O Filho da Lua
10 X – Prima inesperada.
Notas iniciais
–Posso falar com você? – perguntou Guilherme.
–Entra – autorizou Matheus.
O garoto estava debruçado sobre sua mesinha de cabeceira. Guilherme se aproximou dele agitando as nadadeiras e ficou flutuando atrás dele.
–Quero te levar a uma lugar! – informou.
–Minha mãe mandou eu ficar no quart! – respondeu Matheus.
–Desde quando você obedece as pessoas? – perguntou Gui.
–Tem razão, vamos – respondeu Matheus.
Os dois saíram da cidade e nadaram alguns metros seguindo o caminho contrário a entrada da cidade. Os dois nadaram descendo a montanha, quando tudo começou a ficar escuro as luzes coloridas iluminaram o ambiente. Matheus observou uma enorme cúpula de cristal iluminada por pedras coloridas e brilhantes presas num poste.
–Esse é nosso aquário. – informou.
–Aquário? – perguntou Matheus.
As portas de vidro se abriram, e eles entraram numa saleta com mais duas portas, uma embaixo, a outra em cima, a de cima era a entrada seca, e a de baixo era a que eles usaram. Matheus entendeu o sentido de aquário. Mamíferos marinhos de todos os tamanhos, tartarugas marinhas, e até peixes mais simples, todos em diferentes áreas sendo cuidado por vários Atlantis, todos com ferimentos muito graves.
–Tá vendo aquela tartaruga? – perguntou Gui – tiveram que fazer uma cirurgia no estomago dela porque ela ingeriu lixo humano, e aquela, ficou presa dentro de um anel de plástico quando filhote, daqueles que se prende as latas de cerveja, o corpo dela deformou, aquele golfinho, pego por uma rede e teve a barbatana amputada, não é o primeiro que isso acontece, um até ficou famoso não foi? É difícil, os animais não nos procuram pedindo ajuda, e nós não conseguimos ajudar nem metade, mas fazemos o melhor que podemos.
–Eu compreendo, fui egoísta – admitiu Matheus.
–Não é só cantar e nadar, temos nossos deveres, e um deles é cuidar do nosso lar! – exclamou Guilherme.
Matheus olhou pra um golfinho com várias partes mecânicas em seu corpo. Literalmente um ciborgue. Um tritão de cauda azulada cuidava dele e até que o bicho parecia feliz:
–O que aconteceu com ele? – perguntou.
–Existe um grupo de humanos – começou Gui – que sabem sobre a magia, os caçadores, eles caçam bruxos, feiticeiros, dragões de todas as espécies, gárgulas, e nós, geralmente os dragões humanos, que são humanos que viram dragões, estilo aquele desenho da Disney, ou os gárgulas acabam com eles, mas eles são muitos, e nunca desistem, sequestraram o Rocle há uns anos, e usaram ele pra nos atrair, ele foi salvo mas não antes que as nadadeiras e as barbatanas fossem seriamente feridas. O caçador que teve essa ideia foi preso e capturado, e o castigo dele foi ele se ver no nosso lado pra saber o mau que fez, não podíamos transforma-lo nem num gárgula nem num dragão, Deus não deu asas a serpentes, é impossível transforma-lo em bruxo ou feiticeiro, e ainda tem a questão do asas a serpente, então transformamos ele num tritão, ele foi caçado pelos próprios homens, quase morreu, e por fim aprendeu a lição, e escolheu continuar como tritão, ele que está cuidando do Rocle, bem ali – apontou pra o tritão de cauda azulada.
–Deviam tê-lo matado – comentou Matheus.
–Todos merecem uma chance – respondeu Guilherme.
–Gui, o que houve com você? Porque você está aqui em Atlântida quando devia estar com seus pais? – perguntou Matheus, ele já tinha essa duvida há muito tempo, mas não sabia como perguntar, e nem se era realmente uma questão verdadeira, afinal Guilherme poderia tá passando só uns dias na água, mas estava claro que o garoto não tinha planos pra voltar.
