O Filho da Lua

7 VII – Atlântida.


Notas iniciais
A Musica faz parte da vida, e está em todo lugar

Guilherme segurou a mão de Matheus e os dois nadaram sem olhar pra trás. Gui fez um gesto e colocou as duas mãos pra frente unindo-as e Matheus entendeu que era pra copia-lo. Primeiro ambos nadaram lentamente, apenas seguindo as ondas, depois foram acelerando. Até quando estava devagar Matheus já se sentia mais rápido, e agora ele viu que realmente estava indo muito mais rápido.

–Daqui a pouco vamos usar o turbo! – comentou Guilherme.

–Me esqueci que podemos falar aqui embaixo! – comentou Matheus – Ficar calado me parece tão...

–Muitos Atlantis nadam calados por muito tempo porque acreditam que assim se unem com o mar, assim ouvem a água – comentou Gui – Claro, em Atlântida você pode esquecer o silencio, lá é a cidade da musica.

–Como vamos chegar lá? – perguntou.

–Já podíamos ter chegado, mas quero te levar a um lugar antes – respondeu Guilherme. – existem pedras negras espalhadas por toda a água em locais estratégicos, elas te levam pra Atlântida, passamos por uma há um tempão, mas quero te levar pra uma outra mais no fundo.

Estava ficando muito escuro quanto mais eles nadavam, até que finalmente Guilherme falou:

–Pronto pra usar o turbo?

–Sim! – respondeu.

Guilherme nadou mais a frente e bateu a calda, quando Matheus deu por si, seu primo já estava a quilômetros de distancia com bolhas em volta dele. Matheus fez a mesma coisa, e se surpreendeu ao ver que todo seu corpo rebolava em alta velocidade enquanto as bolhas vinham em seu rosto. Guilherme parou e ele parou logo em seguida. Estava muito escuro onde eles estavam, mas Matheus via com clareza, ele olhou pra Gui e viu que os olhos dele estavam vermelhos.

–Os seus estão verdes – informou Guilherme – Adaptação de Darwin se lembra? – perguntou fazendo um gesto pro rosto – visão noturna e logo, logo você vai sentir a telepatia.

–Porque paramos? – perguntou Matheus – estou tonto.

–Eu sei – respondeu Guilherme – tá vendo aquilo?

–Tou... o que é?

–A base de um centro de petróleo – respondeu Guilherme – a pressão aqui é muito forte, por isso você ta tonto, sua cabeça vai doer, ai seu esqueleto vai endurecer ainda mais, e você vai se adaptar, então tocaremos naquela pedra.

–Ai! Minha cabeça! – exclamou Matheus gemendo e com a mão na cabeça– Vai explodir!

–Não fale, grite, deixe a dor sair! – aconselhou Guilherme.

Matheus gritou com toda garganta deixando a dor sair. Assim que parou de gritar, percebeu que estava diferente, se sentia diferente. Tocou em seu peito e sentiu-o mais duro, seus braços também, e sua barbatana brilhava.

–Já estavam brilhando antes! – informou Guilherme – e as minhas também estamos no escuro cara! Vamos, a pedra está ali, segure nas minhas barbatanas, as da calda não a do braço.

Guilherme nadou e Matheus segurou nas barbatanas dele, depois simplesmente sentiu um frio passar pelo sue corpo e uma luz o cegou. Quando abriu os olhos tudo estava diferente, estava mais iluminado, e a sua frente ele via um enorme castelo dourado que emergia de um muro de prata igualmente grande.

–Chegamos, bem vindo a Atlântida! – exclamou.

Tinham vários tubos de cristal rodeando toda a cidade e pedras preciosas coloridas cobrindo o muro de prata. Envolta do enorme, e literalmente, enorme reino, tinha um cristal tão fino e limpo que Matheus só notou por causa do ângulo da luz. Os dois nadaram lentamente em direção aos portões guardado por dois tritões segurando tridentes, mas um ser azulado e brilhante passou por eles e rodeou Matheus. Uma serpente de um lindo tom azul, outras duas vieram e rodearam Guilherme e Matheus. Depois de darem várias voltas a pele parou de brilhar, e as serpentes ficaram brancas, duas foram embora, mas a outra continuou ali e nadou envolta de Matheus.

–O que são... Quem são essas? – mudou ao notar o olhar de uma delas.

–São serpentes de luz – informou Guilherme apontando pra cobra branca – elas possuem uma grande energia mágica e espiritual, quase nunca se revelam pra Atlantis.

–Ela está nadando a minha volta! – comentou Matheus animado.

–Só prova o que eu sempre disse, você é especial! – justificou Guilherme.

