Notas iniciais
Oi, gente! Essa é minha primeira One'Shot e por isso é muito importante a participação de vocês nos comentários. Boa leitura! :D

O F E S T I V A L D E V E R Ã O

Escrito por RQLMS

Capítulo Único: O reencontro.

Acordei com o barulho quase ensurdecedor do alarme e, tentando desativá-lo na banqueta lateral da cama, notei o quão empoeirada estava, devido a falta de tempo para limpeza.

Ótimo, Sakura. Mais uma noite sem dormir direito. Mais uma noite tendo pesadelos com ele. Adentrei o banheiro e encarei o reflexo do espelho que confirmava o meu palpite: olheiras fundas e escurecidas sob os meus olhos.

E o pior era saber exatamente o motivo: noites consecutivas atormentada pela ausência de notíciais de Sasuke Uchiha. Bom, na verdade era culpa minha... culpa minha por nunca ter o esquecido, culpa minha por nunca ter conseguido resgatá-lo e culpa minha por ainda amá-lo perdidamente.

Despi-me e entrei no box do banheiro, rogando para que a água escorresse sobre meu corpo e levasse consigo toda tristeza. Mas não levou.

Durante todo o banho eu não conseguia desviar os pensamentos dele. Ainda queria saber onde ele estava e se estava bem, sentia meu coração errar as batidas só de o imaginar ferido, faminto ou sozinho. O estresse causado pela falta de informações sobre Sasuke quase se refletia em dores físicas no meu corpo.

Saí do banheiro e vesti rapidamente a farda do hospital. Hoje eu iria trabalhar só meio expediente, graças a Tsunade que a todo instante repete que preciso descansar.

Suspirei.

Se ela soubesse que ficar no hospital era meu maior descanso... meu descanso de mim mesma. Trabalhar me ocupava a mente, a medicina foi tudo que sempre almejei, é meu mais profundo desejo de ser melhor.

Caminhei até a cozinha e tomei meu café da manhã, peguei uma bolsa com alguns documentos do hospital e saí de casa.

Olhando para a Aldeia da Folha atualmente vejo que ela não mudou nada. As flores enfeitando as calçadas, os bancos de praça colocados em locais estratégicos para embelezar as ruas e proporcionar lazer, o monumento com o rosto dos Hokages, as barraquinhas com os vendedores simpáticos... Tudo igual.

Embora todo o local fosse o mesmo, todo mundo daqui tinha mudado.

Naruto e Hinata se casaram. Gaara e Ino (que assumiu Suna ao lado dele) também. Tenten namora com Neji há um ano e ele lidera os ANBU ao lado de Shikamaru, que assumiu o namoro com Temari há aproximadamente duas semanas.

Todos haviam mudado, amadurecido e seguido em frente após a guerra. E eu me corroía por dentro por estar cercada de felicidade alheia, mas não estar feliz. Longe de invejá-los ou desejar o mal, eu apenas queria entender como conseguiam liberar o passado e prosseguir com a vida.

Frustrante, pois sabia que no fundo eu tinha essa resposta e não queria admitir. Talvez não admitisse por ainda acreditar que Sasuke poderia voltar para a aldeia, talvez por não suportar a ideia de desistir dele e talvez por ainda o amar tanto quanto o amava antes. Talvez.

Cheguei à porta do hospital e cumprimentei o segurança, adentrando o local e passando pela balconista. Subi as escadas até o segundo andar, onde já haviam algumas pessoas na espera pelo atendimento.

Destranquei minha sala e avisei a secretária que já podia convocar os pacientes. Hoje eu daria atenção aos casos mais simples já que a fila estava longa pelos corredores, os casos problemáticos passariam para Shizune.

Estalei meu pescoço ao ouvir a porta abrir. Estava na hora de desafogar os corredores daquele hospital.

******

Organizei os papéis da mesa e desliguei a luz, me preparando para sair da sala. Olhei para a bolsa que levava para ver se estava fechada e girei a maçaneta sem prestar atenção. Não tive tempo nem de olhar para frente quando esbarrei com alguém que tinha acabado de dar o impulso para entrar na sala.

— Gomen, Sakura-Chan! – desculpou-se Naruto que prontamente se abaixava para ajuntar os papéis.

— Naruto!

— Não estava prestando atenção na porta — falou coçando a cabeça, desconcertado.

Arqueei uma sobrancelha.

— Eu também não. – brinquei tentando aliviar o clima.

— Sakura-Chan, eu queria saber se você quer ir almoçar comigo e com a Hina no Ichiraku’s, mas só se não tiver planos para o almoço, claro.

