O Filho do Fogo
6 Capítulo 5
Notas iniciais
Elizabeth foi dormir, naquela noite, preocupada. Seu pai não chegara em casa. Era para ele a esperar para verem filme juntos. Ainda mais estranho era o fato de Mary não ter dito nada sobre o pai de Elizabeth se encontrar com o pai dela.
Entretanto, ela odiava dormir. Toda vez tinha pesadelos. Mas aquele foi diferente.
Ela estava no meio de um salão medieval. Ou ao menos ela presumia isso. As paredes eram de algum tipo de pedra branca brilhante, que chegavam a machucar os olhos. O chão era de madeira clara e dispostas na sala estavam armaduras. Centenas, em pé. No fundo, um trono de madeira clara estava sendo ocupado por um homem alto. Era magro e austero. Suas feições eram finas mas nórdicas e uma coroa de madeira estava sobre sua cabeça.
— Ah criança vive. Um brinde à ela, meus amigos. — Disse o homem, erguendo uma taça. De imediato, todas aa armaduras se ajoelharam perante ela. O homem se ergueu. — Você tem pouco tempo. O que caminha no escuro ainda vive. Ajoelhe-se como criança; ergua-se como adulta. Logo, verá a verdade, minha jovem. Corra. Corra daqui! — A porta no fim da sala se abriu e o senso de perigo de Elizabeth despertou. Ela correu até o fim da sala, ou pelo menos tentou. Quanto mais ela corria, mais a porta se afastava. "Eu tenho de chegar lá. Antes que ele venha." Ela pensou, mas não sabia quem era ele. Mas no fim, tudo começou a escurecer e ela se sentiu cair. E caiu, e caiu, até que tocou o chão. Estava diante de um abismo. Era imenso, e ela não via nem começo nem fim. Se projetava infinitamente para norte, oeste, leste e para baixo.
"Garota. Pobre garota. Em breve verá a verdade". A voz era grave e profunda, a causando arrepios. Ela vinha de todos os lugares. Sentiu o chão tremer. "Verá teu mundo cair. Verá teus amigos te traírem. Verá morte. Verá destruição". A voz a aterrorizava,mas se manteve parada. Ela sabia que havia alguma coisa lá embaixo. Podia sentir. Algo antigo, poderoso, preso lá, mas tentanto se libertar. "Me ajude e eu te ajudarei. Te darei tudo que quiser. Apenas ajude-me a me erguer". E então, algo se ergueu do abismo. Era tão monstruosamente grande que de início não entendeu que o que se pusera em sua frente era uma mão. Uma mão do tamanho de um carro. E depois veio outra. E logo ele se ergueu, centenas de metros acima. Era um homem, mas todo ele era escuro, preto, como piche. Como se fosse formado da mais pura trevas.
"Ajude-me, criança, pois eu sou a morte. Eu sou o fim. Eu sou Gr..."
Ela acordou com um barulho na porta lá embaixo. Se levantou da cama. — Pai? — Perguntou, na esperança, mas não obteve resposta.
Abriu a porta do quarto e desceu as escadas. — Pai? — Chamou, novamente.
De súbito, duas mãos a agarraram e a puxaram para uma área mais escura da escada. — Por favor, não diga nada. — Alguém susurrou em seu ouvido. Uma das mãos dele cobriam a boca dela. Ela, então, viu um homem passando pela janela. Ele era estranho. Usava uma máscara estranha e roupas escuras que ela não identificou. O homem olhou pela janela da sala e por um momento ela pensou que ele a tinha visto, mas ele simplesmente se virou e continuou andando. Alguns segundos depois, as mãos a soltaram.
— Quem é você? — Ela perguntou, mas nem precisou. Quando saiu das sombras, ela reconheceu o rosto da pessoa. Era o menino do dia anterior, Jake.
— Escute, Elizabeth. Me desculpe, mas você tem que confiar em mim. Mesmo tendo isso de invasão de propriedade, você tem que confiar em mim. Estou aqui por causa do seu pai. — Ele tirou do bolso do moletom um relógio. Era redondo e antigo, de ouro. Aquilo era a única coisa que seu pai levava para qualquer lugar. Ele jamais daria para ninguém...à menos que nescessário. — Por favor, suba as escadas, pegue sua mochila e bote roupas nela. Deixe seu celular e qualquer outra coisa. Não temos tempo.
— Do que você está falando? — Perguntou a menina. — Está me assustando.
— Por favor... — Ele arfou, como se sentisse dor. Ela, só então, percebeu qur seu braço estava machucado. Escorria sangue de um corte profundo em seu braço.
— Você está... — Ela foi interrompida.
— Ótimo. Suba.
Ela preferiu subir. Foi novamente para seu quarto. Pegou sua mochila e colocou umas roupas lá dentro. Calças, blusas e outras peças. Olhou para o celular. Podia ligar para a polícia. Dizer que tinha um maníaco rondando seu jardim, olhando pelas janelas de sua casa. Sim, eles iriam prender o homem e iriam achar o pai dela.
— Aaargh! — Ela ouviu o grito de Jake, e depois passos. Pelo barulho, eram mais de cinco.
— Eu vejo nos quartos. — Disse um.
— Eu olho o sótão. — Respondeu outro.
— Eu olho o porão. — Disse mais um.
Ela preferiu fazer o que era seguro. Entrou dentro de seu móvel de roupas e se fechou. Logo em seguida a porta abriu. Um homem entrou e pela fresta da outra porta do móvel ela viu o homem.
