O Filho De Ártemis
23 Libertando Zeus
Notas iniciais
boa leitura
O homem se afastou e saiu por uma porta que Caleb não havia notado antes.
– Se afaste de mim! – Iole sibilou irritada para ele assim que Érebo saiu da sala. – Você me traiu!
– Iole, se acalme. Eu fiz aquilo para que ele saísse da sala por acreditar que eu estava cooperando. – Caleb tentou manter o tom razoável e baixo e os poucos viu que a garota foi vendo a lógica do plano, embora ainda parecesse relutante.
– O que você pretende fazer? – Perguntou a garota parecendo um tanto cética.
Caleb pensou por um momento.
– Afasta um pouco. – Ele disse e Iole apenas olhou para ele. – Confia em mim.
Ela fez o que ele pediu, Caleb respirou fundo uma vez e jogou o anel para cima, quando desceu, uma espada reluzente caía na direção deles. Iole teve a reação instintiva de se afastar, mas Caleb não deixou.
– Fique parada. – E pronto, as cordas que os prendiam foram cortadas. Iole sorriu para ele com um pouco de relutância.
Droga, aquele garoto era incrível.
Ela não se conteve e inclinou o corpo na direção dele e o beijou.
Caleb ficou muito contente ao ver a garota sorrindo para ele, mas não esperava o beijo, por um instante ele ficou em dúvida, mas depois se deixou levar e retribuiu o beijo dela. Os lábios dela eram macios e quentes.
Quando ela se afastou, Caleb não sabia dizer qual dos dois estava mais vermelho.
– Me, ah, desculpe por isso. – Ela murmurou.
– Hum, ta, sem problema. – Caleb falou e pegou a espada caída no chão, evitando os olhos da menina. – Hum, as cordas.
– E então? – Era a voz de Érebo se aproximando novamente, Caleb se pôs de pé e ajudou Iole. – Já decidiram como vai ser?
Caleb notou que Iole segurava suas adagas, pronta para lutar.
Ele entrou pela porta e ao ver os semideuses livres ficou em choque.
– Como? – Só teve tempo de falar isso, pois uma adaga de bronze de repente se projetava em seu pescoço. Icor, o sangue dourado dos imortais, jorrou da ferida. Ele arrancou a adaga do pescoço e a jogou no chão antes de lançar um olhar maléfico para Caleb. – Ainda não acabamos, semideus.
E sumiu, ao redor tudo ficou escuro, e Caleb não conseguia ver nada.
– Caleb? – Chamou a voz de Iole a algum ponto a sua esquerda.
– Estou aqui. – Ele respondeu.
– Onde? – A voz dela voltou a soar.
– Como vão encontrar um ao outro se não conseguem enxergar? – A voz de Érebo voltou a soar de todos os lugares. – Aliás, filho de Ártemis, é o seu sangue que vai destruir o senhor dos céus. Como ainda não estou com meus plenos poderes, tenho que esperar...
Caleb se sentiu congelando, mas a voz de Érebo sumiu. Ele rezou silenciosamente para Ártemis.
Mãe, por favor, ajude-me a sair dessa.
Então o cordão em seu pescoço começou a brilhar levemente, mas o brilho começou a ficar mais e mais forte. Caleb retirou para fora da camisa e parecia que estava segurando uma pequena esfera de luz, pálida e perolada. Como a luz da lua.
Então uma lembrança o atingiu. A deusa no meio da clareira, uma luz ofuscante e o cordão, o cordão que tinha parte da luz da lua dentro de si.
– Obrigado mãe. – Ele sussurrou e olhou ao redor, tudo estava claro, não como o dia, mas agora ele podia ver, Iole estava a alguns passos dele, mas Érebo não estava em lugar nenhum.
Ele andou até Iole e segurou a mão dela. Por um instante ela tentou se soltar.
– Iole, sou eu. – Ele murmurou e o olhar dela ainda parecia um tanto desfocado, como se só pudesse ouvi-lo.
– Como? – Ela sussurrou e ele não sabia dizer, era como se apenas ele pudesse ver a luz brilhante na palma da mão. Caleb pegou a outra adaga da menina e a devolveu a ela.
– Não importa. – Ele falou e a puxou na direção da saída oposta. – Temos que correr, ainda temos que libertar Zeus.
Eles saíram desabalados pelos corredores. Caleb fazia questão de checar cada porta antes de seguirem para a próxima, e tudo parecia tão escuro quanto a sala que eles estavam presos.
A cada curva de corredor seu coração se acelerava, e se os monstros os encontrassem? Mas tiveram sorte e não se depararam com nenhum. Caleb continuou correndo pelos corredores, sem se dar tempo para pensar em Iole e no beijo que trocou com ela. Por que ele se sentia tão culpado? Como se tivesse sido errado o que fizeram?
