Notas iniciais
Acho esse capítulo um amor. *-* Obrigado ao Gabriel, que me ajudou a escrever. ♥

Existem momentos na vida em que tudo que passamos parece um grande redemuinho de confusões. Nos sentimos tristes e felizes ao mesmo tempo, ficamos com medo quando tudo parece estar bem. Era exatamente assim que Amy se sentia. Ela havia acordado com sede de sangue, querendo ver cabeças rolando e pessoas gritando. Mas agora ela estava lembrando quem ela realmente era, e não sabia se valia mesmo a pena ter feito tudo aquilo. E quem era Garret? Ela sentia algo muito profundo por ele, mas não o conhecia o suficiente para continuar por ali e tentar viver com ele, quem sabe. Amy se levantou lentamente do sofá e ajeitou seu vestido, indo em direção a porta da frente. Assim que saiu, um forte raio de luz atrapalhou seus olhos, fazendo com que ela os cobrisse com uma das mãos. Continuou andando, sem rumo, até avistar uma grande praça perto dali. Crianças brincavam, adultos conversavam... Cada um vivendo sua vida, felizes. Tudo podia ser simples assim para ela. Amy foi até um pequeno banco e se sentou, apoiando o rosto nas mãos. Ela queria chorar. Pela primeira vez desde que acordara, a única coisa que ela queria era um ombro para chorar.

Depois de alguns minutos parada ali, pensando, Amy sente alguém se aproximando dela. Assim que olha, vê que um garoto se sentou ali. Um garoto desconhecido, um garoto normal que deve ter seus próprios problemas. Amy se vira novamente, ignorando o garoto.

– Nem todos os dias são bonitos assim por aqui, devia aproveitar o clima. – o garoto disse, ajeitando o cabelo atras da orelha. Amy olhou pra ele pelo canto dos olhos, incapaz de saber o motivo daquele garoto estar ali, falando com ela. Respirou fundo.

– E qual a diferença de estar frio ou calor, se as coisas nunca ficam boas pra mim? O clima é o menor dos meus problemas.

O garoto ficou a encarando por um tempo, até colocar os braços por trás da cabeça, apoiando-se na palma das mãos.

– Entendo, então você não gosta muito do calor. – ele disse, sorrindo. E por algum motivo, Amy riu também. – Sabe, você não devia ficar tão triste. Uma garota bonita como você não deve desperdiçar seu tempo pensando em coisas ruins. Aproveite o que a de bom.

Amy virou-se e encarou o garoto, que ainda estava sorrindo. “O que ele pensa que está dizendo?” – pensou. “Seria melhor ter ficado na casa, droga.” Amy revirou os olhos e voltou a sua posição inicial, apoiando o rosto sobre uma das mãos, e respirou fundo novamente.

– E se não houver nada de bom para aproveitar? Nem todo mundo vive num mar de rosas, sabe. – Amy disse, anciosa pela resposta do garoto. Sua positividade não seria tão útil como resposta.

Ele virou e se sentou de frente para Amy, com uma perna em cada lado do banco.

– Sei que nem te conheço, mas vou te dizer uma coisa. Aproveite sua vida, dia após dia, como se fosse o último dia da sua vida. Vê todas essas pessoas ao nosso redor? Mesmo com a alegria eminente, você acha que elas não tem problemas? Todos nós temos problemas, mas sempre existe algo que nos motiva a continuar... Um objetivo, um sonho, uma pessoa. Se você ainda não achou o que te motiva, procure. Pare de pensar no amanhã, simplesmente viva o hoje.

Depois de ouvir tais palavras, Amy pensou um pouco. Mas ainda não estava convencida de que realmente encontraria algo para ‘motivá-la’. Ela já estava prestes a chorar. “Até mesmo monstros como eu tem sentimentos, quem diria.” – Amy pensou, enquanto esfregava as mãos, nervosa.

– Eu não sou humana. Os humanos mentem e matam e no final, nem remorço sentem. E apesar de tudo, ainda conseguem ser felizes. Como posso confiar em tal raça... – “Como posso confiar no que Garret diz, se no final vocês ainda são seres humanos.” – ela pensou, agora olhando o garoto nos olhos. Olhos aqueles que pareciam absorver um pedaço da sua alma.

– Não entendo por que você diz não ser humana, mas quero que entenda uma coisa: Assim como tudo o que existe, existem seres humanos bons e maus. Existem circunstancias, razões e motivos, que nos tornam o que somos. Não os julgue. Sim, eles podem nos decepcionar as vezes, e fazer com que nos sentimos um lixo. Mas ainda existem pessoas que merecem ao menos o direito da dúvida, e só depende de você saber quem são essas pessoas.

O rosto de Garret imediatamente veio a mente de Amy depois daquelas palavras. Aquele garoto podia estar certo. Não, aquele garoto estava certo. Ela não poderia passar a vida toda desconfiando das pessoas e odiando tudo e todos. Talvez ela devesse dar uma chance a Garret. Ou talvez ela estivesse ficando sentimental demais. Droga. Depois de se despedir com um rápido aceno, Amy saiu andando, querendo ficar o mais longe possivel das pessoas, de tudo. Continuou andando até seus pés pesarem e os músculos da perna doerem, e quando percebeu, não fazia a mínima idéia de onde estava. Então ela se sentou em uma calçada, e começou a refletir. Será que tudo o que aquele garoto havia dito realmente a ajudaria em algo? Desde que acordou, a única coisa que Amy pensava era em machucar os outros, e agora apareceu alguém que a fez lembrar quem ela realmente foi, e parte dessa vontade passou. Depois de alguns minutos, Amy se levantou e, usando sua memória, foi refazendo lentamente o caminho de volta para casa.

Notas finais
Mais um capitulo. E aí, estão gostando da história? *-* Reviews por favor, só com eles vou postar o final. >