— É claro que almoço com vocês! Faz tempo que não converso com Hinata-san.

— E terão que conversar muito... – Naruto cochichou baixou.

— O que você disse?

— Bom, Sakura-Chan, é que... – ele tentava falar, mas uma coloração avermelhada tomava conta de suas bochechas.

— Naruto, aconteceu algo? – perguntei alarmada.

— É aconteceu, mas...

— O que aconteceu?

— É que... Bom... — ele respirou fundo.

— Desembucha Naruto! — gritei e o loiro se assustou, derrubando os papéis novamente.

— É que quando um casal dorme ju-juntos — guaguejou desoncertado enquanto apanhava os papéis do chão — Depois de casados, claro, eu nunca pensei nisso antes d...

— Naturo, quer ir direto ao ponto?

— A Hina está grávida – sussurrou rapidamente e eu arregalei os olhos.

— A HINATA ESTÁ GRÁVIDA? – gritei e ele tampou minha boca com a mão.

— Não grita, Sakura-Chan! Não é para espalhar isso para todo mundo, nós vamos contar isso hoje à noite, no festival de verão que vai ter na praça – ele disse baixinho e eu assenti, o olhando surpresa.

— Naruto... – sussurrei emocionada e abracei o loiro.

— Nós vamos anunciar a gravidez no meio do festival, quando o show de fogos de artifício acabar, e você tem que me prometer que vai estar lá Sakura-Chan! Todos os nossos amigos vão estar lá, até a Ino está vindo de Suna com Gaara para presenciar!

— Hai! Com certeza estarei lá! – falei – Estou feliz por vocês!

— Consegue imaginar que daqui a alguns meses vou ter um menininho correndo pelo quintal de casa, fazendo jutsos e comendo lámen comigo 'ttebayo?!

Dei uma risada ao perceber o olhar sonhar do loiro.

— Claro que sim!

— Eu fico me perguntando como nunca tinha percebido antes que a Hina era a mulher da minha vida!

Sorri novamente e encarei Naruto. Ele estava tão feliz, o semblante aberto e o olhar brilhante...

— Venha Sakura-Chan, vamos almoçar! Hina está nos esperando – ele disse e saiu caminhando. O segui e começamos a conversar sobre os planos dele e de Hinata para o futuro.

Almocei com o casal e passei a tarde conversando com Hina e tirando suas primeiras dúvidas sobre a gestação. Seria muito especial poder acompanhá-la não só como amiga, mas também como médica.

Quando entardeceu mais fui para casa, tinha que me arrumar para o festival já que hoje seria uma grande noite para o Naruto. Eu estava muito feliz por ele, mas meu coração apertava toda vez que eu pensava em ir para o evento.

O festival de verão é um tipo de celebração para os namorados. Sempre repleto de coisas lindas como maçãs do amor, flores e barraquinhas com desafios e prêmios em troca. Eu não estava com a mínima vontade de ir, mas era o dia de Naruto e por ele eu faria.

Tomei um banho e abri meu guarda-roupas. Depois de um tempinho procurando, achei a vestimenta de festival que foi a última lembrança da minha mãe. Era branca e possuía algumas flores de cerejeira bordadas em sua extensão.

Vesti a roupa e penteei meu cabelo, colocando uma presilha com uma flor. Algum tempo depois, Hinata e Naruto chegaram à minha casa e fui junto com eles ao local.

O festival estava animado, com muitas pessoas da aldeia e muitos casais passeando. As barraquinhas espalhadas pela praça vendiam comidas e alguns brindes. Nossos amigos iam chegando e nos cumprimentando, e logo Naruto e Hinata pareciam ocupados demais. Depois que todos chegaram eu resolvi me sentar em um dos bancos da praça.

A todo instante passava algum casal e eu me encolhia vendo toda aquela felicidade ser exalada. Oras, eu não era assim! Não era de me sentir mal por ver os outros felizes. E talvez a questão não fosse essa, talvez eu só... só sentisse demais a falta de Sasuke.

Mas ele não estava aqui.

Ele sumiu quando a Quarta Guerra Ninja acabou. Eu e Naruto passamos meses o procurando, mas não tivemos sucesso. Não queríamos desistir, mas a Vila precisava de nós, precisava de nossa ajuda para se reerguer. E essa foi nossa prioridade.

Eu durmo todos os dias rezando para ele estar vivo, pois até isso eu não sei mais. O amo como da primeira vez que o vi e nunca vou amá-lo menos do que agora.

