O Fantasma de Ecomoda

7 Capítulo “SUCESSO ASSSOMBRADO”


Capítulo “SUCESSO ASSSOMBRADO”

Nos jornais e tevês não se falava de outra coisa:

Lenda de mal-assombrada ressurge com a “aparição” do famoso Fantasma de Ecomoda

O evento de 30 anos da Fundação da famosa fábrica de Modas Ecomoda foi um estrondoso sucesso com direito a baile de máscaras, show de rock do cantor Mário Duarte e claro, lançamento da nova coleção. Até mesmo funcionários da empresa de diversos setores, como as secretárias dos executivos desfilaram os modelos do renomado estilista Hugo Lombard e arrancaram aplausos da plateia especializada e convidados. Mas o que surpreendeu e roubou a cena foi o show do “chamado” fantasma de Ecomoda”.

Não se sabe de onde surgiu tal figura exótica, vez que haviam seguranças no prédio, os convites eram devidamente checados e ninguém havia percebido a presença do “ser” até que as luzes se apagaram e fez sua “aparição” no centro do palco, onde a banda de abertura se apresentava. O fantasma apareceu trajado impecavelmente com um fraque preto, capa preta e uma máscara preta com fios dourados a cobrir parte de sua face. Alguns convidados e funcionários desmaiaram de pavor, mas a presidente, acompanhada de um empresário do ramo de restaurantes, assim como outros, permaneceram inabaláveis, como se nada estivesse acontecendo.

Não se sabe de onde surgiu tal figura exótica, vez que haviam seguranças no prédio, os convites eram devidamente checados e ninguém havia percebido a presença do “ser” até que as luzes se apagaram e fez sua “aparição” no centro do palco, onde a banda se apresentava.

Alguns convidados ouvidos dizem já ter visto o “fantasma” e suas mãos são frias, brancas e sua face cadavérica e que se trata realmente de algo de outro mundo, já que aparece e some sem que ninguém consiga capturar, já outros consideram que tudo não passa de marketing.

Marketing ou não, a verdade é que não param de comentar sobre a aparição do fantasma, o que mais que medo, deve atrair bons negócios para a empresa.

Beatriz lia a página do Jornal da Moda que, assim como a Hola e a Jet Set dava especial destaque ao evento de aniversário da empresa e a aparição daquele que conhecia não como fantasma, mas sim como tutor.

—Pior que mesmo quando faz besteira, ele sempre dá uma dentro! Genial, manja muito deste mundo.

—Dona Beatriz! Já leu as publicações? –perguntou Mariana, adentrando a porta para trazer mais uma revista, acompanhada das outras meninas do quartel.

—Sim! Meninas, já disse para não me chamarem assim! Só de Beatriz ou Chris! Eu vim de baixo como vocês, não precisam me chamar de doutora o tempo todo!

—Ai, mas agora é a presidente!

—Isto não muda nada!

—Ai, sei lá! Não é o que dizem!

—O que dizem?

—Sim, dizem que desde quando don Roberto entregou a empresa a Don Daniel e dona Marcela que ninguém para mais de 1 ano nesta cadeira, porque é assombrada, e que o fantasma de Don Armando assombra e não deixa que governe Ecomoda!

—Bobagem, meninas! Acreditam nisso?

—Ai, eu não creio em bruxas, mas que elas existem, existem!

—E fantasmas!

—Meninas! Não perturbem Betty com bobagens! –repreendeu-as Inesita -Não veem que está cheia de trabalho? É claro que não tem fantasma nenhum!

—Ai não sei!

—Pois eu acho que tem e que nossa amiga é uma espécie de protegida do chamado Fantasma de Ecomoda! Não vê que não faz nada com ela?

—Não sou protegida de fantasma algum!

—Ai, seu fantasma se for, não nos faça nada, somos amigos dela desde quando era só uma estagiária!

—E eu a recebi no dia em que veio fazer um trabalho escolar.

—Ai, meninas! Melhor voltarem a trabalhar, os telefones estão tocando!

—Vamos! Vamos, meninas! Seu Hugo deve estar me procurando!

—Melhor irmos mesmo, vai que ele aparece e nos assombra porque não queremos trabalhar?

—Só vocês mesmo!

Beatriz riu com as ocorrências de suas amigas. Mas sentia um dor no coração, sabia que não tinha Fantasma nenhum ou ao menos não era seu professor, como ele havia dito era um homem, um homem capaz de amar.

—Será que ele é o fantasma do ex-presidente eleito? Não, o don Armando Mendoza dizem que morreu no incêndio há muito tempo. Meu tutor não é um fantasma como creem todos!

Em poucos dias a paz restabeleceu em Ecomoda, embora, Betty se sentia estranha. Seu mestre não aparecia, tampouco as flores vermelhas que sempre depositava em sua mesa. Às noites, depois que todos haviam saído, a morena caminhava pela empresa para procurar por ele.

