O Filho do Inventor
42 Capítulo 42
Notas iniciais
Naquela noite, Luma não teve um sonho.
O que foi um alívio. Depois de tanto tempo parada, forçada a assistir à sua melhor amiga sofrendo, a última coisa que queria era sonhar novamente. Então simplesmente adormeceu e não viu nada. Nem um vislumbre, nem uma frase. Nada aconteceu. Apenas dormiu.
Na manhã seguinte, acordara tão levemente que mal podia acreditar. O cheiro de brownies ainda tomava a casa. Abaixo da janela, em uma cômoda, dois vasos. Um com hortênsias cor-de-rosa, outro com petúnias brancas, com o centro amarelo. Na cômoda também havia vários envelopes, um porta-retrato com uma foto sua entre sua mãe e Bruce, seu iPod, agora descarregado depois de tanto tempo usado, um prato de brownies e, encostada na lateral da cômoda, a nova guitarra.
Será que queria mesmo deixar tudo aquilo para trás?
"É. Acho que sim.", pensou. Sentia mesmo falta de seus amigos, sabia que era necessário treinar e conhecer melhor seus poderes. Também sentia falta de esfregar na cara de Annie que era sim melhor que ela, afinal, Annie não sobreviveria a Sangue de Górgona, meses em coma, ser sufocada com um chicote de Couro de Grifo e ainda por cima ter de ver toda sua família e amigos serem trucidados em visões cruéis.
Éris, dissera Adam. Annie era filha de Éris. Tudo o que sabia sobre ela era que era a deusa da discórdia e do Caos, e que era conhecida como Mãe dos Males por ser mãe de todos os deuses dos principais males. Pois é... Não era uma inimiga fácil. Annie agora representava ameaça, talvez até perigo.
Engraçado... Isso a lembrava da profecia... Mas a parte da mulher que representava perigo era sobre Ártemis e, vamos nos lembrar de que Annie nunca fora útil a ninguém.
Se bem, que havia a parte sobre alguém que era ameaça. A filha de tudo que já fora desejado.
E se...?
Luma foi, furtivamente ao quarto dos pais. Já haviam acordado (Não é pra tanto, pensou ela, olhando o relógio no criado-mudo de sua mãe, já passa das treze horas.). Procurou pelo lado esquerdo da cama e do guarda-roupa, o lado de Bruce. E, finalmente achou seu notebook. Era apenas para trabalho e Luma não sabia como mexer naquilo direito. Claro, poderia atrair monstros, mas não queria pensar nisso agora. Tudo o que queria era esclarecer mais um verso daquela maldita profecia.
Então ligou-o.
Procurou na Internet: "Éris, mitologia grega".
Após aproximadamente 20 minutos, ainda não tinha achado nada sobre tudo o que já fora desejado. Não se arriscou a passar mais tempo ali, alguém poderia vê-la. Então, simplesmente desligou o computador e voltou ao seu quarto. Trocou de roupa e olhou-se no espelho. Usava o mesmo do dia anterior, a camiseta do Metallica, o jeans skinny preto, meio surrado no joelho esquerdo e na coxa direita, quase rasgando; suas meias favoritas (azuis com um pinguim na lateral. Sim, vergonhoso) e seu Converse preto de cano médio — o mais velho que pôde achar. O pescoço não estava mais tão vermelho, mas ainda carregava uma leve marca, como quando você deixa um elástico de cabelo muito apertado em seu pulso. O cabelo, mais comprido que antes de um lado e, do outro, raspado perfeitamente. Aparentemente, o médico que o fizera era cabeleireiro nas horas vagas. Só se fosse para ter ficado tão bom.
Graças à hidratação que fizera no dia seguinte, seu cabelo estava sedoso e brilhante, praticamente liso quase até o quadril. Estava mais escuro que se lembrava. Teve uma ideia então, afinal, ainda tinha um dia para voltar ao Acampamento.
– Mãe. — chamou, de seu quarto
Sheri subiu e perguntou, sorrindo:
– O que foi, querida?
– Preciso que você me ajude. — Luma respondeu, também com um sorriso, mas não um sorriso simpático como o da mãe, um sorriso quase travesso, ansioso.
Duas horas depois, seu cabelo tinha mechas verdes, em parte aleatórias do comprimento.

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