O Fantasma Do Feiticeiro
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Um feiticeiro queimado vivo há mais de mil anos aparece em forma de fantasma, assustando os habitantes de uma pequena aldeia localizada perto de um castelo antigo de propriedade da Família Swampp.
Logo após a chegada de novos moradores a esse castelo, começam a acontecer estranhas mortes ocasionadas por fogo. Sir Wallace Simpson, investigador da polícia especial, é chamado para desvendar o mistério que, a cada vez, revela mais segredos sobre o passado do fantasma.
Sarah Price, a única filha dos novos moradores, havia sido a última vítima do fogo. Sir Wallace estava realmente intrigado com o fato de todas as vítimas serem parecidas: cabelos pretos e longos, olhos escuros, feições suaves.
Ele, então, ao procurar em antigos registros, descobre que o nome do fantasma e feiticeiro é, na verdade, um nome muito comum: Henry Sulley. Ele com certeza esperava algo assustador, como Frankston ou coisa do tipo. Descobre também que ele havia sido proprietário do castelo e, com a permissão dos novos moradores, passa a investigá-lo.
Depois de dois dias sem encontrar nada, finalmente chega ao porão, o único cômodo que ainda não havia sido investigado. Reparando que o mesmo não parecia ser frequentado há muito tempo, vai atrás da Sra. Price e pergunta por que nunca o utilizaram para guardas velhas relíquias e móveis.
A senhora Price, então, responde com medo:
– Nunca entramos lá. Nem quando visitamos o castelo. Os antigos moradores disseram que é o lar de um fantasma. O mesmo fantasma que vêm matando todas essas jovens.
Sir Wallace, sem conseguir evitar, cai na gargalhada, e sem acreditar na resposta da mulher (que aos seus olhos está louca pela morte da única filha), volta ao trabalho.
Após algumas horas olhando o local, um dos políciais percebe que uma das tábuas está mais solta que as outras, e Sir Wallace, sem hesitar, a levanta.
Encontram, envolto a inúmeras teias de aranhas, um pequeno baú de mogno, com os dizeres 'Pertence a Henry Sulley' entalhados em dourado. Ao se lembrar que esse é o nome do fantasma, quebra o cadeado e o abre, deparando-se com diversas fotografias e pinturas de uma mesma garota. Cabelos pretos, olhos escuros e feições suaves. Vendo a semelhança com as vítimas, começa a formular hipóteses com o seu mais confiável policial:
– Creio que o fantasma tenha raiva dessa jovem, e por isso vem assassinando as que são parecidas com ela.
– Raiva? — O policial pergunta. — Talvez seja coração partido.
– Coração partido! Ora essa! Não seja bobo, meu caro!
– O que o faz ter tanta certeza que não é um coração partido?
– Homens não possuem corações partidos, homens partem corações.
– E você, meu senhor, com minhas sinceras desculpas, é um completo idiota ao pensar assim.
– Como se atreve a chamar-me de idiota?
– Ora, o que posso fazer? Você consegue duvidar da história do fantasma contada por ele próprio! O que pode ser fora um idiota?
– Contada pelo próprio fantasma? Do que está falando, meu caro polícial? Está a ficar louco, por acaso?
Todas as luzes do porão se apagam, acompanhadas por um forte barulho, e uma voz grossa preenche o local.
– Não, meu caro, não estou ficando louco. Tampouco o senhor está, caso esteja pensando nisso. Eu sou ele. Henry Sulley.
Sir Wallace nem liga para o que está acontencendo. — Acendam as luzes, por favor. — Ele comanda aos outros policiais.
Quando as luzes enfim acendem, seu confiável policial está jazido ao chão, completamente inerte. Em pé, aos seus pés, está um fantasma. Em outro tempo poderia até ser considerado bonito. Possuia cabelos loiros e olhos verdes. Talvez pudesse ser considerado bonito até mesmo nesse tempo.
– Então era verdade! — Sir Wallace murmura, espantado.
O fantasma ri. — Sim, era verdade. Deixe-me contar minha história. Há muito tempo eu era apaixonado por uma linda menina. Seu nome era Jullie. Ela era dona de um longo cabelo preto e de olhos escuros. Suas feições eram suaves e sua pele branca e macia. Era a menina mais linda do mundo. Ela também dizia estar apaixonada por mim. Depois de muitos meses juntos, creio que uns dez, resolvi contar para ela meu maior segredo: Eu era um feiticeiro. Ao contrário do que achei que aconteceria, ela não pulou em meus braços dizendo que aquilo não mudava nada e que ela ainda me amava. Ela fugiu de mim, mandando-me ficar longe. Ela estava coberta de medo. Nada que eu disse mudou a situação, e ela me delatou. Fui então queimado vivo. Nos meses, anos e séculos seguintes, venho acabando com a vida de todas as jovens que possuam alguma semelhança com ela. Por raiva ou coração partido, eu não sei. Mas eu não tive a chance de me casar e construir uma vida ao lado dela pelo seu medo, e nenhuma menina parecida terá essa chance. A chance de crescer. Eu, após a morte da menina que morava aqui, resolvi que as mortes que eu havia causado já eram o bastante. Poderia parar. Mas então vocês descobriram meu segredo. Sinto realmente muito pelo que vou fazer, em todo esse tempo nunca matei um sequer homem, ou uma mãe, ou qualquer mulher ou jovem que não fosse parecida com Jullie, mas não posso permitir que saiam e espalhem a história do Fantasma. A minha história. — O fantasma então estalou os dedos, e todo o porão pegou fogo.
Todos que estavam lá dentro morreram. O caso continuou a ser investigado por um tempo, mas com o fim das mortes naquela região, logo foi deixado de lado, e hoje não se passa de uma lenda.
Mas não se deixe enganar pelo que dizem ser, ou pelas palavras do fantasma. Isso realmente aconteceu, e ainda acontece. O fantasma não parou de matar as jovens parecidas com sua amada. Ele ainda anda por aí, mudando constantemente de região, e matando qualquer uma que o lembre daquela que um dia quebrou seu coração.
Notas finais
-G.
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