar

Às vezes o amor não é o bastante

E a estrada fica difícil, não sei o porquê

Continue me fazendo rir

Vamos ficar chapados

A estrada é longa, nós seguimos adiante

Tente se divertir nesse meio tempo"

Acontece que os minutos estavam se passando, a música parecia estar se encurtando e as batidas do coração de Kim só aumentavam, ele agora chegava a apertar Kathryn enquanto escondia seu rosto, que estava deitado no ombro de sua amada meio escondido na sombra de seus cabelos. Aquele momento era lindamente desesperador, Kathryn tentava olhar nos olhos do garoto, mas ele parecia não querer, parecia não aceitar aquele olhar de forma alguma, mas a música que ambos ouviam estava a acabar e então a moça venceu.

Agora eles se olhavam, no rosto dele : lágrimas, no dela : um enorme pesar. Era o momento, algo devia ser dito.

"Venha e dê uma volta no lado selvagem

Deixe-me te beijar intensamente na chuva

Você gosta de suas garotas loucas?

Escolha suas últimas palavras

Esta é a última vez

Porque você e eu, nascemos para morrer"

— Eu amo você e de onde eu estiver eu vou te observar, você foi a luz da minha vida e tudo o que eu queria era...mais tempo. – falou Kathryn permitindo que as lágrimas deixassem seus olhos – mas não temos, acabou...Eu quero que você guarde com você esse meu desejo de estar com você só mais um pouco, desejo infinito, mas também quero que siga em frente...
— Cala a boca! Cala a boca Kathryn Lockwood! – gritou Kim – Eu te amo e eu não vou seguir em frente, eu não quero viver sem você...Você mudou a minha vida, e eu vou te esperar, vou até você no céu, no inferno, não importa...Só não me pede pra esquecer...Só não me pede o impossível...
O garoto falou essas últimas frase em total desespero. Kathryn o abraçou, para depois fechar os olhos e se entregar a um último beijo, um beijo infinito, um beijo longo, um beijo que não precisava acabar, não enquanto os olhos estivessem fechados...
...

off i go ( abrir no Spotify)
Mas Kim abriu seus olhos e agora estava de volta ao quarto de hospital, segurava a mão de Kathryn, o barulho da morte invadia seus ouvidos, aquele barulho que vinha do monitor cardiaco, ela estava indo embora e havia dois enfermeiros que tentavam o tirar dali, enquanto o médico prepara o choque de reanimação. O médico tentou uma vez, mas Kathryn não reagia, todos no quarto choravam em desespero. Mari abraçou Alex chorando, enquanto Martin abraçou Annie e também a mãe de Kathryn. Megan chorava encolhida em um canto do quarto. Liam olhou para Anthony e apertou a mão do garoto que chorava de forma contida.


“VOCÊ JÁ DISSE?
EU TE AMO!
EU NÃO QUERO VIVER SEM VOCÊ!
VOCÊ MUDOU A MINHA VIDA!
VOCÊ JÁ DISSE?
FAÇA UM PLANEJAMENTO! SE FIXE NUM OBJETIVO! TRABALHE! MAS DE VEZ EM QUANDO OLHE AO SEU REDOR, ABSORVA TUDO...PORQUE...A VIDA É ISSO...


O médico já havia tentando mais de 4 vezes, e o número no monitor ainda era 0...O som era constante e Kim havia deitado no chão onde encontrava-se desesperado chorando.
— Hora da morte : 2:45 da manhã... – disse o médico.

AMANHÃ TUDO PODE TER DESAPARECIDO...


OoO..

Obs:

1.Os trechos entre as cenas foram retirados da letra dá canção "born to die" dá cantora Lana del Rey.

2. O recurso que fez com que os personagens tivessem contato com Kathryn, teve como inspiração o episódio 22 da 6 temporada da serie The Vampire Diares.

3. As palavras finais usadas durante a morte da personagem Kathryn, foram retiradas de uma das falas narrativas do 24 episódio da 5 temporada dá série Grey's Anatomy.

4. Por mais que as inspirações tenham ajudado a construir o capítulo, o texto é original do autor, bem como enredo e toda a história.

Obrigado!