O Espírito

7 Capítulo 7 - E agora?!


Michelle parecia estar paralisada. Um sorriso abriu-se em seu rosto.

– Esconda-se imediatamente! – ele empurrou. Michelle que caiu em baixo da cama. Ela conseguia mover seus músculos, que doíam demais. Na frente de Adam apareceu um vulto muito maior, parecendo ser um adulto. Michelle fixou seus olhos nele e percebeu que parecia ser um monstro.

– Você pagará por seus pecados, espírito idiota! – gritou o grande vulto. O quarto ficou escuro. Aquele homenzarrão explodiu em 8 partes, que se transformaram em animais pequenos, que andavam em duas patas. Eles tinham chifres e um rosto cheio de espinhas. Eram vermelhos como pimentões.

– Por quê? – perguntou o espírito sendo empurrado e caindo no chão. Michelle hesitou, mas no instante seguinte, antes que aquelas criaturas avançassem nele, se atirou para fora do lugar onde estava e fez uma barreira, levando um golpe certeiro de um ser. Caiu no chão, quase inconsciente. Seu rosto foi tapado por seus cabelos.

– Seus demônios imbecis! – gritou o garoto fantasma, partindo para cima de seus oponentes.

De repente todos aqueles seres explodiram. Deles saiu uma gosma verde. Aquilo se levantou no ar e formou novamente um homenzarrão. Mas agora seu corpo era de uma cor diferente e também mais magro. Seu rosto tomou-se forma e Adam reconheceu-o. A expressão dele mudou.

– Minhas ordens, caro amigo, eram de você penetrar no corpo dela e passá-lo para mim, não? – perguntou muito irritado a grande massa verde clara, – então... porque você não fez isso?

Adam não respondeu. Apenas curvou-se como uma marionete pedindo desculpas. A excelência pegou o corpo de Michelle. Observou o quarto. Não havia ninguém. Então retirou suas roupas. Ela era muito bonita de corpo. Deixou-a no chão, imóvel.

– Irei extrair sua alma aqui mesmo! – gritou ele. Adam sabia que aquilo era errado. Isso iria matar Michelle. Mas o que ele podia fazer? Ele não tinha sentimentos humanos. Não sabia o que era sofrer. E nem o que era a saudade. Ele não queria que Michelle fosse, mas ao mesmo tempo, queria que ela sumisse. Adam não sabia o que era amor...

O homenzarrão partiu para cima da garota e com sua mão fina, atravessou seu corpo. Ele começou a puxar cuidadosamente alguma coisa brilhante. Era a alma dela. Estava arrancando sua vida. Adam ficou parado. Não queria intervir. Sabia que se fizesse alguma coisa, nunca mais poderia voltar para a Terra. Ficaria preso para sempre.

Mas algo dentro dele, a não ser uma camada de ar acinzentado sentiu que não devia deixá-la partir. Então, outra parte o segurou.

Passados alguns instantes, Michelle estava quase sem sua preciosa alma. Ela abriu os olhos e fitou Adam. Ele parecia ter lançado um olhar melancólico e logo depois, feliz. A garota não entendia nada.

A porta do quarto pareceu mexer um pouco e logo depois, veio abaixo. Foram segundos de apreensão. Os pais da garota pularam para dentro do lugar e apontaram uma cruz grande, feita de um metal com pedras brilhantes.

– Saíam daqui, espíritos das trevas! – gritou o pai. Os vultos recuaram. Aquele homenzarrão transformou-se novamente nas oito partes e avançou sobre o humano. Eles falavam coisas engraçadas, sobre morte e de Satanás. – Saíam daqui!

Tudo se tornou apenas poeira em um segundo. Aquela nuvem sumiu pela fresta da janela. O corpo quase sem vida de Michelle caído no chão. A nudez lhe causava frio. Seu rosto empalideceu-se e as mãos tornaram-se gélidas. A mãe foi até o guarda-roupa e puxou com violência um casaco negro, enorme com listas em azul claro. Vestiu na garota. O pai puxou outras vestimentas íntimas e uma calça Jeans.

– Teremos que levá-la para o hospital... está quase morta... – o rosto do pai ficou negro. Ele andou um pouco, carregando a filha no ombro e então pegou a chave do carro. Eles correram. Passaram pela sala, que estava iluminada pela Lua cheia. As janelas foram fechadas com rapidez.

O carro vermelho esperava lá fora. Mikaela, a mãe de Michelle chaveou a moradia e \"voou\" até o banco da frente do veículo. Eles desceram o morro a quase 100 km/h.

– Mais rápido! – berrava a mulher, colocando o ouvido no peito da filha e vendo que os batimentos estavam quase parando. Mikaela estava com o rosto suado e sujo.

O carro parou bem em frente a um prédio de vários andares. Ele era verde, com listras negras. Todos saíram e adentraram a construção, pelo visto muito bem feita. O pai correu por um corredor de paredes brancas, com luminárias lindíssimas até chegar a uma recepcionista.

– Minha filha está morrendo, é uma emergência! – berrou ele. A mãe chegou logo após e começou a gritar para conseguirem um médico.

– Não temos médicos que possam atendê-la. Por favor, retirem-se... – falou a mulher seca, apertando um botão, prestes a chamar um segurança.

– Nós pagamos o quanto for preciso, para ela viver! – berrou o pai, batendo no grande balcão de granito. A moça lançou um olhar sarcástico e sorriu.

– Quanto você tem a vista? –

– Duzentos e setenta euros! – gritou puxando a carteira e mostrando o dinheiro. Ela apertou outro botão, agora vermelho, e murmurou algo. Dois enfermeiros, um negro, gordinho e alto e outro branco baixinho, com cabelos curtos e castanhos. Eles puseram Michelle em uma cadeira de rodas e dirigiram até uma sala, próxima a recepcionista.

Bateram com tudo na porta e um médico velho, de cabelos grisalhos e longos até a nuca abriu-a.

– Situação de vida ou morte, doutor! – disse o negro, entregando a cadeira nas mãos daquele idoso. Os pais de Michelle entraram correndo. Eles estavam muito aflitos e desesperados. Suavam muito.

O doutor Crevin, segundo seu crachá, colocou a garota em uma cama e examinou seus batimentos. Olhou seu corpo e disse:

– Lamento, mas ela está prestes a morrer. Eu não tenho o que fazer... –