–Eu voltei pra casa com dez anos – começou Guilherme narrando outra historia – e passei um ano bem feliz com meus pais, mas aos onze anos, o tio Otavio nos achou, ele nos prendeu numa caverna onde só tinha dois jeitos de fugir, ou eu dava meus poderes, ou tínhamos que revelar nossos segredos, Eu revelei que tinha saudade do mar, meu pai revelou que várias vezes desejava ter cauda de novo, e minha mãe.... minha mãe revelou que me amava muito, mas que não teve filho, que nunca foi mãe, pois perdeu meu crescimento, e revelou que ela queria ter outro, dessa vez um que ela pudesse criar e cuidar. As revelações foram chocantes, confesso que fiquei chateado, e triste, mas não podia culpa-la, ela realmente não pode ser uma mãe pra mim. Eu me afastei, voltei pra Atlântida, passo muito tempo com eles, na verdade, desde meus dez anos, esse tempo com você é o maior período que eu passo em Atlântida, mas eu me sinto muito mais em casa aqui do que lá!
Matheus abraçou Guilherme que retribuiu o abraço encostando a cabeça no ombro do primo. Os dois ficaram assim por um tempo até que Guilherme disse:
–Estamos os dois sem camisa, sem usar nada alem de um cinto e uns braceletes, me larga!
–Ou o que? – perguntou Matheus.
–Aquele papo de te mostrar o lado colorido da vida – respondeu Guilherme ironicamente e soltando Matheus, mas Matheus continuava a abraça-lo.
–E se eu quiser ver o lado colorido da vida? – perguntou Matheus.
–Para! – mandou Guilherme. – Serio – Guilherme apertou os braços de Matheus e afastando-o.
–Hey! – exclamou Matheus depois que foi solto e seus braços latejaram.
–-Vou pra casa! – avisou Guilherme nadando na velocidade turbo pra fora dali.
–Guilherme o que foi aquilo? – perguntou Matheus depois de voltar pra casa e nadar até o quarto de Guilherme. – Cadê você? – perguntou.
–Na cama! – respondeu.
Matheus nadou até o buraco na parede do quarto do primo, entrou e se deixou flutuar até ficar encostado no teto almofadado ao lado de Guilherme:
–O que foi aquilo? – perguntou.
–Você não é gay, nem bi, é apenas um hetero curioso, e da ultima vez que me envolvi com alguém assim acabou mau. Muito mau. – respondeu Guilherme.
–O que aconteceu? – perguntou Matheus.
–Por alguma razão eu conto tudo a você não é? – perguntou antes de responder – Eu tinha de treze pra catorze anos, estava na terra, e foi quando me descobrir, um garoto, da minha cor, cabelos cacheados, e olhos lindos, feiticeiro, o nome é Guto, foi uma atração única,, eu nunca senti atração por homens antes dele, ai eu descobrir que cortava pros dois lados, não contei isso a ele até o início desse anos, éramos melhores amigos,e na terra ou perto dele eu só ficava com garotas mas ele notava, então eu contei, e ele aceitou, eu sabia que ele ia aceitar bem, mas o ponto em questão foi...
–Quando ele te perguntou se você sentia algo por ele? – perguntou Matheus.
–Eu não consigo mentir pra ele – respondeu Gui e confirmação – então ele e eu resolvemos tentar algo, foi a primeira vez que eu fiz sexo com um homem, antes era só uns amassos e pronto e mesmo assim nunca com ele ou na terra, a intolerância lá é muito ruim. Eu nunca pedir mais nada,e u sabia que não ia ter mais nada, e ele não sabe que eu me magoei e nem deve saber entendeu? – perguntou e Matheus confirmou com a cabeça – No fim eu até arranjei uma namorada pra ele, eu gostava dela mas vi que não ia dar em nada, superei e juntei com ele, eu sei, confuso, mas eu só quero as pessoas a minha volta feliz, ele tá bem, que eu saiba estão juntos há dois meses, mas eu jurei que nunca mais ia me envolver com um curioso de novo.
–Você está apaixonado por mim? – perguntou Matheus.
–Não, claro que não – respondeu Guilherme com sinceridade.
–Então só uma vez e não vamos nos machucar – pediu Matheus.
–Eu acho importante você experimentar os dois lados, mas Math, eu tou deprimido com as lembranças dos meus pais e das minhas desilusões amorosas, que foram várias, tanto com homens quanto com mulheres, não sei se é uma boa ideia fazermos agora.
Matheus rodou e ficou colado embaixo de Guilherme.
–Acontece, que suas partes baixas não pensam como você, e nem as minhas! – exclamou.
–Vou me arrepender disso! – exclamou Guilherme beijando Matheus e abraçando-o.
–Nunca mais vamos fazer isso! – exclamou Guilherme depois que acabaram.
–Você me usa e me joga fora? – perguntou Matheus brincando e rindo.
–Por isso me chamam de conquistador! – exclamou Guilherme em resposta.
–O que achou? – perguntou Matheus.