A serpente branca tinha voltado a nadar envolta de Matheus e o garoto realmente entendia a importância daquilo. Ela nadou pra o lado e voltou a brilhar em azul, depois sumiu mesclando-se com o mar. Os dois voltaram a nadar até Atlântida, um dos guardas encostou a mão no muro e a porta de vidro se abriu. Eles entraram numa câmera com mais duas portas.

–Aquela é caso queiramos “andar” nas “bolhas” ai nós entramos em outra câmera, e a água é escoada – explicou apontando pra direita – mas essa é a que vamos pegar agora.

Guilherme colocou a mão na parede do lado da porta, e ela se abriu. Assim que a porta se abriu, Matheus começou a ouvir. Ouvir um som lindo e encantador, a musica já tocava em Atlântida. Uma menininha sentada numa pedra cantava: “Aqui é meu lar, meu mundo no mar, e aqui vou ficar, pra sempre a cantar”. Eles entraram na grande cidade submersa, os canos de cristal percorriam cada milímetro da cidade, tanto é que todas as casas estavam ligadas a eles.

As casas eram em sua grande maioria brancas, vários e vários prédios colocados estrategicamente, e várias sereias e tritões nadavam cantando outras musicas em outros idiomas, numa sinfonia única e animada. Guilherme puxou Matheus e os dois nadaram pra cima, como se fossem emergir na superfície, demorou muito até que Guilherme parasse e mostrasse a grandiosa cidade. Era uma cidade circular com várias construções magníficas, os canos chamados de bolhas se encontravam em outras construções onde alguns Atlantis almoçavam, compravam roupas, ou jogavam jogos humanos. A maioria nadava livremente pela cidade, como sempre, cantando em sinfonia com o mar, e no meio da cidade redonda, lá estava ele, o magnífico e enorme castelo dourado.

–Bem vindo a Atlântida! – exclamou Guilherme.

–Oh, aqui no mar, no nosso lar....

–Aqui é nosso lugar.

–Aqui é onde sempre vamos estar

A musica continuava, vários seres do mar cantavam em tons animados e em línguas variadas, mas parecia rimar em todas elas. Guilherme puxou Matheus e os dois nadaram na velocidade turbo junto com um grupo de Atlantis. Matheus não sabia aonde ia por isso não podia saltar Guilherme. Mas os dois só saíram da velocidade turbo quando já estavam bem perto do castelo, então desceram nadando lentamente.

–Ai! – exclamou uma sereia de calda laranja – Olhem por onde andam mestiços! – exclamou ela.

–Você se esbarrou na gente de propósito sua piranha listrada. – argumentou Guilherme.

–Não fale assim comigo mochinho. – respondeu a sereia botando o dedo no rosto dele.

–Ou o que? – perguntou Guilherme – Tenho mais poder em um dedo do que você em todo seu corpo cirurgicamente deformado. Saia daqui Marta!

A sereia de olhos negros e pele branca agitou a cauda laranja e nadou em turbo com seus cabelos negros deixando um rastro pra trás.

–Ela sempre implica com agente, mas relaxe – informou Guilherme.

–Porque isso? – perguntou Matheus – aqui tem aquela coisa de sangue puro? – perguntou.

–Não, mas ela insiste em colocar isso, ela é uma sereia mau amada. – justificou Guilherme. – vamos, nossa casa é ali.

–Casa? Isso é uma mansão – o edifício a frente deles era realmente enorme – mora mais gente alem de você e minha mãe? – não, ninguém. Antes tinha nossos tios e outros membros da família, essa casa é antiga lembra? Está aqui desde antes de Atlântida afundar, uma das principais residências.

Guilherme colocou a mão num vidro ao lado das portas de madeira. Uma luz verde brilhou e uma voz mecânica falou: “digital confirmada”. As portas se abriram, e os dois entraram. Guilherme segurou Matheus, e o fez olhar em seus olhos.

–Sabe, tem uma coisa que eu tenho que falar, pra retribuir um favor a sua mãe! – começou Gui.

–O que é?

–Ela disse isso pra mim quando encontrei com minha mãe pela primeira vez e no seu caso é igual ao meu então...

–Fala como uma pessoa normal! – pediu Matheus.

–Guilherme? – chamou uma voz feminina.

Gui virou Matheus e o fez encarar a sereia de cauda laranja, cabelos loiros esvoaçante, e pele bronzeada...

–Você tem os olhos de sua mãe! – disse Guilherme.

...E olhos extremamente azuis.

Notas finais
No proximo capitulo -Ele é novo? - perguntou a sereia de cabelos coloridos. -Tá na cara né? - respondeu Gui. -Meu amor, não é você que escolhe o cinto, o cinto, escolhe você! - corrigiu ela.