POV SAMANTHA

– Isso mesmo, ela pagará com a vida. – Ouvimos uma voz nos interromper fazendo com virássemos rapidamente naquela direção

Era Ártemis e o resto das caçadoras logo atrás.

Senti Nico se colocar á minha frente, como defensiva.

– Samantha — A deusa me chamou, e senti um arrepio percorrer meu corpo. Levantei-me e fiquei entre Nico e Percy.

– Aqui — respondi.

– Sabe que temos coisas á resolver , não sabe?

Eu assenti.

– Sim... Senhora — respondi.

– Muito bom, então seja primeiramente mulher suficiente e venha até aqui. Vamos acabar logo com isso — A voz dela era firme e ameaçadora.

Dei um passo á frente, mas parei quando Percy segurou meu braço.

– O que vai fazer com ela? — Ele perguntou.

Ártemis virou o rosto lentamente para ele.

– Ela terá sua punição. Não interfira meio sangue.

– E qual será a punição? — Nico perguntou.

Abaixei a cabeça para disfarçar as lágrimas.

– A morte para essa traidora — Ouvi Thalia dizer.

– Traidora? – Repeti olhando para ela.

– Vixe – Ouvi Nico sussurrar do meu lado.

– Não sou uma traidora, simplesmente aconteceu.

– Simplesmente aconteceu? Deixa de ser mesquinha, confiamos em você, você era uma de nós — Respondeu Thalia com ferocidade.

– Isso é ridiculo. Esse juramento é ridiculo, amo todas vocês — Olhei para cada uma delas — Todas.

– Você... — Thalia foi interrompida.

– BASTA! — Gritou Ártemis.

Eu e Thalia paramos na mesma hora.

Ela apontou para mim.

– Você sabe o que fez e também sabe das conquencias, soube na hora em que aceitou fazer parte da nossa familia. Venha aqui e pague com a sua divida.

Percy segurou meu braço mais firmemente. Nico agarrou minha cintura.

– Tudo bem — consegui susurrar.

Nico e Percy olharam para mim.

– Tudo bem? Sam... Você não pode... — Nico começou.

– ... Fazer isso, tem de haver outro jeito. Ártemis, VOCÊS NÃO PODEM SIMPLESMENTE CONVERSAR E ESTABELECER UM ACORDO? — Gritou Percy para ela.

Me soltei dos dois e comecei a caminhar em direção a deusa e as caçadoras.

– SAM! POR FAVOR...

Ouvir Nico essa hora fez com que meu coração parasse por um instante. Parei e olhei para trás. Ele me olhava como se tudo aquilo dependesse a vida dele, lágrimas caíram de seus olhos, suas pernas tremeram por um segundo e então ele caiu de joelhos no chão.

Percy se abaixou ao seu lado e então...

Eu não consegui mais olhar.

Uma claridade muito grande tomou todo o lugar, ouvi suspiros de tédio e nervosismo por parte das caçadoras. Olhei para Ártemis e ela estava de braços cruzados sobre o peito, sua expressão de pura raiva. Olhei em direção á claridade intensa me arrependendo logo depois.

– Feche os olhos — Ouvi Percy dizer e obedeci.

Então, toda a claridade sumiu e senti um intenso calor.

– Pode abrir agora — Obedeci.

– Um carro? — Perguntei susurrando. Foi a primeira coisa em que percebi.

Tinha esquecido completamente que eu estava prestes a pagar uma divida, cujo essa era a morte.

A porta se abriu e um homem saiu de dentro.

– Apolo – Nico disse.

Suspirei.

Eu era a garota mais sem sorte do mundo.

– Olá doçuras – Ele disse olhando para as caçadoras.

– Apolo, agora não. E não chame minhas caçadoras... — Ártemis começou a dizer.

– Só estou sendo carinhoso irmãzinha — Ele disse interrompendo com um sorriso.

– O que você quer? – Ela insistiu.

– Só vim aqui por que... – Ele olhou pra mim e desfez todo o sorriso – Porque ela também tem uma divida comigo.

– Então essa é a sua característica Samantha? Divida com todos os Deuses? — Ártemis me provocou.

Acho que eu to ferrada.

– Ah irmãzinha, era óbviu que ia ter uma que não ia conseguir seguir o juramento. Pra algumas essa lei é nova e... dificil — Ele falou olhando o que percebi na direção de Thalia, que lhe lançou um olhar sombrio.