–Bis e gays não tem problemas com isso, mas mulheres gostam de homens que não perguntam se foi bom! – comentou Guilherme – sua parte como... Passivo foi bom, e a parte de ativo deixou um pouco a desejar, mas como eu disse, você é só um curioso, e agora eu realmente tenho certeza disso, então, vamos esquecer o que aconteceu, e você se concentra em pegar as sereias que derem sopa.
–Espera, eu não fiz direito na parte que mais importa? – perguntou Matheus.
–Esquecer o assunto? Boa ideia! – respondeu Guilherme fazendo rodeios – Nossa prima vai chegar logo e temos que tomar medidas de segurança pra nós três, três filhos da lua juntos pode atrair energias horríveis com “O” se é que você me entende.
–Como eu não... é o tamanho? – perguntou Matheus.
–Seu tamanho é ótimo, a questão é que... na boa, já não basta você ter feito isso com treze anos queria ser um expert? – perguntou – Olha, você cometeu o erro que eu cometi com minha primeira namorada, e que provavelmente todo homem comete na primeira vez, você quis ter prazer, e se esqueceu de dar prazer, na próxima vez você vai ser muito melhor! – garantiu – agora serio, vou precisar da sua ajuda, e a Venus também, temos que fazer um feitiço pra trazer ela pra dentro da cidade sem levantar suspeitas, Venus deve estar falando com a mãe dela nesse momento.
–Otavio não sabe mesmo da existência da filha? – perguntou Matheus.
–E nem pode saber, ele tentou contra o pai e irmãos, vai tentar contra a filha também. – comentou Guilherme.
–Falei com Hipólita a líder das amazonas, e não. Não é a mesma de milhões de anos atrás mas é uma descendente que ganhou esse nome depois de demonstrar bravura – começou Venus entrando no quarto.
–Ganhou o nome da irmã de uma rainha, mas não da rainha, quanta honra! – comentou Guilherme ironicamente, mas parou ao ver o olhar da tia.
–Diana vem com a mãe ainda hoje, vamos fazer um feitiço de portal pra garantir que ela chegue! – informou Venus – Vocês fizeram sexo? – perguntou.
–Mãe! – exclamou Matheus.
–Que foi? Sua cara está de quem quer esconder algo! – comentou ela.
–Tivemos um momento, e ele é apenas um hetero curioso. – informou Gui.
–Outra vez Gui? – perguntou Venus.
–Ele me seduziu, nasceu com seus talentos – informou Guilherme – quando a vaca da Diana vai entrar num portal?
–Vocês anda vão se casar isso sim! – comentou Venus – Ela vem meia noite pelo horário de lá! – informou.
–Lá aonde? – perguntou Matheus.
–Não podemos informar aos homens o local das amazonas, alguns acham que é no Brasil, perto da Amazônia por causa de alguns relatos, outros acham que elas viajam com a chama ocidental e estão em Nova York, mas vocês nunca saberão! – informou Venus. – por isso eu e a rainha abriremos o portal, e vocês só vão vê-la daqui a 24h pra garantir que não descubram o fuso horário.
–Feministas tradicionais – explicou Guilherme – odeiam homens.
–Não odeiam homens... apenas não interagem com eles! – defendeu Venus.
–Elas desenvolveram a partenogênese só pra não fazerem sexo com homens! – argumentou Guilherme – os cientistas humanos acham que partenogênese humana é só uma teoria que não tem registros, isso porque eles não sabem sobre elas!
–Houve sim, há dois anos, o único registrado entre humanos normais, em Londres se não me engano! – comentou Venus – Um ovulo sofre estímulos e começa a se multiplicar formando o zigoto o embrião, até que por fim uma criança apenas com o DNA feminino materno, copia exata da mãe. – explicou pra Matheus.
–Vi isso em House, mas não sabia que tinham registrado um caso entre os humanos – comentou Matheus.
–Amanhã ela aparece né? – interrompeu Guilherme – vou cuidar dos feitiços pra mascarar nossa energia.
–Vocês parecem mais bruxos do que sereias! – comentou Matheus.
–Fique achando! – exclamou Gui – bruxos e feiticeiros fazem qualquer magia, nós somos uma das poucas famílias de Atlantis com poderes grandes, e mesmo assim temos mais limitações que os Wiccanos. E isso não é bem um feitiço, é mais uma invocação para que alguém faça um feitiço, e esse alguém é um deus grego antigo.
