Quando os olhos de Luma voltaram a se focar, continuava sentindo o doce toque da morte. Continuava sentindo a fria respiração em sua testa. Tudo continuava preto e quente, mas havia uma luz. Quando olhou para cima viu duas pontas pretas se encontrando, fechadas. Quando olhou para baixo viu apenas seus pés, na frente dos pés de outro alguém. Alguém abraçando-a. Lentamente, olhou para cima, para ver quem lhe abraçava. A boa notícia é que era Adam. A má, é que, pelo jeito, ambos estavam mortos. Em sua face, uma expressão concentrada, séria. Estava de olhos fechados. Então Luma olhou para seus próprios braços. O toque era dele. Se sentiu um pouco aliviada, mas ao mesmo tempo, não fazia ideia do que estava acontecendo — embora a única explicação que achava plausível era a de que estava morta.

Os olhos de Adam começaram a se abrir. Suas sobrancelhas ainda estavam franzidas. Aos poucos, ele levantou os olhos, que se encontraram com os de Luma. E naquele momento, qualquer tipo de ressentimento que ela podia estar sentindo à respeito dele se foi. Qualquer tipo de medo da morte fora junto, afinal, agora teria a eternidade para passar com ele ali, naquela espécie de casulo negro. Aparentemente, Adam pensou no mesmo, pois sorriu de orelha a orelha, beijou sua testa com intensidade e a envolveu num abraço que a fez delirar exatamente como fizera quando fora atacada, a não ser pelo fato de que ela não estava com sono, mas sim sentindo plena felicidade.

E então, percebeu algo estranho: Seu coração batia rápido. Isto era estranho por dois motivos. Primeiramente, Adam a tocava, então todo seu corpo devia se acalmar. E segundo que estava morta. Mortos não têm coração e muito menos um que bata. Ela também podia sentir o coração de Adam através da camiseta do Acampamento. Estavam em sintonia; batiam juntos.

Enfim, mais luz começou a entrar ali. Teriam eles de seguir um caminho juntos? Aparentemente não, pois todos seus colegas de missão, as deusas e as Caçadoras os olhavam abismados. Luma não queria se afastar do abraço de Adam, mas o fez, lentamente. Encarou os outros por alguns instantes, tentando entender o que os surpreendia. O silêncio era constrangedor até que viu. Adam tinha asas enormes. Asas negras quase o dobro de seu tamanho. Ele parecia encabulado com isso, então as guardou. Todos pareceram se recuperar do choque — a não ser por Ângelo que ainda se encontrava boquiaberto, fascinado pela anatomia das asas. Entendera então que Adam a havia envolvido com as asas, para protegê-los.

Ao olhar para trás, a parede do Parthenon tinha um grande buraco, mas assim como se vê nos desenhos, uma forma comprida e oval estava intacta no meio. A forma dos dois envolvidos nas imensas asas de Adam.

O silêncio ali continuou. Ninguém sabia o que fazer e recomeçar a briga parecia bobagem. Então Atena limpou a garganta e deu um passo à frente, virando-se para Hera e Afrodite.

– Quero fazer uma proposta. Estas crianças estão tentando salvar o planeta e a nós. Se brigarmos à ponto de destruir o mundo não teremos seguidores, como bem lembrou Ártemis, e talvez teríamos de recomeçar tudo novamente. Não sei se vocês se lembram, mas foi horrível da primeira vez, duvido que algo mude. Quer dizer, houveram tantas brigas internas. Traições, inconveniências... E foi assim por muito tempo. Essas coisas se amenizaram com o decorrer dos séculos. Não sei sobre vocês, mas eu não estou disposta a passar por isso novamente. Precisaremos de mais éons para chegar ao ponto de evolução deste povo. E lutar contra eles é outra bobagem — continuou -, afinal, é a primeira missão deles. Foi uma boa estratégia se vocês pensarem, apesar de ter muitas falhas, foi uma boa tentativa. — e então sussurrou para si — Eles ainda têm muito o que aprender com meus filhos. - e pigarreou novamente– De qualquer forma, proponho que paremos de lutar, que fechemos um acordo com eles para nos compensar das promessas em vão. — olhou solidária para Hera

As deusas se mostraram pensativas, assim como fizeram diante dos argumentos dos semideuses para que não lutassem uma contra a outra. Com um entreolhar, Hera e Afrodite concordaram com Atena, que então virou-se, piscou para a equipe e começou:

– Então, semideuses... Peço para que ouçam atentamente aos pedidos das deusas aqui presentes.

Hera pigarreou e deu um passo à frente.

– Acho que vocês dois se lembram da promessa que fizeram ao me visitarem em Hera Hub, não?

Luma e Adam se entreolharam, concordando mentalmente.

– Lembramos, sim, senhora. — disse Adam, sério

– Pois então, realizem. — disse mostrando que não estava tão paciente quanto parecia

– E enquanto a você, Afrodite? — chamou Atena

– Bom, o meu desejo é algo muito simples, mas ao mesmo tempo muito difícil. Um de vocês irá se sacrificar por amor — ela sorriu, misteriosa — Não necessariamente amor tipo paixão, pode ser amor fraterno. E também não estou dizendo que um de vocês precisa morrer, mas que fará um grande sacrifício.

– Quanto a mim, — disse Atena — tudo que quero é que estudem. Suas mentes têm grande capacidade — e sussurrou para si mesmo como havia feito antes: -, embora não cheguem aos pés de meus filhos– pigarreou — mas podem ser de grande utilidade. Se tivessem estudado ou pedido ajuda a um de meus filhos, provavelmente não precisaríamos desta briga. — houve uma pausa — E então, aceitam nossas condições?

Eles se entreolharam, sentindo o triunfo de uma vitória.

– Concordamos, senhora. — afirmou Luma, a líder da missão.

Notas finais
Calma, gente, ainda falta bastante pro fim, viu? Comentem o que estão achando (: Obrigada.