– Não se intrometa, não é assunto seu – Artemis disse ríspida.

– Eu só acho que podemos fazer ela pagar essa dívida juntos, tipo, é mais rápido e prático — Ele disse com um sorriso.

Tenho certeza que to ferrada.

Senti meu mundo começar a girar.

– Vai ficar tudo bem, to aqui — Nico disse agarrando minha cintura. Respirei profundamente.

Percy apenas nos olhava.

– Então, o que sugere? — Ártemis perguntou.

Apolo olhou para mim e pela primeira vez não senti nenhuma expressão zangada ou rancorosa em seu rosto.

– Vamos todos resolver isto... No olimpo — Respondeu o deus.

As sombrancelhas de Ártemis se levantaram.

– Quer envolver Zeus nisso?

– Não é obvio que ele já saiba? Sim, vamos logo com isso — Apolo disse e se virou em direção á seu carro.

Segurei a mão do meu irmão e aproximei meu corpo ainda mais de Nico.

– Ótimo. Mas, quero que saiba Apolo que vai se arrepender da escolha — A deusa falou antes de num piscar de olhos desaparecer, junto de todas as caçadoras. Não antes que eu visse o olhar que Thalia lançou para mim.

– Nossa vez — falou Apolo nos tirando do choque. Então ele levantou a mão com a palma para cima e a partir dai eu não senti nem meus braços, nem minhas pernas. Eu não sentia nada e não via absolutamente nada.

Era como se eu tivesse sido engolida pela escuridão bem no meio da claridade.

Comecei a ouvir vozes ao meu redor.

– Não deixarei que isso aconteça — Disse uma voz masculina e forte.

– Não pode interferir — Respondeu outra.

– Você acha que não, mas farei tudo pelos meus filhos.

– Rapazes, por favor... — Uma terceira voz se interpôs.

– Não se intrometa Atena.

– Não fale assim com ela.

– Não me diga como agir com alguém, sou o Deus dos Deuses, sei como agir.

– Sua ladainha já me cansa.

– Então, nós vamos resolver isso hoje ainda? Eles chegaram.

Apolo.

Foi quando eu abri os olhos e senti meu rosto esquentar.

Eu estava no olimpo. E o que reconheci ser Zeus , Atena, Apolo, Ártemis e Afrodite olhavam para mim. Me encolhi e senti que Percy ainda estava ao meu lado e segurava minha mão. Senti o braço de Nico ao meu redor.

– Sam — Percy susurrou para mim e com muita dificuldade olhei para ele, havia um sorriso em seu rosto — Olhe.

Olhei para onde ele apontava e...

Caraca, hoje era meu dia.

Um deus que eu não havia visto, de olhos claros e braços fortes olhava para mim fixamente.

Poseidon.

Ele segurava o Tridente.

– Pai? — consegui dizer.

Ele sorriu.

– Bem vinda Samantha.

Não consegui identificar o turbilhão de emoçoes que eu comecei a sentir.

– Você... — Não consegui terminar pois uma Deusa cheirando rosas me interrompeu.

– Ah, mais não é uma cena linda? Um encontro de Pai e filha. É tão... — Ela passou os dedos no rosto de forma teatral — Emocionante.

– Essa é Afrodite — Nico susurrou no meu ouvido.

Sorri com o que era obvio.

– Sim sim, muito emocionante, mas estou disposta a terminar isso logo, minhas caçadoras me esperam — Artémis interrompeu.

Afrodite bufou e se sentou em uma cadeira que apareceu do nada.

Eu e Poseidon nos encaravámos. Seu sorriso era de culpa.

– Muito bem. Qual será sua punição? De acordo com o juramento, a morte.

Zeus nem ao menos me olhava.

– Já disse que não deixarei — Poseidon interrompeu.

– Não se esqueçam de mim — Apolo disse sentando-se.

Então os Deuses começaram a discutir.

– Estou com medo — susurrei.

Nico e Percy me olharam.

– Nosso pai não vai deixar nada acontecer com você sam, e estamos aqui — Percy tentou me acalmar.

– Sim, sempre estaremos — Nico respondeu sorrindo.

Eu assenti.

Percebi Atena nos olhando e sua expressão era indecifrável.

– Ela não gosta muito de mim — Percy falou acompanhando meu olhar — Não é com você. Ela quer conversar comigo.

Olhei para ele.

– Annabeth? — Tentei adivinhar.

Ele assentiu.

– Como ela descobriu?

Ele de um sorriso debochado e não respondeu.

