O Fantoche
1 1 - Medo
Do que você tem medo, da morte, solidão, o desconhecido? Eu tenho medo de humanos! Quando eramos crianças meu irmão e eu presenciamos nossos pais serem assassinados em nossa frente, um serial killer invadiua a casa onde moravámos e a sangue frio os estrangulou, após matá-los sorriu para mim e saiu pela porta da frente de nossa casa. Todos os dias antes de dormir eu me lembro daquele sorriso macabro. Ainda hoje me cobro por não ter feito nada, tudo que pude fazer enquanto via a desgraça, foi abraçar meu irmão e rezar para que ele nos deixasse viver. Minhas pernas demoraram pra ficarem firmes, meu corpo todo tremia e não tinha forças nem para gritar. Depois de muito tempo em frente aos cadáveres de meus pais, conseguimos gritar, meu vizinho, um senhor pacato que morava a anos nas redondesas viu a cena macabra, se assustando, não demorou muito para tirarem-nos de lá, não tinhamos parentes, nossa única família eram eles, e tudo nos foi tirado em apenas uma noite. Sem termos onde ficar fomos levados a um orfanato. O lugar era horrível, nos submetiam a torturas psicológicas e muitas vezes físicas. Às pessoas nos olhavam com desprezo, todas as noites eu escutava meu irmão chorar sozinho em baixo do cobertor, o único momento em que sorria era quando em sonhos falava novamente com nossos pais. Não demorou muito apareceu um senhor excêntrico, parecia feliz, feliz até demais, ele contava histórias para as crianças de lá, pela primeira vez desde o acontecimento meu irmão não estava com a expressão vazia, ainda não havia sorrido, mas o clima pesadissímo havia cessado por instantes, nosso pai costumava contar histórias usando um fantoche velho feito com uma meia e um botão para representar os olhos, era confortante, mesmo que por uma ilusão, ver nosso pai de novo. O homem então se foi, algum tempo depois, muita burocrácia resolvida, então foi contado ao meu irmão que ele seria adotado, nos separaríamos, e que era um homem muito rico que o adotaria, obviamente eu sentiria saudades, mas como um bom irmão mais velho, ignorei totalmente a opinião dele, que queria continuar nesse inferno ao meu lado, o fantoche que nosso pai nos contava histórias estava comigo, então o entreguei dizendo que ''sempre que você estiver triste, use-o, e lembre-se de mim'', com isso eu fiquei no orfanato. Ao completar 13 anos saia para fazer bicos, ajudava pessoas nas coisas mais banais, fui juntando um capital, sempre escondendo dos cuidadores, que caso achassem levariam todo meu suado dinheiro, com 16 anos, enfim, chegavá a hora de abandonar aquele lugar, lembro que depois de muito insistir consegui o endereço e número telefônico de meu irmão, ele não havia ido me visitar um dia sequer. Com a grana que havia juntado nos bicos eu conseguiria ir vê-lo, contudo, isso me deixaria zerado, então por lá mesmo paguei uma pensão, não demorou muito consegui um emprego de ajudante em um loja de antiguidades. Era uma loja toda empoeirada, nunca havia fregueses, só uns senhores de idade que todos os dias iam lá olhavam e saim. Um dia limpando as prateleiras vi um livro que parecia estar me chamando, achei melhor ignorar, eu imaginava ser coisa da minha cabeça, todos os dias eu passava por aquela prateleira e então o livro me chamava, decidi então pedi-lo emprestado, o velhote pão duro se negou a emprestar, um mês se passou, os velhos continuavam à vir , o livro ainda me chamava, eu ficaria louco. O primeiro pagamento veio, mal pude comprar comida e nem seuquer havia pagado a pensão, e o dinheiro que usaria para ir ver meu irmão, gastei em um livro antigo, jogado às traças. O livro era tão velho que sua capa estava ilegível, a coloração estava gasta e as páginas amarelas, ao abri-lo descobri que