Notas iniciais
Espero que gostem

Cinco dias era pouquíssimo tempo, e Caleb logo se deu conta disso assim que Ártemis estipulou horários para as aulas que ele teria.

Arco e flecha.

Grego antigo

Mitologia.

Treino com a espada.

Ele ficava tonto só de imaginar no que aquilo implicaria. As duas mães dele se revezavam na hora de ensinar, ele era muito bom no arco e flecha, o que meio que o surpreendeu, já que nunca havia tocado na arma, mas para Ártemis ele ainda tinha que corrigir algumas falhas básicas, como por exemplo:

- Mantenha a postura Caleb, suas flechas seriam mais precisas e fatais se você mantivesse a postura e não forçasse tanto os ombros. Era nessa hora que ela se aproximaria e o colocaria na posição certa, o deixando de certa forma constrangido, pois também ainda estava se acostumando a vê-la como uma menina de dez anos e tentando se adaptar a esse fato. Viu? Sente como seus músculos estão firmes, mas ainda assim com mobilidade suficiente para você atirar de novo?

- Sim senhora. Ele murmurava um tanto vermelho e depois de analisar como estava o vento atirava a flecha... E começava tudo de novo.

As aulas de grego não eram tão ruins, ele conseguia ler sem muita dificuldade, pelo menos era mais fácil que tentar ler inglês normal. Essa foi uma das primeiras coisas que ele perguntou, pois esse fato o interessava.

- Porque eu consigo ler grego melhor que inglês? E o transtorno do déficit de atenção tem algo a ver com o fato de eu ser um semideus?

- Por que seu cérebro está conectado com o grego antigo. Ela respondeu calmamente. Por isso a dislexia. O transtorno do déficit de atenção tem a ver sim, ele mostra que você tem reflexos para luta, é o que te manterá vivo quando for lutar com um monstro numa batalha verdadeira.

- Ah. Então ele ficaria quieto por dois segundos e a aula recomeçaria.

Nos mitos ele era razoavelmente bom, não conseguia lembrar de todos os nomes e ainda se confundia bastante, mas se esforçava cada vez mais, pois era constantemente lembrado que ele aprender aquilo era a diferença entre viver e morrer no futuro.

Nos primeiros treinos com a espada ele sentiu que precisaria de muito treino, mas que levava certo jeito em lutar com ela. Normalmente era Layla quem o ajudava usando outra espada, ela era incrível e surpreendentemente boa, e às vezes Ártemis entrava na aula e o ensinava como desviar golpes de adversários com adagas, e Caleb passou a ter mais respeito e cautela em relação às facas de caça, elas podiam ser um perigo mortal se o inimigo soubesse como usá-las corretamente para serem ofensivas. Sem dúvidas esse era o caso de Ártemis, que não dava para ele um minuto de descanso.

- Como os deuses vieram parar aqui nos Estados Unidos? Ele perguntou uma vez à Ártemis quando estavam treinando arco e flecha sob o luar, ele havia reparado que a deusa parecia mais a vontade sob a luz da lua, assim como ele. Parecia que a luminosidade perolada o dava forças e o acalmava, seus treinos rendiam muito mais quando praticavam durante a noite.

A deusa pensou por um momento antes de responder:

- O que os mortais chamam de civilização ocidental não é um conceito abstrato, é uma força viva, uma espécie de consciência coletiva que ardeu fortemente por milhares de anos, e ainda arde, como uma espécie de chama, e nós, os deuses Olimpianos estamos profundamente ligados a ela, por assim dizer. Então não deixaremos de existir. A deusa disse com um sorriso e depois pensou por um momento. A menos que toda a civilização ocidental seja destruída. Ela fez uma pausa e Caleb considerou a opção antes de sorrir. Como todos sabem, a chama começou na Grécia e depois se mudou para Roma, onde nós recebemos nomes diferentes: Meu pai Zeus recebeu o nome de Júpiter, eu virei Diana e assim por diante, mas nos mantivemos os mesmos deuses, com características levemente diferentes.

Caleb assentiu, começando a entender.

- Então, onde a chama estiver mais forte, vocês estarão lá? É isso?

Ártemis abriu um largo sorriso de aprovação e assentiu solenemente.

- Exatamente.

Caleb sorriu e atirou a flecha, estimulado pela aprovação da mãe, e a seta atingiu o centro do alvo.

- Muito bem, seu treinamento está começando a dar resultados, basta apenas continuar praticando constantemente. Ela falou antes de suspirar e olhar para o céu. Afinal, tenho apenas mais um dia para ficar com você Caleb, depois disso precisarei partir.

