O Fim

5 Capítulo 4.2


Notas iniciais
Capítulo final

Uma grande luz se ascende entre os quatro. E, e um flash, eles se encontravam no meio do deserto de Nevada. Ao fundo de seu campo de visão, Las Vegas se encontrava no nascer do Sol. Morte fala:

– Posso me acostumar com esses poderes.

– Eu poderia me acostumar com roupas também. Caso não tenham notado. Estamos pelados... No meio do deserto... — Fome

Peste estala os dedos, e em seu corpo dourado brilhante surge um terno cinza chumbo. Em seu pulso, um Rolex 40 mm de aço e platina. Guerra olha para o amigo e fala:

– Quer ostentar agora?

– Sempre quis ter um Rolex. — Peste

– E eu sempre quis ter uma Lamborghini. — Morte

Ela dá dois passos a frente, e um vestido branco se materializa em seu corpo, dando contraste a sua pele cinza escuro. Ele vinha até a metade de sua coxa e deixava o ombro esquerdo visível. Seu cabelo, também branco se ajeita em uma trança única que ia até a cintura. Em seu terceiro passo, uma Lamborghini Aventador LP 700-4 negra surge diante dela. Morte abre a portado carro e senta no motorista. Ela olha para seus amigos e fala:

– E então, o que estão esperando?

Guerra bate as mãos no peito para criar um terno negro e um óculos escuro de lente redonda. Ele passa dedo em uma das pernas do acessório para escrever “Prada”. Ele vai em direção ao carro junto com Peste. Fome, ainda nu, se manifesta:

– Só eu não recebi o catálogo?

– Relaxa cara. Pode deixar que eu dou um jeito nisso. — Peste

O Senhor da Pestilencia dá um tapa no peito de seu amigo. Criando um terno vermelho vinho com uma camisa branca. Fome olha para aquilo e fala:

– Virei vendedor de carros usados agora?

– Perai! Dexa comigo! Vai ficar melhor! — Guerra

O Arauto da Violência estala os dedos e o terno passa a ser de veludo. Guerra, Peste e Morte riem enquanto Fome fala:

– Meu Deus. Vocês são gênios de humor. Vão à merda!

Fome bate no terno. Transformando-o em um colete escuro, sobre uma camisa branca. Ele dá um toque final colocando um chapéu panamá creme. O Flagelo da Humanidade vai até o carro perguntando:

– Essa Lamborghini só tem dois lugares não é?

– Leia meus lábios de “Foda-se”. — Guerra

Fome senta no banco do passageiro, e Guerra e Peste fazendo com que o carro fique com quatro lugares. Obtendo assim um assento. Morte fala enquanto ajusta os espelhos:

– Então garotos? Vamos para onde?

– Caesars Palace. O que mais podemos fazer em Las Vegas de dia? — Peste

– Hmmmm... Desviando do assunto. Mas estou com muita fome. — Fome

– Nossa, eu também. — Guerra

– Então vamos pro Caesars Palace caralho! La a gente pega a suíte presidencial e come alguma coisa. — Peste

– Partiu então gente? — Morte

– Partiu. — Guerra, Peste e Fome.

No caminho, é possível ver as ruas de Las Vegas parcialmente movimentadas. A vida nos Estados Unidos havia mudado muito desde quando um governo mais forte e autoritário entrou no poder. Mas, no final das contas, era apenas mais um Republicano.

Eles chegam ao Caesars Palace e param seu carro para o valete colocá-lo na garagem. Quando eles saíram do automóvel, todos a sua volta, fossem eles funcionários ou hóspedes, os encaravam devido as suas peles. Ao entrarem no hotel, vão até o galpão fazer o check-in. Guerra estava segurando uma maleta prata. Até que Morte se vira fala:

– Percebeu que estamos chamando um pouco de atenção?

– Sim, mas quando virem o que tem aqui dentro, nem vão reparar em nós. — Guerra

– Falando nisso, de onde você tirou isso?

Guerra para de andar, tira os óculos e retruca:

– Da onde você tirou aquele carro?!

– Não foi isso que eu quis dizer idiota! Quis dizer o que tem ai dentro.

– Então você deveria ter perguntado o que tinha dentro da maleta, não de onde ele a tirou... Por que são perguntas com respostas diferentes e... — Fome é cortado por Morte

– Eu juro que se você não calar a boca, eu te mato.

