O Filho De Éolo
1 Luto Com Meu Professor de Matemática
Notas iniciais
Ter uma vida de semideus não é nada fácil. Tem de se proteger de monstros, lutar com inimigos, abandonar a família e principalmente assumir grandes responsabilidades. Não poderá fraquejar nem recuar, tem sempre que agir da maneira correta e nunca se influenciar por coisas negativas. Se você, pobre mortal, acha que tem capacidade para enfrentar tudo isso, continue lendo, tenho certeza que será um jovem e corajoso semideus.
Meu nome é Will Fletcher. Tenho 13 anos, sofro de hiperatividade e transtorno de déficit de atenção. Ao contrário de todos na minha sala, fui expulso de várias escolas diversas vezes.
Era um dia normal de aula, professores eventuais tentavam explicar matérias, os garotos do fundo atiravam bolinhas de papel e as garotas maquiavam umas as outras. Suas mesas estavam repletas de brilho labial, batom, lápis de olho e muitas outras coisas das qual eu nem sabia o nome.
Eu estava sentado no fundo, isolado e sendo alvo de aviõezinhos de papéis vindos do outro canto da parede por um grupo de meninos.
Pra mim aquilo era normal, todo dia de aula era assim. Mas eu não estava mais aguentando, tentei-me manter quieto e ignorar a situação, até que uma bola de papel pequena, mas cheia de saliva atingiu minha cabeça.
Levantei-me enfurecido e olhei na direção dos meninos e logo soube que quem me atirou aquilo foi o garoto mais insuportável e cheio de ego da sala, Rafael Félix.
– Qual é Fletcher? – Rafael gritou – Vai fazer oque? Bater-me?
Não estava disposto a arrumar uma briga, mas taquei a bolinha de volta com o triplo de força que ele havia me jogado.
Bem no momento em que o papel atingiu seu peito o professor olhou.
– Willian Fletcher! – gritou o professor – Não é permitido guerra de bolinhas de cuspe em minha sala, portanto, me acompanhe!
Enquanto eu e o professor caminhávamos em direção à diretoria pude ouvir risinhos a nossas costas.
Logo que entramos no corredor, a escola todo apagou.
Gritos bem altos de alunos dava-se para ouvir a distância, mas não era do tipo “Socorro tenho medo de escuro”, era como “UHU FESTA DA ESCURIDÃO!”.
Queria saber oque estava acontecendo, raramente ocorria esse tipo de coisa na Academia Quintiliano (minha atual escola).
– Deve ter dado um curto circuito na caixa de luz, vamos em frente – disse o professor.
Segui ele pela escuridão, e entramos na diretoria. Não estava totalmente escura, pois ainda estava de dia e as janelas estavam abertas.
A diretora não estava lá, oque era estranho. A mesa em que ela trabalhava relatando ocorrência de alunos estava vazia.
Havia apenas eu e o professor dentro da sala escura. Ele não parecia surpreso tanto quanto eu por não achar a diretora.
De repente a porta da sala se fechou sozinha. Olhei para meu professor, mas ele não estava mais lá. Desconfiado, dei pequenos passos para trás, quando as luzes se acenderam.
Procurei-o em volta da sala, quando reparei uma criatura monstruosa presa no teto, como uma aranha. Mas não era exatamente uma aranha, tinha o corpo de um humano, presas enormes, garras e era bem peluda.
– Filho de Éolo – rugiu a criatura – Aproveite esses segundos jovem semideus, pois serão os últimos.
Corri para a porta com esperança que alguém me tira-se daquele lugar, o monstro desceu do teto e veio caminhando em minha direção lentamente, como num filme de terror.
No meio do desespero pude perceber que o monstro estava com as roupas de meu professor. Ou a criatura teria jantado ele, ou a criatura ERA ele.
Ele já estava uns 3 metros de distância para chegar a mim. Fechei bem os olhos, torcendo para que tudo aquilo fosse apenas um pesadelo. De repente as janelas se abriram com a força do vento. Abri meus olhos e vi que papéis e livros voavam pela sala como se ali naquele lugar estivesse um furacão.
Aquilo não poderia ser normal, olhei para o monstro e percebi que ele estava tão confuso quanto eu. Olhei em volta de meu corpo e percebi que o vento agia conforme eu mandava. Apontei para um estante de livros e logo ela caiu sendo empurrada pela ventania.
Juntei minhas duas mãos e apontei para a criatura. O vento a rodeava com muita força.
– Aproveite esses últimos segundos professor – disse ao monstro – Eles serão seus últimos.
Baixei minhas mãos e em um milésimo de segundos o vento soprou meu professor de matemática para fora daquela sala pelas janelas. Corri para assistir oque o mini furacão faria com ele.
O vento soprou o monstro com tanta força que ele se chocou contra o muro explodindo a criatura em um milhão de pedaços.
Oque eu tinha feito? Matei meu professor de matemática e destruí a sala da diretora. Como iria explicar isso para todos e até mesmo a polícia? Se ser trancafiado numa escola entediante imagine num reformatório! Não podia aceitar aquilo, pulei a janela e fugi, como um verdadeiro foragido.
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