Ele se sentiu surpreso. Não podia ser verdade. Então Caleb fez as contas e viu que a deusa estava certa, quatro dias haviam se passado, mas pareciam que foram apenas dois.

- Tenho tentado manter as coisas sob controle, meu filho, mas a minha presença aqui por muito tempo está chamando a atenção dos outros deuses e se continuar desse jeito... Ela não terminou, mas Caleb estremeceu em pensar nas possibilidades, os deuses teriam sérios problemas em aceitar a existência dele se descobrissem sobre ele, agora ele tinha absoluta certeza disso depois de quatro dias de treinamento e de estudos em mitos.

Ele assentiu um tanto desconfortável.

- Eu entendo. Disse baixinho.

- Eu irei revelar sua existência para os outros. Ela disse seriamente e ele sentiu sua boca formar um O perfeito com o choque. É melhor que eu fale do que eles descubram por si mesmos, e isso é praticamente inevitável agora.

- Mas minha senhora... Ele disse tentando encontrar palavras para argumentar, ele preferiria não ser fulminado.

- Não se preocupe. Ela falou. Tentarei arrumar um meio para deixá-lo vivo, um acordo com os deuses é a melhor maneira de tentar resolver as coisas e convencê-los de que você merece uma chance de provar seu valor como semideus.

Ele ficou calado enquanto a deusa estudava seu rosto e assistia várias emoções passarem por ele.

- Antes de ir, há mais um presente que eu gostaria de dar a você. Ela disse baixa e suavemente, ele a olhou e a viu se afastar alguns passos dele.

Ela ergueu as mãos para o céu, ele notou que ela estava bem no meio da clareira, sendo banhada pela luz perolada da lua. Caleb viu o quanto sua mãe era fascinante ali, mesmo com a forma de uma criança ela irradiava poder.

Ele sentiu algo diferente no ar, então olhou em volta e viu que a luz estava sendo atraída para a deusa, houve um flash de luz ofuscante que o obrigou a desviar os olhos por um momento, quando ele voltou a olhar ela se aproximava lentamente, com algo nas mãos.

- Mantenha esse presente sempre com você. Ela disse e ele percebeu oque era o presente.

Ele olhou para o cordão que a deusa segurava e se afastou alguns passos dela.

- Caleb? Ela disse um tanto preocupada.

- Eu sonhei com esse cordão, minha senhora. Ele disse, sua voz nada mais que um sussurro.

Ela assentiu como se não parecesse surpresa.

- Esse cordão, como você pôde ver, possui o brilho da lua escondido dentro dele, nenhum outro, seja semideus ou deus, conseguirá ver o poder que ele possui. Ela falou e colocou o cordão nas mãos dele. E mais uma coisa. Disse e estendeu o pingente dourado de um cervo.

- Obrigado... Mãe. Caleb disse e a deusa sorriu.

- O pingente é uma forma de chamar meu animal sagrado. Ela disse e olhou para ele de forma inquiridora.

- A corça dos pés de bronze e chifres de ouro. Ele disse na mesma hora e a deusa assentiu.

- Ela é um animal veloz e peço a você que a proteja. Ela disse e o guiou de volta por entre as árvores para a tenda onde Layla dormia em uma das camas que foi colocada ali para o garoto e a ninfa dormirem quando fosse preciso.

- Porque ela precisa de proteção? Ele disse enquanto se acomodava confortavelmente na cama.

A deusa suspirou.

- Ela é forte, mas sempre há alguém que deseja fazer o mal a ela. Ártemis disse e Caleb teve a impressão de que a deusa não falava apenas da corça. E ás vezes é necessário confiar em alguém para que tudo dê certo, mesmo que seja uma coisa arriscada. Ela falou saindo da tenda. Durma bem Caleb.

- Aonde você vai minha senhora? Ele perguntou a seguindo com o olhar.

- Ficarei aqui fora, alguém precisa vigiar a tenda.

- Boa noite então. Disse. Mãe.

A deusa soltou uma risada baixa e ele adormeceu rapidamente.

Assim que acordou Caleb levantou-se rapidamente e estava se arrumando quando se deparou com um espelho mais ou menos da sua altura e ficou surpreso com a imagem que via ali.

O garoto que o encarava de volta tinha olhos dourados e cabelos avermelhados, sua pele era meio pálida. Essas características ele conhecia bem, mas as mudanças em seu corpo o pegaram de surpresa. Caleb sempre teve músculos, mas agora ele percebeu que estavam mais definidos e que dava para notá-los mesmo que ele estivesse usando uma camisa folgada.

- Pelos deuses. Ele disse ainda fitando a imagem no espelho. O que houve comigo?

Notas finais
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