—Acho que o magoei. Doutor! Doutor! -dizia, caminhando pelos corredores da empresa. –Doutor, por favor! Sinto falta de nossas conversas, doutor, por favor, apareça! -mas nem mesmo as indefectíveis flores vermelhas chegavam.

—_______

Ao contrário, as flores de Michel sempre chegavam, junto com seus convites para jantar. Mas a moça procurava descartar educadamente.

—Infelizmente, não tenho tempo nem para almoçar ou jantar, temos muito trabalho, Michel! O desfile foi um sucesso e por conta disso não tenho tempo para nada!

—Mas Beatriz! Beatriz!

—Nos falamos depois, caro Michel!

—Sobre isto também quero falar!

—Sim, então, veja com minha secretária, ela sabe melhor os horários!

Ela não queria soar grosseira, tinha de fato muito trabalho na empresa e sabia que precisava se dedicar muito, mas o principal motivo era que seu tutor era muito restrito e não queria magoá-lo.

Por outro lado, ao desligar o telefone, Michel estava visivelmente irritado.

—Ainda pego esta mulher! Ela será minha! Pensa que pode me dispensar assim depois de provar meus beijos. Ninguém nunca resistiu a Michel Raoul Doinell!

Naquela tarde, Catalina havia ido visitar Ecomoda e depois de conversarem sobre o lançamento e novas estratégias, a loira entrou no assunto a respeito de seu amigo.

—Beatriz, sabe que não gosto de intrometer-me em assuntos pessoais, mas Michel disse que está tentando levá-la para jantar, mas que recusa.

—Ai, dona Catalina, é que...

—Não está interessada em Michel, é isso?

—A questão é que não é que não estou interessada, mas não tenho tempo para o que me propõe!

—E o que é?

Betty conta do beijo.

—Mas foi forçada?

—Não, ele não me forçou a nada, mas... não sei dizer.. Não sei se tinha vontade de beijá-lo... ou sim, Ojojo! Não sei!

—Não sente nada por Michel?

—Sim, amo conversar com ele sobre Paris, comida, falar francês. Ele é educado e encantadoramente bonito!

—Sim, mas não estou falando sobre isso. Digo, Michel te atrai de alguma forma?

—Michel é um homem muito interessante, dona Catalina, mas não tenho tempo para estas coisas.

—Betty, antes de ser uma empresária de sucesso, é uma mulher! Uma mulher pode e deve amar!

Depois de ouvir os conselhos de Catalina, Beatriz fica pensando e resolve aceitar o convite para jantar de Michel.

—Grato, Beatriz, não irá se arrepender. Passo para pegá-la às 20 horas na empresa?

—Não , eh... Melhor que não seja na empresa!

—É que como está sempre aí, trabalhando.

—Er, mas hoje estarei em casa. Façamos o seguinte: o encontro no restaurante.

—Ok. Tenho novidades!

Naquela noite no Lenoir...

—Está tão linda, Beatriz, sente-se! –disse, beijando sua mão

—Olá, Michel! Como vai?

—Estive pensando, desde nosso último encontro. Geralmente, não fico marcado por um beijo.

—Er, Michel, creio que me disse que tinha outros assuntos pra tratar.

—Er sim. Em uma de nossas conversas me disse que a empresa, apesar de sua administração e esforços, ainda levará um tempo para se recuperar do incêndio e a má administração dos Valencia, além é claro desta fama de mal-assombrada.

—Não é mal-assombrada!

—Tampouco acredito nessas coisas, mas é o que dizem, inclusive na imprensa! Eu mesmo quando fui fechar negócios com vocês me alertaram. –percebendo que Betty tem um olhar triste, Michel volta atrás — Não digo isto para denegrir sua empresa, Beatriz, pelo contrário, me preocupo, já que você é a presidente e aparte disso, tenho interesses...

—Interesses?

—Sim, gostaria de fazer negócios.

—Mas seu ramo é restaurantes!

—Sim, mas tenho um grupo de investidores interessados em adquirir ações e quem sabe uma franquia!
—Ótimo! Só que este assunto é com Nicolás Mora!

—Ah... (ele sabia, mas queria conversar com Betty, pois também tinha interesses além dos negócios)

—Pode agendar para falar com ele, ele tem a agenda um pouco mais livre que eu.

—Bem, mas já que estamos aqui, hoje não vou deixá-la fugir! -disse, segurando suas mãos –Beatriz Christine, desde o dia do lançamento quando nos beijamos que não deixo de pensar em você.

—Er, Michel...

—Você é a mulher mais bonita e mais doce que conheci!

—Michel, eu...

—E sabe eu não paro de pensar em você. –disse colocando a mão sobre a mão dela, usando de seu charme. –Sabe desde aquele dia.

O celular de Beatriz tocou.

—Desculpe-me.

Quando ela foi atender, desligou.

—OH, Beatriz!

—Michel, acho que alguém da empresa está tentando me chamar.

—Beatriz, quer namorar comigo?

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