– Pessoal, vão resolvendo isso ai. Eu vou pegar água naquele bebedouro. — Peste

– Perai, eu vou com você. — Fome

– Ok... O que tem na mala? — Morte

– Você vai ver. — Guerra

Os dois chegam ao balcão, a atendente os encara com medo, e um pouco de nojo. Antes de Guerra se manifestar, ela fala:

– Sinto muito senhor. Mas estamos sem quartos.

– Ok, mas eu quero a suíte presidencial. — Guerra

– Creio que não será possível senhor. Pode, por gentileza, se retirar agora?

Guerra abre a maleta e, em seu interior, haviam centenas de milhares de dólares. Tudo separado por tufos de notas de cem. Ele pega um desses tufos e fala:

– Mas que pena. Creio que eu terei que ir embroma então. E levar comigo essa quantidade ridiculamente grande de dinheiro vivo. E também terei que levar meu carro, cujo porta-malas tem muito mais desses.

Guerra joga o dinheiro novamente na maleta, a fecha e continua:

– Mas, por que estou insistindo? A madame já disse que não tem mais quartos. Creio que só resta ir embora agora.

Ao ameaçar sair, a recepcionista o chama novamente. Ela completa:

– Creio que a suíte presidencial está disponível sim, senhor!

– Muito bom minha linda! Era isso que eu queria ouvir! — Guerra

– Devo colocar em que nome a suíte?

– Hmmm... Pergunta difícil... — Morte

– Guerra. Pode colocar Guerra. — Guerra

– Tudo bem então... Sr. Guerra, pode me acompanhar com seus convidados até o quarto. Tem alguma bagagem?

– Não senhora. — Morte

Guerra se vira para chamar Fome e Peste. Ambos estavam assustando os ilustres hóspedes do hotel/cassino. Guerra os chama:

– Ow. Bora.

– E ae? A suíte nos pertence? — Peste

– A suíte nos pertence cara! — Guerra

– Então vamo porra! — Fome

– Oh criatura hediondamente burra! Essa gentil senhora está nos levando para lá. — Guerra

– Então vamos lá né?! Vai ficar aqui no saguão fazendo nada!? — Fome

– Cala a boca vai. Terno de veludo pra você. — Peste

O colete com a camisa branca se transformam novamente em um terno de veludo, cor vermelho vinho. As pessoas ficam estupefatas, e ate mesmos receosas, com suas faces estampadas um olhar de medo. Morte percebe tal sentimento nessas “testemunhas” e fala com voz alta:

– Vocês estão em Las Vegas, e isso ainda os impressiona?

O olhar assustada dos hospedes se transforma em um tom de vergonha própria. Alguns até esboçam uma risada, como quem diz: “É, foi um bom truque.” Um grupo de senhores com idade mais avançada no fundo do saguão ainda comentam:

– É, isso ai não é nada. Ontem mesmo vi um cara tirar um helicóptero de uma caixa de vidro!

Fome vira-se para Morte e fala:

– Genial. Você merece um prêmio por essa.

– Eu só quero que você tire essa roupa ridícula quando chegar no quarto. — Morte

– Ah... Ta bom então...

Eles seguem a recepcionista pelos corredores do Caesars Palace. E, no último andar, estava a suíte presidencial. A mãe de todos os quartos. O Um Aposento para todos governar. O cômodo te recepcionava com um corredor de colunas dóricas, em seu centro havia um sofá em forma de “U” com uma TV de tela côncava com 90 polegadas. No canto dessa mesma parte do quarto, havia uma banheira de hidromassagem. Isso é apenas parte do aposento, uma ínfima parte. A recepcionista fala para eles:

– Bem, existe alguma coisa que os senhores queiram?

– Se não for muito incomodo minha linda. Acho melhor você anotar. — Guerra

A recepcionista tira um bloco de notas do bolso e completa:

– Podem falar.

– Perfeito, primeiramente queremos um isqueiro estilo maçarico. 8 maços de Marlboro vermelho. 300g de cocaína. 500g de ganja e um LP do Pink Floyd. — Guerra

– Certo... O senhor sabe que algumas das coisas na sua lista são ilegais, não?

Guerra suspira e continua:

– Peguei pesado no Pink Floyd não é? Pode ser The Cranberries então… Ou até um Bob mesmo…

– Não senhor, a cocaína e a maconha. Elas são realmente ilegais, não dá ir comprá-las na padaria.

