O Filho do Inventor
27 Capítulo 27 - Ângelo & Isis & Jeff
Então lá estavam os três, enfiados na mata assistindo Jeff farejar as coisas em busca de rastros de Ártemis. A aproximadamente cada dois passos ele parava, cheirava um árvore e continuava. De nada adiantava toda esta "cheiração", até agora não haviam achado nada. Isis e Ângelo seguiam resmungando atrás de Jeff que repetia "só estou tentando ajudar" e "é o único jeito". A caminhada estava em segundo lugar de chatice da missão. A primeira foi, com certeza, a primeira caminhada deles. Quando partiram do Acampamento ao nada, até que encontraram Ártemis e, depois o posto de Ângelo, onde tudo se animou.
Alguns metros à frente, um arbusto se mexeu. Era alto e extenso. De um pouco mais de um metro de altura e 4m² de comprimento. Na metade de sua extensão, algo se mexeu. Mas não foi como um roedor qualquer escondendo-se da presença do homem. Foi mais como um jacaré se preparando para atacar.
Eles ficaram em silêncio. Isis desembainhou a espada de bronze celestial, atenta para qualquer outro movimento. Após alguns segundos inúteis encarando a folhagem, Isis decidiu avançar. Um passo... Dois... Dois e meio e Ângelo já havia metido o braço em sua frente.
– Deixe que eu vou. — sussurrou
Ela gostava de ser a durona, mas amou o jeito em que ele se preocupou com ela. Ângelo tomou-a a espada e o caminho. Seguiu cauteloso, à espreita. Dois metros à frente, se esticou para ver se conseguia avistar algo. Tudo que viu foi um borrão laranja abaixo dos galhos finos. Roedor e jacaré ambos descartados, engoliu em seco com a possibilidade de ser algo pior. Um monstro, com certeza um monstro.
Mais um metro. Estendeu o braço e a espada de um metro e pouco para afastar a folhagem do local. O que quer que seja, era um bicho inteligente, pois apenas o centro dos arbustos estava vazio, abaixo de uma camada de folhas muito verdes. Então a ponta da espada atingiu a camada de galhos. Zeloso, Ângelo afastou-a. E, cara... Aquilo não era um monstro. Nem de perto.
Era uma garota. Mais baixa que Isis (como a maioria delas) e mais alta que Audrey (só Luma que não era). A pele aveludada era quase negra, alaranjada. Dava a impressão de refletir a luz. Os cabelos muito cacheados e bagunçados entre o dourado e o vermelho intenso, que brilhavam em rosa. Ela tinha olhos duros e expressivos, de um castanho profundo, quase verdes. Em contraste, o rosto era delicado e não escondia uma pequena garota frágil como os olhos eram capazes de fazer. Os lábios carnudos eram vermelhos ao natural. Eles só tinham esta certeza (de estar ao natural) porque a garota estava toda suja e machucada. Tinha folhas nos cabelos, arranhados na face e rasgos nas roupas — aliás, o laranja vinha de sua camiseta listrada com preto. A pior parte é que ela estava de shorts. As pernas estava todas raladas e os shorts sujos de tanto sentar na terra. Não carregava mochila, mas dava pra ver que fizera uma bom trabalho se mantendo ali.
Concordaram sem saber que nada poderia representar o Outono melhor do que aquela garota.
Ela se levantou e os olhou desconfiada.
Ângelo encarou os colegas, perguntando silenciosamente o que fazer ali, naquele momento.
– Hã... Oi? — disse, virando-se novamente para ela.
– E aí? — disse, não muito contente
– Está perdida?
– De forma alguma. Estou aqui a tempo o suficiente para conhecer o local.
– Há quanto tempo está aqui? — perguntou Isis, casualmente
Ela deu de ombros.
– Semanas, não sei, não tenho como.
– E se mantêm sem água ou comida?
– Fala sério, olhe em volta. — ela abriu os braços, apontando — Isso aqui é um supermercado natural... E de graça. — e pela primeira vez ela sorriu. Por meio segundo, mas sorriu.
Após olhar ao redor, como proposto, Ângelo aproximou-se dela.
– E... Qual o seu nome?
– Sou Fran. Fran Finnegan.
– Prazer. Ângelo, Isis e Jeff. — apresentou ele
– Prazer. — sorriu novamente
– Você... hã... Precisa de ajuda?
