O Filho De Thanatos (Hiatus)
6 5- Bonus: Sou meio o que? (I)
Notas iniciais
(Pov. Beatriz)
Acordei normalmente naquela manhã, levantei fui tomar banho fiz minha higiene matinal, coloquei o uniforme da escola, uma camiseta branca, e calça jeans.
Desci para tomar café e deparei com meu tio Frederick conversando com meu pai, voltei um pouco para a escada para ficar escondida e ouvir o que eles diziam, eu sei que é errado, mas desafio alguém a quando ouvir seu nome sendo pronunciado por um de seus parentes que estava conversando aos sussurros com seu pai não parar, para escutar.
-... Ela não pode saber. – meu pai parecia zangado.
-Voce vai esconder dela até quando? Ela já tem quinze anos.
-Mas...
-Ou você conta ou eu conto- meu tio ameaçou.
-Voce não tem esse direito!- meu tio gritou.
Resolvi adentrar a cozinha, fiquei zangada, pois eles falavam de mim.
-Direito de contar o que, hein pai?- falei furiosa.
Ele parecia embasbacado.
-Bia, está ouvindo desde quando?
-Desde o: “... Ela não pode saber.”- falei em uma péssima imitação da voz de meu pai- Ela não pode saber o que?
-Bia... Vá para a escola, quando voltar nós conversaremos- ele disse com a voz um pouco tremula.
-Mas...
-Sem, mas- ele disse autoritário- Vá, conversaremos a tarde.
Olhei para meu ti opensando que ele ia me defender, mas seu semblante estava triste.
Sai da minha casa e segui até o ponto de ônibus, lá me sentei no banco, com as mãos no queixo.
Do que eles estavam falando? Perguntei-me.
Levantei meus olhos quando senti a presença de uma pessoa, era meu vizinho, Seth, ele mora na casa em frente a minha, ele é por assim dizer, “estranho”, não importa o calor que esteja ele sempre usa uma blusa preta de moletom e calça jeans, além do mais ele é muito pálido, eu sempre pergunto para ele o porquê disso, mas ele sempre diz respostas evasivas.
-Oi Bia, tudo bem? – ele disse com a voz grave.
-O... Oi, nossa, o que aconteceu?- perguntei horrorizada, vi uma coisa que não estava lá ontem: uma grande cicatriz em forma de x enfeitava-lhe seu rosto, logo abaixo de seus lindos olhos azuis.
-Um... Um acidente- ele disse, mas eu percebi que ele escondia alguma coisa.
Fitei-o com os olhos semicerrados.
-Conte a verdade.
-A verdade?- ele perguntou.
-Sim- respondi estufando o peito.
-Um garoto como você.
Fiz uma cara confusa.
-Como assim?
-Um meio sangue- ele disse sombrio.
-Um meio o que?
Ele se transformou em uma coisa estranha, seus músculos cresceram um pouco, sua pele ficou ainda mais pálida, da cor do leite, olheiras roxas apareceram embaixo de seus olhos que se tornaram vermelhos, seus dentes caninos cresceram chegando quase até o queixo, pequenas garras cresceram em suas mãos.
Dei um salto para trás, de algum modo eu sabia que ele era um vampiro.
Ele brandiu a garra na altura do meu rosto me abaixei e ele cortou o ar, sai correndo, vi que ele estava me seguindo, apertei mais o passo, ele saltou, mas não foi um salto pequeno, ele dobrou os joelhos e pulou, abriu os braços e eles se transformaram em asas de morcego.
Seth se postou na minha frente e abriu as asas que se transformaram novamente em braço normais, dei um berro e recuei alguns passos.
-S-Seth- balbuciei- Calma, sou eu, calma.
Mas de algum modo eu sabia que ele não estava escutando, sabia que ele estava transformado, não só seu corpo, mas também sua mente.
Não sei porque eu olhei para o outro lado da rua, talvez tivesse visto a garota com o canto do olho, ou ouvi seus passos, sei lá, mas esses poucos segundos quase me custaram a vida.
Seth cravou as presas no meu braço, gritei e bati nele com a bolsa, ele tirou os dentes de meu braço, dois pequenos furos enfeitavam agora meu pulso, sangue começou a jorrar, cai de joelhos.
A garota do outro lado da rua jogou alguma coisa em Seth, algo parecido com um punhal, que acertou seu peito na altura do coração.
-Não! –gritei,apesar de tudo, ele sempre foi meu amigo, não queria que ele morresse- Seth não!
A garota se ajoelhou ao meu lado, ela usava uma capa preta e um capuz cobrindo-lhe os olhos.