se tratava de um livro de exorcismo, oque me deixou intrigado, falava sobre demônios, maldições, possessões, etc. Passei a noite lendo, até perceber que o relógio marcava 4 da matina, e eu teria que dormir para trabalhar de manhã. Não deu outra, estava atrasado, ao chegar no serviço o dono da loja estava sendo colocado contra a parede por um dos senhores estranhos que apareciam todos os dias, então aquele filho da puta olhou pra mim e disse '' É ele! Ele está com o livro.'' Instantaneamente corri, aqueles homens eram assustadores. Já tinha recebido ainda não tinha pagado a pensão, então com a mancha no orgulho a abandonei sem pagar, juntei algumas mudas de roupas, pensei em deixar o livro para trás, mas aquilo parecia importante, coloquei tudo em uma mochila que estava jogada pelo chão, e corri em direção a rodoviária, as pessoas pareciam se afastar de mim, estranhamente não queriam me vender uma passagem, depois de muito pedidos finalmente consegui a passagem, tive que correr o ônibus já estava em seu ponto, ao me ver o motorista tentava acelerar e sair, mas consegui chegar a tempo. Quando sentei-me, ninguém se sentou do meu lado, e todos sentados nos acentos ao redor se levantaram, isso me deixava receoso. O caminho todo era assustador, parecia que o motorista a qualquer momento perderia a mão e capotaria, depois de muitas derrapadas e gritos, todos chegamos em segurança, alguns vomitaram ao descer do ônibus. Chegando logo fui falar com um atendente, perguntando como chegar no endereço, a casa de meu irmão. Sempre desviando o olhar, falando gaguejando e baixo, entretanto, me passou a informação, agradeci e fui esperar o ônibus, mas todo ônibus passava reto por mim, pessoas nos pontos se afastavam, taxis não paravam, depois de muito andar, já que ninguem me levaria ao endereço, acabei tendo de ir a pé. Ao chegar olhei para cima e lá estava um linda mansão, eu ouvi falar que o senhor era rico, mas não que era tanto, a mansão era rústica destoava de todo o lugar. Então parado em frente a residencia, eu criado a vida toda em orfanato e vivido um pouco em pensão, comecei a gritar ''O de casa'' a plenos pulmões. Depois de algum tempo, descia uma garota, eu acreditava ser uma empregada, mas ela usava roupa comuns, e parecia ter uns 15 anos no máximo, era muito linda de tosto, contudo, seu corpo era reto como uma tábua. Descia andando sutilmente, uma graça, sempre com uma das mãos no bolso, ao vê-la se aproximar, percebia-se que seu pescoço estava cheio de chupões e seu rosto arranhado. Ela não sentia medo de mim, algo raro naquele dia. Ao vê-la tirar a mão do bolso, meu coração acelerou, comecei a suar frio, via algo realmente perturbador, a garota usava o fantoche que dei a meu irmão:
—- Takashi? -- Instintivamente perguntei
A garota sem mostrar expressão alguma virou-se e correu em direção a mansão. Eu gritei um tempo, mas ninguém atendia, intrigado pulei o portão, era alto e possuia lanças, na eminencia que conseguiria acabei cortando minha pantorrilha, a dor não era nada comparado a dúvida que sentia. Corria em direção a mansão, já cheguri chutando a porta abrindo-a, para minha surpresa a mansão que por fora era toda bela, por dentro era sinistra, macabra. Cabeças de animais empalhadas, moveis sinistros, e tantas outras coisas que não sei como descrever. Após meus olhos se acontumarem com a bizarrice, vi a garota e um homem a minha frente, a face estava envelhecida e minha memória vaga, mas eu tinha certeza que já tinha o visto, sim! Era o senhor que foi contar histórias no orfanato,então ele quem havia adotado meu irmão, quem imaginaria que aquele homem fosse tão rico, porém, a personalidade brincalhona e feliz estava diferente, este homem era frio e parecia irritado.
