O Filho do Inventor
40 Capítulo 40 - Luma
Notas iniciais
Depois que Adam saiu, continuei extremamente feliz, embora em coma.
E, como estava em coma, voltei a sonhar. Fui para o lugar onde já estava, meu quarto no South Nassau Communities Hospital. Era estranho me ver deitada ali. Espera aí! Eu podia me ver. É... Pura educação de Adam dizer que eu estava ótima. Claro, eu até que estava bem para alguém que está em coma há dois meses sem sol, maquiagem, se alimentando pelas veias... Mas ótima? Não. Eu não estava ótima.
Entendi porque sonhei com meu próprio quarto quando alguém tocou meu ombro e, instintivamente, virei-me para olhar. Era incrível, mas eu estava me mexendo! Que alívio!
Mas virar-me e vê-lo ali me surpreendeu mais que o fato de que agora podia me mexer novamente. Era Jeremy. Jeremy Skies estava me visitando.
– Luma. — sorriu ele, me abraçando
– J-Jeremy! O que faz aqui?
– Te visitando, oras. Sua mãe me ligou, disse que você estava em coma e me pediu para fazer uma visita.
Ok, eu ainda achava muito estranho isso de Jeremy e minha mãe se conhecerem, terem o telefone um do outro...
– Ah, ok.
– É, mas a segurança no Acampamento Júpiter... Aliás, você ficou sabendo que também sou semideus?
– Fiquei sim, Isabel contou a Audrey, que me contou logo em seguida... Mas eu achei que nunca mais fosse te ver. — eu estava horrorizada, claro. Como não poderia estar?
– Pois é, eu também. — ele sorriu, aliviado — Mas consegui com que ela mesma, Audrey, induzisse meu sono até você.
– Espera, como assim Audrey?
– Ela é filha de Nix, que é mãe de Hipnos. E, pelo que soube, nestes dois meses ela andou aprimorando seus poderes a ponto de conseguir fazer isto. Me trazer aqui. Lembrei-me dela e lhe mandei uma mensagem de Íris, que aprendi com Hedge, e lhe pedi este favor.
– Hum... Então você também está sonhando?
– Sim. — após um segundo, disse: — Ah, Luma, é um alívio te ver! Tanto tempo... Tanto tempo.
E me abraçou novamente. Admito, estava com saudades daquele abraço.
– Ah, e trouxe isso para você. — ele foi até o lado de fora e voltou sorrindo, com um buquê gigantesco de hortênsias cor-de-rosa
– Obrigada. — sorri de volta e, por um momento constrangedor, estávamos sorrindo um para o outro
Peguei o buquê de sua mão, voltando minha atenção para ele, para acabar de vez com aquela troca de olhares.
– São lindas. Mesmo. Obrigada. — sorri novamente, sem poder evitar o constrangimento
– Senti tanto a sua falta, Luma. Você continua linda, mas está diferente... Está mais... Mulher, — e acrescentou rápido, sem graça: — não sei. Está perfeita, como sempre. — ele não para de sorrir, droga
– Obrigada, Jeremy. De verdade. Você também está... Bem, incrível, como sempre. — admiti sem graça, sorrindo, o que me arrependi de fazer no segundo seguinte, quando ele me beijou.
Num primeiro momento, correspondi. Afinal, eu também senti sua falta. Mas depois Adam veio à minha cabeça e eu fiquei simplesmente desesperada. Desesperada para sair dali, para conseguir afastá-lo sem parecer rude ou sem deixar transparecer que não queria mais nada com ele.
Ele se afastou um ou dois centímetros e disse, ainda de olhos fechados:
– Não se preocupe, voltar está nos meus...
Mas não terminou porque saí do coma. Quer dizer, foi totalmente inconsciente. Não fui eu que fiz aquilo. Comecei a me sentir puxada de volta ao meu corpo, à minha dimensão. Então abri os olhos e me levantei num pulo, ofegante, com a visão ofuscada pela luz do quarto. Aos poucos, me acostumei com o ambiente. Quiet Riot tocando no meu iPod, as lindas petúnias de Adam, ao lado das hortênsias de Jeremy, a televisão ligada no meu desenho favorito, Apenas Um Show.
Tudo estava tão bem... Tentei me levantar. Com sorte, consegui sem cair, bater a cabeça e voltar ao coma. Mas comecei a me mexer de uma forma totalmente desastrada. Afinal, dois meses parada não ajudam ninguém a se mexer mais graciosamente.
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