O Filho Amaldiçoado: 1. A Busca
15 Um dia no castelo
Notas iniciais
Capítulo 15 – Um dia no castelo.
Acordei devagar tentando me lembrar de onde passara a noite. Minha mente se encheu de imagens e beijos da noite anterior; era um sonho só podia ter sido. Ele não me amava, nunca amou. Sentei atordoada e os cobertores caíram revelando meu corpo nu por baixo deles.
Na minha frente um espelho refletia o quarto que era pintado de um dourado no mesmo tom dos olhos de Cronos, enquanto outro canto do recinto era de um branco gelo. Em em uma das paredes um enorme closet jorrava peças masculinas aos montes. Uma janela mostrava a gélida névoa que cobria o alto do Monte Tam e fazia com que o quarto não ficasse abafado. Ao meu lado na cama os cobertores jogados e as roupas espalhadas pelo chão demonstravam que quem estivera ali saíra às pressas. E deixara um bilhete como explicação:
“Os servos me chamaram para uma reunião de emergência. Fique no quarto a não ser que seja chamada, desculpe...
Com amor
Luke
Ps.: Obrigado por ontem”
Coloquei-o de volta na cama e deitei tentando voltar a dormir e novamente minha cabeça foi invadida por imagens: Beckendorf e Silena entrando no Portal; a conversa com Luke; o “pós-conversa” com Luke; e agora essa reunião de emergência, eu tinha que saber o que era que estavam planejando.
Joguei as cobertas para o lado e me obriguei a levantar, somente para ver o quanto estava frio fora da cama. Estremeci enquanto ia em direção as minhas roupas no chão ao lado da cama. Agachei e peguei-as.
Já vestida arrumei um pouco o quarto e encostei minha orelha na porta para ver se alguém me vigiava. Tentei abrir a porta e não me surpreendi ao constatar que estava trancada e por isso o silêncio do lado de fora. Comecei a pensar em um plano quando bateram na porta. Corri para a cama e deitei novamente dando autorização para entrarem.
Não foi uma grande surpresa ao ver um monstro entrar pela porta. Ele ou ela trazia uma bandeja com comida:
‒ Mestre Luke mandou café-da-manhã para a imperatriz ‒ disse o hiperbóreo que agora se mostrava homem.
‒ Imperatriz? ‒ questionei; ele não me respondeu, apenas se aproximou e colocou a bandeja no criado-mudo ao meu lado e começou a se retirar:
‒ Espere! E-eu... queria conhecer o castelo ‒ o.k. aquela era uma péssima desculpa para sair, mas ele era um hiperbóreo, era mais fácil enganá-lo.
‒ Co-conhecer o castelo? B-bem, não vejo porque não... ‒ era óbvio que ele tinha medo de me dizer não e Luke não gostar muito disso depois.
Levantei-me e o acompanhei até a porta. O corredor comprido e cheio de quadros de batalhas gregas em que passara no dia anterior não havia se alterado. Conhecer a terrra inimiga é sempre decisivo em uma batalha.
Acabei por descobrir que Richard era um a mostro com ótima personalidade ou com o suficiente que um hiperbóreo poderia ter, seria uma ótima companhia e amizade para se ter no castelo. Me contou tudo sobre o lugar e de como era bom morar ali, com outros de sua espécie:
‒ Sempre fui um monstrinho solitário e é bom ter com quem falar. Outros “Richards” ‒ dissera ele, se Tyson estivesse aqui, tenho certeza que os dois seriam ótimos amigos. Richard, assim como Tyson, era jovem, Uma criança apesar dos quase dois metros de altura.
Ele também estava muito animado por ter a honra de servir a imperatriz...
‒ Annabeth. Pode me chamar de Annabeth, não gosto de imperatriz...
‒ Rick gosta de Annabeth, e a Annabeth também é legal ‒ Ri.
Já estava arfando quando passamos perto da cozinha e notei que não tinha comido o café que Luke me enviara. Entramos e imediatamente o cheiro de pães invadiu minhas narinas enquanto Rick remontava o café que deixara no quarto: Café, pão, manteiga, ovos, bacon e um pouco de leite com biscoitos. Estava delicioso.