– SENHORES! — Atena se prostrou diante de todos com uam voz alta e firme — JÁ CHEGA NÃO ACHAM? VAMOS RESOLVER ISSO DE FORMA CIVILIZADA.

Todos a olharam.

– Mesmo? E o que sugere? — Ártemis perguntou.

Atena sorriu.

– Dê uma punição á menina, mas não só a menina — Ela olhou para mim e Nico — Sei que ela não fez nada sozinha.

Poseidon acompanhou o olhar da deusa sobre nós e encarou Nico.

Senti meu namorado se encolher.

– E qual será a punição? Morte aos dois? — Ártemis insistiu.

– Não, pensei em...

– Sou O DEUS aqui, darei a devida punição — Zeus interrompeu á todos, e então a grande sala ficou silenciosa.

– Zeus... Irmão — Poseidon pediu.

– Sua punição Samantha Hunter... — Zeus começou e pensei em começar a orar a partir dai.

Me soltei dos meninos.

– Não haverá mortes hoje — Zeus concluiu.

– Como? O que pensa que está fazendo? Meu juramento é lei!

Zeus a ignorou.

– Samantha Hunter, você e Nico Di angelo estão proibidos de entrar no acampamento meio sangue. Não passarão pelas barreiras. Os dois definitivamente proibidos de entrar no único lugar em que a proteção é certa. Essa é a punição. Os dois por conta própria.

Meu coração parou.

Minha pressão caiu.

Meus joelhos tremeram.

Minha visão ficou turva.

Mas Nico me segurou.

Sorrindo.

– Estamos juntos — Susurrou.

Não consegui responder.

– Isso é um absurdo, não pode... Ela não pode... O juramento não funciona assim.

– Eu digo agora como o juramento funciona Ártemis, fique quieta.

A deusa bufou como uma criança.

Olhei para meu pai e ele sorria.

Afrodite chorava.

– Preciso conversar com você — Uma voz disse ao nosso lado e nos três nos assustamos. Atena estava parada uns passos distante de nós. Ela encara Percy, que assentiu e lançando um ultimo olhar para nós seguiu a Deusa, sumindo por um corredor logo em seguida.

– E quanto á mim? — Apolo interrompeu levantando-se.

Zeus o olhou.

– Você se comporta como um adolescente, essa punição também pagará a divida dela com você. Já basta — Zeus respondeu e sumiu como se nunca tivesse estado ali, levando consigo a Deusa da Ártemis.

– Odeio chorar, isso estraga totalmente a minha maquiagem e me deixa rugas — Afrodite falou choramingando e também sumiu em uma fumaça cor de rosa.

– Então... Boa sorte Samantha — Apolo sorriu para mim e sem dizer mais nada também partiu.

Mas Poseidon ainda estava ali e andava em nossa direção.

Minha visão ainda estava embaçada.

– Meus filhos são sempre teimosos e agem de forma inesperada mais que todos os outros semideuses... — Ele falava cada vez mais perto de nós. Nico abaixou a cabeça, não sei de vergonha ou de medo.

Consegui sorrir.

Então, Poseidon me abraçou.

Empurrando Nico para o lado.

– Mas eu os amo. Todos os meus filhos. Me desculpe Sam — ele disse em meu ouvido.

– Tudo bem... Pai — respondi.

– Bom — ele me soltou e encarou Nico — Você... Conheço você. Convenceu Hades a lutar conosco contra Cronos.

Nico o olhou.

– Sim senhor — respondeu.

Meu pai assentiu e deu leves tapinhas no ombro de Nico.

Suspirei aliviada.

– Acho que agora temos que ir... Cumprir punição — falei.

Os dois olharam para mim.

– Para onde vamos? — Nico me perguntou.

Abri a boca para responder mas fui interrompida.

– Deixem isso comigo. Sam, não se esqueça que amo você e amo Percy, estarei sempre aqui e acompanharei cada passo de vocês.

Assenti sorrindo.

– Deêm as mãos — Poseidon pediu e agarrei a mão de Nico.

– Vocês dois — Poseidon falou e olhamos para ele — Não façam nenhuma bobagem, não quero ter aquelas conversas com vocês.

Corei.

– Sim senhor — Respondemos eu e Nico juntos.

Ele sorriu e então foi a última coisa que vi, pois mergulhei na escuridão novamente.

Notas finais
Por conta própria?

E agora?

Gostaram?

Bjs e até o próximo!