Notas iniciais
E aqui está o segundo capitulo de hoje, queridos leitores ;) Espero que gostem :)

–Pela sua cara foi um trabalho horrível – finalmente disse Bonham após eles chegarem a estalagem e ajeitarem suas coisas no quarto que era bem inferior ao da Fim da Jornada

–Aquele local está cheio de víboras preconceituosas e isso não ajudará em nada a salvar a garota – disse Daan limpando o sangue que saia do seu olho direito, tinha se controlado por tempo demais tanto no salão quanto com o guarda que os guiava

–Acho que sei o que quer dizer. Não foram poucos os guardas que me chamaram de Filho do fogo pelas costas, isso nunca é algo bom

–Filho do fogo. Não pensei que ainda usassem esse termo pra se referir a pessoas como você.

–Não usam, pelo menos nos locais civilizados. Aqui não me parece ser um deles. Eu quase podia ver eles puxando suas espadas e me executando enquanto me chamavam de monstro

–Não só você. Tive que me controlar para não quebrar a cara de alguns ali. Algo me diz que se não tivesse deixado logo claro que era um Exorcista eles teriam me matado só por ter entrado no condado. Esse lugar é longe demais dos portos do reino, pra eles gamurianos como eu não devem ser diferentes de amaldiçoados e por isso devem ser eliminados. Era palpável o nojo deles.

–Fazia tempo que não lidava com gente assim?

–Gente que deixava tão claro sim, mas sempre há pessoas que não gostam de mim pela minha origem.

–Sei como se sente. Alguns locais podem não me chamar de Filho do fogo, mas o preconceito é sempre o mesmo. Já me ofereceram boas quantias em dinheiro pelo meu cabelo e até pelo meu sangue. Tem gente que jura que é algum tipo de afrodisíaco ou até item mágico.

–Nada me enoja mais do que a ignorância. Nada! Seja pelo fato de ter tanto conhecimento quanto tenho ou simplesmente por já ter sofrido bastante por isso enquanto ando por este lado do mundo.

–Vamos parar com esse tema tão irritante e vamos para o principal. Da para curar a garota?

–Duvido muito. O caso dela é semelhante ao da filha dos Poty só que no caso dela é congelamento e não petrificação. É uma maldição poderosa demais e provavelmente foi lançado pela mesma bruxa. Só consigo pensar em um método para salvá-las e é matando a desgraçada.

–Suas poções de purificação não podem ajudá-las?

–Não, não. As poções só limpam o corpo do mal. Apenas feitiços de baixo nível podem ser purificados assim e normalmente são por versões mais fortes da fórmula que você já viu em ação. Maldições são coisas entrelaçadas a alma de alguém e não apenas a carne. Ou sabe-se reverter o processo ou matasse quem o executou.

–Ou quem foi alvo dele

–Algo que para nós não é uma opção aqui.

–Verdade. Então temos que achar essa bruxa, algo que não será fácil de se fazer se não temos idéia de quem ela é

–Vou resolver logo. Ela vai voltar pro castelo, sei que vai, e quando estiver lá irei pegá-la. Mas no momento tenho que averiguar outra teoria minha. Tem certeza das informações que obteve?

–Foi da boca de vários guardas.

–Então vamos comprová-la agora. Algo me diz que irão se encontrar essa noite. Uma crise assim é o momento perfeito para se fazer algo proibido.

Logo então a dupla saiu da estalagem. Já era tarde da noite e para não levantarem suspeitas saíram pela janela. O quarto se localizava no térreo então não havia dificuldade naquilo.

As ruas estavam desertas e apenas alguns guardas bem distantes uns dos outros faziam a guarda que basicamente se resumia a ficarem sentados em bancos dormindo descaradamente. Aproveitando aquilo puderam se movimentar com calma pela cidade e logo chegaram ao seu destino. Esconderam-se atrás de uma árvore e só precisaram esperar poucos minutos de tocaia até notarem a silhueta se aproximando vindo do castelo.

A silhueta oculta pela noite soltou uma pedra rumo a janela da casa e logo outra figura surgiu pela janela saindo de maneira desajeitada e indo na sua direção. Os dois se encararam por um longo momento controlando o desejo de se tocarem e então a dupla se revelou:

–Não precisa fugir Brenno. Garanto que não estamos aqui pra lhes fazer mal – disse Daan se aproximando e assustando o casal fazendo a garota se esconder atrás de uma árvore

–O sinhô aqui? – disse a garota amaldiçoada encarando o Exorcista e seu companheiro chegando enquanto a árvore se petrificava

–Como está?