Ela tirou o punhal cheio de sangue, após fazer isso os olhos de Seth perderam o foco, mas ele disse algumas palavras que eu não entendi, depois ele se desfez em areia.
A garota baixou o capuz e olhou em meus olhos, ela tinha cabelos ruivos, um rosto cheio de sardas e olhos verdes, tinha aproximadamente 17 anos.
-Q-Quem é você?- gaguejei.
-Rachel, Rachel Dare, você está bem?- ela perguntou.
-Estou, o que aconteceu com Seth?
-Ele morreu- fiz uma cara de horror- Mas ele não é um humano, você viu, ele é um vampiro, uma criatura da noite.
-Uma o que?
-Criatura da noite, servas de Nix.
Olhei para ela confusa, percebi que ela me estudava, olhei para meu braço, estava empapado de sangue. Acho que ela também percebeu, pois disse:
-Oh, desculpe, peraí. — ela passou a mão em cima do ferimento e disse umas palavras em um idioma diferente que reconheci como grego antigo. Os cortes fecharam instantaneamente, olhei intrigada para ela.
-Como fez isso? –Ela deu um sorriso.
-Benção de meu patrono.
-Seu o que?
-Patrono- ela repetiu devagar- Apolo, deus do sol, da musica e da medicina.
-Peraí, Apolo? Aquele Apolo? O deus grego?- perguntei com uma sobrancelha erguida. Rachel assentiu.
-Como você se chama?- ela perguntou.
-Beatriz Chase- quando falei meu sobrenome ela arquejou.
-Chase? Oh meus deuses, você é parente da Annabeth?
Olhei para ela confusa, ou eu estou louca ou ela é louca, além do mais, de onde essa garota conhece minha prima, pois nem eu conheço Annabeth direito, meu pai diz que ela estuda em um internato, mas eu nunca a vi nem nas férias.
-Bia, posso te chamar assim? – dei um leve aceno com a cabeça- ótimo, vá para sua casa e fiqu lá, espere até eu chegar lá, depois...
A voz dela foi ficando cada vez mais distante, meus olhos começaram a pesar e tudo ficou escuro e se transformou em um tipo de névoa também escura, de repente eu estava
em uma carruagem- não sei como reconheci uma, só sei que era- eu estava sentada
na parte de trás, que era aberta, uma garota estava segurando as rédeas. Tinha
cabelos ruivos, imediatamente pensei: Rachel, mas a garota tinha uns doze anos. A carruagem era prateada e era puxada por renas da mesma cor, quase gritei: Papai Noel, só não gritei porque sei que o Papai Noel é um velhinho barrigudo e não uma menina, a garota se virou, soltei uma exclamação porque os olhos da garota brilhavam em uma luz branca.
-Rápido, eu não tenho muito tempo, eles estão me perseguindo- ela falou e olhou para um ponto alem de mim, me virei e vi uma luz... Uma não varias luzes estavam seguindo essa menina, uma delas lançou uma espécie de jato amarelo que foi desviado apósum movimento que a menina fez com a mão, percebi com um sobressalto que estávamos voando. Me segurei com mais força na borda da carruagem.
-Quem é você?- perguntei com a voz tremula.
-Sua mãe.
Olhei atônita para ela, depois de tudo que eu passei. Sua mãe. Depois de todo o bulling que eu sofri por causa da ausência dela. Sua mãe. Minha mãe, uma garota mais nova que eu. Sua mãe. Como ela tem coragem de aparecer aqui depois de... Mas onde é aqui?
-Minha mãe?- nunca estive acostumada a dizer essa palavra.
-Isso- ela estalou os dedos e um símbolo que parecia uma lua surgiu em cima de minha cabeça- Agora escute, vá para o Acampamento Meio-Sangue e conte a Quiron que você é filha de Artemis, diga que você e o filho de Thanatos devem partir em uma missão, entendeu?
-O que?- como assim, ela fica vários anos sem aparecer e me manda falar com alguém que eu nem conheço? Sai fora.
-Voce entendeu, diga também ao filho de Thanatos que ele deve procurar o descendente de meu irmão gêmeo, aquele que se diz o vidente romano, aquele que transmite os bons, ou maus agouros.
-Seu irmão... O que? Quem é você?Que vidente? Que filho de Thanatos? Quem é Thanatos?
Ela suspirou.
-Eu normalmente sou bem calma, mas você é bem irritante, deve ter puxado Apolo, mas...
-Hello- ou, eu estou aqui.