Resolvi me levantar daquele banco e ir para outro lugar, lágrimas já se faziam presentes em meus olhos e eu tentava as reprimir. Não posso chorar aqui, não agora, hoje é o dia do Naruto e tenho que estar feliz por ele. Quando chegar em casa posso puxar o meu lençol, enrolar-me nele e chorar o quanto for preciso. Mas agora e aqui, não.

Caminhei até o banco mais longe da praça e me sentei, era o banco mais próximo da saída de Konoha. Era aquele banco. O banco em que ele tinha me deixado no dia em que foi embora, o banco que marcava a saída dele.

Sentei nostálgica e passei a mão pela superfície fria.

Sei que já tentei de tudo e que talvez ele não volte nunca, mas não sei como aceitar isso, não sei se seria capaz de suportar, não sei quem poderia substituí-lo.

As lágrimas que eu reprimia começaram a descer no momento em que os fogos de artifício apareceram no céu.

Mais um festival de verão sozinha.

— Sakura? – uma voz sussurrou meu nome como se estivesse perguntando se era eu quem estava naquele banco.

Arregalei os olhos sentindo cada célula do meu corpo entrar em alerta.

Aquela voz...

Minha respiração ficou descompassada e eu pisquei os olhos só para ter certeza de que não estava ficando maluca. Não era possível... Definitivamente não era possível. O que era isso agora? Aluninação?

Virei-me para trás e dei de cara com um par de ônix-negros, opacos e taciturnos. Pareciam ler minha mente.

Senti meu coração atingindo uma frequência cardíaca descomunal e institivamente afundei minhas unhas na palma da mão, só para confirmar que aquilo era real.

Ali estava ele, na minha frente! Os cabelos negros bagunçados e uma vestimenta azul que eu juraria ser de festival.

— Sa-sasuke! – gaguejei

— O que faz aqui? – ele perguntou e eu senti meu estômago revirar, meu coração poderia sair pela boca naquele instante.

— Sasuke-kun... – sussurrei ainda em choque — O que... O que você está fazendo aqui, Sasuke-kun?

— Irritante – ele falou e se aproximou de mim, deixando seu corpo refletir a luz da lua – Não se responde uma pergunta com outra.

— Eu tenho muitas perguntas – declarei sem pensar.

Ele não respondeu nada, apenas me encarou. Meus olhos, no entanto, não conseguiam ficar parados. Eu analisava cada parte do corpo de Sasuke.

Um alívio enorme se fez no meu coração ao constatar que ele estava bem, não parecia ferido ou desgastado em qualquer sentido. Exceto pela expressão facial que inacreditavelmente denunciava o cansaço, coisa que eu jamais achei que Sasuke pudesse transparecer.

— Regressei – falou de uma vez.

— VOCÊ O QUÊ?! – gritei e ele tampou minha boca.

— Irritante – ele cochichou – Pare de gritar!

Ele olhou sério para mim e segurou meu pulso, propagando uma corrente de arrepios por todo meu corpo. Sasuke olhou para trás e puxou levemente meu braço, caminhando comigo até uma casa não muito longe dali.

Adentramos a casa que, embora parecesse rústica por fora, era composta por moveis novos e até mesmo cobertos de plástico ainda.

— Porque está aqui? – eu perguntei preocupada e ele me encarou — Como pode saber se alguém já não o viu? —

— Eu não tenho que responder isso – ele disse e eu o olhei assustada e sentei-me do lado dele.

Existiam muitas coisas que eu queria perguntar, muitas coisas que eu estava sentindo naquele momento. E uma coisa parecia atropelar a outra, minha cabeça não conseguia selecionar a linha de raciocínio mais apropriada.

— Você está doente? – perguntei e ele negou com a cabeça — Está em perigo?

O arquear de sobrancelhas irônico se dirigiu a mim.

— É que eu não entendo... Você teve apenas vontade de voltar?

O olhei ansiosa, mas ele não respondeu.

— Estou aqui há duas semanas, mas apenas Tsunade e os conselheiros sabem, não posso sair da aldeia em nenhuma hipótese, em extremo caso, acompanhado por membros da ANBU – ele disse e encarou o chão.

— Sasuke... – falei baixinho sentindo meu coração saindo pela boca e olhei-o.

Kami sabe como eu choraria nesta noite ansiando por ter a visão que estava tendo ali. Aproximei-me dele involuntariamente, mas ele parecia não notar, estava absorto demais nos pensamentos.

Eu só... precisava sentí-lo.