De barriga cheia prosseguimos com o tour pela ala principal do castelo ande o hiperbóreo disse que Luke estaria. Ao longe já ouvia-se a voz, ou melhor, sentia-se a voz de Cronos retumbando pelos corredores como em um show quando sua garganta treme com o som alto.
Cheguei perto da porta para tentar entender o que diziam e misteriosamente a conversa parou ao fazê-lo poucos instantes depois a porta se abriu.
Caí dentro do recinto claro e grande assustando os presentes:
‒ Annabeth?! Eu pedi para você ficar no quarto! ‒ Luke dizia desesperado.
A sala era larga e espaçosa cheia de colunas gregas e no chão encontravam-se um mapa dos Estados Unidos feito com ladrilhos, ele era obviamente mágico pois sua peças se moviam de acordo com o que ou quem simbolizavam se moviam. Havia um destaque maior sobre NY, mais como um segundo mapa que mostrava a cidade, o Olimpo e o Acampamento.
Levantei o olhar encontrando o de um Luke assustado em me ver. Atrás dele antigo caixão de Cronos dourado e com pequenas esculturas de pessoas sofrendo por toda a sua volta.
“Há! Há!, eu avisei que ela viria”, sua voz retumbou em minha garganta. “Venha cá, Annabeth, junte-se a nós nessa reunião.” Levantei hesitando e me aproximei por trás. “Luke estava me contando sobre o grande progresso de ontem à noite”, senti meu rosto esquentar “Vamos ver se o plano vai sair como planejado, levam-na para o quarto novamente.”
Encarei uma parede onde um monstro já começava a se mover, um de cada lado seguraram meus braços e começaram a m e puxar.
”E quanto a você Richard, tinha ordens apenas para deixar a comida e voltar, sabia que era extremamente proibido tirá-la de lá... sofrerá as consequências”. Rick curvou-se com as mãos na barriga e os olhos arregalados de dor.
‒ Não! Não! Richard! Fui eu que pedi para sair, não foi culpa dele! ‒ de nada adiantou o pobre hiperbóreo sofria enquanto eu era carregada pela sala. Girei para pegar a lança do monstro que me levava, ele ou ela espantou-se como ato repentino. Puxei a arma e a lancei com toda a minha força em direção ao caixão de Cronos. Richard já podia respirar novamente quando todos os presentes me encararam.
“Como ousa?!” a voz de Cronos retumbou pela sala.
‒ Annabeth! Por que fez isso? É só um hiperbóreo. ‒ disse Luke indignado.
‒ Mas é meu amigo! E não vou deixá-lo sofrer comigo por perto para defendê-lo!
“Hmm... interessante, tudo bem então, levem-na para uma de nossas celas!”
‒ O que?! Não! Você me prometeu que ela ficaria a salvo!
“Se cooperasse, coisa que não está fazendo!”
Foi tão rápido, os monstros já recuperados do susto se aproximavam . Luke berrava com Cronos. Richard se levantava lentamente. Então eu senti. Uma pontada dolorida na barriga, soltei uma grito tão baixo que somente eu poderia ouvir. Minha mão já estava na barriga quando a segunda pontada veio bem mais forte que a primeira, me fazendo berrar e cair de joelhos no chão enquanto outras pontadas vinham. Senti os olhares em mim novamente tentando entender o que estava acontecendo. Abri os olhos, na minha frente pontinhos pretos dançavam.
‒ O que está fazendo?! Pare com isso a está machucando! Você prometeu não fazer isso!
A voz em resposta saiu como uma risada, uma mistura de ironia diversão e maldade, tudo ao mesmo tempo:
“Mas não sou eu que faz isso com sua amada Annabeth, meu caro Luke. E sim você...”
Vomitei, mas não os ovos com bacon que havia comido a pouco, meu vomito era negro e obviamente não humano.
“...ou melhor, o resultado do que fez com ele, quem a está deixando assim Luke, é seu filho. O filho que pedi para me dar, meu filho, meu semi-titã.”
Não resisti, e caí no chão em cima da enorme poça de vômito negro que eu cuspira e ainda cuspia. A mão em minha barriga já havia feito marcas de unha em minha pele como resultado das dores incessantes. Eu sou a única adolescente que engravidou duas vezes de garotos diferentes em duas semanas.
‒ Annabeth... ‒ disse Luke que agora se encontrava agachado do meu lado ‒ me desculpe...
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