—- Oque o senhor deseja? -- Falava em um tom formal, quase que desdenhando de mim
—- Não interessa! Quem é essa moça! — Falava da garota que estava logo atrás, sempre com a mão no bolso
—- O senhor invande a minha moradia, assustando minha única filha, e acha que não me deve explicação? Aliás, acho que deve explicar à polícia. Yumi, ligue para a polícia. -- Assustada não percebia a ordem, parecia avulsa
''Minha única filha'' essas palavras ecoavam em minha mente, quando sem prévio aviso, o homem acerta um tapa no rosto de sua filha:
—- Ande logo ligue para a polícia. E não chore, não aturo choro de mulheres com mais de 2 anos de idade! — Marcas ficaram em seu rosto pálido
Minha irá chegou ao limite, sem pensar nas consequencias de minhas ações, acertei um soco com toda minha força no rosto do homem, o derrubando, indignado com a situação com meu joelho coloquei todo meu peso sobre o seu peito e comecei a golpea-lo freneticamente, quando em um ato de misericórdia a garota tira a mão do bolso:
—- Pare, irmão! -- Era a voz de meu irmão, ou uma ilusão de minha mente
Ao ouvir isso perdi toda minha sanidade, socava-o com toda a força que nem sabia que tinha, parecia estar possuído, após um sequencia estrondosa de golpes, minha sanidade voltava, eu estava todo sujo de sangue, o homem abaixo de mim estava todo desfigurado, tentei acordá-lo mas já era tarde demais, o homem estava morto, meu irmão, a garota, estava de joelho, seu olhar estava perdido, parecia ter visto seu passado novamente. Um dejá vú, seu pai sendo morto e ele/a impotente. Mesmo me culpando a peguei pelo braço, ela estava no modo piloto automático, andava sozinho, após chamá-la quatro vezes, finalmente acordava do transe:
—- Ei, Takashi! Ei Takashi! Ei Takashi? Acorda Takashi!! -- Dava leves tapas no rosto até acordar
Após seus olhos novamente terem vida, olhava em meus olhos, seu rosto feminino e seus olhos brilhantes eram lindos, quando tira a mão do bolso:
—- Não olhe ele assim, ele é meu irmão! -- Do nada ela começava a corar
—- Não temos tempo você tem a chave do portão? -- Não entendia oque estava acontecendo
Eu conseguiria pular o portão, mas não deixaria meu irmão para trás novamente, ainda queria muitas respostas e havia um homem morto naquela casa, dificilmente não culpariam Takashi
Ao perguntar da chave, a moça balançava a cabeça dizendo que sim, e tirava um molho de chaves, e guardava de novo.
—- Poderia abrir o portão? -- Eu falava ofegante, precisando que fosse rápido
Ela novamente balançava a cabeça fazendo sinal de positivo e ficava parada logo em seguida olhando pra mim com cara de sonsa
—- Então abra! — Meu Deus como era tapada
Então lentamente pegou uma chave e tentou abrir o portão, não era a correta, ela coçou a cabeça, em um sinal que achou que fosse a correta, nisso lentamente pegava a segunda, era um molho com umas dez chaves, nessa velocidade alguém chegaria com certeza, então peguei todas as chaves, tentei abrir, na quarta tentativa abriu, segurando-a pelo braço a puxava, quando ela parou e foi correndo em direção ao portão, pegando as chaves, colocando-as novamente no bolso, fechando o portão, com ela do lado de dentro e trancando-a, depois tentava sair, ficou com cara de sonsa, tirou o molho de chaves do bolso mais uma vez, tentou abrir o portão e coçou a cabeça. Eu peguei as chaves da mão dela, já sabia qual era a correta, abri o portão a entreguei as chaves e fechei o portão. Já tava muito puto, puxando-a pelo braço, quando escutei:
—- Você está me sufocando! — Dizia ela, enquanto eu segurava sua mão abertando o fantoche
—- Você é autista! -- Corria para um beco qualquer, ainda carregando minha mochila que afastava a pessoas
No beco sentamos atrás de uma caçamba de lixo e começamos a chorar.
