O Filho do Inventor
15 Capítulo 15 - Audrey
Tudo fora explicado, porém nada fazia sentido. Seu professor era um centauro, assim como a estagiária, seu melhor amigo (paquera) era um sátiro, sua mãe era uma deusa e suas amigas eram todas semideusas. Inclusive Annie. Ok, todo mundo sabe que ela agia como uma vaca com Luma, mas o que só Audrey sabia era que ela o fazia por inveja, e pessoalmente adorava intrigas. Mas sem Luma por perto era na verdade uma garota muito legal.
– Caramba! — a cabeça da menina doía — Todos que conheço são daqui?
– Não exatamente daqui, — respondeu Isabel — mas sim.
– Como assim? Cadê os outros?
– Hedge e Jeremy são um caso complicado, mas talvez você os veja.
– Hedge também? — ela estava pasma — E Jeremy!?
– Sim, mas são do outro lado. O romano. — esclareceu a estagiária com o enorme traseiro.
Agora Audrey só conseguia imaginar todas as pessoas que conhecia com uma bunda de cavalo gigante.
– Mas se somos todas gregas e Jeff, você e o Sr… Quíron estavam lá, o que Hedge e Jeremy, os romanos, faziam em Bridget High?
– Bom, Jeremy escolheu voltar para a escola, mas não podia voltar sozinho. Para sua segurança, Hedge o acompanhou. — Isabel se inclinou para frente, agindo como se fosse um segredo — Na verdade ele gosta é de gritar com adolescentes. Enfim, Jeremy tem essa mania de, quando suspeita da presença de semideuses, querer cuidar de tudo, como se fosse um sátiro protetor. Na segunda semana, Hedge descobriu e nos contatou. Enviamos Quíron e Jeff por sabermos de duas de vocês, mas tiveram de me mandar por mais avisos de suspeitas. Agora vocês estão todas aqui, a salvo.
– Ok… — ela tentava processar toda aquela informação — E quem é a minha mãe?
– Bom, sempre temos suspeitas, mas entre os diretores de atividade há uma regra de desconsiderar suspeitas até que a certeza seja revelada.
– Tá, mas então quando é que terão certeza?
– Quando você for reclamada.
O aviso de que era hora do almoço soou.
– Bem na hora! — comemorou a centauro — É isto. Agora vá deixar suas coisas no chalé de Hermes e almoce, tudo bem?
– Ok. Obrigada, Isabel.
E deixou a Casa Grande. Isis e Luma a esperavam.
– Não era pra gente se encontrar no chalé-alguma-coisa?
– Era, Audrey, mas por acaso você sabe onde fica o “chalé-alguma-coisa”? — Isis gostava de responder com perguntas.
– Não. — disse Audrey, pensativa.
– Exato! — exclamou Luma, apontando — Então siga-nos que a gente te mostra.
O chalé 11 não era exatamente decorado, arrumado ou higiênico, mas era aconchegante.
– Deixe suas coisas aqui. — Luma sentou na parte de baixo de um beliche no canto do chalé — É onde eu dormia antes de ser reclamada.
Ela passou a mão no lençol. Audrey jogou a bolsa azul na cama. Ela se lembrava daquela manhã, quando Sr. Brunner, acompanhado de Annie, bateu em sua porta dizendo que era um centauro, que ela precisava fazer as malas, que havia muito a ser explicado e mostrou uma autorização do pai dela para que fosse levada por ele. Na viagem foi revelado que aquela autorização era névoa, mas que o pai dela estava ciente da situação e que aquilo tudo era para o bem dela. Na mala havia jeans, uma blusa, tênis, chinelos e um biquíni, além de itens de higiene pessoal.
– Ótimo! Dá trabalho roubar os outros chalés. — disse Isis.
– Roubar? — Audrey indignou-se.
– Uma pequena habilidade dos filhos de Hermes. — Isis agitou a mão no ar com um gesto de não é nada demais!
Audrey sentou-se ao lado de Luma.
– Meu cérebro está doendo. — indignação tornou-se frustração.
– Relaxa, amanhã passa. — Luma apoiou o braço nos ombros da amiga.
Até aquele momento, o que mais gostara fora os pratos voadores e os copos que se enchiam sozinhos com qualquer coisa que você desejasse. Até algo que não existisse. Haviam boatos sobre um famoso garoto que bebia Coca azul.
No jantar foi a mesma coisa. O pessoal de Hermes era bem animado, mas ela e Isis sentiam falta de Luma, que voltava da fogueira com seu novo amigo e conselheiro, o filho de Apolo Brian. Eles conversavam sobre relacionamentos principalmente, mas também sobre música, arco e flecha, às vezes falavam rimando… Coisas de filhos de Apolo.
A noite no Acampamento era linda e estrelada, pela falta de poluição na área. Audrey era fascinada pelo céu, em especial pela noite.
Após todos terminarem de jantar, foram para o anfiteatro cantar com os filhos de Apolo. Luma arrasava. Audrey tinha a impressão de que alguém a olhava, do outro lado. Quando viu, era Jeff. Ele fez um sinal chamando-a. Ambos desceram e se encontraram atrás do anfiteatro. Ela já estava meio acostumada com a ideia de ele ter pernas muito peludas e um pequeno rabo que exibia por aí. Eles andavam na margem do bosque e a conversa fluía amigavelmente.
– Sério? Semideuses têm poderes? — mais um ponto bom de nunca ter conhecido sua mãe, além dos pratos voadores.
– Sim, sim. Nós, sátiros só tocamos flautas mágicas e… digamos que temos um polegar verde.
– Isso é muito legal! Me fala sobre alguns poderes.
– Ai, cara, são muitos. Mas eu me lembro quando vi um filho de Hades se teletransportar pelas sombras. Eu não sabia que isso era possível.
Ele começou a encenar o que acontecera. Recuou algumas árvores, saiu correndo (trotando) e pulou em uma sombra.
– Daí ele apareceu a quilômetros de distância dali.
Audrey riu e imitou. Saiu correndo e pulou na sombra de uma árvore. Teve a impressão de estar em queda livre, mas não havia pulado em buraco algum. Então submergiu em pé em outra sombra. Jeff se encontrava a 100 metros atrás. As sombras abaixo de seus pés se dissiparam, algo estava iluminando seu redor. Jeff vinha correndo e apontando.
– Como você… Quer dizer… Uau!… Mas… Você está… Está sendo reclamada. — ele estava surpreso demais para acabar as frases.
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