–Que é nosso rei e as vezes o pai dele, pedimos a benção dele e canalizamos a energia dele através dos nossos corpos – concluiu Venus – Bem, eu tou indo.
–Até mais tia – despediu-se Guilherme.
–Tchau mãe – disse Matheus.
No dia seguinte, depois de ir a escola, e de mais uma divertida aula sobre as curiosidades de Atlântida, Matheus se deparou com uma sereia loira com cauda azul e uns detalhes amarelos na barbatana em outras partes do rabo, ela usava um biquine com conchas do mar douradas, e uma tiara prateada com uma pedra dourada no meio, tinha pele bronzeada, e olhos dourados, mas voltando ao biquine de conchas, Matheus tinha certeza que ela precisava de conchas maiores. Ela estava conversando com Guilherme de um jeito provocador, Guilherme estava nervoso em vários sentidos.
–Matheus — chamou ao notar a presença do primo – Essa é sua prima vaca, Diana.
–Vaca? – você foi o único homem que eu fiquei, e quer saber? Não valeu a pena, me fez entender porque as Amazonas abdicam os homens – respondeu ela em tom de zombaria.
–Não foi o que eu ouvi do meu quarto! – argumentou Venus defendendo Guilherme.
–Não precisa tia – disse Guilherme – Ela sabe que eu fui o melhor homem da vida dela, e sempre vou ser, mas não vamos dar certo, então ela vai ser infeliz pro resto da vida.
–Realmente te anima pensar assim? – perguntou Diana – Querido primo, você adora se esconder em suas ilusões.
Nas semanas que se seguiram, Matheus revezava seu tempo em aprender sobre Atlântida, sobre seus poderes, e apaziguar a relação entre Guilherme e Diana. Serio um dos dois ia acabar se matando. Um dos pontos mais tocados nas brigas, era Roxie, o golfinho de Diana, na aldeia das amazonas era bem aberto, mas em Atlântida o Golfinho dela tinha que ficar confinado se quisesse respirar, e Guilherme achava isso um absurdo, dizia que ela tinha que deixa-lo livre, já ela falava que ele tinha que cuidar da vida dele, pois se nem a Roxie reclamava, ele também não devia. O fim da briga sobre esse motivo foi quando Venus os lembrou que eles iam sair de Atlântida em breve.
–Ficar na terra, com pernas, não acredito nisso! – comentou.
–Que eu saiba quando você grito mais alto foi quando ambos estavam com pernas – comentou Venus.
–Tia, você sempre vai lembrar do pior erro de nossas vidas? – perguntou Diana.
–Não junto casais a anos, pedir o jeito, acho que lembrar de quando um se entregou ao outro vai se muito mais rápido, quero ser a madrinha tenho que fazer por merecer! – respondeu Venus.
–Sem graça! – rebateu Guilherme.
Matheus não tinha nada contra Diana, ela era legal, e o ensinou alguns truques pra ele. A tiara era o objeto mágico dela, ela a permitia ver o futuro. Ela tinha uma personalidade bem forte, era impulsiva e não levava desaforo pra casa. A mesma mulher que atacou Matheus e Guilherme no primeiro dia de Matheus em Atlântida tentou ofendê-la, e acabou ouvindo coisas que quase a fizeram ter um ataque cardíaco.
–Aquela vaca sempre ataca os mestiços ou qualquer uma que não tenha... como ela diz? Berço. – comentou Diana – Por eu ser uma amazona ela acha que eu não tenho pai, e que sou uma desgarrada, vaca.
–Ela é assim com todas então? – perguntou Matheus – todas as amazonas?
–Que eu saiba, sim, mas a Amazonas sempre revidam mais forte! – respondeu – não fugimos de uma luta.
–Nunca achei que em Atlântida teria velhas dondocas antiquadras – comentou Matheus.
–Existem em todos os lugares! – respondeu Diana Rindo.
Em pouco tempo, Matheus já tinha dominado tudo que precisava dominar pra ser considerado um tritão. Total controle sobre a mente e o corpo, o que incluía seus poderes, ele tina os poderes sobre a água, conseguia dar choques como enguias elétricas, tinha um sonar muito mais forte que qualquer outro, capaz até de quebrar vidros, conseguia escalar paredes no seco, o que foi uma visão estranha, ele com cauda subindo pelas paredes do quarto, alem de alguns outros poderes que eram normais pra qualquer ser do mar, a super força e a resistência avançada. Ele também aprendeu como esconder as barbatanas e escamas do braço, e dominou totalmente a velocidade turbo. Era um Tritão completo.
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