Respirei fundo e lancei meu corpo contra o dele, abrindo os braços sem pensar e o envolvendo.

O toque das minhas mãos em seus braços me fez notar o quão quente ele estava. Eu me perguntava quantas vezes sonhei com isso, quantas vezes sonhei em abraçá-lo daquele jeito.

Arfei ao sentir as palpitações do meu coração. Naquele momento eu só pensava que não sabia quando teria aquela chance novamente. Eu jamais me perdoaria se não aproveitasse a oportunidade. Eu precisava o abraçar, precisava sentir seu corpo perto do meu.

Encaixei meu rosto na curva do pescoço e inspirei profundamente. Minha cabeça parecia estar enebriada, parecia não ter mais sentidos. Ele estava ali, estava nos meus braços...

Meu corpo relaxou levemente mas logo ficou rijo, quando inesperadamente senti dois braços passando pela minha cintura.

Arregalei os olhos e apertei minhas mãos ao redor dos braços dele. Sasuke havia correspondido o abraço.

Por um lapso de segundo, eu não conseguia pensar.

— Eu senti tanto a sua falta – sussurrei com a voz embargada e o ouvi rir.

Eu conhecia aquela risada. Meu corpo entrou em alerta.

— Falta... — ele surrou após alguns minutos — Esse sentimento não existe.

Cada pedacinho meu parecia estar pegando fogo, ainda colada a Sasuke devido ao abraço. O olhar dele era caído, cheio de de desprezo.

— Assassino — sussurrou baixo — Matei meu irmão, matei meus companheiros e estou matando essa aldeia há anos, não há como me poupar.

— Sasuke! — repreendi incrédula e assustada.

— Você não entende, eu tentei vingar as mortes que sofri e matei mais — ele me encarou, disparando novamente meu coração pois agora nossos rostos estavam a milímetros de distância — Eu teria matado você, teria matado Naruto e Kakashi se fosse preciso, não sinta pena de quem não teria pensado duas vezes antes de tirar sua vida.

O nó estava na minha garganta. Por um segundo o frio que percorreu minha espinha trouxe medo. As lembranças de Sasuke cego pela vingança invadiam minha mente.

Mas tudo se desfez quando senti a respiração dele contra meu rosto. O medo sumiu.

— Troca o disco — sussurrei — Eu não preciso que você repita o que todos já me falaram durante esses anos – soltei-me da mão do Uchiha – Nem mesmo por um dia desde que você se foi eu consegui dormir sem pensar em trazê-lo de volta, eu e Naruto fizemos tudo pra buscar você, porque sabemos quem você é.

— Tsc – ele virou rosto – Não sou quem vocês conheceram quando éramos pequenos.

— Está enganado se pensa que essa conversa vai me assustar, Sasuke — segurei seu queixo, virando-o para mim em um ímpeto de coragem — Eu não tenho medo de você e nem sinto pena de mim por sentir falta de um "assassino". Se acha que vai me afastar, pare de perder tempo.

O moreno me olhava atônito.

— Eu sei o que você fez e sei mais ainda quem você é — afirmei soltando o rosto dele — O seu lugar é aqui, Sasuke, essa é a sua vila, esses são os seus! — pressionei minha mão contra meu coração, sentindo meus olhos encherem de lágrima — Você fez muita coisa que o distanciou de quem realmente é, mas eu o conheço e isso é tudo que importa.

— Irritante — desviou o olhar, quase como se não estivesse sóbrio — Analise a situação, Sakura. Não pode garantir que meu lugar é próximo a vocês. Um nukkenin ao redor no máximo atrairia bastardos sanguinários prontos para exterminá-los.

Sorri irônica.

— E qual a novidade? Colocar nossas vidas em risco por você já acontece há muitos anos, caso não tenha percebido.

— Você não mudou nada – ele sorriu pesaroso, aproximando seu rosto do meu — Não posso colocar sua vida em perigo — sussurrou fazendo os pelos da minha nuca eriçarem.

Respirei fundo e levei as mãos ao meu cabelo, penteando-os para o lado, em um ato de frustração. Ele parecia estar escorregando por minhas mãos, como se fosse o perder.

— O que fazia chorando naquele banco? — perguntou de súbito, mas eu não tinha vontade de responder. Sentia a dor me invadir antecipadamente porque eu sabia o que viria depois dali, um adeus.

Eu conhecia o final daquela história, nada que eu falasse para Sasuke o faria ficar.

Olhei para ele de canto de olho e o observei fitar um ponto neutro no chão. As obsidianas estavam profundas e os cabelos bagunçados no penteado de sempre. Tentei decorar rapidamente cada detalhe do rosto dele.