Guerra tira uma bolada de dinheiro do bolso do terno e entrega nas mãos da recepcionista.

– Eu acredito que sejam mesmo. Mas se você nos ajudar, nós também te ajudaremos. — Guerra

– Entendido senhor! Algo mais.

– Agora é a minha vez, sai dai. — Fome

Fome empurra Guerra da frente da recepcionista e pega a palavra para si:

– Todo bem. Pode anotar ai. Um prato de frutos do mar jumbo, um file T-bone quase vivo de 500g. Quatro capuchinos, 2 garrafas de Coca-Cola 2L, outro file T-bone e 6 dos maiores carrés de carneiro com molho de hortelã árabe.

– Algo mais?

– Um omelete também ia ser bom.

– Ow! Pede também champagne pra caralho! E dois barris de cerveja! Uma escura e uma clara! — Peste

– Pode ser mais específico com o tipo do champagne? E a quantidade dele também...

– Hm...Pode ser Chandon. A quantidade é pra caralho.

– Desculpe senhor... Mas eu preciso de uma quantidade mais especifica.

– Vou confiar na sua noção de pra caralho. Além disso ia ser muito bom umas 10 garrafas de Vodka Stolichnaya. E subintende-se que, como eu pedi o número de vodcas, o número de champagnes tem que ser maior. Pois, pra caralho é maior que 10. — Peste

– Certo... Estou anotando tudo. Vão chegar alguns convidados? Por que dai eu precisaria dos nomes...

– Sim, virão convidados. E, como uma pessoa que vive aqui, espero que saiba quem convidar. — Morte

– Como?

– Após as 20hrs queremos este quarto repleto das mais belas moças e rapazes. Como sendo uma pessoa que vive aqui em Las Vegas, espero que saiba quem convidar. — Morte

– Ah. Entendi! Pode deixar. As drogas comida e bebidas pode trazer agora?

– Traga nessa ordem a partir de agora. Comida/Cigarro/Bebida e depois as drogas. — Fome

– Ok. Daqui a pouco mandarei trazer seus pedidos. Com licença.

– Toda. — Morte, Peste, Guerra e Fome

Logo após a recepcionista deixar o quarto, Peste tira suas roupas e entra na hidromassagem. Fome fala:

– A gente acabou de sair de uma termas. Qual é o tesão da hidromassagem agora?

– Você vai ver o tesão com a caralhada de champagne que eu pedi e com essa fodendo TV estupidamente gigante! — Peste

– Hmmmm... Bem pensado. Falando nisso, por que nós pedimos o que queríamos, em vez de, simplesmente materializar qualquer coisa? — Fome

– Qual seria a graça nisso? Se houver alguma coisa que nós não possamos comprar, nos a criamos, não tem erro. — Guerra

– E, você não acha muita sacanagem ficar fazendo a recepcionista de boba, com um dinheiro que ela nem vai ter a chance de usar? — Peste

– Nem um pouco. — Guerra

– Imaginei. — Peste

– Ah, vamos recompensá-la de algum jeito pelo menos. Nem que ela cole aqui e beba pouco com a gente. — Fome

– Pode ser. Mas agora só quero deitar nesse sofá maravilhoso e relaxar. — Guerra

– Ótima ideia. — Morte

Após alguns minutos eles recebem sua refeição, junto aos seus amados cigarros. Um século não podendo fumar, pelo simples fato da ausência de boca. Quando o relógio começa a chegar perto das 20hrs, a recepcionista entra no quarto e os avisa:

– Sinto muito, mas creio que não será possível a presença dos seus convidados.

Os efeitos dos narcóticos já ingeridos sessam, conforme a vontade deles de entender a justificativa da mulher cresce. Morte pergunta:

– Posso saber o por que?

– Se puderem me acompanhar, seria mais fácil de explicar.

Ela os acompanha até a sacada do quarto, de lá, ela aponta para uma grande caminhonete na rua, que estava estranhamente vazia. Ela completa:

– Eles estão fazendo ronda hoje. É uma coisa de moral e bons costumes. Sei lá. Mas as pessoas que costumam sair não são mais vistas.

– E a polícia? Ela existe por aqui? — Fome

– Então... Eles são a polícia.

