Adam e Luma esperaram que a hora do café chegasse. Quando todos os outros campistas saíram de seus chalés para comer, os dois se dirigiram ao chalé 7, para conseguirem melhores chances de falar com Apolo.

Luma havia ido até o pavilhão do refeitório ver se conseguia algo que supostamente os ajudaria.

Adam ficou observando o chalé. Era lindo e, apesar das roupas jogadas, as cores passaram uma sensação de limpeza e luz. Em algum lugar ali deveria ter uma porta para algum tipo de altar. Olhou em volta e, no fundo do chalé, à direita, havia uma porta branca com contornos dourados, como todo o resto. Parou na metade do caminho, dando-se conta de onde estava. Olhou para a direita e, ao pé de um dos beliches, havia um criado-mudo e, em cima dele, uma petúnia. Ele a tocou imaginando se era mesmo o que ele achava, a petúnia que deixara para Luma ou apenas uma enorme coincidência.

Ao ouvir a porta atrás de si abrir-se, rapidamente disfarçou o que estivera olhando e afastou-se da cama de Luma.

– Consegui! — ela disse após fechar a porta e antes de virar para mostrar-lhe o que conseguira: uma prato de pizza de calabresa.

– Se você está com fome, podemos fazer isso em outra hora.

– Não Adam! Isto é para meu pai. — Ela sorriu, aproximando-se — Quem come pizza no café da manhã? Francamente, Adam...

Ele deu de ombros e seguiu-a até a porta no fundo do chalé. Luma a abriu e Adam entrou atrás dela. Não era um quarto muito grande, era escuro. O piso era de mármore, as paredes tinham listras verticais com padrões de flores douradas — jacintos. No fundo, uma grande e delicada escultura de bronze com liras rodeando um homem esbelto numa toga. No centro da câmara, um pequeno desnível de madeira levemente dourada e a trípode central, uma estrutura de três pernas que sustentava uma espécie de vasilha de ouro de aproximadamente um metros de diâmetro — o símbolo dos poderes poéticos de Apolo. Luma subiu o pequeno palco, colocou a pizza na trípode, tirou uma caixa de fósforos do bolso, acendeu a pizza de calabresa e começou a entoar em grego antigo:

"Akoúste me, O megálos Apóllo̱n — profí̱ti̱s árchontas tou fo̱tós, ti̱s poíi̱si̱s kai ti̱s elef̱therías
Érchomai se anazí̱ti̱si̱ ypérochi̱ dóxa ti̱s
Gia na me diafo̱tísei me ti̱n parousía sas
Kai na mou dó̱sei mia profi̱teía"

(Ακούστε με, O μεγάλος Απόλλων — προφήτης άρχοντας του φωτός, της ποίησης και της ελευθερίας
Έρχομαι σε αναζήτηση υπέροχη δόξα της
Για να με διαφωτίσει με την παρουσία σας
Και να μου δώσει μια προφητεία)

O que Adam pôde traduzir para: "Ouça-me, ó grande Apollo — senhor profeta de luz, poesia e liberdade/ Venho em busca da glória magnífica/ Para iluminar-me com a sua presença/ E conceder-me uma profecia"

O fogo no centro da trípode aumentou e mudou de cor, de um alaranjado comum para uma cor mais que dourada. Havia mais fumaça agora, a qual, ao interagir com as liras da escultura, fizeram-nas tomar vida e colocarem-se a tocar uma calma e misteriosa melodia.

Uma luz dourada irradiou a estátua do deus — luz dourada essa que não vinha de lugar algum. Então, ele abriu os olhos, levou as mãos às costas e estralou-as, dizendo:

– Argh! Fazia tempo que não entrava nesta forma. — Então ele pareceu perceber algo, olhou para o próprio corpo e disse: — Ok, isso é embaraçoso. Por que não construíram essa escultura com uma roupa mais moderna? Oh, well.– ele deu de ombros — Fala aí.

– Hã... Ok. Pai, precisamos de uma profeci...

– Sim, sim. Isso eu já sei, está no encantamento, lembra? — ele a cortou, impaciente.

– Sim... Bom, precisamos salvar Isis.

– A filha de Hermes, hã? — ele levou a mão ao queixo, pensando o que poderia fazer, como se já não fosse óbvio o bastante — Tudo bem.

Luma e Adam se olharam. Era isso?

– Ok, então.

– Desculpe não poder ficar aqui conversando com você, Luma. Ando bastante ocupado. Por isso não lhe concedi esta missão antes.

– Está tudo bem, pai. — Luma sorriu brevemente

– Então ta. Falem com Quíron. Desta vez ele os escutará, prometo. — Apolo piscou, sorrindo

– Obrigada, pai.

– Obrigado você, pela pizza. — e a vida se esvaiu da escultura.


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– Nós conseguimos! — disse Luma, animada, ao abrir a porta da sala de Quíron — Temos a missão desta vez!

– Vocês têm? — ele teria se levantado da cadeira de rodas naquele instante, se não fosse quebrar tudo em volta ao fazê-lo.

– Sim! — Luma aproximou-se

– Então vão até Rachel! — Quíron também parecia bastante animado

Antes de saírem, Luma contou a Quíron seu sonho.

– Uma máquina?

– Pois é, — disse Adam — eu não tive tempo de contar à Luma, senhor, mas eu sei que máquina é. Vi em meus sonhos.

– Descreva-a para mim, Adam. — pediu o velho centauro

– Era um cubo grande, de bronze. Um dos lados era de vidro, de forma que era possível enxergar toda a mecânica funcionando dentro dela. Por um buraco na parte de cima, um cilindro azul brilhante entrava em contato com o interior da máquina e, de alguma forma, aquilo era transformado em Névoa, por uma abertura na frente parecida com um soprador de folhas.

A expressão de Quíron mudou de calmo-como-sempre para não-pode-ser em questão de segundos.

– O que foi? — perguntou o filho de Tânatos

– Essa máquina... — estava sem fala — Ela espalha névoa pela montanha. Porém, não é qualquer máquina. Não! É a mesma que Dédalo usara para fugir de Creta sem ser seguido por Minos. — e, recuperando a articulação, continuou: — Pasífae, a esposa do rei, disse-lhe que seu marido era muito sensível a névoa, que qualquer pequena quantidade o fazia cego, como todo bom mortal. Então ele construiu uma máquina, a Pólisi(πώληση). Depois, usou a mesma máquina para cobrir o Labirinto enquanto o construía.

– Ta, e daí? — Luma não podia esperar para saber o que aquilo tudo tinha de tão alarmante.

– E daí que a única pessoa que poderia ter acesso a esta máquina era Ícaro, seu filho. A única pessoa que estava com ele quando ele usou Pólisi pela primeira vez. Além do próprio Dédalo, só Ícaro sabia como usá-la. E, pelo que me contaram sobre a tal caverna, tudo é muito bem construído. E, quando esteve com vocês, Ângelo nunca nos disse quem era seu pai ou mão divino, no entanto, conhecia muita mitologia, enxergava monstros e era reconhecido por deuses. Percebem? — concluiu, com os olhos arregalados e o tronco jogado para frente, de forma que Luma achou que, a qualquer minuto, ele iria cair da cedeira, porém não era isso que se sobressaía em sua cabeça agora.

Luma teve vontade de sentar-se, mas já estava sentada. Mesmo assim, sentia que tudo estava caindo.

– Ângelo é Ícaro, o filho de Dédalo.

Notas finais
FIIIIIIIM o/ 2ª temporada coming soon ;) Espero que tenham gostado, demigods.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!