O Filho do Fogo
9 Capítulo 8
Notas iniciais
Jake estava caído no chão. Seu rosto latejava. Se lembrava de ter vido a figura de Rachel aparecendo e de Elizabeth fugindo. Logo, todos os malditos correram atrás de Elizabeth e deixaram Rachel e Jake sozinhos.
— Jake! — Gritou Rachel, se ajoelhando no chão ao seu lado e o ajudando a se sentar. — Onde raios você estava com a cabeça para vir lutar contra Vinnicius sozinho? Eles estão em muito maior número que nós. Você foi totalmente imprudent...
— Por favor, sermão depois. Estou morrendo de dor de cabeça. — Jake disse, ríspidamente, mas logo se arrependeu. — Desculpa. Queria te provar que sou capaz.
— Eu sei que você é, mas se viemos em dupla é porque sozinhos não daríamos conta. — Jake a olhou e um pensamento lhe atingiu: não podia deixar de reparar no quão linda ela estava.
Sua branca pele brilhava, mesmo na escuridão da madrugada. Seus cabelos negros, compridos e ondulados, caíam sobre seus ombros e sua mexa roxa teimava em cair sobre seu rosto. Seus olhos escuros o olhavam com preocupação.
— Por que está me olhando tanto. É algo com o meu cabelo? — Ela disse, puxando uma mexa para frente para ver.
— Não, boba. Só estava te observando. Não posso?
Ela riu. — Claro. Mas temos que ir. Você aguenta andar?
Jake se ergueu e usou de toda a sua força física e de vontade para se manter em pé. — Sim. Claro que aguento. — Mentiu. Ela se levantou e colocou o ombro dele por cima do pescoço dela. Logo no primeiro passo Jake quase caiu e teve de colocar todo seu peso sobre ela.
— Estou vendo que você aguenta. — Ela disse, zomando dele.
— Vamos logo. — Ele a respondeu, irado.
Sairam da casa, agora praticamente destruída, e viraram-se para a rua. Estava totalmente deserta. Isso era bom.
— Hum...Talvez se eu me transformasse, eu andaria melhor. Pelo menos teria quatro ao invés de dois pés.
— Nem pensar! — Ela o censurou. — Não vou deixar.
Jake bufou. Já estava acostumado com isso. — Certo, certo. Vou fazer do seu jeito.
Eles andaram juntos durante alguns minutos até chegarem no bosque. Mesmo de longe, podiam ouvir a voz deles.
— Adam? O mesmo Adam de dezesseis anos atrás? — dizia Vinnicius.
— O mesmo. Podem tentar, mas daqui não passam. — Respondeu Adam, o pai de Elizabeth.
Rachel suspirou. — Eu estou começando a odiar este cara. Vou cortar em pedaços este Vinnicius.
O menino apenas riu. — Fique calma, garota. Raiva não adianta de nada. E só partir para cima e atacar os inimigos.
— Disse o mestre. Você tentou e está que não se aguenta. Consegue andar sozinho agora? — Ela perguntou.
— Acho que sim. — Ela o largou e ele andou. Definitivamente, não tinha condições de lutar. — Sim. Consigo.
— Ótimo, veja então uma mestra em ação. — Ela se agachou atrás de uma árvore.
—...Agora essa é a parte que você pede para que eu não te mate.
Jake se escondeu atrás de outra árvore, de forma que conseguisse ver tudo.
Dos homens que acompanhavam Vinnicius, quatro avançaram contra Adam Grey. Ele cortou um e chutou outro, mas um deles acabou dando um corte em deu braço. O outro tentou atingir Adam, mas foi salvo por Rachel, que rápida como uma felina saltou de trás da árvore e caiu sobre o homem, e a última coisa que ele viu foi a faca da garota, que passou por sua garganta.