– Parece que eu preciso? — ela bufou
– Bom... Hã... Não?
Ela movimentou uma das mão, um gesto de "mais ou menos".
– No fundo, no fundo, eu preciso sim. Mas eu me viro se não estiverem dispostos.
Os três se olharam. Por que ajudariam uma mortal no meio da mata e de sua missão?
– É... Na verdade... Nós temos de te ajudar. — afirmou Jeff
Interrogação estampou-se no rosto de Fran.
–Você é uma meio-sangue. — terminou Jeff
Como sátiro, ele tinha a habilidade de farejar semideuses também, não só deusas feministas, bipolares, lindas e perigosas.
Ela bufou e revirou os olhos.
– Tem ideia de quantos garotos-bode já vieram me dizer isso?
Eles se surpreenderam. Então ela estava o tempo todo enxergando as pernas peludas de Jeff, a espada na mão de Ângelo...
– Muitos? — sugeriu Isis
– Sim.
– Mas eu nunca senti o seu... Tipo de cheiro antes. — Jeff pensou alto
Não era o tipo de coisa que se dizia às pessoas.
– Como assim?
– Você cheira quase como ela. Como se estivesse distante. Foi assim que fui atraído para cá.
– Mas Ártemis não tem filhos. — lembrou Isis
– Mas tem abençoadas. — disse ela, dando ênfase ao gênero da palavra
– Explica a beleza. — suspirou Jeff
– Bom... De qualquer forma, deve vir conosco. — disse Isis
– Devo, é? — perguntou, irônica — Estou muito bem aqui. E meus pais me achariam no Hotel.
– Hotel? — interrogou Ângelo
– Acampamento, você quis dizer? — sugeriu Isis
– Sim! Exato.
– Ta, e qual o problema em seus pais te acharem? Você fugiu?
– Não, eu fui expulsa.
– Expulsa por quê? — indignou Isis
– Longa história. — disse Fran, indiferente
– Como protetor dos semideuses nesta missão — começou Jeff -, sou obrigado a zelá-los e atendê-los. Então, basicamente se nos seguir, tenho de fazer o que você pedir, a não ser que seja "deixe-me morrer", isto eu não posso.
– Eu não quero serviçais.
– Ai! Não! — Jeff pareceu ofendido — O que estou querendo dizer é que eu não poderei deixar que seus pais te levem de volta, ou qualquer coisa assim se for este o seu pedido.
Ela pareceu pensativa. Andou para fora dos arbustos, seguida por Ângelo.
– Quer saber? Acho que estarei mais "segura" deles com vocês do que aqui, onde outro menino-bode pod...
– Sátiro, aliás.
– ...Onde outro sátiro– corrigiu-se — pode aparecer e resolver me levar para casa à força.
– Então... Está com a gente?
– Totalmente. — e ela sorriu pela terceira vez
E assim, a caminhada seguiu, com uma equipe maior. Foram conversando e aprendendo uns sobre os outros enquanto Jeff continuava farejando tudo.
– Ei, Jeff. — chamou Isis
– Se for pra reclamar de novo, eu...
– Não. Só queria saber... Este é o único jeito de falar com Ártemis?
– É, sim. Tenha paciência. Quer dizer, a não ser que você tenha guardado o panfleto da Caça.
– Ah, isso é útil? — ela fuçou a mochila — Toma aqui.
– Está de brincadeira? Já estaríamos lá se você tivesse lembrado disso.
– Ou se você tivesse dito sobre isso antes. Como eu deveria saber sobre como falar com Ártemis? Francamente, Jeff...
– Ok, ok. — interrompeu Ângelo, apartando a discussão — Problema resolvido. Vamos chamá-la e ponto.
Jeff pegou o panfleto.
– Bom, nem eu nem Jeff podemos tentar, já que somos odiados pela Senhora Ártemis... — ele estendeu o panfleto para as garotas novamente — Então qual das duas quer fazer as honras?
Isis e Fran se entreolharam.
– Bom, eu já sou odiada por ela, enquanto você tem a bênção dela. — argumentou Isis
– Tem razão. — Fran pegou o panfleto — O que devo fazer?
– Apenas mentalize-a vindo aqui e te recrutando uma Caçadora ou algo assim.
Frankie pensou em como seria legal ser uma Caçadora, e como queria dizer isso à Ártemis. Não podia ser tão fácil. Então, ela apareceu.
Fale com o autor