Ela me olhou com raiva, um dos jatos, dessa vez vermelho atingiu a roda esquerda.
-Eu já disse, meu nome é Artemis, irmã gêmea de Apolo e também sua mãe. — ela disse depois que deu uma guinada para a direita e a roda esquerda desapareceu, mas uma fumaça aperolada continuou a subir.
-Artemis, deusa da lua- ela assentiu- Ótimo, e eu sou o que afinal?
-Uma meio...
Nunca consegui descobrir o que ela quis dizer, pois nesse momento a cena se transformou em névoa. Surgi em outro lugar, um lugar bem diferente de onde eu estava em primeiro lugar era em terra firme.
Em segundo lugar eu não conseguia ver nada, era escuro, uma única luz parecia vir de um lugar no meio do lugar, não sei ao certo como sei disso. Me aproximei do lugar e vi que a luz não vinha de uma lanterna, nem da lua, vinha de uma espécie de esfera luminosa que pairava sobre uma espada (não mencionei que era uma espada? Bem agora eu digo que é uma espada), tinha o punho cheio de diamantes, a lamina e a haste eram de ouro. Olhei em volta, agora que eu estava embaixo da luz, conseguia ver alguma coisa. Uma grande lápide de pedra estava na minha frente, com os dizeres:
Albert Coster
Nascido dia 14 de outubro de 1964
Morto dia 20 de janeiro de 2000
“Quem achá-la use com sabedoria, use os dons de minha mãe”
Olhei para a lapide sem entender, depois reli varias vezes, mas nem assim eu consegui entender, mas lápide? Nascido? Morto? Eu... Estou em um cemitério?
-Use os dons de minha mãe? Que... –resmunguei apavorada.
-Ora, ora, para uma filha da deusa da caça e da lua você é bem burrinha não? Pelo menos não é filha de Atena, senão... Céus, ela nunca iria te reclamar, bem, se eu fosse ela não reclamaria- disse uma voz de uma mulher atrás de mim, seu tom era frio como o inverno e cruel como vários assassinos.
Me virei e encarei a mulher.
Estava na faixa dos trinta anos, tinha pele branca, usava um vestido longo e roxo, um xale cobria-lhe a cabeça, deixando visível as pontas de seus cabelos preto e sua boca que estava com um batom preto.
-Quem é você?- percebi que já tinha usado muito essa frase, só hoje.
-Eu, você não quer saber quem eu sou, mas sim quem é você!
-Como assim quem sou eu?- perguntei.
-Voce descobriu quem é sua mãe, mas ela te contou toda a verdade? Contou porque teve você? Contou porque recebeu o cargo de deusa da lua? Contou porque estava sendo seguida pelos outros deuses?
Minha mente ficou em branco, eu deveria ter perguntado, mas...
-Ela... Acho que...
-MENTIRAS- a mulher berrou, uma esfera de luz roxa surgiu em suas mãos, ela atirou-a em mim, me abaixei e peguei a espada, ela se ajeitou perfeitamente em minhas mãos, olhei para a mulher, seu rosto que segundos antes estava contorcido de fúria, virou novamente o rosto calmo de uma mulher, mas ela parecia alguns anos mais
velha- Ela lhe contou porque eu tive que dividir meu reino com aquela garota burra, insignificante.
-Voce está se referindo a minha mãe? – falei com raiva, apontei a espada para o rosto dela.
-Oh, largue isso, não vai querer fazer mal a uma velhinha indefesa vai?- seu rosto se contorceu, rugas apareceram, sua pele ficou flácida.
-Isso é um sonho, só um sonho- murmurei mais para eu mesma, mas infelizmente a mulher ouviu.
-Não querida, isso não é um sonho, é real- ela disse num sussurro audível.
-Mas eu...
-Querida, largue isso, venha, se sente aqui- um banco surgiu ao lado dela, olhei horrorizada.
-Quem... O que é você?- perguntei assombrada.
-O que eu sou?- a mulher deu uma gargalhada- Garota mostre mais respeito diante de mim.
-O QUE È VOCE?- gritei.
Ela olhou em meus olhos e deu um risinho, deixou o xale cair, dei um passo para trás, uma coroa negra estava em seus cabelos, uma pedra com o brilho de uma estrela estava no meio, mas o que me horrorizou foram seus olhos, bem, onde deviam estar seus olhos estavam só orbitas vazias.
-Eu... Bem, o que posso dizer? Eu sou a noite... A escura... A que não tem nome, mas que é conhecida como Nix, a deusa da noite- ela falou com um sorriso enigmático.
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