–Bem melhor graças ao sinhô

–Já se encontraram antes? – perguntou o futuro conde com visível ciúme avermelhando suas bochechas

–Sim, ele que me deu a água ruim – comentou a garota rindo

–Espero que ela esteja lhe fazendo bem – falou o moreno e a garota apenas concordou com a cabeça – Que bom. Tem que se manter firme e forte se quiser ser a futura condessa de Varmar – e pela cara que ambos fizeram os boatos pareciam ser verdadeiros – Sei do caso de vocês dois e garanto que é uma informação mais necessária do que parece

–Por que seria? – indagou o futuro conde observando de nenhum dos dois encarava sua parceira que estava nua atrás da árvore

–A outra garota foi realmente escolhida por você?

–Não – o garoto havia sido franco, era perceptível em seus olhos e na sua expressão – Foi idéia do meu pai. O visconde pai dela é um grande parceiro comercial de meu pai e seria uma excelente afiliação tê-lo como meu sogro

–Suspeitava disso. Você mesmo só soube disso no momento da refeição, não é?

–Sim, exatamente

–Então quer dizer que apenas seu pai e sua mãe poderiam saber de tal fato

–Com absoluta certeza. Meu pai não tem conselheiros ou coisas do gênero, apenas minha mãe o auxilia em suas decisões

–Seus pais sabem do seu caso?

–Eles descobriram

–E por isso a escolha da sua futura esposa

–Sim. Meu pai disse que se eu tinha tempo para flertar com camponesas então já tinha tempo para finalmente me casar com uma nobre e um dia após minha amada ficar no seu estado atual começou o processo. Quem é esse que vem com você?

–Bonham, adorável e futuro conde – falou o ruivo fazendo uma rápida mesura com a cabeça – Sou colega de viagens deste falador Exorcista

–Prazer conhecê-lo, Bonham. Se está com um homem assim também deve ser uma boa pessoa – o ruivo apenas sorriu e encarou seu colega recebendo um dar de ombros como resposta

–Preciso que tome uma coisa, Brenno – disse o Exorcista se aproximando com um frasco contendo algo que aparentava ser leite e o futuro conde bebeu todo o conteúdo seu contestar e no mesmo momento vomitou gosma negra – Então minha suspeita estava certa

–O que fez comigo? – indagou o garoto logo se recuperando, mas sentindo uma leve queimação interna, aquela não foi uma das melhores sensações que já sentiu

–Purificou seu corpo de restos magia negra – respondeu o bardo – A questão é como obteve isso

–Garanto que não tenho idéia, jamais mexeria com tais coisas

–Mas eu tenho uma hipótese – comentou Daan respirando fundo, seu olho tinha enlouquecido no salão, independente de para quem olhasse podia ver magia negra – A bruxa é mais esperta e audaz do que previ. Ela deve ter lançado o feitiço no meio da refeição de vocês. Feitiços só podem ser lançados a distancia se a bruxa tiver material da vitima e ela talvez não tivesse então aproveitou o local cheio e usou sua arte obscura. Graças a isso não só obteve seu êxito como prejudicou meu trabalho. Poderia identificá-la facilmente usando o extrato que dei a você, mas se ela usou o feitiço no meio do salão todos ali ficaram infectados pelas forças das trevas então a poção fará efeito em todos.

–Não há outra maneira de achá-la?

–Sim e para isso precisarei da sua ajuda

–Garanto que terá toda a ajuda necessária contanto que seja capaz de salvar minha amada desta horrenda maldição

–Conseguirei, Brenno. Garanto que conseguirei. Mas para isso você talvez tenha que pagar um preço maior do que pensa.

O rapaz engoliu em seco e não sabia se era pelo tom com que o Exorcista falara ou era pelo olho direito dele que ali na escuridão da noite parecia brilhar em vermelho.

Notas finais
Comentários, elogios, críticas, ou melhorias, comentem :) Não há combustível melhor para mim como escritor do que seus feedbacks ;) Próximo capitulo virá entre os dias 16 e 24 deste mês