– Ahhhhh! Eu não vou deixar uns caipiras com espingardas que não conseguem verbalizar três palavras corretamente, me privar dessa noite maravilhosa. — Guerra

– É... Também não to afim de ficar aqui no quarto a noite inteira. — Peste

– Vocês não entenderam. Eles matam as pessoas que saem a noite nos dias que fazem ronda. Eles vão matar vocês e seus corpos não estarão nem em seus funerais. E nem todo dinheiro do mundo vai pagar eles.

– Ah garota... Você não faz ideia de com quem estalidando aqui... — Morte

– Então, vamos do que? — Fome

– Acho que conseguimos nos livrar deles sem armas. — Peste

Eles descem até o saguão do hotel completamente vazio. Ao saírem na rua, ouvem o som de pneus cantando, e caipiras berrando enquanto atiram. Nossos heróis ficam no meio da rua, apenas esperando. Após alguns instantes, os ditos “homens da lei” aparecem. Eles freiam a caminhonete próximos aos Lordes do Fim, haviam cerca de 7 pessoas no carro. O teto solar abre, e um homem magro sai dele, expondo somente metade do corpo. Ele vestia uma camisa branca e o boné vermelho escondia o cabelo loiro parcialmente. Ele fala com voz alta e em tom de boche:

– Olha isso. Meu Deus, esses retardados estão ficando cada vez mais burros! Tão achando que é halloween pra pintar o corpo assim?! Ou são só putas que curtem umas coisas estranhas?! Vocês são novos, então vamos aliviar. Os caras podem sair, se essa vadia com vocês entrar no carro e não falar nada.

Ele aponta um rifle para eles e continua:

– Então? O que vai ser?

Peste dá um passo a frente, o policial continua:

– Ahhh, então a bixa dourada quer morrer primeiro! Que seja!

Peste estende as mãos até a altura do peito, logo depois elas ficam negras. Durante esse processo, crescem bolhas de pus no rosto do homem armado. Ele grita de dor e sai do carro, sua pele começa a desmanchar entre os músculos. Os outros ficam alvoroçados enquanto seu companheiro se debatia no chão. Peste anda até o homem se debatendo. O chão já ficara manchado com o sangue e pele liquefeita, processo possível graças aos milhares de fungos e bactérias que Peste convocou. Os seus companheiros descem do carro afoitos, e atiram no cavaleiro das pestilências. Mas nenhum projetil tem a permissão de acertar aquele que tem a proteção da Guerra.

Os olhos de Fome se tornam vermelhos, ele abre a boca e suga algo dos policiais. Não é a alma, ou a felicidade, ele suga algo físico. Ele drena a saúde deles, sua juventude. Até só sobrar a carcaça moribunda e cadavérica, do que um dia foi um ser humano.

Morte apenas colhe as almas, não os quer em nenhum mundo pós-morte. Ela tira um abajur de lava de sua bolsa e coloca as almas deles nesse artefato, que agora brilha em um verde-claro penetrante.

Quando Peste chega ao corpo do homem que escolheu para torturar, este estava quase morto, não tinha forças para se debate, apenas gemia de dor. Peste se ajoelha e fala em seu ouvido:

– Não devia te chamado minha amiga de vadia...

Guerra ri, Peste se vira e fala:

– Só falta você agora!

– Agradeça a mim por essa sua bunda dourada não receber nenhum tiro! — Guerra

– Ahhh... Que se foda. Vamos entrar. Quero chapar de novo. — Fome

– Sabias palavras amigo... Sabias palavras... E ainda ganhamos esse lindo abajur. — Morte

Eles entram no hotel e falam para a recepcionista chamar os convidados novamente, que desta vez não teria problema. Ela se espanta com o simples fato deles estarem vivos e chama os convidados, em poucos minutos eles chegam.

A festa se estende até fora o hotel. Haviam encaixado o abajur de almas no cômodo principal do quarto, fazendo que todo o recinto fique verde. Quem não estivesse chapado demais para reparar, era possível ver as almas se debatendo, na sombra que faziam nas paredes.

Eles dançam, bebem, cantam, como se fosse a última festa de suas vidas. Eles não dormem, e passam os últimos instantes da noite no terraço do hotel. Ao fundo, na linha do horizonte, já é possível ver os primeiros raios de Sol da manhã. O céu fica vermelho alaranjado, como nunca tinha ficado antes. E, em uma troca de olhares, sorriem um para o outro. Até que uma grande bolha luminosa os engloba e os leva para longe…

O Fim.

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