Resolvi de momento que iria levá-la na Galeria do Rock. Não ficava perto de casa, mais também não ficava longe. Iria valer a pena.

Procurei a chave do carro, e fomos o caminho todo ouvindo Avenged. Uma hora ou outra, trocávamos de musica.

Depois de eu quase arrebentar o meu carro na traseira de um Uno que estava tocando um funk, absurdamente alto, chegamos na galeria .

Estacionei o carro, coloquei ZONA AZUL e entramos .

Como podia ter tanta gente bonita em um lugar só?

Há um tempo, eu tinha prometido pra Tani, que iria dar uma blusa do Avenged e acabei que não dando.

Sempre que eu ia na Galeria, era pra eventos de tatuagens, comprar alargadores, fazer piercings, trocar meu shape, e obvio, comprar minhas blusas de bandas.

Envolvi meu braço sobre a cintura dela, e fomos caminhando diretamente para o Consolado do Rock, loja qual, eu sempre comprava roupas.

Acho que na Galeria, era o único lugar que você poderia ser quem quisesse que ninguém iria te discriminar ou ter preconceito.

As únicas pessoas, que ficavam olhando com cara de espanto para nós, eram os adultos, pais de crianças que ainda estavam conhecendo este mundo.

Na loja, deixei que ela escolhesse a blusa que quisesse. No canto direito do Consolado, tinha um lugar somente de roupas da VU e blusas normais da banda.

Ou tinha um sósia muito parecido com o Zacky ou eram os próprios viados , porque ela foi correndo em direção aos cabides.

Escolheu uma blusa da VU e uma preta e verde, que foi a que eu havia prometido. Almoçamos na praça de alimentação da Galeria.

Depois que já havíamos andado pela galeria inteira, e que estávamos cansadas resolvemos ir para casa.

Assim que entramos no carro eu fiquei a encarando. Me aproximei de seu rosto, fiquei olhando-a dentro dos olhos, levei minha mão ate sua nuca e comecei um beijo lento..

Não deu muito tempo e já estávamos em casa. Abri o portão e fui caminhando na frente, de momento percebi que estava andando sozinha, e como era de se esperar ela pulou nas minhas costas e fui levando-a pra dentro de casa.

Levei ela até o quarto, a soltei em cima da cama. Quando fui me levantar da cama, ela me puxou e começamos a nos beijar, um beijo lento porem quente. Sua língua tinha uma sincrônica perfeita com a minha, os movimentos se encaixavam como peças de um tabuleiro. Desci meus lábios até o seu pescoço, e comecei a beijá-lo. Entre os beijos, eu dava algumas mordidas e sentia suas mãos passearem por minhas costas, e me apertarem.

Fui levando minha mão ate sua barriga e colocando a mesma por dentro de sua blusa, mudei a direção e soltei seu sutiã.

Começamos a nos despir, e aquele calor de sempre foi tomando conta de mim, tomando conta do meu ser e do momento.

Nós estávamos fazendo algo, que provavelmente não seria a primeira vez dela muito menos a minha. Me sentia como se eu estivesse fazendo algo de errado e ao mesmo tempo, como se eu estivesse fazendo o certo, aquilo pelo qual se amanhã ou depois eu me recordasse eu não me arrependeria.

Ela estava deitada me olhando, sentei em suas pernas, me apoiando somente pelos joelhos em cima da cama, contraindo meu corpo para não fazer peso. Me inclinei por cima de seu corpo quente, deixando com que nossas testas ficassem uma encostada na outra. Mechas do meu cabelo caiam sobre o rosto dela e delicadamente e maliciosamente ela as tirava ao mesmo tempo em que me puxava para beijá-la.

Mãos que desciam e não subiam, gemidos incontroláveis e palavras sussurradas em meio a ofegancia de ambas. Costas arranhadas e cansaço foram o resultado daquela noite.

Na manhã do dia seguinte, acordei e fiquei a olhando e acariciando seu rosto, as cenas daquela noite não saiam da minha cabeça.