Ele era alto e usava roupas escuras. Uma espécie de sobretudo negro, de couro, com um capuz. Usava uma máscara com um rosto estranho. Um símbolo estava estampado em seu braço esquerdo: uma espécie de raio.
— Garota? Você está aqui? — Ele se agachou no chão e olhou embaixo da cama. — Vamos, saia. Não vou te machucar, prometo. — Ele se virou para o móvel. O sangue dela gelou. Era aquilo em sua mão...uma espada? — Vamos, não quero te machucar. Mas se não colaborar, bem, não posso prometer. — Ele disse, rindo, como se gostasse da ideia. Se aproximou do móvel e quando estava para abrir o móvel...um grito. Ele caiu sobre um joelho e sua cabela bateu violentamente contra a porta do móvel. Ele caiu, desmaiado. A porta abriu-se e Elizabeth quase caiu.
— Venha, vamos descer. Jake está sozinho lá embaixo. — Era uma garota quem falava com ela. Uma bela garora de cabelos escuros como a noite e pele clara. Uma longa mecha roxa corria por seu cabelo. Havia sardas em seu rosto e seus olhos eram escuros. — Vamos. — A garota puxou Elizabeth e saiu correndo, descendo as escadas. Elizabeth a seguiu...
Lá embaixo, na sala, dois homens seguravam Jake. Um terceiro estava em pé diante dele.
— Qual o seu nome? — Disse o homem na frente do menino, aparentando ser o líder do grupo. Usava uma máscara em formato de lobo. — Diga! Qual o seu nome? Diante do silêncio, este deu-lhe um soco. Foi forte o suficiente para Jake quase cair no chão, mas os homens fizeram força para mantê-lo parado. — Diga! Como você se chama?
— Garota. — Disse a outra, chamando Elizabeth. — Eu vou entrar na sala. Você vai correr direto para fora e vai para o bosque. Lá está seu pai. Ele e sua amiga, Any.
— Mary....
— Que seja. Você vai correr até lá. Eu vou com Jake logo depois. Não pare. Eles querem você. — Na sala, Jake levou outro soco.
— Quem são eles? — Elizabeth indagou, insegura.
— Eles são gente má. — Disse a outra, encerrando a conversa.
— Ao menos me diga seu nome.
— Rachel. Rachel Winter. — Ela se levantou e entrou na sala. Elizabeth preferiu fazer o que Rachel mandara e saiu correndo para a porta. Por isso não viu o que aconteceu. Quando abriu a porta de casa, se assustou. Um deles estava na porta.
— Hey! Aonde pensa que vai? — O homem começou a andar, mas Elizabeth pensou rápido e agarrou a primeira coisa que viu: um pesado relógio de parede que estava pendurado no corredor. O atirou contra o homem, o fazendo cair no chão, apalhado. Depois, correu. Correu e correu. Estava desorientada. O Bosque da Cidade era aonde mesmo? Só então percebeu que estava indo na direção errada. Não podia voltar no caminho. Por isso, preferiu dar a volta no quarteirão.
— Ali está ela! — Disse um homem, correndo atrás dela. Sentia-se cansada, mas não podia parar. Iam pegá-la.
Correu e correu, até que viu as primeiras árvores do bosque. Não era um bosque grande. Tinha algumas árvores e era usado para piqueniques.
Logo, soube para onde devia ir. No centro das árvores, seu pai estava parado, junto de Mary e o pai dela, Walter. Sentiu-se melhor.
Parou ao lado dele e o abraçou.
— Pai! — Ele a abraçou também.
— Aonde estão Jake e Rachel? — Perguntou o pai.
— Eles ficaram. Eles ficaram em casa.
O pai xingou e empurrou Elizabeth para trás. Mary a abraçou.
— Amiga, eu não estou ficando maluca, não estou? Diz que é um sonho. — Mas Elizabeth não sabia do que ela falava.
Walter segurava uma espada. Elizabeth olhou várias vezes, até que reparou que seu pai também tinha uma.
— Walter, vá com elas. Leve-as. Eu seguro eles.
— Adam! São muitos. Ainda tem Jake e Rachel...
— Eu cuido deles e vou atrás dos dois. Eles também são caçadores...
— De terceiro grau. Deve ser a segunda missão deles. Deixe-me te ajudar.
— Por favor, Walter. Só deixe minha filha em segurança.
— Pai? — Elizabeth estava quase chorando. — Do que está falando?
— Adam, eles chegaram.
— Vai! — Walter se afastou deles, indo em uma área mais longe, onde não podia ser visto.
Eram onze. Usavam as mesmas roupas dos outros. Usavam máscaras diversas. Mas uma ela reconheceu: uma máscara de lobo, a mesma do homem da casa.
— Rendam-se e terei piedade. Resistam, e os obrigaremos a se renderem. Queremos só ela. — Ele apontou para Elizabeth, que à esse ponto estava completamente confusa.
— Nem por cima do meu cadáver. Não creio que saiba quem eu sou.
— Hum. Estou amedrontado por você. — Debochou. — Quem é você?
— Adam Grey. Caçador de primeiro grau e ex-porta espadas.
O homem recuou um passo. — Adam? O mesmo Adam de dezesseis anos atrás?
— O mesmo. Podem tentar, mas daqui não passam.
— Veremos. — O homem sacou a espada. — Te direi meu nome para que não morra sem saber quem te derrotou. Sou Vinnicius. Vinnicius Rosto-Torto. — Ele riu. — Agora, essa é a parte que você pede para que eu não te mate....
Fale com o autor