Então chegaram a um corredor e Caleb congelou.
– É aqui. – Ele falou baixinho.
– Para mim parece tudo igual. Escuro. – Ela falou irritada. – Como pode ter tanta certeza?
Ele suspirou.
– Apenas tenho está bem? Depois explico como tenho. E afinal, o que Érebo quer? – Caleb falou e abriu a porta mais próxima.
Todas as suas perguntas foram respondidas ao olhar para Zeus acorrentado sobre um altar. Icor jorrava de vários pontos de seu corpo. Ele parecia inconsciente, mas ainda vivo.
Iole arquejou.
– Meu senhor! – Ela correu na direção dele e Caleb a seguiu.
– Como vamos soltá-lo? – Ele se perguntou e as palavras da profecia voltaram a soar em seus ouvidos.
O deus que está preso deve encontrar,
E de sua prisão irá o libertar.
Como ele iria libertar Zeus? Então olhou para o sangue dourado caindo em poucas gostas pelo chão, onde tocava o local parecia derreter lentamente. Como se o icor fosse ácido. Uma ideia começava a surgir em sua mente, mas o Lord do céu parecia estar em uma espécie de coma, como Caleb o tiraria desse transe? Caleb havia ouvido falar de magias empáticas onde um objeto que estivesse ligado a outro poderia destruir caso algo acontecesse a ele. Uma luz se acendeu na mente do garoto, era loucura, mas era uma ideia.
– Iole, me ajude! – Ele falou. – Minha ideia é louca, mas preciso de você.
Ela se aproximou e viu que ele escolhia uma flecha numa aljava em sua costa.
– Segure isso. – Caleb passou a ela uma flecha prateada, com a ponta parecendo muito afiada. Ele pegou com os dedos um pouco do icor de Zeus e passou na flecha. Por um momento se perguntou se o sangue ácido o afetaria, mas não o aconteceu nada.
– O que você vai fazer? – Ela perguntou.
– Uma coisa que eu acho que aprendi. – Ele murmurou e pegou um pedaço de corda e a lambuzou com o sangue do deus, depois passou algumas gotas nas algemas de bronze. – Espero que dê certo.
– Caleb! – Iole o apressou e apontou para a porta, onde um enorme grupo de monstros tentava passar ao mesmo tempo.
Ele pegou a flecha da mão da garota e entregou a corda.
– Segure isso com firmeza.- Ele falou e ela ergueu a corda, com um movimento rápido o garoto acertou a flecha na corda que balançava a separando em duas. Por um instante, nada aconteceu. Até que um suave clik soou das quatro algemas que prendiam o senhor dos céus e todas caíram ao chão com um estrondo.
Então o deus abriu os olhos e se levantou numa velocidade absurda para quem estava todo machucado. Os monstros na porta recuaram e Iole se postou do lado de Caleb.
– Fechem os olhos pequenos heróis. – Zeus disse fazendo o chão da mansão tremer.
Caleb fechou os olhos rapidamente e escondeu o rosto de Iole no peito dele.
Segundos depois, havia acabado.
– Podem abrir os olhos. – Caleb ouviu a voz de Zeus próxima a ele.
Ele abriu os olhos lentamente, estavam do lado de fora da casa, que parecia em ruínas. O deus parecia estudar os dois com um pequeno interesse.
– Então você é o pequeno de minha querida Ártemis. – Zeus falou parecendo se divertir. Ele parecia um homem normal, só que mais... imponente.
– Senhor Zeus. – Caleb falou e se colocou de joelhos, arrastando Iole consigo.
– E essa menina. Quem é? – O deus falou olhando Iole com mais interesse.
– Meu nome é Iole Ann Jones. – Iole falou e olhou para o deus que franziu a testa ao som do nome dela. – Minha mãe me mandou nessa missão esperando que o senhor poupasse minha vida.
– E quem é sua mãe, criança?
– Minha mãe é Hera. – Iole falou e observou a reação de Zeus.
O senhor dos céus parecia perplexo demais para falar alguma coisa. E Caleb percebeu que não ia acontecer nada bom se não intercedesse.
O deus se afastou, parecendo muito irritado com algo, o céu ficou escuro e com nuvens de chuva.
– Meu senhor, hoje é 21 de dezembro, o senhor precisa voltar ao Olimpo para a reunião. – Caleb falou, tentando livrar o pânico da voz.
– Você está certo menino. – Disse o deus, então ele olhou para Iole. – Vocês virão comigo, parece que o conselho tem muito que discutir.
O deus ergueu a mão e um raio atingiu a árvore mais próxima, mas ela não era mais uma árvore, o deus a transformou em uma biga.
– Vai servir. – Ele murmurou com irritação e começou a se aproximar do veículo, mas olhou para trás, para Caleb e Iole. – Vamos.
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