O Fatal Preço Da Curiosidade

3 "Toda Revolução começa com uma Faísca!"


Assim que entramos tenho que seguir o costume de sempre, ajudar Zoe a fazer as tarefas, ela é inteligente, mas tem uma preguiça que supera tudo.

-Por que não fez sua tarefa?

-Tava ocupada.

Aham, ela devia estar ocupada ouvindo música só deve.

As aulas passam, durante a merenda vejo as tabelas de notas e eu recebo a tão “emocionante” noticia, passei de ano. O mais importante desse dia não foi isso, na última aula do dia, a professora de Biologia se irrita com os alunos (de novo), e quando ela está prestes a começar um daqueles discursos sobre a vida dela que eu detesto(só atrasa meus estudos, por isso detesto tanto), mas sempre presto atenção, ela diz algo que me dá um pouquinho de motivação.

- O que vocês vão fazer de hoje em diante, hein?

Ela tentou começar calmamente mais no fim ela tava gritando, que fez todo mundo olhar pra ela assustado. A sala ficou em silêncio por um bom tempo, até ela voltar a falar:

- Tudo o que vocês fizeram na escola até hoje vai valer muito pelo resto da vida de vocês. Acha que sendo essa “cambada” de inúteis que vocês são, vão conseguir algo bom na vida?

Será que eu sou a única pessoa que se sente mal com o que o professor diz, mesmo que ele não esteja dizendo isso pra você?

- Se querem mudar algo, ainda dá tempo, se vocês se esforçarem nada cai do céu crianças. Agora façam silêncio, e me deixem corrigir as provas.

Novamente ela perdeu a calma, e terminou a frase gritando. Aquilo me atingiu direto. Eu ainda posso mudar e vou mudar. Mas o que tem de tão importante que eu possa fazer?

No fim da aula, vem a representante, Karla Rios, uma patricinha extremamente arrogante, que tem extrema aversão por nerds, exceto em provas, ela estava com seu cabelo preto e longo que parecia tão artificial e usava a sua tradicional maquiagem rosa ofuscante(Ronald McDonald podia perder fácil o emprego para essa menina) e com seu incrível poder de persuasão conseguiu fazer mais da metade da sala votar nela, ela anunciava que a nossa formatura precisava de voluntários para organizar a decoração, Buffet e, o principal, arrumar dinheiro para pagar tudo, o que incluía pedir nas casas, organizar brechós e vários outros trabalhos vistos pela maioria como humilhantes. Ela pergunta se alguém quer participar.

-Eu. – No momento que me levanto, todos olham pra mim, me sinto um E.T., a Karla me dá um olhar de nojo, que ela sempre faz desde a nossa briga.

- Queridinha, tem certeza que consegue falar uma frase sem travar? – Ela, suas amigas e os idiotas da sala soltam risos. Eu penso em falar, mas tenho medo de parecer ridícula travando no meio da frase. Até que algo mais surpreendente acontece.

- A sala é de todos, já que é a representante devia se preocupar com isso. Ninguém deve ser excluído. – Zoe falou. Todos olhavam pra ela amedrontados, as risadas cessaram, ela havia acabado de falar, mas todos pareciam esperar que ela fosse fazer algum tipo de mágica.

- Hoje os estranhos resolveram falar- Mas uma estúpida frase dela, os outros riem, os idiotas da parte do fundo começam a rir, mas quando Zoe olha pra trás eles se calam rapidamente, talvez seja o medo de um segundo incidente com Felix.

-Por que não deixa elas em paz. E alias por que deixaríamos só vocês cuidando da formatura? Metade dos que estão fazendo isso são tão burros que duvido que passem de ano. — Agora a sala estava em choque, o menino mais quieto de todos falou, Apolo.

- Por que vocês resolveram falar hoje? Vão montar uma rebelião? – Dava pra ver o desespero dela, ela temia que algo pior estivesse pra acontecer.

- Não estamos fazendo nada demais, custa aceitar um pouco de ajuda? E com as tuas notas, deve ser difícil tu passar de ano, ou o teu pai vai pagar os professores de novo?- Aquela frase dita com um tom de arrogância no final e um sorriso de desprezo foram tudo o que precisava pra dar um fim à conversa.

- Quem mais quer ajudar? – Ela disse com raiva enchendo seus olhos.

Várias pessoas começaram a se levantar, pois é a rebelião havia se formado, dos mais estúpidos aos mais quietos, sem exceção, todos se levantaram.

- Então todos vão ajudar? Ótimo. — A nossa querida representante dizia com uma voz entediada. Essa, meio que, rebelião não era o bastante, quem fez ela foi Apolo, EU precisava fazer algo, e tinha que ser naquela hora.

- Quem quer que a Karla não seja mais a representante?- Eu falei tão rápido que duvido que alguém tenha entendido.

- O quê?- Karla perguntou com desprezo, com certeza não entendeu o que eu falei.

Eu caminhava a frente da sala, todos os olhos levantados pra mim, ninguém entendia o que eu ia fazer. Cheguei ao lado da Karla e perguntei a todos:

- Quem quer que a Karla não seja mais a representante, levante a mão. – Ninguém fez absolutamente nada, Karla escondia um riso, talvez eu tenha sido um pouco radical demais, até que alguém disse:

- E quem ficaria no lugar dela?- O mesmo garoto perguntou.

- EU. — Minha voz era confiante, mas pareceu não surtir efeito, ninguém levantou a mão.

- Por que você?- o mesmo menino perguntou e eu fiquei sem palavras, pensei que todos quisessem tirar a Karla do poder.

- Ela é a melhor aluna da sala e é bem mais organizada do que o “Furacão Rosa”- disse Zoe.

A sala entrou em um enorme alvoroço de cochichos, a votação havia se iniciado, até que...

- Ela é a única que vai pra faculdade dessa sala, e a faculdade é da Inglaterra, tem alguém pra competir com isso?- Ele disse tudo.

Todos se levantaram e levantaram também suas mãos e começaram a dizer meu nome, era como quando a Katniss se voluntariou no lugar de Prim em Jogos Vorazes, não havia palavras, mas parecia que eles me respeitavam que eu tinha a confiança deles. Fiquei surpresa, tudo ocorreu muito de repente, quem também ficou surpresa foi a Karla, que chorava, borrando toda sua maquiagem, a fazendo parecer um travesti.

Quase ponho tudo a perder quando olho pro meio da sala, lá está ele, Apolo, tão corajoso em me ajudar, mas por que ele fez isso? A história entre nós é tão simples e tão complexo ao mesmo tempo. Como nesses últimos tempos ele tem estado tão distante. Ele me olha e simplesmente dá um aceno de cabeça, mas eu devo pensar isso em outra hora, agora tenho uma sala para organizar.

-Muito bem, eu... – Meu nervosismo quase me fez travar, mas eu lembrei que eles confiaram em mim, é isso que deve me dar forças a partir de agora.- quero agradecer a todos por confiar em mim, farei de tudo para ajudar, estamos no final do ano e a formatura está a nossa frente, todas ideias serão bem vindas e a ajuda- olho pra Karla- também, temos de fazer algo digno, a partir de amanhã discutiremos isso com os interessados, agora, todos liberados.

Talvez em toda minha história escolar não houve dia como esse, me tornar representante da sala, isso era impensável. Tive o meu dia "Catnip", conduzindo uma revolução. Só que esse foi apenas um pequeno passo pra mim.

Eu tenho que ir embora, isso não posso mudar, mas tem muitas coisas que quero fazer antes de ir, está na hora da minha pequena lista “Antes de Partir”.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.