Realmente, aquela noite em comparação as outras , foi a melhor de toda a minha vida.

Sentei na beira da cama, me estiquei e peguei meu roupão, joguei ele nas costas, o amarrei e sai do quarto evitando ao máximo, qualquer tipo de barulho.

Luiza estava com seu namorado na mesa tomando café-da-manhã. – Pêra lá, são dez horas da manhã, Luiza esta acordada e ele esta aqui –

Não pude evitar um sorriso malicioso.

‘’ Parece que a noite não foi agitada só pra mim ‘’ Não consegui conter meus pensamentos.

Fui caminhando em direção a geladeira, peguei uma caixa de suco de maracujá e em seguida, ao lado da geladeira peguei dois copos. Tentei não encarar aquele ser que estava na mesa junto com ela, mais foi impossível.

- Bom dia pra você ! – Ele me surpreendeu

O encarei e concordei com a cabeça.

Em cima da mesa havia pães, frios, leite, bolachas... Tudo aquilo que não se pode faltar. Fiz dois pães os coloquei em um prato e contornei novamente a mesa, desta vez passando minha mão sobre os ombros da Luiza, como se fosse um ato de ‘’ Bom dia amiga ‘’

Ela riu, pois havia percebido que eu já tinha entendido o que tinha acontecido, conti meu riso e fui pro quarto. Coloquei o nosso café da manhã em cima da mesinha e pulei na cama para acordá-la.

- Acorda dorminhoca! – Comecei a gritar enquanto Le fazia cócegas .

- Hmm ! Me deixa dormir amor . – Resmungou

- Acorda vai princesa, trouxe café.

Ela sentou na cama me olhou com uma cara de como quem dizendo ‘’ vou te matar ‘’ e começou a comer.

Do outro lado da casa a Luiza e seu namorado estavam retirando a mesa. Acho que eles estavam se divertindo pois as risadas e gargalhadas eram altas.

Prato batia no copo, colher raspava no fundo do prato, e os barulhos continuavam. Aquilo não me incomodava, alias nunca me incomodou.

Já no quarto, eu e a Tani brincávamos com a comida. Eu havia pego uma taça com morangos cobertos por uma calda de chocolate.

Ela passou o morango com chocolate no meu nariz, deixando ele melado e grudento. Disfarcei e não mostrei que iria me vingar, quando ela se distraiu com a televisão, eu peguei o morango coberto por chocolate e passei na sua boca, no seu queixo, a deixando toda suja.

- Limpa agora ! – Ela tentou ser brava porem não conseguiu.

- Não. – eu disse em meio a risadas .

- Camilla ....

Tani tirou a taça da minha mão, colocando-a em cima do criado mudo, e segurando minhas mãos presas sobre a cama. Sentou nas minhas pernas e me obrigou que eu a limpasse.

Sentei de um modo que ela ficasse no meu colo, de frente pra mim, com as pernas presas em minhas costas.

Comecei limpando com um guardanapo seu nariz e seu queixo. Porem não estava dando muito certo, e ela ainda não havia passado a língua na boca pra que saísse o chocolate.

Segurei em sua nuca, a trouxe pra mais perto do meu corpo, e a beijei, de forma com que o chocolate de sua boca saísse.

- Amor ... – sussurei – Não quero que esse momento acabe, não quero ficar sem você por mais tempo.

- Eu sei amor, daqui a alguns meses eu estou de volta. Prometo.

- Só temos mais um dia. Uma noite. Amanhã já é Domingo.

Pensei em completar minha frase com ‘’ porem temos a vida toda ‘’ mas achei melhor não. Ficamos ali, sentadas se beijando por um longo tempo, trocando caricias, e como sempre aquele calor me subia.

Só ela tinha esse efeito todo sobre mim, era inacreditável.

Quando paramos e finalmente olhei as horas, já eram 13:50 da tarde. Resolvi que iria tomar um banho.