— Quando você vai embora novamente? — soltei em um fio de voz.

— Você... Ainda sente por mim o que dizia? – ele cortou minha pergunta e eu engoli a seco, arregalando os olhos.

Suspeitava que até ele pudesse ouvir as batidas coração, do tão aceleradas que estavam.

É claro que eu ainda o amava. Acordava todos os dias com o peito apertado sem poder vê-lo, dormia rezando pare que ele estivesse bem, lutava contra meu próprio subconsciente quando pensava que ele poderia não estar mais vivo.

— Você disse que não se responde uma pergunta com outra — sussurrei.

— Então pare de fazer isso primeiro — ele declarou.

Eu podia olhar, através dos ônix negros, o reflexo de todas as vidas que Sasuke ceifou. Ainda assim, a escuridão que a vida dele se tornou não me fazia temê-lo. Atrás da muralha negra impenetrável que eram aqueles olhos, eu só enxergava a mesma criança que eu conheci anos atrás.

Talvez essa fosse a diferença entre eu, Naruto, e todos os outros. Eles conheciam um assassino, e nós conhecíamos uma criança. A verdade é que todo o ódio de Sasuke nasceu para proteger o amor.

E eu nunca amei um homem assim.

Minha mão suava e a fúnebre sensação de garganta prendendo o choro se fazia presente. Antes que eu pudesse raciocinar, as lágrimas começaram a descer e eu passei a costa da mão em meu rosto em uma tentativa falha de limpá-las.

Eu estava irrevogavelmente presa a esse sentimento.

— Sim, Sasuke-Kun – falei em meio á lágrimas que desciam — Eu amo você.

Ele não se manifestou para falar nenhuma palavra durante minutos que pareceram horas. Suspirei.

Antes que eu pudesse olhar para ele, senti sua mão pousar sobre a minha cintura e me puxar rapidamente, fazendo com que meu corpo se chocasse ao seu abdômen. Em fração de segundos, ele me beijou.

Arregalei os olhos quando senti os lábios dele entrando em contato com os meus e a respiração mesclando com a minha. Ambos os braços enlaçaram minha cintura e colaram-me firmemente nele.

Minha mente processava as coisas rápido demais, mas tudo parou quando ele entreabriu levemente os lábios, induzindo os meus a se fazerem o mesmo. Nossas línguas se encontraram em sincronia e urgência, como se soubessem exatamente o que a outra desejava.

A mão dele tocou minha nuca, causando arrepios por todo meu corpo e a minha logo foi para seu peito, buscando apoio e aprofundando as sensações.

— Eu não mereço – ele sussurrou separando nossos rostos – Mas estou em casa agora, e não consigo ficar sem antes encontrar a redenção.

Eu não sabia o que falar, nossas respirações estavam pesadas e logo ele se aproximava novamente, mas para me abraçar. Seus braços rodearam-me por baixo dos meus, apertando com urgência tal que parecia querer fundir nossos corpos. E senti como se isso tivesse acontecido quando sua cabeça recostou-se no meu peito e começou a derramar lágrimas.

— Sasuske-kun — balbuciei assustada afagando seus cabelos.

— Como você é capaz? — o moreno engasgava-se em lágrimas — Como pode querer a mim? — sem falar nenhuma palavra eu acalentei-o até começar a se acalmar.

Ali estava ele. Ali estava a criança Uchiha que foi até os seus limites por amor.

— Me desculpe — ele falou movendo seus olhos para os meus — Por favor me desculpe por tudo. Me desculpe, Sakura.

Assenti com os vermelhos, denunciando o choro e apertei-o novamente no abraço, o fazendo desviar os olhos de mim. Pela primeira vez eu sabia que o morena havia sentido o amor que Naruto, Kakashi e eu sempre tentamos passar para ele.

Havia muito sofrimento em Sasuke, em tudo que ele passou e fez. Assim como havia em mim. Merecíamos ser felizes.

♦️♦️♦️

E assim foram.

Resignado, o falcão pôs-se a voar inúmeras vezes em busca de sua redenção, mas pousava outras incontáveis, pois somente naquela cerejeira sentia ser o seu lugar. Ela o salvou, enfrentou suas trevas e trouxe luz, coloriu seus dias, sua casa, seu distrito, seu coração... sua vida. A redenção estava em Sakura.

E pra sempre ele se lembraria quando visse os fogos de artifício durante o Festival de Verão.

Notas finais
Obrigada por ler!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!