—- Oque fizemos! -- A garota não esboçava nenhuma reação
Após me acalmar um pouco olhei meu irmão, estava totalmente diferente de como eu imaginaria que estivesse:
—- Oque aconteceu com você? -- Não falava nada, então tirei a mão dela do bolso -- Fale você, oque aconteceu com ela, ele.. Meu irmão? — Apertava com força
—- Calma! Você está me sufocando, irmão! É ''ela'', o nome dela é Yumi Sayuri. -- Explicava quem era a garota
—- Como assim? -- Não estava ententendo a explicação, quem seria ela
—- Mais precisamente esse é meu corpo, mas desde os 5 anos ela foi tratada com menina, quando completou 12 anos, começou a ser abusada pelo padrasto, o homem que você matou, violencia fisíca, psicológica, sexual e isolamento, fizeram essa garota perder todo o senso de realidade. -- Tentava colocar em palavras aquela bizarrice
—- Então aquele maldito abusava de você? — O ódio pelo homem só crescia
—- De mim não, da Sayuri! — Apontava o nariz em direção a ela que parecia um ventríloca apenas mexendo a lateral da boca
—- Entendo, ela é inanimada? Ela não fala? — Perguntava enquanto ficava pensativo
—- Não, ela pensa, e fala! Apenas é muito tímida e lenta! — Voltava para o bolso, e a expressão sonsa voltava.
Levantava e dava as mãos para a moça:
—- Sayuri, não? Prazer, Iori Akira, sou o irmão do Takashi. — Ajudava a moça a se levantar -- Eu irei cuidar de você de hoje em diante.
A moça ficava vermelha, pela primeira vez dando um leve sorriso, era a primeira vez desde a morte de seus pais que o via sorrir, mesmo que não fosse seu irmão, ainda era o corpo dele, a saudades aflorava e eu o abracei, a garota ficou corada, mas retribuiu o abraço, quando a mão vinha e me afastava:
—- Zidane!!! Larga ela! — Batia-me com força -- Aí minha cabeça. Credo, seu tarado, vocês acabaram de se conhecer!
Imaginando a bizarrice ignorei meu irmão.
Quando um senhor aparece no beco, acreditando ser a policia, eu sai com as mãos para cima:
—- Eles não tem nada a ver com isso, eu o matei sozinho! — Confesava já com as mãos na cabeça
Para minha surpresa eram os senhores que todos os dias visitavam a loja de antiguidade, demorou apenas uma dia para me acharem, o quão perigoso é esse livro?
Quando eu achei que estava fodido de vez, o velho, estranho de vestimentas antigas, se ajoelhou perante a mim me reverenciando. Sinceramente eu já não entendia mais nada, oque estava acontecendo, os outros ao fundo também se curvaram.
—- Oque está acontecendo? -- Perguntei estava muito confuso
—- Nós somos a ceita dos exorcistas, e você foi escolhido pelo grande livro, você é o criança da profecia! -- Falava com respeito
—- Que criança? Que profecia? — Sayuri e eu ficamos com cara de sonsos, a dela já era normal
— A criança que viu o sorriso do demônio! Diz a profecia que uma criança que viu o demônio sorrir descerá o inferno e o matará, e nós devemos treiná-lo, grande mestre! — Explicava sobre a antiga profecia
Ao ouvir essas palavras, logo liguei ao assassinato de meus pais, e poderia vingá-los finalmente,minha aura vibrava de ansiedade:
—- Me treine, quero eu mesmo tirar o sorriso do demônio, irei apagar essa maldição de minha mente, e meu irmão irá sorrir novamente. Oque tenho que fazer!? -- Apertava os dentes de ódio ao lembrar do passado
Sayuri se levanta querendo ir ao banheiro, assim que a avistam os homens entram em choque:
—- Quem é ela? Iremos matá-la, ela sabe demais! -- Rapidamente todos se levantam
—- Calma ela é minha mulher!!! -- Ao escutar isso Sayuri se senta, toda molhada, não precisava ir no banheiro mais
Depois de muita explicação, fomos os três para a igreja, onde era a base da ceita de exorcistas:
—- A igreja católica desde os primordes pratica exorcismos, o livro que você carrega contém escrituras do primeiro papa, e todos os papas até o atual colocam seu conhecimento neste livro, leia esse livro inteiro, te darememos água, comida e algumas horas de sono, gaste essas horas como quiser.. -- Olhando maliciosamente para Sayuri
Assim começou a saga de exorcistas de um homem, uma ''mulher'' e um fantoche.
Fim cap 1
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