O Filho de Poseidon
3 A Grande Queda
Notas iniciais
— Porque essas coisas só acontecem comigo? – Minha cabeça doí, não sei o que está acontecendo comigo. – Droga.! Eu só queria ser normal. – Grito, com algumas lágrimas escorrendo pelo meu rosto.
Ty...? Você está chorando...? – Ouço a voz de Adam atrás de mim. – O que? Não.... Não diga besteiras menino.! Era apenas um.... Um maldito cisco que caiu em meu olho. – Digo mais rápido do que gostaria. Adam é meu melhor amigo, sei que sempre posso contar com ele.
— Vai me contar o que está acontecendo? – Não respondo. – Você sabe que descobrirei eventualmente... – Ele continua. Mas, não posso conta-lo. Imploro aos deuses para que meu taxi não demore. – E então? – Adam insiste. – Você sabe que pode me...
— Adam. – Corto – Eu não quero falar agora, nem mesmo com você. Me desculpe, okay? Mas, meu taxi já está vindo. – Digo ao vê-lo finalmente chegando. – Ainda bem. – Diz entrando no carro.
— Ainda bem? O que está fazendo? – Pergunto irritado... – Te acompanhando. Você sabe que eu não queria vim.... Já não basta eu ter de suportar o meu ex, todo feliz, pulando de um lado para ou outro. – Adam realmente sabe como me fazer rir. – E além do mais.... Acho que Kyle está tendo um caso com Adam. – Fecho a cara.
Era uma longa viagem, e pelo horário, não havia muitos carros. O Sítio, é situado a duas horas de nossa cidade e era um lugar onde sempre fazíamos nossas festas.
Adam estava com seus fones, e eu não queria conversar. Fechei os olhos, e me entreguei ao sono.
–X-
— Ty...? Acorda. Ty? – Sinto algo em minha bochecha – Tyyyyyleeeerrr – Adam cantarola em meu ouvido. Abro meus olhos, não acreditando no que estou presenciando. – O que DIABOS você acha que está fazendo?! – Digo calmamente. Ele sorri – Estou te acordando.... Chegamos. – Permito-me olhar a minha volta, e percebo que sim, de fato chegamos. Me apresso para pagar o motorista, em uma tentativa falha, pois não encontro minha carteira. – Ty. – Adam sorri. – Não se preocupe, já está pago.... Vamos? – Agradeço o motorista, e a Adam, por pagar a viagem e saio do carro.
Já era noite quando entro em meu apartamento. Adam por insistência, me faz companhia. Embora seja meu vizinho, frequenta mais minha casa, do que a própria.
— Adam, estou indo p...
— Não se preocupe Ty... – Cortou — Estarei aqui assistindo algo na netflix, caso precise de mim. Bons sonhos. – Disse.
-X-
Ergam seus copos por quem vai partir
Longo será o caminho a seguir
Nada será como costuma ser
Nada vai ser fácil pra você
-X-
Passou pouco mais de dois meses desde o acontecido... Dois meses, de discussões e intrigas... Dois meses de falsas acusações, e dois meses se afastando daqueles que se consideravam amigos...
E o clima ensolarado de verão, estava dando passagem a uma adorável frente fria, e chuvas ao longo do dia. Tyler havia parado de conversar com os integrantes de seu grupo, e ignorava todas as mensagens de Adam em seu celular.
Estava em depressão, pois havia perdido o amor de sua vida – Kol – sua única e verdadeira paixão. Estava devastado, desolado.... Havia voltado a beber e se encontrava em um estado deplorável.
Arrumou outro trabalho, para sustentar o novo vicio, e dia após dia, se afogava cada vez mais. Ao anoitecer, completamente bêbado, chorava.... Feito uma pequena criança.... Chorava, por seu estado.... Chorava por seu amor destruído.... Chorava por pena de si próprio.... Queria pôr um fim em tudo... Desejava de todo coração, sua morte. O fim de sua patética existência.
Faltava sete dias para seu aniversário de 18 anos, e Tyler se encontra bêbado em seu apartamento.
Fazia três dias, desde que Tyler começou a ter sua primeira alucinação. Uma criatura veio lhe dizendo sobre um acordo que havia feito, a criatura revelou que ele havia concordado com 18 anos de vida. Após isso, ele iria desaparecer. Iria voltar para seu reino. Iria voltar para onde pertence... Obviamente, Tyler culpou a bebida, culpava seu estado, culpava Kol. Desejava nunca ter o conhecido.... Desejava não ter que suportar toda esta dor.
Dois dias antes de seu aniversário, Tyler decidiu sair de seu apartamento.... Estava em férias forçadas pela empresa de sua mãe, e não saia de casa, por conta de um estoque de bebidas e comidas que havia feito.... Precisava esfriar a cabeça... Descansar de todo o sofrimento...
O relógio em seu pulso, marca nove horas, estava frio... A lua não se atrevia a sair, e se escondia entre as nuvens carregadas de chuva.
Caminhou até uma praça, e lá se sentou em frente a um chafariz.... Pegou uma moeda de seu bolso, a jogou dentro d’agua e ficou vendo a afundar. A moeda tocou o chão, e o pequeno tinido ecoou em sua mente. Caiu subitamente de joelhos sentindo sua cabeça latejar. Forçou suas mãos em uma inútil tentativa de se levantar.... Sua visão ficando cada vez mais turva, resultou em sua queda no grande chafariz.
Sentiu seu corpo transbordar energia, e o tempo parar ao tinir de um sino, que ficava cada vez mais forte. Tentou sair, ao sentir algo em seu tornozelo. Queimava, e Tyler urrava de dor. Conseguiu juntar os vestígios de sua força em uma falha busca por ar. E foi sugado pelas profundezas. Se afogando cada vez mais. Deixando a vida se evadir, até deixar um enorme vazio. Que aos poucos está sendo preenchidos pelas trevas.
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