O Filho do Inventor
29 Capítulo 29 - Ângelo & Isis & Jeff
O vento passou a soprar mais forte, como se uma tempestade fosse começar de repente. As árvores de tronco mais fino se entortavam e folhas rodopiavam por todo e qualquer lugar vazio. Quatro jovens muito bonitas surgiram da mata, sem expressão. Duas de cada lado, Ártemis surgiu no meio. Diferentemente das Caçadoras, que tinham a postura de heroínas de histórias em quadrinhos, a deusa vinha mais casual.
– Ora, ora... Vocês novamente. Resolveu tornar-se Caçadora, Isis? — disse Ártemis, com deboche
Isis deu um risinho fraco.
– Nunca.
– Eu lhe chamei senhora.
Ártemis olhou-a com uma expressão estranha. Claramente, algo em Fran a incomodava. Pareciam compartilhar de um segredo, pois a garota também parecia nervosa.
– Você — Ártemis pigarreou — quer se tornar uma Caçadora?
– Não, senhora — interrompeu Ângelo — Na verdade...
–Ângelo... — Fran o cortou e encarou com os grandes olhos castanhos — S-sim, senhora.
Todos se mostraram confusos. Fran deveria invocar a deusa apenas para que pudessem convencê-las a ajudá-los na missão. Porém, Ártemis continuou:
– Pois bem... Repita comigo: Eu me comprometo com Ártemis...
Fran respirou fundo e fechou os olhos, repetindo:
– "Eu me comprometo com Ártemis"
– ...Dou as costas para a companhia dos homens... — continuou Ártemis, indiferente
– "Dou as costas para a companhia dos homens"
– ...Aceito a virgindade eterna...
– "Aceito a virgindade eterna" — a voz da garota tremia
– ...E me junto à Caçada.
Ela respirou fundo novamente e abriu os olhos. Olhou em volta, para as Caçadoras, para a seriedade que aquela vida parecia levar. Ela parecia ter medo.
– "E me junto à Caçada." — repetiu por fim
– Pronto. Quando estiver pronta para começar, vai saber onde nos encontrar.
Silêncio reinou. Nada parecia diferente. O drama daquele ritual de passagem todo pareceu brincadeira de criança pelo fato de que nada havia mudado, a não ser que o vento havia diminuído.
– É isso? — perguntou Fran, menos nervosa
– Sim. Posso ir agora?
– N-não, senhora Ártemis. — disse Ângelo, novamente
– Já sei. Querem ajuda de novo, não?
– Na mosca. — admirou Isis
– O que faz vocês pensarem que eu ajudaria uma filha de Hermes, um homem e um sátiro?
– Bom... — Ângelo deu um passo à frente — Nós só pensamos que, talvez, você pudesse ser tão prestativa como foi no começo com eles. Acabou ajudado tanto na missão, quanto à mim.
– Também pensamos que você fosse contra toda esta guerra entre Afrodite, Hera e Atena.
– Por que pensaram isso? Eu não dou a mínima para esta briguinha banal.
– Sério? — Isis não se mostrou muito surpresa, agia como um advogado — Bom, vou mostrá-la o outro lado da coisa, quem sabe possamos negociar, então. — pigarreou — Se der tudo errado e elas acabarem lutando, é o fim do mundo mortal.
– Sim. E a minha vantagem nessa história? — Ártemis cruzou os braços
– Simples, se não houver mundo mortal é o fim da caça e da Caçada. Vai querer caçar monstros aonde? No Olimpo? E sozinha? Acho que não... — Isis sorriu
Uma das mão de Ártemis foi a seu queixo.
– Agora vejo seu ponto, garota. — Ártemis pareceu surpresa — Uma filha de Hermes não poderia negociar mal, afinal.
– E então? Vai nos ajudar? — Isis sorria
– Bom, ainda pensarei. Mas vocês têm um bom argumento.
– Pense nisso. — a filha de Hermes piscou
Ártemis sorriu e desapareceu em fumaça com suas Caçadoras.
– Uau, Isis! — exclamou Jeff — Vejo que o tempo que perdemos cheirando plantas foi útil para algo. Boa construção de argumentos!
– Obrigada. — disse, convencida
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