Depois, ela se levantou e olhou ao redor, analizando bem. Mais homens avançavam. Ela avançou e tomou a dianteira. Cortou a barriga do mais próximo. Outro tentou atingir ela na cabeça, mas ela se jogou no chão e o chutou nas pernas, o derrubando. Depois, se ergueu e chutou seu rosto. Mais um se aproximava e ela lançou sua faca, que acertou sua coxa. Ele caiu de joelhos e um soco dela foi suficiente para o atingir e o fazer cair no chão. Nem mesmo a máscara que usava foi suficiente para o proteger. Dois tentaram combinar seus ataques, cortando em paralelo, mas Rachel sacou sua espada das costas e bloqueou as armas deles. Depois, atingiu um no peito e o outro no braço. O que foi atingido no peito caiu, o outro tentou se afastar, mas era tarde: um chute no joelho e mais um no rosto o fizeram dormir.
Os demais dois resolveram fugir. Adam Grey parecia esoantado com a garota.
— Covardes. Fracos. Estúpidos. Não derrotam nem uma garota. — Disse Vinnicius. — Hum...Eu te enfrentei tem algumas semanas. Foi em Washington, não?
Ela não o respondeu.
— Mal educada. Bom seja como for, está na hora de vocês... — Ele foi interrompido por uma espada no pescoço. — Mas quem... Você!
Das sombras, um homem surgiu. Era alto e musculoso. Usava uma roupa cinza escura, que lembrava os mantos medievais. Uma ombreira estava presa em seu ombro. Nela, a imagem de um dragão estava entalhada. O mesmo dragão aparecia em seu manto. Sua mão esquerda parecia estar protegida por uma luva de aço.
— Vinnicius. O que faz tão distante da Itália? Caçando minha presa. — O homem riu. E logo, cortou a garganta do outro, este que caiu no chão, desamparado.
— Eu não posso....morrer. Sou....Sou... — Nem completar a frase ele completou.
— Rachel, Jake. Levem Mary e Eizabeth. O portal está aberto. — Disse Walter, saindo do mato. — Eu e Adam cuidamos dele.
Jake caminhou até as garotas. — Confiem em mim. Vamos cuidar de vocês. — Elas pareciam à ponto de surtar, o que era compreensível.
Rachel, Jake e as duas seguiram mato adentro de onde Walter saíra. Logo, chegaram em uma região que duas árvores brilhavam. Entre elas havia uma poça de um líquido metálico no chão.
— Eu vou primeiro. Não tenham medo. Apenas relaxem o corpo e entrem. — Disse Rachel. Ela pulou na poça e começou a afundar, até que sumiu. Elizabeth e Mary estavam espantadas.
— Mary, vá. — Disse Jake. Mary obedeceu e fez o mesmo que Rachel.
— Eu estou maluca. Só posso. Eu estou doida. — Dizia Elizabeth.
Jake sacou uma faca da cintura e, rápido como um raio, cortou o braço dela de raspão.
— Ah! Mas o quê? — Ela parecia assustada, e segurava o braço.
— Foi um corte raso. Logo sara. Se sentiu dor, é sinal que não está doida. — Ele a encarou. Até que estendeu a mão. — Se quiser, pulamos juntos.
Ela pareceu que ia recusar, mas por fim segurou em sua mão e, juntos, pularam na poça.
Começaram a cair e, de repente, não mais caíam e sim subiam. Subiam e subiam até que saíram em outra poça, num lugar totalmente diferente.
Estavam em um campo. Havia algumas árvores na região e um córrego ali perto.
Jake andou e se jogou embaixo de uma árvore.
— Jake, você está bem? — Perguntou Rachel, caminhando em sua direção.
— Estou. Só estou...- Ele colocou a mão na barriga e a sentiu úmida.
— Você está...Cortado? — Perguntou Mary.
O machucado do garoto era profundo. Um enorme corte atravessava sua barriga. Havia muito sangue. Como ninguém percebera aquilo antes?
— Ai! — Ele gemeu. — Rachel, na minha mochila tem erva-de-fogo. — Ele disse, entregando à ela.
— Eu não sei preparar...
— Erva-de-fogo, Sono-profundo, terra, água. Por favor... — Sua visão ficou turva. Ele se sentiu caindo para o lado, e quando sua cabeça bateu no chão, ele desmaiou.
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